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O.P. (JN) João Lourenço “rasgou compromisso” com Eduardo dos Santos

…E do meu ponto de vista rasgou muito bem …

(JNEsta leitura é feita por Alex Vines, director do Programa Africano no instituto de estudos britânico Chatham House. Segundo este especialista, o Presidente de Angola “rasgou um acordo de compromisso” feito com o seu antecessor.

O director do Programa Africano no instituto de estudos britânico Chatham House, Alex Vines, considerou esta quarta-feira, 22 de Novembro, que a onda de exonerações em Angola demonstra que o novo Presidente “rasgou o acordo de compromisso” negociado com José Eduardo dos Santos.

“Ao fazer isto [a onda de exonerações dos últimos dias], João Lourenço rasgou o Governo de compromisso negociado com (José Eduardo) dos Santos por alturas da sua tomada de posse como chefe de Estado, em Setembro”, disse Alex Vines em entrevista à Lusa.

“O Presidente (João) Lourenço também demonstrou que a família dos Santos já não é intocável”, acrescentou o conhecido analista britânico, que é também director de Estudos Regionais e Segurança Internacional na Chatham House, o Instituto Real de Estudos Internacionais.

“A Sonangol é a principal mudança, mas as mudanças nos meios de comunicação social e nas relações públicas também levaram a demissões nos membros da família” do antigo líder angolano.

O Presidente de Angola, na última semana, tem-se multiplicado em exonerações nos principais cargos da estrutura de poder no país, desde a principal empresa, a Sonangol, até aos chefes de polícia e também na área judicial.

“A prioridade de João Lourenço foi a reforma económica, como a indústria petrolífera”, diz Vines, acrescentando que “o despedimento de Isabel dos Santos é parte desta estratégia que apontou aos principais pilares da economia angolana: o petróleo, com a Sonangol, a indústria dos diamantes, com a Endiama, e as finanças, com o Banco Nacional de Angola”, cujos líderes foram exonerados.

No geral, vinca Alex Vines, “isto significa que a família dos Santos vai ter de andar com cuidado e mostrar cada vez mais as suas capacidades tecnocráticas”, apontando ainda que “o erro de Isabel dos Santos foi que tinha pouca experiência na indústria petrolífera e subcontratou [a gestão] a consultores quando ela própria não estava preparada para se focar completamente na Sonangol até chegar aos últimos meses”.

O panorama para a família do antigo Presidente pode até piorar, considera este analista, salientando que apesar de José Eduardo dos Santos “ainda ser o presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), está a perder força e com a saúde fraca”, por isso “não é certo quando o MPLA vai fazer um congresso para alinhar Lourenço como chefe de Estado e do partido” no poder.

“Quando deixar de ser presidente do MPLA, ou a sua saúde piorar, poderá haver mais pressão política sobre a sua família”, vaticina Vines.

Desde que tomou posse, a 26 de Setembro, na sequência das eleições gerais angolanas de 23 de agosto, João Lourenço procedeu a exonerações de várias administrações de empresas estatais, dos sectores de diamantes, minerais, petróleos, comunicação social, banca comercial pública e Banco Nacional de Angola, anteriormente nomeadas por José Eduardo dos Santos.

(DN) Ex-MNE António Monteiro considera “normais” as medidas políticas de João Lourenço

(DN) O antigo chefe da diplomacia portuguesa António Monteiro, hoje administrador no banco Millennium BCP, relativizou hoje as medidas de cariz político e económica tomadas pelo novo Presidente angolano, João Lourenço, considerando-as “normais”.

Em declarações à agência Lusa, António Monteiro admitiu, porém, que o afastamento de familiares e próximos do anterior Presidente José Eduardo dos Santos de funções públicas ajudam a credibilizar o país e permitem “dar um novo ‘élan'” quer à população quer à própria comunidade internacional.

“Quando olho para este tipo de evolução, considero que estamos perante políticos experientes e, ao mesmo tempo, com papéis diferentes. Há um Presidente que sai, depois de muito tempo no poder, e há outro que entra. Em Angola, o Presidente da República tem poderes executivos e não tem primeiro-ministro”, lembrou.

“Quem vem de novo tem de criar um ambiente para exercício do seu poder executivo, mostrar que é efetivamente ele que está a comandar as operações. Para isso é que foi eleito. Tendo a olhar para a situação com normalidade e pensar que o novo Presidente está a tomar as medidas que no fundo correspondem ao seu discurso programático no ato de posse — estive lá –, na presença de Eduardo dos Santos”, disse.

António Monteiro respondia à questão da Lusa sobre se as muitas mexidas na política e empresas públicas, na justiça e no exército foram um ato concertado com Eduardo dos Santos ou se foram iniciativas tomadas unilateralmente pelo próprio João Lourenço.

“Quando se muda, mesmo dentro dos próprios partidos, muda-se. Quando se muda de primeiro-ministro, há mudanças. Tem de haver mudanças”, acrescentou, admitindo, porém, que Angola, apesar das mudanças tem ainda um caminho a percorrer.

“Angola tem um caminho traçado há muito tempo e está a prossegui-lo. Está a ultrapassar este período difícil, com a baixa dos preços internacionais do petróleo, e é um país que tem de olhar para a diversificação da sua economia, da redução das desigualdades, para a resposta às aspirações das camadas mais jovens. São problemas tão grandes que é evidente que o novo presidente tem de os encarar e procurar dar um novo ‘élan’ até para entusiasmar o país e a comunidade internacional”, sustentou.

António Monteiro alertou, por outro lado, que a Europa, no geral, e Portugal, em particular, “devem estar abertos” à evolução angolana, bem como à da própria África, uma vez que se não fizerem o seu papel, “outros estão preparados para fazê-lo”, como, assumiu, a China.

“Devemos olhar também para o que se passa em Angola com respeito pela soberania do país e à evolução deles e, ao mesmo tempo, estar atento ao que se está a passar. Portugal tem uma importância enorme para Angola e vice-versa. Temos também de dar, ao mesmo tempo, a ideia aos angolanos de que Portugal é um parceiro efetivo e sempre pronto a estar ao seu lado, respeitando a soberania de cada um”, concluiu.

João Lourenço sucedeu em setembro passado a José Eduardo dos Santos, que exercia o cargo de Presidente desde 1979.

(EXP) Ativista Luaty Beirão diz que Presidente de Angola “já fez uma revolução” no país

(EXP)

LUÍS BARRA

O que este senhor está a fazer está a deixar-nos aturdidos e positivamente expectantes”, disse o ativista e rapper luso-angolano, referindo-se à remodelação que o Presidente João Lourenço tem feito em importantes cargos.

O ativista angolano Luaty Beirão admitiu, na segunda-feira à noite, estar “agradavelmente surpreso” com as mudanças que estão a acontecer em Angola, afirmando que o Presidente João Lourenço “já fez uma revolução” no país.

“Se o João Lourenço morresse hoje e tivéssemos que avaliar só estes cerca de 50 dias que ele está na governação, eu diria que ele já fez uma revolução. O que este senhor está a fazer está a deixar-nos aturdidos e positivamente expectantes”, disse Luaty Beirão, referindo-se à remodelação que o Presidente angolano tem feito em importantes cargos.

Luaty Beirão, ativista e rapper, falava durante uma tertúlia que contou com a participação do músico Pedro Abrunhosa, na abertura da oitava edição do Festival Sons em Trânsito, que decorre até 25 de novembro, em Aveiro.

Desde que tomou posse, a 26 de setembro, na sequência das eleições gerais angolanas de 23 de agosto, João Lourenço procedeu a exonerações de várias administrações de empresas estatais, dos sectores de diamantes, minerais, petróleos, comunicação social, banca comercial pública e Banco Nacional de Angola, anteriormente nomeadas por José Eduardo dos Santos.

A exoneração de Isabel dos Santos, filha do ex-chefe de Estado, do cargo de presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol, aconteceu na quarta-feira passada e foi a decisão mais mediática.

Perante uma plateia de cerca de uma centena de pessoas, Luaty Beirão disse que ninguém contava que o novo Presidente angolano fosse “tão rapidamente mexer nos interesses instalados da família que durante 38 anos teceu a sua teia de interesses”.

“Não conhecemos, nem na oposição, alguém que tenha este ímpeto de em tão pouco tempo pôr as coisas dentro do eixo. Deduzo que se fosse a oposição a ganhar, eles iam ser muito mais cautelosos para não parecer uma caça às bruxas”, disse.

O luso-angolano referiu que a cada dia que passa chegam notícias que dão a esperança de um “cenário diferente” em Angola, mas não esquece que é preciso fazer reformas importantes, como rever a Constituição, reintroduzir a eleição direta do chefe de Estado e retirar poderes ao Presidente.

Considerado um dos rostos mais mediáticos da contestação à liderança de José Eduardo dos Santos, Luaty disse sentir-se orgulhoso de ter participado neste processo e deixou um desafio aos angolanos para serem mais interventivos.

“Há expectativa para o que vem a seguir, mas não podemos ficar só a olhar à espera que ele [João Lourenço] faça tudo. Temos que ser também participativos e mostrar para onde queremos que as coisas se conduzam”, concluiu.

(JN) PR angolano João Lourenço “está no bom caminho”, diz docente universitário

(JNO Presidente angolano, João Lourenço, “está no bom caminho” e Angola vai na direcção do desenvolvimento sustentável, “não para defender interesses deste ou daquele indivíduo”, defendeu hoje o jurista e docente universitário angolano Lazarino Poulson, em entrevista à Lusa.

PR angolano João Lourenço "está no bom caminho", diz docente universitário
“Sob o ponto de vista político, o Presidente João Lourenço tem um desafio: primeiro consolidar a sua influência política. Depois de um período longo, que é um período em que tivemos um Presidente 38 anos, há necessidade de se impor como Presidente e é seguramente o que nós estamos a assistir nesses dois meses de governação (…). É um desafio político que o Presidente tem e está no bom caminho”, disse Lazarino Poulson.

No plano político, Poulson sublinhou que João Lourenço tem a questão da democratização do país, um processo que “ainda está inacabado”.

“Falta eliminar algumas tensões políticas que ocorrem no interior de Angola. Há ainda o problema das liberdades, tanto a liberdade de imprensa como a liberdade de expressão, de manifestação, de reunião, que no período anterior não foram suficientemente respeitadas(…), não ocorreram com a abertura e a necessidade que num país democrático ocorre”, destacou, referindo-se aos cerca de 38 anos de exercício do poder do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

As reformas em curso no plano político devem estender-se ao sector económico, porque falta saber qual o modelo que Angola deve ter, advertiu.

“Continuaremos a ter o modelo de Estado-previdência, de bem-estar, o Estado que faz quase tudo e a que temos assistido até agora? O Estado chegou ao ponto de ter supermercados, de ter lojas. Então a questão que se põe hoje é se continuaremos com esse Estado-previdência ou se passaremos para um estado neoliberal. Por aquilo que temos vindo a assistir, parece que vamos procurar o meio-termo: a necessidade de diminuir a máquina administrativa do Estado (…). Há também que proceder a reformas a nível económico”, defendeu.

Reconhecendo que “toda a mudança traz algum receio” e que “as coisas novas provocam alguma desconfiança”, Lazarino Poulson disse não estar surpreendido com as primeiras medidas do novo Presidente angolano.

“Muito sinceramente, estava à espera. Enquanto foi candidato, o actual Presidente sempre fez referência de que iria proceder a mudanças. Portanto, ele só está a cumprir as suas promessas eleitorais. Obviamente que as questões sensíveis, como alguns interesses que ele tocou fazem parte. Quem se surpreendeu é quem não compreendeu que estamos num processo de mudança”, acentuou.

“Particularmente, acho que elas são necessárias e acho que os que têm interesses afectados têm obviamente de repensar o seu modo de atuação e ver que o país está a embarcar num modelo de desenvolvimento, de sustentabilidade da economia e não para defender interesses deste ou daquele individuo”, acrescentou.

O desafio que João Lourenço abraçou assenta na confiança, na confiança que os investidores externos precisam de ter para apostarem em Angola, mas antes importa “credibilizar” as instituições angolanas, declarou.

“Se tivermos instituições fortes e credíveis, refiro mesmo as várias instituições públicas: Presidência da República, Assembleia Nacional e o poder judicial, num primeiro momento, se essas instituições forem fortes e credíveis, vão obviamente conferir confiança aos investidores, o que vai permitir que haja uma economia mais forte, porque Angola nesse período [governação de José Eduardo dos Santos] foi uma economia que se baseou num único produto, que era o petróleo”, argumentou Lazarino.

Caracterizando a economia angolana como “débil”, sem “sustentabilidade”, diversificação e sem ser autossuficiente, Lazarino Poulson lamentou que o país não apostado numa “economia de escala, com ‘clusters'”.

“Andamos à volta dos petrodólares que deram uma imagem de um país emergente, mas, que no fundo, não tinha bases sólidas, bases seguras. Mas quando houver fortalecimento das instituições, o que vai permitir maior robustez da nossa economia, aí sim, vamos ter, no mundo e na nossa região, outro tipo de influência, que não é só influência política e militar”, concluiu.

Licenciado e Mestre em Direito pela Universidade Agostinho Neto, em Luanda, Lazarino Poulson, 44 anos, é autor de várias obras, entre as quais “Justiça Administrativa Angolana”, em co-autoria com Carlos Feijó, antigo chefe da Casa Civil do Presidente José Eduardo dos Santos.

Sem ambições políticas, disse à Lusa ser na vertente académica e da consultoria jurídica que deseja contribuir para o desenvolvimento de Angola.

(ECO) Mais de 60 exonerações em 51 dias de João Lourenço

(ECO) João Lourenço tomou posse a 26 de setembro. 51 dias depois, o novo Presidente angolano fez mais de 60 exonerações. A mais marcante foi a saída da Isabel dos Santos da Sonangol.

Isabel dos Santos foi exonerada esta quarta-feira da liderança da Sonangol. Um dia depois, João Lourenço deu posse a Carlos Saturnino, o substituto da filha do ex-Presidente angolano. É com esta rapidez que o novo Presidente de Angola tem exonerado e nomeado para vários organismos públicos, traçando uma linha que separa o seu mandato dos longos anos de José Eduardo dos Santos. Já foram mais de 60 exonerações em 51 dias de presidências. Quanto ao significado destas mudanças, as opiniões divergem. Só o futuro dirá.

A família Dos Santos registou três baixas: Isabel dos Santos saiu da presidência da petrolífera estatal — uma das empresas mais poderosas do país — e os seus irmãos Welwistchea dos Santos e José Paulino dos Santos deixaram de controlar a gestão de dois canais de televisão públicos, o Canal 2 e à TPA Internacional. Resta ainda José Filomeno dos Santos, o gestor do Fundo Soberano de Angola, que recentemente viu-se envolvido no escândalo de offshores Paradise Papers. Além disso, José Eduardo dos Santos, apesar de ter saído do poder, continua a ser o presidente do MPLA, o partido que governa Angola.

As interpretações feitas às exonerações de João Lourenço são várias. Por um lado, pode ser uma afirmação do próprio enquanto novo presidente, afastando a ideia de que seguiria a doutrina de Dos Santos. Por outro lado, pode ser uma forma de melhorar a opinião pública sobre o regime. Nos discursos que fez após ter sido eleito, João Lourenço chegou a admitir que tinha “inúmeros obstáculos no caminho”, mas garantiu que os compromissos que assumiu eram para cumprir.

A verdade é que um dia depois de ter afastado Isabel dos Santos, veio a público um relatório em que a gestão de Isabel dos Santos é criticada pela ausência de liderança, de estratégia e de ter mau relacionamento com as companhias petrolíferas — acusações entretanto refutadas pela empresária. Além disso, o presidente já deixou um recado à nova administração para que construa mais refinarias, algo que a empresária não queria. No caso da exoneração do governador do Banco Nacional de Angola a crítica também aconteceu: João Lourenço criticou e desautorizou o governador nomeado por Dos Santos em público, tendo este depois pedido a demissão.

Várias personalidades angolanas já reagiram a esta onda de exonerações levadas a cabo pelo novo presidente. Jonuel Gonçalves, académico e investigador angolano, em declarações à Lusa, afirmava que a exoneração de Isabel dos Santos era uma forma de João Lourenço testar “os limites do seu poder”. Já Luaty Beirão — o ativista angolano que foi preso durante a presidência de José Eduardo dos Santos — disse, em entrevista à TSF, que mexer com a família Dos Santos é como “meter a mão no ninho das vespas”.

Além da Sonangol e do Banco Nacional de Angola, outras empresas estatais viram as suas administrações renovadas. É o caso da empresa de diamantes, a empresa que comercializa os diamantes e a empresa de ferro de Angola. Mas não só: por exemplo, o Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração criado por José Eduardo dos Santos foi extinto por João Lourenço. Além disso, há o caso do ministro do Trabalho que não compareceu à tomada de posse e, por isso, foi imediatamente exonerado.

Outro dos setores afetados pelas exonerações do presidente angolano foi o da comunicação social: da Televisão Pública de Angola à Rede Nacional de Angola, passando pela Agência Angola Press (Angop) e a Edições Novembro — empresa que controla o Jornal de Angola, um dos títulos que tem atacado várias personalidades, empresas e jornais portugueses.

O ECO contabilizou um total superior a 60 exonerações nos 51 dias de João Lourenço enquanto presidente de Angola. Este levantamento tem como principal fonte os comunicados disponibilizados pelo Governo de Angola. No entanto, pode pecar por defeito dado que nem todas as exonerações constam, em pormenor, com o nome de todos os exonerados, nos comunicados. Alguns dos nomes foram identificados em notícias da imprensa angolana.

Sonangol

  • Isabel dos Santos, do cargo de Presidente do Conselho de Administração;
  • Eunice Paula Figueiredo Carvalho, do cargo de Administradora Executiva;
  • Edson de Brito Rodrigues dos Santos, do cargo de Administrador Executivo;
  • Manuel Lino Carvalho Lemos, do cargo de Administrador Executivo;
  • João Pedro de Freitas Saraiva dos Santos, do cargo de Administrador Executivo;
  • José Gime, do cargo de Administrador Não Executivo;
  • André Lelo, do cargo de Administrador Não Executivo;
  • Sarju Raikundalia, do cargo de Administrador Não Executivo;

Banco Nacional de Angola

  • Valter Filipe, governador do Banco Nacional de Angola
  • Manuel António Tiago Dias, do cargo de vice-governador do Banco Nacional de Angola;
  • Suzana Maria de Fátima Camacho Monteiro, do cargo de vice-governadora do Banco Nacional de Angola;
  • António Manuel Ramos da Cruz – administrador;
  • Gilberto Moisés Moma Capeça – administrador;
  • Samora Machel Januário Silva – administrador;
  • Ana Paula Patrocínio Rodrigues – administradora;

Empresa de Comercialização de Diamantes – SODIAM

  • Beatriz Jacinto António de Sousa – Presidente;
  • Filipe Sérgio Gomes Adolfo – Administrador Executivo;
  • José das Neves Gonçalves Silva – Administrador Executivo;

Empresa de Ferro de Angola (Ferrangol, E.P)

  • Diamantino Pedro Azevedo – presidente;
  • João Diniz dos Santos – administrador;
  • Kayaya Kahala – administrador;
  • Romero Artur Ribeiro – administrador executivo;
  • Rosa de Jesus Faria de Assis Sousa Araújo – administradora;

Empresa de Diamantes de Angola – ENDIAMA, E. P.

  • António Carlos Sumbula – presidente;
  • Paulo M’Vika – administrador executivo;
  • Osvaldo Jorge de Campos Van-Dúnem – administrador executivo;
  • Luís Quitamba – administrador executivo;
  • Fernando Augusto Sebastião – administrador executivo;

Outras exonerações

  • Mário Edison Gourgel Gavião, do cargo de administrador executivo da Comissão de Mercado de Capitais (CMC);
  • Carlos Panzo, do cargo de secretário para os Assuntos Económicos do Presidente da República;
  • Josefina Perpétua Pitra Diakité, do cargo de embaixadora extraordinária e plenipotenciária da República de Angola na África do Sul;
  • Manuel Rabelais do cargo de diretor do GRECIMA e extinção do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA);
  • António Rodrigues Afonso Paulo, do cargo de ministro da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social;
  • Cessão de contrato com a empresa de Welwistchea dos Santos e José Paulino dos Santos relativa a dois canais de televisão públicos;
  • Administrações de dois dos maiores hospitais públicos: Maria Lina Antunes, Fortunato Silva, Nair da Costa, Júlio dos Santos, Maria Marcos, Agostinho Matamba;
  • Inspetor-geral de saúde;
  • Diretor nacional da saúde;
  • Rescisão, ordenada pelo Presidente, do contrato de exploração de laboratórios de análises com a empresa Bromangol;
  • Secretariado Executivo do Conselho Nacional do Sistema de Controlo e Qualidade, Jorge Gaudens Pontes Sebastião;
  • Conselhos de administração da Televisão Pública de Angola (TPA), Rádio Nacional de Angola (RNA), Edições Novembro e Agência Angola Press (Angop);
  • Hélder Manuel Bárber Dias dos Santos do cargo de presidente do conselho de administração da TPA; Exoneração de Gonçalves Ihanjica e outros cinco administradores executivos e dois não executivos.

(ECO) Ministra da Saúde angolana demite administração dos maiores hospitais públicos

(ECO) Num contexto de Saúde marcado por um “défice claro em infraestruturas sanitárias e médicas”, o Presidente de Angola, João Lourenço, admite que as prioridades têm de ser bem definidas.

A ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, exonerou as administrações de dois dos maiores hospitais públicos do país, em Luanda, além do inspetor-geral e diretor nacional da saúde, conforme despachos a que a Lusa teve acesso esta quinta-feira. Uma decisão que surge um dia depois do Presidente angolano ter exonerado Isabel dos Santos da Sonagol e os irmãos da televisão estatal.

Nos despachos, datados de 13 de novembro, a governante angolana determinou a exoneração dos diretores geral, Maria Lina Antunes, clínico, Fortunato Silva, administrativo, Nair da Costa, e pedagógico e científico, Júlio dos Santos, do Hospital Américo Boavida.

Sílvia Lutucuta exonerou ainda dos cargos de diretor administrativo, Maria Marcos, e pedagógico, e científico, Agostinho Matamba, do Hospital Josina Machel.

Em substituição, para o Hospital Américo Boavida, foram nomeados, em comissão ordinária de serviço, Agostinho Matamba para o cargo de diretor-geral, Virgínia Franco para diretora clínica, Maria Marcos para diretora administrativa e Mateus Miguel para diretor pedagógico e científico.

A titular da pasta da Saúde em Angola exonerou ainda António Armando do cargo de inspetor-geral da Saúde e Miguel Oliveira do cargo de diretor nacional da Saúde.

Para ocupar os cargos de inspetor-geral da Saúde foi nomeado Miguel Oliveira e para diretor nacional da saúde, Isilda Neves.

Em outubro, em declarações à Lusa, a nova ministra da Saúde de Angola defendeu a necessidade da realização de um diagnóstico profundo da situação do setor que dirige, que tem como uma das principais preocupações a humanização e a prevenção.

“Temos que trabalhar mais, temos que fazer um diagnóstico profundo da situação da saúde em Angola, a humanização é uma preocupação desse executivo, temos que prevenir, temos que ter uma saúde pública mais atuante para prevenir as doenças e também olharmos para as questões importantes com os nossos quadros”, disse a ministra.

No seu discurso sobre o estado da Nação, o Presidente angolano admitiu a existência de um “défice claro em infraestruturas sanitárias e médicas, o que se repercute em elevadas taxas de mortalidade”, sublinhando que se impõe que o executivo priorize neste mandato a área social.

Segundo Sílvia Lutucuta, além do défice de infraestruturas, contribuem para o elevado índice de mortalidade no país “técnicos qualificados, recursos também, medicamentos e descartáveis”.

“Nós temos várias dificuldades, mas no atual contexto económico temos que definir bem as prioridades“, disse a governante, apontando a prevenção como a principal estratégia.

(JN) Isabel dos Santos exonerada da Sonangol pelo presidente de Angola

(JNO Presidente angolano, João Lourenço, exonerou hoje Isabel dos Santos, filha do anterior chefe do Estado, José Eduardo dos Santos, do cargo de presidente do conselho de administração da Sonangol, nomeando para o seu lugar Carlos Saturnino, disse fonte oficial.

João Lourenço exonerou hoje Isabel dos Santos, filha do anterior chefe do Estado, José Eduardo dos Santos, do cargo de presidente do conselho de administração da Sonangol. A informação foi avançada pela Lusa, que cita a Casa Civil do Presidente da República, e confirmada pelo Negócios junto de uma fonte da petrolífera angolana.

A agência de notícias dá conta que Isabel dos Santos vai ser substituída na liderança da petrolífera angolana por Carlos Saturnino, que foi exonerado do cargo de secretário de Estado dos Petróleos.

No site oficial do Governo não consta ainda qualquer informação sobre esta exoneração. Carlos Saturnino foi presidente da Sonangol Pesquisa e Produção até Dezembro de 2016, altura em que foi afastado por Isabel dos Santos por “debilidades na gestão e consequente desvio de fundos”.

Um sinal claro que que João Lourenço se preparava para afastar Isabel dos Santos foi dado quando o presidente de Angola não ratificou, há pouco mais de uma semana, as nomeações dos portugueses Susana Brandão e Emídio Pinheiro, ex-presidente do Banco Fomento Angola, para a administração da Sonangol.

No último mês avolumaram-se os rumores que dava conta da demissão eminente de Isabel dos Santos. Há duas semanas o rumor transformou-me mesemo em notícia tendo sido desmentido então, tanto pela Presidência de Angola como pela Sonangol.

Isabel dos Santos tinha vindo a reagir de forma indirecta a esta situação através da sua conta oficial no Instagram. Numa publicação feita há cinco dias a empresária citava Aristóteles: “Há apenas uma maneira de evitar críticas: não faça nada, não diga nada e não seja nada”.

(BBG) Angola’s Dos Santos Family Under Pressure to Give Up Key Posts

…Trouble started as forecasted…

(BBG) The children of former Angolan President Jose Eduardo dos Santos are facing increasing pressure to step down from key posts, two months after the first leadership change in Africa’s second-biggest oil producer in almost four decades.

Since replacing Dos Santos at the helm of Angola in September, Joao Lourenco, 63, has fired the governor of the central bank, the head of diamond company Endiama and the boards of all three state-owned media companies. The string of dismissals has earned Lourenco the nickname “relentless remover.”

Now, the two most prominent children of the Dos Santos clan have come under fire for acting as barriers to reforms because of the huge sway they hold over sub-Saharan Africa’s third-biggest economy. Dos Santos’ eldest daughter, Isabel, 44, is Africa’s richest woman and chairwoman of state oil company Sonangol, in a country where crude accounts for more than 90 percent of exports. Her brother, Jose Filomeno, 39, is the head of Angola’s $5 billion sovereign wealth fund.

“They’re clearly under a lot of pressure to step down,” Gary van Staden, an analyst at NKC African Economics in Paarl, South Africa, said by phone. “Whether Lourenco aims to clean up the place or simply make it cosy for himself, the Dos Santos family is always going to be in the line of fire because of the key positions they hold in Angola.”

No Puppet

When Lourenco became president many thought he would become a puppet to the 75-year-old Dos Santos, who ruled Angola for 38 years and remains the head of the ruling Popular Movement for the Liberation of Angola party.

Yet, the 63-year-old former army general has signaled he is nobody’s marionette. In his state of the union speech on Oct. 16, Lourenco vowed to fight corruption and end monopolies in the cement sector. Isabel’s husband, Sindika Dokolo, is the chairman of one of the biggest cement factories in Angola.

Lourenco also appointed Carlos Saturnino, who was fired from Sonangol by Dos Santos last year, as his secretary of state for oil, putting him in charge of a 30-day review of the industry.

Isabel dos Santos, whose term at the helm of Sonangol ends in 2020, said in an interview on Oct. 19 that work to turnaround the oil company may not finish under her watch. She was not immediately available for comment.

Economic Hardship

The question now is whether Lourenco can push through new rules to open up an economy until now dominated by the Dos Santos family and its allies. Angola is struggling to recover from a drop in crude prices and the impact of a civil war that ended in 2002. After expanding for 14 consecutive years, the economy posted zero growth last year in a country where more than a third of the population of 27 million lives on less than $2 a day, according to the World Bank.

“The country can’t wait for better days,” Lourenco said in a speech on Nov. 11. Recent changes at the central bank and other state-owned companies were designed to increase control of government bodies that may be “decisive during this difficult moment in the economy,” he said.

Apart from her job at Sonangol, Isabel dos Santos also controls Unitel, Angola’s largest mobile-phone company. She owns Candando, a supermarket chain, has stakes in Angolan lenders Banco BIC and BFA and several companies in Portugal. Her brother, Jose Filomeno, has also come under fire for the way he has managed Angola’s sovereign wealth fund.

Family Friends

Swiss newspaper Le Matin Dimanche reported on Nov. 5 that the wealth fund’s asset manager, Jean Claude Bastos de Morais, was a friend of Jose Filomeno and has been convicted in Switzerland for misappropriation of funds.

The report, based on the so-called Paradise Papers, also said most of the fund’s money was transferred to offshore accounts in Mauritius and some of it was used to pay companies controlled by Bastos de Morais for projects in Angola. The wealth fund, known as FSDEA, denied the allegations in an emailed statement and said all of its operations are legitimate.

The state-owned Jornal de Angola newspaper ran a story on the report and Radio Nacional de Angola, the government broadcaster, provided details about the article and the denial of any wrongdoing. Angola’s main opposition party on Nov. 10 called for a parliamentary inquiry into the management of the fund.

“In the past, a story like this would only appear in the social media,” said Precioso Domingos, a professor of economics at the Catholic University in the capital, Luanda. “But pressure to put an end to some of the interests of the Dos Santos family is so great that these stories are now being picked up by the state media.”

(ECO) Quem é Carlos Saturnino, o homem escolhido por João Lourenço para liderar a Sonangol?

(ECO) Já esteve à frente da Sonangol, mas foi afastado por Isabel dos Santos que o acusou de “desvios financeiros”. Passa agora a liderar a petrolífera pela mão do Presidente da República, João Lourenço.

Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira (à direita) na tomada de posse como secretário dos Petróleos, ladeado por Diamantino Pedro Azevedo, ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, e Jânio Victor, novo secretário de Geologia e Minas.Ministério dos Petróleos de Angola

Carlos Saturnino está de regresso à Sonangol. Depois de ter sido afastado da presidência da comissão executiva por Isabel dos Santos, que o acusou de má de gestão, o até agora secretário de Estado dos Petróleos vai liderar a petrolífera. A nomeação por parte do Presidente da República de Angola, João Lourenço, vem no seguimento da exoneração da filha do anterior chefe do Estado do cargo.

economista de profissão já trabalhou em empresas do setor petrolífero como a Sonils e Sonamet. E foi afastado da petrolífera angolana Sonangol em dezembro de 2016, quando Isabel dos Santos decidiu exonerar a comissão executiva da empresa responsável pela pesquisa e produção de petróleo, acusando-o de má gestão e de graves desvios financeiros.

“Não é correto, nem ético, atribuir culpas à equipa que somente esteve a dirigir a empresa no período entre a segunda quinzena de abril de 2015 e 20 de dezembro de 2016”, respondeu na altura Carlos Saturnino, que em pouco mais de um mês como secretário de Estado dos Petróleos, nomeado por João Lourenço, tutelou a Sonangol a partir do Governo. Segundo os jornais angolanos, a nomeação do economista para secretário de Estado foi o primeiro passo para que este ocupasse a liderança da petrolífera e substituísse a filha do anterior chefe de Estado. Com o regresso à Sonangol, deixa o cargo no Executivo.

A exoneração de Isabel dos Santos, e substituição por Carlos Saturnino, já tinha sido avançada pela RTP no início deste mês. Mas estas notícias foram desmentidas pela presidência angolana, sendo que agora foi confirmada. A empresária Isabel dos Santos assumiu em junho de 2016 o cargo de presidente do conselho de administração do grupo Sonangol, nomeada para as funções por José Eduardo dos Santos, então chefe de Estado angolano, tendo como missão conduzir a reestruturação da petrolífera, o maior grupo empresarial de Angola.

Além da entrada de Carlos Saturnino, entre os novos administradores da Sonangol está Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, que já tinha estado no Conselho de Administração da Sonangol. Já Luís Ferreira do Nascimento José Maria foi administrador executivo da Sonair, a transportadora aérea detida pela Sonangol. Veja quem sai e entra na liderança da petrolífera estatal angolana.

(JN) A ressaca de Angola – Celso Filipe

(JNA “notícia falsa” sobre a exoneração de Isabel dos Santos da Sonangol é a ponta do icebergue de uma realidade profunda. Angola está a viver (mal) a ressaca de 38 anos de José Eduardo dos Santos. Muitos querem urgência onde devia haver paciência, enquanto outros batalham para manter um “status quo” que terminou em Setembro com a tomada de posse do novo Presidente da República, João Lourenço.

A “notícia falsa” sobre Isabel dos Santos é uma das muitas que enxameiam a rede social Whatsapp, o veículo escolhido para espalhar boatos e disseminar a incerteza. Daqui a um, dois meses, talvez a notícia relativa a Isabel dos Santos se transforme em verdadeira, mas isso é irrelevante no actual contexto.

Esta “caça às bruxas” pratica-se no mesmo território, o do MPLA. Os que estavam na mó de baixo querem subir a escada do poder. Os que estavam lá em cima depositam todas as esperanças em José Eduardo dos Santos para lá continuar. Queriam uma mudança falsa e teimaram em não ver a realidade – João Lourenço tem vontade própria e rejeita ser uma marioneta do seu antecessor.

Esta ressaca de Angola apresenta, no actual quadro, riscos consideráveis. Não os de uma guerra, mas o de purgas que podem assumir contornos violentos.

João Lourenço deu sinais inequívocos de mudança. Substituiu o governador do Banco Nacional de Angola, Valter Filipe, afastou Carlos Sumbula da liderança da Endiama, e quer dar mais competitividade a sectores como os dos diamantes e das telecomunicações. Sendo possível que também pretenda eliminar o monopólio da importação de combustíveis que está nas mãos da Trafigura.

É claro que medidas desta natureza vão mexer com interesses instalados e diminuir os rendimentos dos muitos que beneficiam deles. Mas trata-se de medidas essenciais para assegurar o relançamento e o crescimento da economia angolana em bases sustentáveis.

Muitos anseiam que João Lourenço faça tudo num curto espaço de tempo. Trata-se de um desejo impossível de concretizar. E quem o pressiona a isso está a prestar um mau serviço ao país. A afirmação do novo Presidente da República de Angola passa pela certeza dos seus passos, num caminho que está minado, e pela obrigatoriedade de José Eduardo dos Santos e seus pares aceitarem que o tempo mudou. Sem bom senso, Angola corre o risco de implosão.

(JN) A intriga tomou conta de Angola

(JNIsabel dos Santos foi demitida da Sonangol? Não. Trata-se da uma “notícia falsa” posta a circular no Whatsapp. Esta rede social transformou-se no espaço privilegiado da intriga política que por estes dias domina Angola. Porque será?

A intriga tomou conta de Angola

A intriga tomou conta da realidade política angolana. O veículo usado para disseminar informação falsa tem sido a rede social Whatsapp e o alvo principal a abater é Isabel dos Santos, presidente do conselho de administração da Sonangol.

Nos últimos dias várias mensagens difundidas através do Whatsapp anunciaram a exoneração de Isabel dos Santos por parte do Presidente da República de Angola, sendo que uma delas referia inclusive que a gestora seria impedida de ausentar-se do país.

A cereja no topo deste bolo foi uma alegada nota de imprensa da Presidência da República de Angola, dando conta do afastamento de Isabel dos Santos. Esta “notícia falsa” foi difundida em Portugal esta sexta-feira, 3 de Novembro, por dois órgãos de comunicação social, a RTP e o Observador, que posteriormente se viram forçados a desmentir o que anteriormente tinham publicado.

Isabel dos Santos lidera a Sonangol desde Junho de 2016.

Isabel dos Santos lidera a Sonangol desde Junho de 2016.

A falsidade da notícia era patente nos nomes dos administradores da Sonangol referidos como exonerados, os quais não faziam parte da gestão da petrolífera. Na realidade, esses administradores referenciados, por exemplo, João Diniz dos Santos e Kayaya Kahala, pertenciam à Ferrangol (Empresa de Ferro de Angola) e foi dela que foram destituídos a 1 de Novembro por João Lourenço.

A proliferação da intriga, que se pretende insinuar como notícia e ganhar palco mediático, cresceu de tom após o Presidente de Angola ter demitido o governador do Banco Nacional de Angola, Walter Filipe, e o presidente da Endiama, Carlos Sumbula, tidos como próximos de José Eduardo dos Santos, o quais foram substituídos por José Lima Massano e José Manuel Ganga Júnior. A par disso, crescem de tom os rumores de que alguns ministros podem estar a prazo, caso do titular pasta das Finanças, Archer Mangueira.

O próprio Jornal de Negócios foi envolvido neste esquema de intrigas, tendo sido citado por duas vezes como fonte de duas notícias que circularam no Whatsapp e que eram falsas como muitas outras que têm proliferado.

A questão que se coloca é a de saber se estas “notícias falsas” têm uma base verdadeira, sobretudo no caso de Isabel dos Santos. Fontes contactadas pelo Negócios asseguram que a gestora, filha do ex-Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, poderá abandonar o leme da Sonangol, mas nunca através de uma exoneração, porque esse procedimento iria contribuir para arrefecer ainda mais o relacionamento já complicado entre João Lourenço e José Eduardo dos Santos, que tendo deixado a presidência do país se mantém como líder do MPLA.

A estratégia, neste cenário, deverá passar por uma solução de compromisso, a qual se pode materializar numa saída de Isabel dos Santos da Sonangol no final do ano. Esta decisão seria justificada como o fim de um ciclo iniciado em Junho de 2016, durante o qual a gestora fez um trabalho de saneamento económico e financeiro da petrolífera. Syanga Abílio, que foi vice-presidente da Sonangol quando a liderança era ocupada por Manuel Vicente, é apontado como o seu sucessor.

 

Acresce que no sector privado Isabel dos Santos vai enfrentar desafios novos em Angola. Um deles está relacionado com a decisão do Governo de abrir o sector das telecomunicações a mais um ou dois operadores privados, o que aumentará a concorrência para a Unitel, empresa da qual a empresária é accionista.

Num outro plano, vários especialistas ouvidos pelo Negócios dão conta de um afastamento entre João Lourenço e José Eduardo dos Santos. O actual Presidente tem revogado muitas decisões de última hora do seu antecessor e está a ser pressionado para levar mais a fundo o afastamento de “santistas” dos centros de decisões. E as “notícias falsas” têm sido uma forma de intensificar essa pressão.

O ex-Presidente de Angola, por sua vez, está descontente com as decisões de João Lourenço, e na qualidade de líder do MPLA está à procura de um sucessor para dirigir o MPLA, que não o actual Presidente. Uma das individualidades sondada mas que terá recusado essa possibilidade foi Manuel Vicente, ex-vice-presidente de Angola. O certo é que José Eduardo dos Santos parece apostado em controlar o Estado através do partido e que o seu relacionamento com João Lourenço é tenso.

João Lourenço tomou posse com Presidente de Angola a 26 de Setembro deste ano.

João Lourenço tomou posse com Presidente de Angola a 26 de Setembro deste ano.

Ou seja, actualmente, a oposição ao Governo não é feita pelos partidos da oposição, mas sim por aqueles que se sentem órfãos de José Eduardo dos Santos e também por outros que exigem mudanças rápidas. É o controlo do poder, sobretudo o económico, que está em causa. A soma destes factores traduz-se num clima da “caça à bruxas” com riscos graves.

Esta possibilidade é admitida no editorial do Novo Jornal desta sexta-feira, 2 de Novembro, intitulado “A urgência da unidade”.

“O momento é demasiado sério e grave para nos dispersarmos e deixarmos escapar esta oportunidade de juntar esforços e partir para uma jornada que, por muito trabalhosa que seja, nos pode tirar da profunda crise moral, ética, política e cultural em que estamos atolados. Perdermo-nos em discussões escusas e vazias de que o poder tem de ser ‘meu’, dos ‘meus’ e não ‘teu’ nem dos ‘teus’ é, além de uma demonstração clara de falta de um sentido sério de angolanidade, estar a oferecer todos os flancos para depois termos de ouvir o pequenino Trump vir dizer, do alto da sua ignorância, da sua megalomania e da sua vaidade ignara, que ‘a África tem de ser recolonizada…!!!???’” lê-se no editorial, não assinado.

No mesmo jornal,Gustavo Costa, que assina a coluna de opinião “Palavra de Honra” escreve: “O sr. João [Lourenço] está metido num vespeiro de abelhas alimentado por um sistema que faz da intriga o alimento visceral da politiquice e a principal fonte de abastecimento e de sobrevivência de muitos dos seus mais altos agentes.”

Por estes dias, em Angola, o clima é de “mosquitos por cordas”.

(OBS) Moody’s desce ‘rating’ da dívida pública de Angola

(OBS) A agência de notação Moody’s desceu o rating, mantendo-a num nível de classificação altamente especulativo, decisão justificada com o fraco crescimento económico do país e a escassez de divisas.

A agência de notação financeira Moody’s desceu o ‘rating’ da dívida pública de Angola de B1 para B2, mantendo-a num nível de classificação altamente especulativo, decisão justificada com o fraco crescimento económico do país e a escassez de divisas.

A descida no ‘rating’ da dívida soberana de Angola, acrescida de uma previsão de evolução que passa de negativa para estável, foi comunicada na sexta-feira à noite, com a Moody’s a apontar ainda previsões de alta inflação, cortes no investimento público e um sistema bancário “fraco”.

“Angola ainda enfrenta o difícil desafio da diversificação, longe da sua forte dependência do petróleo”, escreve a agência de notação, ao justificar a descida de mais um nível no ‘rating’ da dívida emitida pelo Estado angolano.

É ainda sublinhado que o endividamento público do país quase duplicou nos últimos quatro anos – para fazer face à quebra nas receitas com a exportação de petróleo -, persistindo as “pressões externas”, na forma de reduzida liquidez em divisas, face ao “declínio” das reservas internacionais líquidas do país.

O Presidente angolano, João Lourenço, admitiu na segunda-feira que o país está numa “situação difícil” em termos económicos e financeiros, tendo registado um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) praticamente nulo, de 0,1%, em 2016.

O chefe de Estado angolano discursava na sessão solene de abertura da primeira sessão legislativa da IV Legislatura, na estreia de João Lourenço, eleito a 23 de agosto para suceder a José Eduardo dos Santos, no anual discurso sobre o estado da Nação.

“O nosso país encontra-se numa situação económica e financeira difícil, resultante da queda dos preços do petróleo no mercado internacional e da consequente liquidez em moeda externa”, disse João Lourenço, num discurso de praticamente uma hora, durante o qual repetiu várias vezes a necessidade de acabar com a “forte dependência do petróleo”, através da diversificação da economia.

De acordo com o Presidente angolano, a taxa de crescimento do PIB real foi de 0,1% em 2016, contra os 6,8% em 2013, antes da crise provocada pela quebra nas receitas com a exportação de petróleo, mantendo-se a previsão de crescimento de 2,1% para este ano.

Depois de uma inflação acumulada de 42% em 2016, João Lourenço apontou para uma previsão “ao redor” de 22,9% para este ano.

Num discurso fortemente voltado para as questões económicas, o Presidente angolano enfatizou a influência desta conjuntura nas contas do país, tendo em conta a queda acumulada de 40% nas receitas fiscais entre 2013 e 2016, descida que nas receitas oriundas do setor petrolífero chegou aos 70%.

Em contrapartida, a despesa total do Estado registou uma queda de 29% no mesmo período, afetando sobretudo o investimento público, que caiu 55%.

“A consolidação orçamental levada a cabo nos últimos anos contribuiu imenso para que não houvesse uma explosão do défice”, enfatizou ainda, acrescentando que Angola registou um défice de 2,2% do PIB em 2016 e de 0,9% até ao segundo trimestre deste ano.

Estes défices, recordou, foram financiados com endividamento público, que passou de um rácio equivalente a 24,5% do PIB, em 2013, para 56% em 2016.

“Neste contexto, impõe-se a tomada de medidas de política necessárias e inadiáveis, de modo a alcançar-se a estabilidade macroeconómica do país, com a pedra de toque no equilíbrio das variáveis macroeconómicas suscetíveis de garantir os equilíbrios internos e externos do país e as condições necessários para estimular a transformação da economia, o desenvolvimento do setor privado e a competitividade”, disse.

Alguns economistas têm apontado, nas últimas semanas, a possibilidade de uma forte desvalorização do kwanza, moeda nacional, face ao dólar norte-americano, mas João Lourenço não adiantou medidas concretas neste discurso.

(Reuters) Angola’s Samakuva to step down as UNITA opposition party leader

(Reuters) The veteran leader of Angola’s largest opposition party said on Wednesday he would step down to allow someone else keep the new government of President Joao Lourenco to account.

Isaias Samakuva, who has led UNITA since 2003, said a new leader should take the party forward through the “new political cycle”.

He announced his departure a day after Lourenco was sworn in as only the third president of Angola since independence from Portugal in 1975, ending 38 years of rule by Jose Eduardo dos Santos.

Samakuva had previously said he planned to step aside, but had appeared to seesaw on the decision in recent months.

“During the campaign, I said I would leave the presidency of UNITA to serve the party in another function. I maintain and reaffirm that decision,” Samakuva told a meeting of the party.

Samakuva took over the leadership of UNITA – the National Union for the Total Independence of Angola – after the death of founder Jonas Savimbi who led the movement during 27 years of civil war.

Savimbi’s death brought peace and the transition of UNITA into a political party.

Under Samakuva’s leadership UNITA increased its proportion of the national vote from 10 percent in 2008 to 27 percent in 2017.

Among those slated to succeed him are Adalberto da Costa, who was the party’s leader in parliament under the previous administration, Rafael Massanga Savimbi, son of UNITA’s founder, and Lukamba Paulo, a former secretary general of the party who lost a leadership election against Samakuva in 2003.

(JN) Marcelo perspectiva relações muito boas com Angola e destaca ovação “impressionante”

(JNO chefe de Estado português destacou o “ambiente muito caloroso” entre os dois países, “que é preciso aproveitar”.

Marcelo perspectiva relações muito boas com Angola e destaca ovação "impressionante"

O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, perspectivou hoje relações entre Angola e Portugal “muito boas”, demonstradas na ovação dada a Portugal na cerimónia de investidura do novo chefe de Estado angolano, João Lourenço.

Em declarações à imprensa, no final do acto de tomada de posse de João Lourenço, o chefe de Estado português destacou o “ambiente muito caloroso” entre os dois países, “que é preciso aproveitar”.

Marcelo Rebelo de Sousa, que chegou na segunda-feira a Luanda para participar desta cerimónia, considerou “impressionante” a ovação dada a Portugal, que “foi de longe a maior”.

“E não foi a mim, foi a Portugal”, salientou, destacando os laços de fraternidade entre os dois povos.

João Manuel Gonçalves Lourenço foi hoje investido Presidente da República de Angola, na sequência das eleições gerais angolanas, realizadas a 23 de agosto deste ano, da qual foi vencedora o partido Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

(BBG) Angolans Get Creative When the Dollars Dry Up

(BBG) Desperate for hard currency, Angolans are coming up with new ways to convert their kwanzas into dollars and euros.

Filipe Afonso got tired of waiting in line at a bank to exchange his kwanzas for greenbacks. So he bought two second-hand BMW motorcycles, shipped them to Portugal and sold them for euros to pay for his family’s expenses back home.

“You do what you need to do to get hard currency,” said Afonso, who runs a truck dealership on the outskirts of Luanda, the capital of the former Portuguese colony. Others travel hundreds of miles to sell diapers, flat-screen televisions or beer in the neighboring Democratic Republic of Congo, where foreign currency is more readily available. Real estate and art are used to hedge against what many expect to be a precipitous decline in the kwanza.

Angola, Africa’s second-largest oil producer and an OPEC member, was one of the world’s fastest-growing economies for about a decade after a civil war ended in 2002. Flush with petrodollars, the government spent billions building roads, railways and other infrastructure, while skyscrapers went up across Luanda. But with the sharp drop in crude prices that began in 2014, economic growth slowed to zero last year, and foreign-exchange inflows dwindled.

Authorities are in a bind: a devaluation of the kwanza is needed to attract investment and spur exports, but that would also fuel inflation, which soared as high as 40 percent this year, in a country that imports almost all its consumer goods. Defending the currency’s peg is depleting foreign-exchange reserves, which have plunged in the past four years.

“There continues to be rumors and gossip on the streets about a potential devaluation of the kwanza, but I don’t think this will happen before the end of the year,” said Tiago Dionisio, a Lisbon-based analyst for Eaglestone Advisory SA. “Devaluation would put further pressure on consumer prices. I think the local authorities will continue to defend the kwanza at the expense of international reserves.”

The kwanza trades at 395 per dollar on the black market, almost 60 percent weaker than its official rate of around 166, where it’s been pegged since April 2016. Though the central bank has let it depreciate more than 40 percent since mid-2014, making it one of the worst-performing oil currencies in that period, analysts say it’s still too strong. Renaissance Capital said in July its fair value was 314.

“The currency remains highly overvalued,” David Earnshaw, an analyst at Fitch Group’s BMI Research, said in a Sept. 12 note. He expects the central bank to shift to a more flexible regime in 2018 and drop the kwanza more than 20 percent to 210 against the greenback.

Money Laundering

Joao Lourenco

Photographer: Ampe Rogerio/AFP via Getty Images

Concerns about money laundering in the banking sector prompted foreign banks to halt dollar supplies to Angolan lenders in 2016, worsening the shortage. The new government of Joao Lourenco, who takes over as president on Sept. 21 as the 38-year rule of Jose Eduardo dos Santos ends, will have no choice but to devalue as the liquidity squeeze persists, Moody’s Investors Service said in a research note on Aug. 30.

Thousands of Chinese and Portuguese workers have already packed up and left because of difficulties in obtaining hard currency, according to the Angola-China Industrial and Commerce Association and Portugal’s Construction Sector Union. Those who have stayed behind are getting creative.

Every Wednesday, Juliol Lusol, 33, catches one of dozens of buses in Luanda that are headed to Luvo, an open-air market 348 miles to the north on the border with the Congo.

Import Ban

“I’m not trying to make a profit,” said Lusol, as he waited on the side of a dirt track in Luanda for a bus to load half a dozen boxes of diapers, television sets and beer. “I just want to get dollars.”

The flow of Angolan goods to Congo became so intense that last month the Congolese government imposed a six-month ban on imports ranging from cement to beer from its neighboring country.

Angola is not the only oil producer to try and defend its currency after the plunge in crude prices. Russia and Kazakhstan spent billions of dollars propping up their units before giving up and floating them. Nigeria, Africa’s biggest crude exporter, has eased some capital controls this year, but maintains several restrictions and operates a system of multiple exchange rates to protect the naira.

Angola’s foreign-exchange reserves have almost halved since 2013 to $17.5 billion, their lowest level in six-and-a-half years, a sign that access to dollars is likely to remain limited for the foreseeable future. The government has started talks with international banks about raising $2 billion through a Eurobond, which may enable it to maintain the kwanza’s peg for longer.

Nuno Gaspar, head of the Luanda-based property developer Gestimovel, is selling residential and office buildings by punting real estate’s safe-haven status.

“Most of our buyers are Angolans or Angolan companies eager to escape the possibility of a kwanza depreciation,” Gaspar, 46, said. “People with kwanzas are looking to invest in property, art, wine and even cars to avoid losing their money.”

(OBS) Angola cresce 2% este ano e 4,1% em 2018, prevê consultora

(OBS) A consultora BMI Research estima que a economia de Angola cresça 2% este ano e 4,1% em 2018, com a inflação muito elevada e o fraco ambiente empresarial a impedirem uma recuperação mais rápida.

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A consultora BMI Research estima que a economia de Angola cresça 2% este ano e 4,1% em 2018, com a inflação muito elevada e o fraco ambiente empresarial a impedirem uma recuperação mais rápida.

“Angola vai ver uma recuperação modesta no crescimento económico durante os próximos dois anos devido a uma melhoria na perspetiva de evolução do setor petrolífero; a inflação muito elevada e um fraco ambiente empresarial vão pesar na produção noutros setores da economia, negando uma recuperação mais abrangente”, escreve esta consultora do Grupo Fitch.

No relatório sobre a economia angolana no terceiro trimestre deste ano, marcado pelas eleições presidenciais deste mês, a BMI Research diz que o país vai acelerar neste e no próximo ano face aos 0,3% de crescimento registado no ano passado, “o que fica bastante abaixo da média anual de 6,8% registada entre 2006 e 2016″.

O petróleo, dizem, continua a dominar a economia, valendo 95,2% das exportações totais e 70,2% das receitas fiscais em 2016, o que significa que os movimentos no mercado internacional do petróleo vão continuar a ditar a evolução da economia angolana”.

No relatório, a que a Lusa teve acesso, os analistas afirmam que, “apesar dos ventos favoráveis oferecidos pelo setor petrolífero, a alta inflação, um fraco ambiente empresarial e a incerteza sobre o futuro do regime da taxa de câmbio pelo banco central vão garantir que o investimento continue abaixo do potencial e, em última análise, qualquer recuperação económica será curta”.

É por isso que, a seguir a um crescimento de 4,1% no próximo ano, as estimativas apontam para um abrandamento para os 2,4% em 2019 e 2020, o que é insuficiente para um país em desenvolvimento, como é o caso de Angola, o maior produtor de petróleo africano, a par da Nigéria.

Entre as vantagens do país, a BMI Research aponta os “abundantes recursos naturais, com diamantes e hidrocarbonetos”, e as estreitas ligações com a China, apresentada como “uma fonte confiável de empréstimos públicos a taxas relativamente baratas”.

Em sentido inverso, os analistas destacam a “enorme dependência estrutural do petróleo”, que vale mais de 90% do total das exportações e cerca de 70% da receita fiscal, a par da “elevada corrupção e um inóspito ambiente empresarial, que é um obstáculo aos investidores estrangeiros e nacionais”.

A nível financeiro, a análise aponta como ameaças os custos de servir a dívida externa, com taxas de juro a rondar os 10%, o que leva os analistas a preverem que “Angola se arrisca a entrar em incumprimento financeiro [‘default’, no original em inglês] se os empréstimos continuarem a este nível ou se a instabilidade política prejudicar as receitas fiscais”.

(ECO) Resultados provisórios das eleições em Angola dão vitória ao MPLA

(ECO) Os resultados provisórios oficiais, divulgados esta tarde pela CNE de Angola, dão a vitória ao MPLA. A confirmarem-se os resultados, João Lourenço será o próximo Presidente da República.

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola já divulgou os resultados provisórios das eleições gerais para a Presidência da República. Os primeiros números oficiais apontam para a vitória do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). O sucessor de José Eduardo dos Santos será, assim, João Lourenço.

Com 63% dos eleitores já escrutinados, anunciou Júlia Ferreira, porta-voz da CNE angolana, o MPLA é o partido mais votado, com 64,57% dos votos. Segue-se a UNITA, com 24,4% dos votos, e a CASA-CE, com 8,56%. A abstenção, informa ainda a CNE, terá sido de 23,17%.

Antes desta divulgação, o MPLA já tinha reclamado vitória e João Lourençodizia aguardar os resultados com confiança e tranquilidade. “Confiança na escolha do povo pelas nossas propostas e visão de país. Tranquilidade por saber que somos capazes de levar Angola a patamares cada vez mais altos de desenvolvimento”, escreveu o candidato na sua conta de Twitter. Os ex-Presidentes de Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, na qualidade de observadores internacionais, já também reagiram a estes resultados provisórios, considerando as eleições “pacíficas, livres, justas e transparentes”.

A VITÓRIA É NOSSA!
MPLA – 64,57%
Unita – 24,4%
Casa – 8,56%
*Primeira divulgação dos resultados parciais.

Há ainda 15 assembleias de voto, de três províncias angolanas, que só vão votar no sábado. Por “situações de força maior”, como o mau tempo, não foi possível fazer a entrega de material logístico nestas assembleias de voto, afetando 1310 eleitores, que não puderam votar.

Os resultados definitivos só serão conhecidos a 6 de setembro e a tomada de posse do novo Presidente da República de Angola decorrerá a 21 de setembro.

(JE) UNITA não reconhece vitória do MPLA e admite impugnar eleições

(JE) O líder da UNITA Isaías Samakuya, afirma, em entrevista à TSF, não reconhecer a anunciada vitória do MPLA, chegando mesmo a admitir impugnar as eleições. Mas não coloca de parte uma coligação.

Depois do comunicado emitido pelo MPLA em que reclama a vitória nas eleições gerais por maioria qualificada, Isaías Samakuya, líder da UNITA, o maior partido da oposição, foi entrevistado pela TSF. Aos microfones da rádio lusa, Samakuya diz não reconhecer a vitória do MPLA, afirmando mesmo ter indicação de que o MPLA está em desvantagem na contagem dos votos, sobretudo em zonas onde há mais eleitores registados.

“As indicações que tenho são completamente diferentes. Posso dizer que há tendência que coloca o MPLA em posição de desvantagem”, começou por dizer Samakuya à TSF. “Não tenho informação clara neste momento. As indicações que tenho são satisfatórias. Vamos esperar. Devo dizer apenas que essas indicações dizem respeito a áreas bastante importantes do país, portanto com elevado número de eleitores.”

A corroborar estas afirmações estão os números divulgados à agência Lusa por Adalberto da Costa Júnior, dirigente da UNITA e membro da equipa de coordenação do centro de escrutínio do partido. Apuradas 6.150 mesas de voto, o escrutínio paralelo da UNITA coloca o MPLA com 47,60% dos votos, seguido da UNITA, com 40,20%. Atrás na contagem estão a coligação CASA-CE, com 9,15%, o PRS (1,55%), a FNLA (1,10%) e a APN (0,40%).

“Mas temos de ressalvar que já temos as atas síntese das assembleias de voto de Cacuaco e de Viana [dois dos municípios mais populosos de Luanda e do país] e do Huambo, em que os resultados são extremamente favoráveis à UNITA. Vamos aguardar pela sua inserção no sistema”, apontou Adalberto da Costa Júnior.

Impugnação e coligação 
Na mesma entrevista, Samakuya alega a existência de casos de irregularidades nas eleições e admite poder vir a impugnar as eleições. “Se houver razões para isso, naturalmente que seremos levados a tomar posições que a lei permite e prevê. Mas isso tudo depende de uma avaliação adequada”, afirma o líder da UNITA.

Também não está fora de cogitação uma coligação, segundo diz Samakuya à rádio portuguesa: “Estaremos abertos a fazer essa coligação de acordo com as circunstâncias que os resultados nos apresentem. Independentemente do partido, se os resultados recomendarem uma coligação para podermos estar em maioria na assembleia nacional, naturalmente que tentaríamos esta modalidade.”

(NYT) Portugal Dominated Angola for Centuries. Now the Roles Are Reversed.

(NYT

The Estoril Sol Residence in Cascais, Portugal, is often referred to as the “Angolans’ building.”CreditView Pictures/UIG, via Getty Images

LISBON — How the roles have reversed: The colonizer, some Portuguese contend, has been colonized.

On the Portuguese coast of Cascais, where the nation’s royal court used to summer, a new 14-story condominium building looms confidently by the sea. So many of its apartments have been bought by Angola’s ruling class — sometimes a handful at a time — that the development has a nickname: the “Angolans’ building.”

Along the grandest shopping boulevard in the capital, Lisbon, Angola’s elite buy designer suits and handbags by the armful. And on one corner, above Louis Vuitton, sits the local office of Africa’s richest woman, Isabel dos Santos, a billionaire from Angola who has become one of Portugal’s most powerful figures by buying large chunks of the country’s banking, media and energy industries.

The money flowing into Portugal comes from the colony it dominated, often brutally, for hundreds of years, Angola. Now, the African nation is a major oil producer that has been led for the last 38 years by Ms. dos Santos’s father, President José Eduardo dos Santos.

Angola’s ruling class has profited so much during his tenure — and channeled so much of that money into Portugal — that when Angola threatened to cut off ties in recent years in response to reports that Angolan officials were being investigated for corruption in Portugal, Portugal’s foreign minister promptly apologized, setting off an intercontinental debate about the changing power dynamics between the nations.

“We had it in our heads that Angola was a poor country that needed to be helped,” said Celso Felipe, a Portuguese journalist and author of the book “The Angolan Power in Portugal.”

“And suddenly they were able to help us and to buy things that we cannot buy,” he said. “It was like a housekeeper buying your house. That is awkward.”

The conditions in both countries created a perfect match: As Portugal reeled from a financial crisis a few years ago, Angolans were enjoying an oil boom that provided enormous opportunities for self-enrichment by the elite, particularly the president’s family and inner circle.

Angola is often listed as one of the world’s most corrupt nations. And Portugal has been singled out for its laxness in reining in money laundering and bribery, particularly in its dealings with Angolans, according to the Organization for Economic Cooperation and Development, the research and policy organization of the world’s richest countries.

“In Angola, they call Portugal the laundromat,” said Ana Gomes, a Portuguese lawmaker in the European Parliament and a member of Portugal’s governing Socialist Party. “It’s because it is.”

But the two nations’ relationship has now slipped into a tense and fluid period. Oil prices are down and Portugal’s economy is reviving, leading to a tweaking in the balance of powers between the two countries. And Mr. dos Santos is due to step down after Angolans elect a new president on Wednesday, leaving the future of those who have benefited from his four decades in power — both in Angola and in Portugal — unclear.

In a case that has angered the Angolan government, Angola’s vice president, Manuel Vicente, was charged in February with paying a $810,000 bribe to a Portuguese judge to quash a corruption investigation, the furthest an Angola-related case has moved in Portugal’s judicial system. The vice president was accused of, among other things, laundering money by buying apartments in the “Angolans’ building” on the coast of Cascais. He has denied the allegations.

With billions invested in Portugal, including in some of its biggest public companies, the Angolans have bought Portuguese wineries, newspapers, sports teams and other trophies of the super rich. With Portugal giving them access to the rest of Europe and beyond, they have been catapulted, in a few short years, to the world’s jet set.

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The Lisbon headquarters of NOS, the Portuguese telecom company in which Isabel dos Santos, the oldest child of Angola’s president, own shares. CreditPatricia de Melo Moreira for The New York Times

Projecting both glamour and gravitas, Ms. dos Santos, worth $3.5 billion according to Forbes, mingles with Hollywood and European celebrities, and recently gave a speech at the London School of Economics — all of which she has documented on her Instagramaccount.

In the past two years, her family has made a splash at the Cannes Film Festival: Ms. dos Santos sat in the front row of fashion shows, and Kim Kardashian cooed over a 404-carat diamond paraded at a party thrown last year by de Grisogono, the Swiss jeweler now owned by the dos Santos family.

“Thought I’d seen it all, this is the biggest diamond I’ve ever seen,” Ms. Kardashian tweeted.

Ms. dos Santos was upstaged this year at Cannes only by her younger half brother, Danilo dos Santos, who was recently granted major shares in a new Angolan bank, according to the Angolan news media as well as politicians and businessmen in Luanda, Angola’s capital. At a charityauction, Mr. dos Santos, who is in his mid-20s, made the winning bid of 500,000 euros, or about $590,000, for a collection of photographs.

In the next few hours, as video of the auction spread on social media, his spending caused widespread outrage in Angola, where poor health care contributed to a yellow fever outbreak that killed more than 350 people last year.

But in the moment, basking in the applause, Mr. dos Santos and a companion walked up to the stage and were hugged by the M.C., the star Will Smith, who shouted, “500,000 euros! Yes, yes, yes!”

Mr. Smith added, “They look way too young to have 500,000 euros.”

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Upmarket high-rise apartment buildings in Luanda, the Angolan capital. The oil boom disproportionately benefited the country’s ruling elite. CreditJoao Silva/The New York Times

Scrutiny Over Investments

Angola had been at war — fighting for independence from Portugal, which came in 1975, and then locked in a civil war — for four decades by the time peace finally arrived in 2002. Peace coincided with an extended oil boom that eventually propelled Angola, with only 25 million people, to become one of the top 20 oil producers in the world.

It was an extraordinary turnaround for a country that had been dominated for centuries by Portugal, which exploited Angola for the slave trade and its natural resources, before falling into a long and costly civil war fueled by the Cold War.

But the oil boom disproportionately benefited Angola’s governing elite, who moved enormous sums abroad. Between 2002 and 2015, Angolan companies and individuals poured $189 billion outside the country into often opaque investments, according to the Catholic University of Angola’s Center for Studies and Scientific Research in Luanda.

Inside Angola, one of the world’s most unequal societies, half of the working population lives on less than $3.10 a day.

Meanwhile, its former colonial ruler, Portugal, suffered from a financial crisis that forced it to obtain a $111 billion bailout from international creditors and downgraded its national debt, rated junk to this day. Portugal was desperate for investment.

António Monteiro, a former foreign minister of Portugal and the chairman of the country’s largest private bank, Millennium BCP, said that investments from Angola had helped many Portuguese companies survive, including his bank.

“It was an investor that was very welcome and, in certain moments, the only investor in Portugal,” he said.

The problem was how the money was obtained.

Politicians and businesspeople in both countries say that Angola is dominated by allies of the president with tentacles in every corner of the economy, allowing them to amass great fortunes in politically connected deals under mysterious circumstances.

As Angola’s ruling elite sought to safeguard its wealth outside their country — knowing that Mr. dos Santos’s rule would eventually end — Portugal’s political and business elite more than obliged.

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A billboard in Luanda congratulating President José Eduardo dos Santos of Angola on receiving 99.6 percent of the vote last year in his party’s leadership contest. CreditJoao Silva/The New York Times

“If Angola was the front office of corruption, Portugal was the back office,” said João Batalha, the president of the Portuguese chapter of Transparency International.

In a scathing report, the O.E.C.D.’s working group on bribery said that Portugal’s “enforcement of the foreign bribery offense has been extremely low” — pointing out that cases involving Angola accounted for a third of all such bribery allegations against Portuguese firms. In a March report on money laundering and financial crimes, the United States State Department said, “Suspect funds from Angola are used to purchase Portuguese businesses and real estate.”

Portugal’s foreign minister, Augusto Santos Silva, said that the Portuguese judicial system investigated illicit investments without political interference. He said it had been a “mistake” for one of his predecessors, responding to news media reports that high-ranking Angolans were being investigated in Portugal, to visit Angola and apologetically take the Angolans’ side.

Still, Mr. Silva said that Angola’s growing power was a positive development. Unequal postcolonial relations, he said, would carry “the flavor of neocolonialism.”

Portuguese business leaders say that Angolan investments unfairly attract the kind of scrutiny that money from elsewhere, including China, does not.

Luis Míra Amaral — who until last year was chief executive of Banco Bic Portugal, a bank whose biggest shareholder is Isabel dos Santos — said that in Angola and some other African states, the same individuals tended to be both political and business leaders.

“It’s not realistic that a small country like Portugal would be able to change that,” said Mr. Amaral, a former Portuguese minister of industry and energy.

Mr. Amaral said that all Angolans had to “justify the money” they put into Portuguese banks by showing assets in Angola, to help prevent money laundering.

“When I see Isabel dos Santos putting money into Portugal because she has a number of big companies in Angola,” he said, pointing to her big stake in Unitel, Angola’s biggest cellphone operator, “it is easy to justify.”

“After, you can put another question: how she was able to create this company,” Mr. Amaral added with a laugh. “It’s another question. It’s not my problem as a banking manager.”

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Isabel dos Santos, second from right, with her husband, Sindika Dokolo, right, and the actor Chris Tucker and the singer Rita Ora in the de Grisogono showroom during the Cannes Film Festival in May.CreditDave Benett/Getty Images

Jewels, Phones and Banking

On her Twitter account, Ms. dos Santos identifies herself with just one word: entrepreneur.

Helped by public relations officials in Lisbon, Ms. dos Santos has put forward an image of herself as a self-made businesswoman. In a 2013 interview, she told the Financial Times that she had had business sense from a young age and sold chicken eggs when she was just 6.

In a written reply to emailed questions, Ms. dos Santos told The New York Times that the egg anecdote was meant “to show that since a young age I had an entrepreneurial spirit.”

But in Angola, the story about the eggs fueled widespread ridicule and anger.

Asked whether it was possible that Ms. dos Santos’s fortune was self-made, Marcolino Moco, a former prime minister of Angola, said, “It’s possible to make us laugh. All her wealth comes from the fact that her father is the law.”

The oldest child of Angola’s president, Ms. dos Santos, 44, has gained large or controlling shares in Angola’s diamond, cellphone, banking and other industries over the years.

In her email, Ms. dos Santos said that, beginning in the early 1990s, she had started “a small beverage distribution and logistics business,” as well as a restaurant, an event production company and a walkie-talkie business.

Ms. dos Santos did not say where she had obtained the capital to invest in those businesses or in Unitel, which she now controls. She has also acquired big stakes in Portugal’s banks, the Portuguese energy giant Galp, the Portuguese telecommunications company NOS, and other businesses.

In 2015, Transparency International included Ms. dos Santos on a list of 15 cases that symbolized “grand corruption.” She responded by saying that her investments were “transparent.”

Last year, her father appointed her chief executive of Sonangol, the state oil company that the president has used over the decades to further political and business interests. A group of lawyers has tried unsuccessfully to remove Ms. dos Santos from her post, arguing that she, with no management track record or experience in the oil industry, was appointed by her father to erase evidence of her father’s embezzlement at Sonangol before he steps down.

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The downtown Luanda headquarters of Sonangol, the Angolan state oil company, of which Ms. dos Santos is the chief executive. CreditJoao Silva/The New York Times

Rui Amendoeira, a partner at Vieira de Almeida, a Lisbon law firm hired by Ms. dos Santos to help run the oil company, said he had no comment on the case or on Ms. dos Santos.

Her appointment as head of the state oil company gave Ms. dos Santos another platform internationally. In March, she was a speaker at the annual CERAWeek energy conference in Houston. In April, she spokeabout being an entrepreneur at the London Business School.

Ms. dos Santos’s critics say she has tried to gain respectability in the West by using her ill-gotten gains in Angola and laundering them in Portugal — an accusation she rejects.

“In my book respectability is not achieved by mingling with the ‘right people,’” she said in an email. “In my book respectability is something you gain and achieve through a lifetime of work, and actions worthy of esteem, coherent positive behavior, attitudes of good social standing and building a reputation with your friends and peers.”

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The stadium of Sporting Lisbon soccer club, whose major shareholder is Álvaro Sobrinho, an Angolan businessman and former chief executive of Banco Espírito Santo Angola.CreditPatricia de Melo Moreira for The New York Times

A Continuing Inquiry

Respectability, some Angolans have found, can be acquired in Portugal — and lost.

Álvaro Sobrinho, the former chief executive of Banco Espírito Santo Angola, was born in Angola and now lives in Portugal, holding dual citizenship. In Portugal, he became the major shareholder in Sporting Lisbon, a major soccer team, and also bought two newspapers.

But he was eventually investigated by the Portuguese authorities for his role in the bank, the Angolan subsidiary of Portugal’s Banco Espírito Santo, which he headed for a decade until 2012. The bank was accused of misappropriating $5.7 billion by giving out loans — to the political elite and to Mr. Sobrinho himself — that were never repaid. Mr. Sobrinho has denied all accusations and has not been charged despite the long investigation.

But he is now regarded as a “thief” in Portugal, he said. He has sold off his newspapers. He said he had at least recovered his assets, which the Portuguese authorities had frozen for a few years. A court reaffirmed in May that the state cannot seize his assets, but prosecutors say that Mr. Sobrinho is still being investigated.

His assets include six apartments he owns with his family in Estoril Sol Residence in Cascais, the “Angolans’ building.” Brazilians, Russians and Portuguese, including some who made money doing business in Angola, also owned apartments but were never investigated for money laundering, he said.

“Only Angolans,” Mr. Sobrinho said, with bitterness.

The resentment, though, did not detract from his enjoyment of his apartments (“very beautiful, you can see the sea”) or of Cascais (“an amazing place”).

“The king used to live there,” he added.

(BBG) Angolans Start Voting in Election That Ends Dos Santos Rule

(BBG) Angolans began voting in an election that will bring about the first leadership change in almost four decades for Africa’s second-biggest oil producer.

“D-day has arrived,” Domingos Francisco said Wednesday as he stood in line behind dozens of voters outside a blue tent that served as a polling station in the Rangel neighborhood in Luanda, the capital. “I arrived at 5 a.m. because I was anxious to vote.” Balloting started at 7 a.m. and is scheduled to end at 6 p.m.

Jose Eduardo dos Santos, Africa’s second-longest serving ruler who led Angola through a civil war, an oil-fueled boom and a bust, is stepping down after 38 years in power. Defense Minister Joao Lourenco, the ruling Popular Movement for the Liberation of Angola’s presidential candidate, is widely expected to win the vote, according to Ricardo Soares de Oliveira, an Oxford professor and the author of a postwar study on Angola.

A defeat of the ruling party is “almost unimaginable,” Soares de Oliveira said in an emailed response to questions. “The most probable outcome remains an MPLA victory, but with a much enhanced performance by the opposition.”

Dos Santos, 74, is credited for rebuilding Angola with income from oil through glitzy infrastructure projects. At the same time, some of his family members accumulated fortunes, while a third of the population still lives in poverty, according to the World Bank. His eldest daughter, Isabel, is Africa’s richest woman, with an estimated wealth of $2.3 billion, according to the Bloomberg Billionaires Index.

Corruption

Lourenco made the fight against corruption and poverty the centerpiece of his campaign. If elected, he will face the challenge of reversing the worst downturn since the country emerged from civil war in 2002, according to Manuel Alves da Rocha, chief economist at the Catholic University of Angola in Luanda.

“It’s not enough to say there’s a need to improve the economy and the financial sector,” Alves da Rocha said. “We need concrete measures because the situation is serious.”

The Angolan economy, sub-Saharan Africa’s third-largest, has been crippled by oil prices that have halved since mid-2014 and led to zero growth for 2016, an inflation rate of 30 percent and a shortage of dollars. Angola depends on oil for more than 90 percent of its export earnings.

Lourenco, a 63-year-old army general, may have limited room for maneuver if he is given the keys to the presidential palace overlooking the bay of Luanda. Dos Santos will remain MPLA chairman until at least 2018 and is likely to influence politics even after he steps down.

Still, “it’s normal” to expect that things will change, General Manuel Helder Vieira Dias Jr., an influential minister of state who is widely known by his nickname Kopelipa, said in an interview Wednesday. “Portugal isn’t the same Portugal it was 10 years ago, England isn’t the same as it was 10 years ago and, naturally, Angola’s future will also be different.”

Six parties are competing for 220 seats in parliament and the person heading the list of candidates for the winning party becomes president for a five-year term. About 9 million of Angola’s estimated 27 million people have been registered to vote, and the results have to be announced within 15 days, according to the National Electoral Commission.

Officials from the main opposition party, the National Union for the Total Independence of Angola, and the smaller opposition party, Casa-CE, have questioned the neutrality of the electoral commission. They’ve also accused state media of giving too much airtime to the ruling party, criticized the geographic allocation of polling stations and complained of difficulties registering opposition officials to monitor the vote.

Unita, which lost the civil war against the MPLA, has threatened to hold protests if it considers the elections unfair but excluded a return to armed conflict. “We’ve seen what war is,” Unita leader Isaias Samakuva said at his party’s final campaign gathering.

Dos Santos, flanked by his wife and dozens of bodyguards, didn’t speak to the media when he arrived in a black Mercedes-Benz to cast his vote at a school in downtown Luanda.

The voting process was going smoothly and there were no incidents reported, according to Manuel Pinto da Costa, a member of a team of election observers for the Community of Portuguese Language Speaking Countries.