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(ECO) O capítulo da polémica – Ricardo Arroja

(ECO)

O trabalho da OCDE fez-nos um grande favor. Fez o favor de contribuir para o debate sobre a modernidade da justiça, que em Portugal continua na idade das trevas.

Depois de semanas de especulação, finalmente foi publicado o relatório da OCDE sobre Portugal. A polémica esvaziou-se rapidamente porque o relatório, como é habitual nestes trabalhos, pouco tem de polémico. Trata-se de um trabalho eminentemente analítico, fazendo uso de literatura académica, que esmiuçou três grandes domínios: as finanças públicas, as exportações e o sistema judicial. As principais conclusões não ofendem ninguém. E, sem sombra de dúvida, o capítulo da polémica, sobre a justiça, é de longe o mais interessante de todos.

De uma vez por todas, a questão da justiça tem de ser abordada de forma frontal, por aqueles que estão dentro do sistema judicial, mas sobretudo por aqueles que estão de fora. As reiteradas tentativas de reformar a justiça a partir de dentro, incluindo a última iniciativa presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, têm resultado sistematicamente numa mão cheia de nada. Do ponto de vista formal, vão sendo feitos uns arranjos, mas do ponto de vista substantivo pouco se avança. A justiça continua a ser um forte impedimento ao avanço do País e, evidentemente, a corrupção também, sobretudo num país pequeno como Portugal onde todos se conhecem e onde pequenas elites se infiltram junto do Estado para a obtenção de benefícios indevidos.

A economia de mercado assenta no conceito da transacção comercial. Uma parte compra, constituindo a procura, e a outra parte vende, constituindo a oferta. Mas a relação entre compradores e vendedores requer a salvaguarda dos direitos e deveres de ambos. Ou seja, requer o chamado “contract enforcement”, uma expressão inglesa para a qual não há uma boa tradução em língua portuguesa, mas que se refere à capacidade de fazer cumprir um contrato. Isto significa dar sequência à moldura contratual em tempo útil, com eficácia, e é aqui que entra a justiça, fazendo valer o significado dos contratos, zelando pela validade dos seus preceitos e, também, pelos direitos individuais sobre os quais têm de assentar.

De acordo com a OCDE, em Portugal, uma decisão de primeira instância nos tribunais cíveis e comerciais leva cerca de 10 meses (300 dias). Entre os países sondados pela OCDE, só quatro países estão piores do que nós (os dois do costume, Grécia e Itália, mais a Turquia e a França). Porém, se considerarmos os prazos médios das acções findas, o prazo médio das acções cíveis sobe para 15 meses. No terceiro trimestre de 2018, segundo a Direcção Geral de Política da Justiça (DGPJ), as acções declarativas constituíam 28,2% das acções cíveis, 15,5% correspondiam a reclamações de créditos, 8,9% a embargos e oposições, 6,7% a notificações judiciais avulsas, 4,0% a procedimentos cautelares e 3,6% a divórcios e separações.

A situação não é melhor nos processos comerciais. Na realidade, é nos tribunais de comércio que as coisas parecem estar cada vez piores. Segundo a DGPJ, a duração média dos processos de falência, insolvência e recuperação de empresas em Portugal é hoje de 55 (cinquenta e cinco) meses! Cinquenta e cinco meses são quatro anos e meio. É o tempo que demora em Portugal a finalização de um processo desta natureza, até ao chamado visto de correição, ou seja, incluindo todas as suas etapas processuais. Há mais de dez anos que não se observava tamanho atraso.

Ademais, a taxa de recuperação de créditos é de apenas 8,2% (do total de créditos reconhecidos).
As consequências do mau funcionamento da justiça são todas nefastas. Do ponto de vista dos princípios democráticos, representam a perversão daquela imagem de equilíbrio que as pessoas gostariam de associar à justiça. Com tamanhos atrasos, os que têm poder económico para aguentar e fazer passar o tempo, juntamente com os seus advogados, são os únicos beneficiados. E do ponto de vista económico, as consequências não são menos más, consistindo, entre outras, no incentivo à informalidade económica e no desincentivo ao investimento.

A desconfiança gerada num país onde a justiça não funciona mina o desenvolvimento do mesmo. Este é um país onde os empresários, à primeira oportunidade, deixarão de respeitar os seus colaboradores, fornecedores e clientes. É um país onde não valerá a pena investir em inovação, onde as empresas não colaborarão umas com as outras, onde os fundadores de “start-ups” pensarão duas vezes antes de se lançarem aos desafios. É um país onde o crédito será mais difícil. Um país onde os recursos não fluirão dos sectores não produtivos para os sectores produtivos, como se esperaria numa economia de mercado.

Parte da solução para a justiça será administrativa, porque a justiça é administração pública. Acabar com as férias judiciais e fazer como sucede em qualquer empresa seria um bom começo. Outra parte será tecnológica, adoptando as ferramentas digitais que hoje existem, conferindo à justiça eficiência e transparência processuais, tanto para dentro como para fora. E, por fim, não menos importante, a solução também será cultural.

Aqui, o trabalho da OCDE fez-nos um grande favor. Fez o favor de contribuir para o debate sobre a modernidade da justiça, que em Portugal continua na idade das trevas. Cabe-nos a nós decidir se queremos fazer de conta ou se queremos enfrentar o problema. Eu sou pela frontalidade.

(BBG) Deutsche Bank Weighed Extending Trump Loans on Default Risk

(BBG)

Top Deutsche Bank AG executives were so concerned after the 2016 U.S. election that the Trump Organization might default on about $340 million of loans while Donald Trump was in office that they discussed extending repayment dates until after the end of a potential second term in 2025, according to people with knowledge of the discussions.

Members of the bank’s management board, including then Chief Executive Officer John Cryan, were leery of the public relations disaster they would face if they went after the assets of a sitting president, said the people, who asked for anonymity because the discussions were private. The discussions were about risks to the bank’s reputation and did not relate to any heightened concerns about the creditworthiness of Trump or his company, the people said.

The bank ultimately decided against restructuring the loans to the Trump Organization, which come due in 2023 and 2024, and chose instead not to do any new business with Trump while he is president, one of the people said.

A spokesman for Deutsche Bank declined to comment, and the people with knowledge of the discussions said they didn’t know why the bank ultimately decided not to extend the loans. The White House didn’t respond to requests for comment.

“This story is complete nonsense,” Eric Trump, a son of the president and an executive vice president of the Trump Organization, said in an email. “We are one of the most under-leveraged real estate companies in the country. Virtually all of our assets are owned free and clear, and the very few that do have mortgages are a small fraction relative to the value of the asset. These are traditional loans, no different than any other real estate developer would carry as part of a comparable portfolio.”

Go-To Lender

Deutsche Bank had been Trump’s go-to lender for decades, even as other commercial banks stopped doing business with him because of multiple bankruptcies. Although the German lender’s investment bank had severed ties with Trump during the financial crisis, after he defaulted on a loan and then sued the bank, its wealth management unit continued to extend him credit.

But, as the New York Times first reported, Deutsche Bank had already turned down a request for a loan from the Trump Organization for work on a Scottish golf course in early 2016, during the campaign, in part because of concern that it might have to collect from a sitting president.

The head of the retail bank at the time, which includes the wealth management unit, was Christian Sewing, who replaced Cryan as CEO in April. Sewing initially favored approving the loan application, but he submitted it to Deutsche Bank’s reputational risk committee, which recommended turning it down, according to a person familiar with the matter. Sewing supported the decision, the person said. The Trump Organization said it never sought such a loan.

The outstanding Deutsche Bank debt includes $125 million for the Trump National Doral Miami resort, which matures in 2023, according to federal records and mortgage documents. The company also owes $170 million for the Trump International Hotel in Washington and has another loan against a Chicago tower, both of which come due in 2024.

Read More: Deutsche Bank in Bind Over How to Modify $300 Million Trump Debt

Trump’s dealings with Deutsche Bank are facing heightened scrutiny now that Democrats are in control of the House of Representatives and two party members — Maxine Waters and Adam Schiff — are sitting at the top of powerful committees.

Democrats on the House Intelligence Committee have already described in detail what they want from Deutsche Bank. In a March report, they said they would seek to interview senior executives in the bank’s risk division who could tell them about due diligence conducted on Trump after the 2016 election. They also want documents about the bank’s earlier transactions with Trump and would like to interview his personal banker, Rosemary Vrablic.

In the four years before his election, Trump borrowed more than $620 million from Deutsche Bank and a separate lender, Ladder Capital, to finance projects in Manhattan, Chicago, Washington and a Miami suburb, federal documents and property records show. Jack Weisselberg, a top loan-origination executive at Ladder, is the son of Allen Weisselberg, the Trump Organization’s longtime chief financial officer who previously worked for Donald Trump’s father, Fred. Ladder loaned Trump $282 million for four Manhattan properties, records show. Jack Weisselberg declined to comment.

The loans are split between variable-rate and fixed-rate mortgages. Some are interest-only loans, with balloon payments due at maturity, according to property records and securities filings.

The maturities on Trump’s Deutsche Bank loans haven’t changed since his preelection financial disclosure, filings show. Government-run databases containing local property filings for New York, Washington, Chicago and Miami-Dade County don’t show any changes in the terms of Trump’s mortgages.

(ECO) BPI também supera teste do BCE. CGD tem rácios mais robustos

(ECO) Banco liderado por Pablo Forero junta-se à CGD e diz que também passa o teste do BCE. Mas banco público apresenta rácios mais robustos em absoluto e em face das exigências do supervisor.

O Banco BPI também superou o teste do Banco Central Europeu (BCE) em matéria de requisitos mínimos de capital que tem de ter este ano. Mas, ainda que o supervisor europeu tenha exigidos níveis mais baixos ao banco liderado por Pablo Forero do que à Caixa Geral de Depósitos, o banco público apresenta maior robustez.CGD cumpre rácios do BCE “com significativa margem” Ler Mais

Para já, apenas BPI e CGD anunciaram publicamente quais os rácios mínimos de fundos próprios exigidos pelo BCE para este ano, isto na sequência dos testes do SPREP — supervisory review and evaluation process — conduzidos pelo supervisor europeu e que fazem uma avaliação banco a banco e tem em conta variáveis como o modelo de negócio, fundos próprios e liquidez para determinar os requisitos de capital.

Ambas as instituições cumprem os rácios mínimos de capital. Mas enquanto ao BPI são exigidos níveis de fundos próprios menos restritivos, a CGD consegue superar de forma mais robusta os rácios mais elevados que tem de respeitar.

O BPI informou esta quarta-feira que as autoridades exigem rácios fully loaded (totalmente implementados) CET1, T1 e Total de 9,5%, 11% e 13%, respetivamente, a partir de 1 de janeiro de 2019. No final do ano passado, estes níveis não só já eram cumpridos como eram superados em 3,7 pontos percentuais, 2,2 pontos e 1,9 pontos, o que permite ao banco analisar o montante de dividendos que poderá distribuir à casa-mãe, o CaixaBank, conforme tinha dito Pablo Forero na apresentação dos resultados.BCE aliviou rácios ao Novo Banco. Ramalho esperava mais Ler Mais

Na véspera, a CGD comunicou que tinha de ter aqueles rácios nos 10,25%, 11,75% e 13,75%, algo que disse cumprir com “uma significativa margem” a 31 de dezembro de 2018: fixavam-se 4,45 pontos percentuais, 3,95 pontos e 3,25 pontos acima, respetivamente.

O facto de o BCE exigir níveis de fundos próprios mais elevados à CGD tem a ver com a avaliação que fez ao seu perfil económico e financeiro. Os outros bancos que estão sob a alçada do supervisor europeu também deverão publicar em breve os requisitos mínimos prudenciais que têm de respeitar em 2019. Por exemplo, António Ramalho já disse aos trabalhadores que o BCE aliviou os níveis exigidos para o Novo Banco, mas não numa dimensão que estava à espera.

(ECO) Descobri que sou incompatível com a minha mulher – Pedro Sousa Carvalho

(ECO)

O governador do Banco de Portugal tem um conflito de interesses na Caixa. A vice-governadora também. Os advogados escolhidos também. Isto não é um conflito de interesses, é uma explosão de interesses.

Já vamos ao governador que pediu escusa de participar na análise à auditoria à Caixa Geral de Depósitos (CGD) por ter sido administrador do banco público num período negro que está a ser investigado pelo próprio Banco de Portugal.

Comecemos antes por Elisa Ferreira, cujo marido foi vice-presidente da La Seda, uma das empresas cujo calote deu maior prejuízo à Caixa. E pelos escritórios de advogados — Vieira de Almeida e Linklaters — que foram escolhidos pela Caixa para analisar os atos de gestão desse período para, eventualmente, colocar ações de responsabilidade civil sobre ex-gestores. O problema é que esses escritórios trabalharam com alguns desses ex-gestores ou clientes da Caixa.

É caso para dizer que somos um país pequeno. O problema é que mesmo depois de detetarmos estes conflitos de interesse, nem sempre os eliminamos e continuamos a conviver com eles. É quando deixamos de ser um país pequeno e passamos a ser um país pequenino. Vamos por partes, sem grande esperança de chegar a parte alguma.

Casamento por amor e não por compatibilidade

Comecemos então pela socialista Elisa Ferreira. Escreve a agência Lusa que Fernando Freire de Sousa, marido de Elisa Ferreira, foi secretário de Estado para a Competitividade e Internacionalização do governo PS de António Guterres e é, atualmente, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).

Fernando Freire de Sousa foi ainda vice-presidente da La Seda entre 2004 e 2008. Na lista dos créditos mais ruinosos da Caixa, o pior de todos foi precisamente o dado à Artlant (nome dado ao projeto químico de Sines) para o financiamento de uma fábrica da La Seda. A Caixa emprestou mais de 350 milhões de euros e já deu como perdidos 211 milhões, ou seja, 60% desse empréstimo.

Duarte Pacheco do PSD tem razão quando questiona “se não existirá na administração do Banco de Portugal outros administradores [para além de Carlos Costa], que por razões diretas ou familiares, não terão o mesmo problema e não deviam pedir escusa da análise à auditoria”.

Elisa Ferreira também devia pedir escusa de lidar com assuntos relacionados com a auditoria à Caixa. A vice-governadora não tem culpa de ter sido apanhada na situação em que está — as pessoas casam-se por amor e não por compatibilidades — mas, a partir do momento em que está nessa situação tem, obrigatoriamente, de pedir escusa. Quanto mais tarde o fizer pior é, eticamente e juridicamente, já que eventuais decisões contraordenacionais do Banco de Portugal correm o risco de vir a ser impugnadas se tiverem a sua assinatura.

O pai de Gabriela e a mulher de Siza

Basta seguir o exemplo de um outro regulador. Gabriela Figueiredo Dias, quando chegou a presidência da CMVM, pediu de imediato escusa de lidar com assuntos relacionados com o BPI (que estava a ser alvo de uma OPA do Caixabank) já que Jorge de Figueiredo Dias, vogal do BPI, é o pai de Gabriela Figueiredo Dias.

Também nos lembramos de Siza Vieira, o mais incompatível dos ministros do António Costa. Além do caso EDP e da empresa de imobiliário, quando ficou com a pasta da Economia e a tutela do Turismo foi-lhe apontado o dedo por eventuais incompatibilidades, já que a mulher dirige a Associação de Hotelaria de Portugal.

Na altura, Siza disse que “nos termos da lei e conforme dita a minha consciência, declarar-me-ia impedido de atuar” quando fosse confrontado com decisões sobre o setor. Acrescentou, em jeito de ironia: “descobriram, ao fim de 30 anos, que sou incompatível com a minha mulher”.

Três advogados para fazer o trabalho de um

Também no capítulo das incompatibilidade e dos conflitos de interesse, Paulo Macedo foi ao Parlamento revelar que a Caixa não vai contratar nem um, nem dois, mas “pelo menos” três escritórios de advogados para tratarem da auditoria da EY e apurar se há motivos para colocar ações de responsabilidade civil sobre ex-gestores do banco público: a Vieira de Almeida, a Linklaters e a Sérvulo.

Dos cinco processos que estão a ser analisados, a VdA invocou incompatibilidades em dois deles, já que ex-gestores ou clientes da Caixa foram também clientes do escritório. Então foi preciso escolher, além da VdA, a Linklaters que também veio invocar incompatibilidade num dos processos. Então foi preciso contratar, além da Vieira de Almeida e da Linklaters, a Sérvulo. Paulo Macedo admitiu, na Assembleia da República, que poderia ainda ir buscar outros escritórios se continuassem a surgir situações de conflitos de interesse.

Isto levanta duas questões: a Caixa não tem mais sítio onde gastar o nosso dinheiro? Se, por exemplo, a VdA tem um conflito de interesses porque esteve com Manuel Fino no passado (mais um dos que deu um calote à Caixa), faz sentido que decida sobre ações de responsabilidade civil de gestores que deram créditos a Manuel Fino ou outros clientes igualmente ruinosos?

Carlos Costa e os pontos nos ii

Sabe o leitor quem foi administrador da Caixa que aprovou esse crédito ruinoso a Manuel Fino? A revista Sábado escreve que o atual governador do Banco de Portugal, que era administrador da Caixa no período negro de Armando Vara e Santos Ferreira, participou nas reuniões que aprovaram créditos a operações ruinosas como as de Manuel Fino, Joe Berardo e Vale do Lobo.

Carlos Costa tem um passado duvidoso na banca comercial, que vai das offshores do BCP à aventura da Caixa em Espanha quando ele tinha o pelouro da internacionalização. No banco central, como ficou assente nas comissões de inquérito, o seu papel para prevenir o colapso do BES e do Banif foi medíocre e tardio. Sabe-se agora, teve a sua quota-parte de responsabilização na aprovação dos créditos mais ruinosos da Caixa. Créditos que estão a ser investigados pelo próprio Banco de Portugal, instituição a que preside. Conta o Jornal Económico que Carlos Costa está fora dos lote dos gestores que estão a ser investigados pelo Banco de Portugal, vá-se lá saber porquê.

Carlos Costa anunciou na sexta-feira que vai pedir escusa de participar nas decisões do Banco de Portugal que tenham a ver com a Caixa e com a auditoria da EY. No caso de Elisa Ferreira chega, mas no caso de Carlos Costa não basta pedir escusa. O governador está na posse da auditoria da EY há sete meses e só agora que o documento veio a público, por causa de Joana Amaral Dias, é que sentiu um rebate de consciência e resolveu pedir escusa.

Carlos Costa é a prova viva de que o cargo de governador de banco central é inamovível. Vamos pôr os pontos nos is. Não há incoerência, incúria, incómodo, incompetência ou incompatibilidade que o façam sair do lugar.

(JN) CGD, o escândalo – Nuno Melo

(JN)

O que se passou na CGD entre 2005 e 2011 é inqualificável e não pode ser desvalorizado. De resto, a relação temporal com o consulado socialista de José Sócrates e António Costa, seu número dois num dos governos, não foi simples coincidência. Arruinaram o banco, como trouxeram a bancarrota a Portugal.

Não falta quem tente enquadrar o rombo nas contas da CGD no contexto financeiro que levou ao encerramento naquele período do BPN e do BPP, a par de outros na UE. A justificativa complacente é absurda e não tem sentido.

A delinquência bancária e os casos de polícia, que tiveram como consequência necessária a desgraça do BPN e do BPP e o buraco gigantesco na CGD, não tiveram nada que ver com crises. Acresce que no caso da CGD, há diferenças agravantes.

A CGD não é um banco privado. A CGD é o banco do Estado, gerido por administrações nomeadas pelo Governo, supervisionado pelo Estado, através do Banco de Portugal. Significa que o Estado gestor criou os prejuízos que o Estado supervisor nunca viu. Sendo que parte dos factos ocorridos na CGD repetiram os pecados antes revelados pelo BPN e pelo BPP que, de tão impressionantes, se julgava, até pelos alarmes supostamente ativados na supervisão, não voltariam a acontecer. Inacreditavelmente, assim não foi.

E há perguntas que têm de ser feitas:

– Por que razão é que os contribuintes portugueses hão de pagar com impostos que lhes reduzem a capacidade de sustentar as famílias e mutilam poupanças os esquemas de Armando Vara, as vigarices dos negócios de Vale do Lobo, o financiamento das guerras internas no BCP, aventuras acionistas de Joe Berardo, ou os empréstimos à Artlant, em montantes próximos de 5 mil milhões de euros?

– Como é possível que em regra nenhuma pessoa consiga de um banco cinco mil euros ou 10 mil euros sem se submeter a exames médicos rigorosos e prestar garantias capazes, na maior parte dos casos reais, e em compensação, empréstimos de milhões de euros tenham sido entregues para projetos no mínimo duvidosos, sem garantias, sem avaliações de risco e até contra pareceres de risco elevado que desaconselhavam esses empréstimos?

– Como é que se explica que quando assim sucedeu, tantos dividendos tenham premiado administradores que não os mereciam, manifestos culpados raramente sejam julgados, quase sempre fiquem impunes e os milhões guardados ilicitamente em paraísos fiscais, carros, herdades e obras de arte, nunca sejam devolvidos?

Evidentemente, num Estado que se supõe de direito, o mínimo que se exige é uma comissão parlamentar de inquérito.

*Eurodeputado

(OBS) Os nomes e os milhões apagados da auditoria à Caixa. As 200 operações que provocaram perdas de 1.760 milhões

(OBS)

O Observador mostra a versão sem cortes do relatório final da auditoria à CGD. Nas 263 páginas estão duas centenas de operações que custaram 1.760 milhões de euros aos contribuintes. Veja-as aqui.Partilhe

  1. As perdas potenciais da Caixa com 11 clientes
  2. Pareceres negativos e condicionados do risco foram ignorados, na concessão e na renegociação
  3. Prejuízos milionários também nas participações financeiras da Caixa
  4. A aposta “perdida” em Espanha. E como as filiais foram usadas para minimizar perdas

A exposição da Caixa Geral de Depósitos aos créditos ruinosos que concedeu era, no final de 2015, de 4.926 milhões de euros. Ou seja, mais mil milhões de euros do que o valor total da recapitalização feita no banco público, que contou com 3.944 milhões de euros dos contribuintes. Só os 25 maiores devedores da CGD causaram perdas acumuladas de 1.310 milhões de euros.

São os números finais da auditoria da EY (antiga Ernst&Young) às operações de crédito da Caixa Geral de Depósitos entre 2000 e 2015. O relatório final foi entregue na sexta-feira aos deputados — supostamente uma versão truncada para proteger o sigilo bancário, ou seja o nome e o valor das dividas dos grandes devedores — mas os números sempre estiveram lá, no documento PDF que o parlamento disponibilizou (e depois apagou e substituiu) no seu site.

O Observador pegou no documento disponibilizado pelos serviços da Assembleia, eliminou as “caixas brancas” que foram usadas para ocultar números e nomes — em alguns casos toda a informação de quadros fundamentais para perceber o cenário de concessão de créditos — e coloca agora online uma versão “limpa”, sem cortes ou rasuras. Pode consultá-la aqui.

Se preferir, pode também ler na fotogaleria abaixo as 263 páginas do relatório final da Ernst&Young usando as setas.

263 fotos

As perdas potenciais da Caixa com 11 clientes

Se no relatório preliminar divulgado pela ex-deputada Joana Amaral Dias a 20 de janeiro já era possível ver quanto é que a Caixa tinha registado em empréstimos ruinosos a 46 clientes, na versão final “limpa” o quadro é ainda mais grave. É que a EY reservou para o relatório final a informação de quanto é que a CGD perdeu (e ainda se arrisca a perder) com uma multidão de devedores, e não só os grandes casos que até já saíram nas notícias.

No total, a exposição da Caixa a estes 196 clientes ascende a 4.926 milhões de euros, dos quais o banco dá já como potencialmente perdidos 1.760 milhões de euros, o custo de uma terceira travessia do Tejo (no eixo Chelas-Barreiro) incluindo componente ferroviária. Os quadros “limpos” permitem tirar outras conclusões. Deste total de perdas, 1.310 milhões de euros correspondem apenas a 25 dos 200 clientes com operações de crédito analisadas pela consultora. A auditoria final também permite saber com exatidão quanto é que a Caixa emprestou a estes 25 clientes: 2.676 milhões de euros em créditos iniciais, a maioria deles concedidos em três anos, entre 2006 e o final de 2008.

Alguns dos nomes são conhecidos e têm sido noticiados, mas não constam do relatório da auditoria final, rasurados ou não. Aparecem apenas como números C001 e seguintes. Neste caso, o Observador cruzou as imparidades registadas no documento final com as que tinham sido listadas na auditoria preliminar e analisou as notícias da época em que os créditos foram concedidos ou reestruturados. Foi desta forma que se chega à conclusão que o cliente C001 é a Artlant (La Seda), o C002 é a Investifino, o C003 é Joe Berardo ou o C004 é a Douro Litoral.

Até ao momento, o Observador conseguiu identificar 11 destes 25 clientes. Para cada um indicamos o crédito inicialmente concedido, as imparidades (ou seja, as perdas já reconhecidas pela Caixa em 2015) e  a exposição, ou seja o montante ainda em risco resultante dos empréstimos concedidos:

  1. Artlant (La Seda): 381 milhões de euros em duas operações de crédito, relacionadas com a construção de uma fábrica em Sines. Exposição de 351 milhões no final de 2015 a que correspondia uma imparidade (perda reconhecida) de 211 milhões de euros
  2. Joe Berardo: 350 milhões de euros para a aquisição de ações do BCP.
  3. Metalgest: 50 milhões para a holding de Joe Berardo, também para a aquisição de ações do BCP. No final de 2015, a exposição a estas duas operações do empresário madeirense ascendia a 321 milhões de euros, para uma imparidade registada de 152 milhões de euros.
  4. Manuel Fino/Investifino: 180 milhões para compra de ações no BCP. A Caixa tinha uma exposição de 138 milhões de euros no final de 2015 e imparidades de 133 milhões de euros.
  5. Finpro: 200 milhões de euros para várias aquisições em concessões e infraestruturas. O banco estava exposto em 114 milhões de euros, com uma perda então (2015) reconhecida de 40 milhões de euros. Esta sociedade foi entretanto declarada insolvente.
  6. Vale do Lobo: 194 milhões de euros para o financiamento da compra do resort e outros créditos. A exposição atingiu os 201 milhões de euros para uma perda registada de 81 milhões de euros.
  7. Autoestrada Douro Litoral: 152 milhões para um project finance de construção de uma autoestrada gerida pela Brisa. Este crédito foi vendido a fundos internacionais com um grande desconto. No final de 2015, era contabilizada uma exposição de 153 milhões de euros com imparidade de 123 milhões de euros
  8. Opway: 150 milhões de euros para a construtora que era controlada pelo Grupo Espírito Santo. Exposição de 90 milhões de euros e imparidades de 77 milhões de euros.
  9. Birchview: Empréstimo inicial de 35 milhões de euros para um projeto imobiliário a desenvolver em lotes na Quinta do Lago (nada a ver com a sociedade gestora). Para uma exposição de 89 milhões de euros no final de 2015 estava reconhecida uma imparidade de 27 milhões de euros.
  10. Jupiter: Financiamento original de 115 milhões de euros a uma sociedade que, segundo o Expresso, tem ligação ao grupo português ImatosGil que foi acionista da La Seda. A exposição era de 89 milhões de euros, o mesmo valor da imparidade indicada.
  11. Always Special: Empréstimo de 55 milhões de euros a uma sociedade detida por acionistas do grupo Lena. De acordo com a ficha técnica do Jornal da Bairrada, a Always Special controla a Lena Comunicações e é detida por membros da família Barroca (Joaquim Barroca, vice-presidente do Grupo Lena, é acusado de ter corrompido José Sócrates). No final de 2015, a exposição da Caixa era de 44 milhões de euros para uma imparidade da mesma dimensão.

Em quase todos estes casos (com a exceção da Douro Litoral), a direção de risco da Caixa Geral deu um parecer condicionado à concessão do crédito inicial. Ou seja, indicou que o banco público deveria colocar condições adicionais à entidade que estava a aceder ao crédito, além das garantias que estavam (ou não) a ser dadas. Em todos os casos de parecer condicionado, as condições do parecer foram ignoradas, parcial ou totalmente, pelo órgão que aprovou, nomeadamente o Conselho Alargado de Crédito. A EY também indica que o órgão da Caixa que aprovou os créditos — apesar dos alertas e sinais vermelhos da direção de risco — não deu qualquer justificação para a aprovação.

O quadro abaixo é a primeira folha da listagem das 200 operações de crédito analisadas pela EY no âmbito da auditoria. Acrescentados a azul estão os nomes dos clientes já identificados pelo Observador. 

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Pareceres negativos e condicionados do risco foram ignorados, na concessão e na renegociação

O documento da EY sinaliza 170 operações que estavam sujeitas a parecer da análise de risco — porque envolviam valores acima de 2,5 milhões de euros até 2005; e acima de 1,5 milhões de euros depois desse ano. Esta amostra foi recolhida nas operações da CGD, do banco Caixa BI (banco de investimento) e da sucursal de Espanha.

  • Em 80 operações, a direção de Risco deu um parecer condicionado. Ou seja, o departamento recomendava um conjunto de requisitos prévios à concessão do crédito, mas o órgão de decisão, além de “não fazer depender a sua aprovação da concretização das respetivas condicionantes” recomendadas, “não deixou evidência escrita que justifique a decisão”. Ou seja, a auditoria não sabe com que fundamentos os decisores da Caixa aprovaram estes créditos. As perdas destas 80 operações totalizaram 769 milhões de euros só nos 25 maiores devedores.
  • Outras 43 operações foram feitas também apesar de um parecer de risco condicionado, mas neste caso “as respetivas condicionantes ou foram acolhidas por parte do órgão competente” ou existe “uma justificação para a sua não acomodação por parte do mesmo”. Acabariam por resultar em perdas de 122 milhões de euros entre os devedores do top 25.
  • Para cinco destas operações “não foi obtido o parecer técnico preparado pelas áreas comerciais”.
  • Noutras 15 “não foi obtido o respetivo parecer individual de análise de risco”.
  • Treze “foram autorizadas pelo órgão de decisão competente” na CGD, mas com parecer desfavorável do departamento de risco. Pior: “Não foi apresentada evidência do racional que esteve subjacente à decisão”.
  • Por fim, a EY identificou 14 operações que, apesar de terem tido um parecer de risco favorável, resultaram em perdas de 238 milhões de euros entre o top 25.

Mas foi na reestruturação e renegociação de créditos concedidos, e cujos clientes estavam já em dificuldades, que se verificaram os maiores prejuízos em operações aprovadas contra um parecer negativo da direção de risco. Numa amostra analisada de 130 operações reestruturadas, a auditoria encontrou 14 chumbos da direção de risco que resultaram em perdas de 499 milhões de euros. O caso de Berardo será um deles, como o Observador já noticiou.

Em 65 operações, o parecer foi favorável, mas com condições, sendo que terão sido aprovadas sem que todos esses requisitos fossem cumpridos. As perdas neste caso totalizaram 179 milhões de euros. Também neste caso houve pareceres positivos da área do risco que tiveram um resultado menos bom em nove operações: resultaram em perdas de 123 milhões de euros.

Uma das maiores fontes de prejuízos para a CGD nas operações analisadas foram os empréstimos concedidos para a compra de ações cotadas em bolsa, e que por regra, tinham como colateral apenas as ações. As 25 maiores operações desta natureza representaram uma exposição de 788 milhões de euros no final de 2015, a que correspondia uma perda reconhecida na mesa data de 526 milhões de euros, ou seja, 66% da amostra. Ou seja, por cada mil euros emprestados, perderam-se 660 euros, sobretudo por via desvalorização da cotação das ações dadas como garantia.

Ao contrário do que tem sido muitas vezes afirmado, não começaram na gestão liderada por Carlos Santos Ferreira. Segundo a auditoria, as concessões iniciais começaram em 2004 nos governos de Durão Barroso e Santana Lopes. Em 2004, CGD conheceu duas administrações — a liderada pela dupla António de Sousa e Mira Amaral e a dirigida por Vítor Martins. No entanto, e por ano de origem do crédito, as operações de maior dimensão ainda com impacto em 2015 tiveram origem no ano de 2007 — 567 milhões de euros. O último ano da gestão de Santos Ferreira e Armando Vara foi marcado pela guerra de poder no BCP em que a Caixa foi um dos grandes financiadores dos acionistas que apoiavam Paulo Teixeira Pinto, nomeadamente Joe Berardo e Manuel Fino.

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Prejuízos milionários também nas participações financeiras da Caixa

Apesar de o principal foco desta auditoria estar nos devedores, a EY também passou a pente fino as participações financeiras da Caixa entre 2000 e 2015, bem como as decisões de negócios consideradas estratégicas. E o maior prejuízo registado pelo banco do Estado cruza estas duas componentes: uma participação financeira que resultou de uma decisão estratégica que foi imposta pelo acionista Estado.

O envolvimento da Caixa Geral de Depósitos no negócio Champalimaud conduziu à detenção de 8% do capital do BCP, porque o banco do Estado vendeu o Banco Pinto e Sotto Mayor e aceitou em pagamento ações do banco privado, em vez de dinheiro. Este investimento, que chegou a ser reforçado, desvalorizou 546 milhões de euros nos anos seguintes até a participação ser vendida totalmente no final de 2013. Deste negócio resultou ainda o controlo da Mundial Confiança, a seguradora do Grupo Champalimaud, e anos mais tarde, as seguradoras do BCP. Todas estas empresas foram integradas na Fidelidade que foi alienada em 2013, já nos anos da troika.Entre as participações financeiras que correram mal voltamos a encontrar o grupo La Seda, promotor original da fábrica da Artlant em Sines. A Caixa entrou como acionista da empresa química de Barcelona em 2006 para garantir, concluiu a auditoria, que uma decisão de investimento vinha para Portugal, a unidade em Sines.

Entre as participações financeiras que correram mal voltamos a encontrar o grupo La Seda, promotor original da fábrica da Artlant em Sines. A Caixa entrou como acionista da empresa química de Barcelona em 2006 para garantir, concluiu a auditoria, que uma decisão de investimento vinha para Portugal, a unidade em Sines. Além de entrar no capital, acompanhada por grupos portugueses, a Caixa participou num empréstimo sindicado ao grupo La Seda. Segundo o relatório da EY, estas operações tiveram um resultado negativo de 131,4 milhões de euros.

Espanha surge aliás como uma das fontes importantes de perdas para o banco público. A operação espanhola apresentou ao longo dos anos analisados prejuízos acumulados de 583 milhões de euros. O Banco Caixa Geral sofreu uma forte reestruturação após a recapitalização de 2013 e depois de o último aumento de capital do Estado, já em 2016, a CGD teve mesmo de vender este negócio por imposição da Comissão Europeia, apesar de já apresentar resultados positivos.

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A aposta “perdida” em Espanha. E como as filiais foram usadas para minimizar perdas

As perdas no mercado espanhol estão associadas a uma estratégia de concessão de crédito em projetos de maior dimensão de project-finance ou imobiliário, para ganhar escala, depois de o acionista Estado ter inviabilizado a compra do Banco Madrid ainda nos anos 1990. E as perdas só não terão sido maiores porque, sinalizam os auditores, em 2008, foram transferidos vários créditos em dificuldades do Banco Caixa Geral, o banco espanhol da Caixa, para a sucursal espanhola da CGD. Estes créditos totalizaram 2,6 mil milhões de euros.As perdas no mercado espanhol estão associadas a uma estratégia de concessão de crédito em projetos de maior dimensão de project-finance ou imobiliário, para ganhar escala, depois de o acionista Estado ter inviabilizado a compra do Banco Madrid ainda nos anos 1990. E as perdas só não terão sido maiores porque, sinalizam os auditores, em 2008, foram transferidos vários créditos em dificuldades do Banco Caixa Geral, o banco espanhol da Caixa, para a sucursal espanhola da CGD. Estes créditos totalizaram 2,6 mil milhões de euros.

Aliás, também a sucursal francesa enviou créditos problemáticos para a filial espanhola da CGD com o objetivo, dizem os auditores da EY, de minimizar as perdas a nível do grupo CGD e evitar a constituição de imparidades em França por onde passaram importantes operações, nomeadamente de emissão de dívida do grupo bancário. Por outro lado, a sucursal francesa também recebeu empréstimo de outras sucursais, como Cayman (operação extinta recentemente pela CGD), com o intuito de limitar o impacto de algumas operações — a auditoria refere o financiamento de 503 milhões de euros ao Grupo José de Mello.

Outro caso analisado no capítulo do imobiliário, decisões estratégica, é oda Wolfpart, a sociedade criada para deter vários ativos do setor, entre os quais a participação de 25% na sociedade gestora do empreendimento de luxo Vale do Lobo. Entre 2000 e 2015, este investimento gerou perdas de 228 milhões de euros que resultam não só da participação financeira, mas também dos suprimentos (empréstimos) concedidos pela Caixa enquanto acionista. O relatório da EY assinala esta operação como apresentado “riscos elevados”, para o qual contribui também a circunstância de a CGD ser um credor subordinado, porque acionista, e com menos diretos que outros credores.

Paulo Macedo volta ao Parlamento esta quinta-feira. Menos de uma semana depois de, na sexta-feira passada, ter enfrentado um dia intenso: foi ao Parlamento entregar, em mãos e com direito a declarações, o relatório final da auditoria à gestão da Caixa Geral de Depósitos, e apresentou os primeiros lucros expressivos da Caixa em sete anos.

Na agenda da audição na comissão de Orçamento e Finanças, a realizar ao final da tarde após o plenário, está outra vez a auditoria independente à CGD, mas também um requerimento do Bloco de Esquerda para ouvir Paulo Macedo sobre as comissões bancárias. Os deputados já ouviram o ministro das Finanças sobre o tema, mas desta vez vão poder colocar perguntas concretas ao presidente da Caixa com base no conhecimento do relatório final, ainda que numa versão supostamente “expurgada” da informação que viole o segredo bancário.

Ainda que, e tal como o Observador noticiou na sexta-feira, a versão eletrónica do relatório final da auditoria à Caixa entregue na sexta-feira no Parlamento, permita espreitar números e nomes “apagados”. Este documento chegou a ser colocado no site do Parlamento durante alguns minutos, mas depois foi substituído por uma versão digitalizada do documento em papel que já não permite consultas sobre a informação escondida. Mas para quem descarregou a primeira versão, é possível ter acesso a mais.

(ZH) For The First Time Ever, Wall Street Banks Top $100 Billion In Profit

(ZH)

One may not know it by looking at banker bonuses last year, but 2018 was a banner year if only for bank shareholders and upper management: this is the year when the 6 biggest banks generated (well) over $100 billion in profit. They can thank Trump’s tax cuts, the Fed’s payment of interest on reserves, rising interest rates, a jump in dealmaking and a retail-banking boom (if not so much the “bad volatility” that resulted in a plunge in fixed income, currency and commodity trading fees).

As Bloomberg first noted, JPMorgan, Bank of America, Wells Fargo and their peers have already reported more than $111 billion of profit for 2018, and Morgan Stanley will complete the money-center picture tomorrow when it releases its fourth-quarter results Thursday and only makes this number bigger.

While JPMorgan and Bank of America both had record years, Goldman and Citigroup had their biggest annual profits since the financial crisis. The staggering profits, coupled with upbeat commentary about 2019 may ease fears that rate hikes and trade wars will bring an end to good times for the biggest banks.

To be sure, the banks’ bosses see not a cloud in sight: “Is it the end of a cycle? We don’t think so,” JPM CFO Marianne Lake said Tuesday. “We think the outlook for growth in the economy is still strong. The consumer is still strong and healthy, and we’re expecting to see, maybe slower, but still global growth going forward.”

Her optimism may have been a bit stretched as this quarter JPM missed earnings estimates for the first time in 15 quarters, while the bank’s provision for loan losses surged to $1.55 billion, far above the expected $1.3 billion.

Meanwhile, the question is whether or not the market already reflects the banks’ massive profits, or if there is room for bank stocks to run more: the KBW Bank Index surged 10% this month, on the back of a furious bear market rally and following generally strong fourth-quarter results; however, it comes after banks slumped into a bear market, plunging 20% in 2018, the worst performance in seven years.

(MENAFN) Portugal blocks Venezuelan fund transfer

(MENAFN)

(MENAFN) A Portuguese bank has blocked Venezuela’s attempt to transfer USD1.2 billion to Uruguay, as the opposition to President Nicolas Maduro warned of the theft of public funds, while the U.S. sent food and medical aid to the Venezuelan-Colombian border.

Pressure is mounting on Maduro to step down amid an economic crisis marked by shortages and hyperinflation, with the United States and other nations recognizing opposition leader Juan Guaido as Venezuela’s legitimate president.

Pope Francis has expressed willingness for the Vatican to reconcile Venezuela’s crisis if both sides seek it. 

Guaido, who declared himself interim president in January, was scheduled to meet later with business leaders at Venezuela”s main business group, Fedecamaras, to discuss an economic recovery plan under a future transition government in the OPEC-member South American country.

Maduro”s adversaries have warned that Venezuelan officials are trying to consume state coffers ahead of a potential change of government.

P.O. (Reuters) United Natural Foods sues Goldman Sachs, Bank of America over acquisition advice

P.O.

The “Vampires of Wall Street”…
You are not telling me that they did something less proper…
Oh…
What about that small misuse of the Malaysia Sovereign Wealth Fund…?
…Between 5 and 10 billion USD…
Oh…
Please be so kind and revisit
my P.O. V.V.I. (FT) 1MDB scandal: the Malaysian fraud explained:

V.V.I.

The “Vampires of Wall Street” (nickname for Goldman Sachs) at it again…
One of the greatest finantial frauds in history…
USD 4.5 billion allegedly misappropriated from the Malasian State Investment fund.
The incredible number of transfers, and their complexity were designed to make it very difficult to trace the origin of the funds. (US Departement of Justice).
I sincerely hope (but i doubt it will happen) that with this scandal the “vampires” will be stopped for good.
Video not to be missed.

Francisco (Abouaf) de Curiel Marques Pereira



(Reuters) Grocery distributing company United Natural Foods Inc filed a lawsuit on Tuesday against Goldman Sachs Group Inc and Bank of America Merrill Lynch claiming the investment banks put their financial interests ahead of the company’s when they advised it on a multi-billion acquisition last year.

United Natural Foods announced plans to acquire distributor Supervalu in July 2018 in a deal valued at $2.9 billion, according to a joint statement on United’s website.

United claims in the lawsuit, which was filed in New York state court, that Goldman Sachs committed breach of contract and fraud, and that the firm improperly extracted around $200 million for the advisory and financing services it gave United.

Goldman Sachs spokeswoman Nicole Sharp wrote in an emailed statement that the bank believes the claims have no merit, and the bank plans to “vigorously defend ourselves against these accusations.”

Bank of America spokesman Bill Halldin declined to comment.

(JN) CGD, o escândalo – Nuno Melo

(JN)

O que se passou na CGD entre 2005 e 2011 é inqualificável e não pode ser desvalorizado. De resto, a relação temporal com o consulado socialista de José Sócrates e António Costa, seu número dois num dos governos, não foi simples coincidência. Arruinaram o banco, como trouxeram a bancarrota a Portugal.

Não falta quem tente enquadrar o rombo nas contas da CGD no contexto financeiro que levou ao encerramento naquele período do BPN e do BPP, a par de outros na UE. A justificativa complacente é absurda e não tem sentido.

A delinquência bancária e os casos de polícia, que tiveram como consequência necessária a desgraça do BPN e do BPP e o buraco gigantesco na CGD, não tiveram nada que ver com crises. Acresce que no caso da CGD, há diferenças agravantes.

A CGD não é um banco privado. A CGD é o banco do Estado, gerido por administrações nomeadas pelo Governo, supervisionado pelo Estado, através do Banco de Portugal. Significa que o Estado gestor criou os prejuízos que o Estado supervisor nunca viu. Sendo que parte dos factos ocorridos na CGD repetiram os pecados antes revelados pelo BPN e pelo BPP que, de tão impressionantes, se julgava, até pelos alarmes supostamente ativados na supervisão, não voltariam a acontecer. Inacreditavelmente, assim não foi.

E há perguntas que têm de ser feitas:

– Por que razão é que os contribuintes portugueses hão de pagar com impostos que lhes reduzem a capacidade de sustentar as famílias e mutilam poupanças os esquemas de Armando Vara, as vigarices dos negócios de Vale do Lobo, o financiamento das guerras internas no BCP, aventuras acionistas de Joe Berardo, ou os empréstimos à Artlant, em montantes próximos de 5 mil milhões de euros?

– Como é possível que em regra nenhuma pessoa consiga de um banco cinco mil euros ou 10 mil euros sem se submeter a exames médicos rigorosos e prestar garantias capazes, na maior parte dos casos reais, e em compensação, empréstimos de milhões de euros tenham sido entregues para projetos no mínimo duvidosos, sem garantias, sem avaliações de risco e até contra pareceres de risco elevado que desaconselhavam esses empréstimos?

– Como é que se explica que quando assim sucedeu, tantos dividendos tenham premiado administradores que não os mereciam, manifestos culpados raramente sejam julgados, quase sempre fiquem impunes e os milhões guardados ilicitamente em paraísos fiscais, carros, herdades e obras de arte, nunca sejam devolvidos?

Evidentemente, num Estado que se supõe de direito, o mínimo que se exige é uma comissão parlamentar de inquérito.

*Eurodeputado

(BBG) Deutsche Bank Sees Merger by Mid-Year If All Else Fails

(BBG)

  •  Executives are said to worry bank is running out of time
  •  CEO Christian Sewing has pleaded for patience with his plan

Deutsche Bank AG executives are worried that they’re down to the last 60 days to turn around their struggling franchise.

On the eve of fourth-quarter results that are likely to reflect its troubles, the bank’s ability to avoid a government-brokered merger with Commerzbank AG could rest on its performance in the first quarter of 2019, according to people briefed on the thinking of its top executives.

A spokesman for Deutsche Bank declined to comment.

“If this is true, the economic situation at Deutsche Bank must be worse than seen by the outside,” said Andreas Plaesier, an analyst with M.M. Warburg. “A merger with Commerzbank at this point doesn’t make sense because it offers few possibilities to achieve client growth.”

Chief Executive Officer Christian Sewing has pleaded for patience with his current plan, which is centered on cost cuts and efforts to stabilize market share, but dramatic images of a police raid in November have compounded the impact of a challenging market. That’s threatening to undermine a return to growth after several failed turnaround attempts. The German government has been intensifying efforts to help fix Deutsche Bank, studying ways to make it easier to merge it with Commerzbank in a bid to add scale and slash expenses.

Although the bank’s largest investors continue to support Sewing, they’re unhappy with the losses they’ve sustained, according to people familiar with the matter. The stock lost more than half of its value last year, before recovering some of those declines this year.

Deutsche Bank CEO Sewing Accelerates Lender's Turnaround Effort
Christian SewingPhotographer: Alex Kraus/Bloomberg

Deutsche Bank fell 3.5 percent at 12:12 p.m. in Frankfurt trading, reversing earlier gains. Commerzbank declined 3.7 percent.

The cost of insuring debt sold by both Deutsche Bank and Commerzbank fell to the lowest levels since November.

While a deal is viewed by some as an imperfect solution, the German government thinks it will be impossible for Sewing to turn around Deutsche Bank before a potential economic slowdown exacerbates the situation, people familiar with the government’s thinking said. Berlin on Wednesday slashed its economic growth forecast for this year to just 1 percent, which would be the weakest pace in six years.

The Finance Ministry declined to comment.

The country still owns a large stake in Commerzbank after a bailout. It doesn’t own a stake in Deutsche Bank, but Finance Minister Olaf Scholz has said repeatedly that he wants strong international banks to support Germany’s export-oriented companies.

Talks between the lender and the government have recently intensified. Representatives of Germany’s largest bank had 23 discussions with officials in Berlin since the new government was formed in March, most of them with Deputy Finance Minister Jorg Kukies. Sewing and supervisory board Chairman Paul Achleitner each had six exchanges, according to a Finance Ministry letter seen by Bloomberg.

Doubling Down

Sewing has ruled out any mergers before 2020, but he’s also said in private that he will have to change his strategy before that if his plan fails. Many officials at Deutsche Bank and the German government favor a merger with Commerzbank as the best option available to Sewing, people familiar with the matter have said.

Analysts polled by the bank now anticipate an eighth consecutive decline in group revenue for the fourth quarter. Chief Financial Officer James von Moltke recently told Bloomberg News that December was a difficult month for the bank.

Still, at least one large shareholder appears ready to double down on the company. Deutsche Bank won a commitment for new investment from Qatar, which already has two vehicles with stakes in the lender, people familiar with the matter have told Bloomberg. The new investment is likely to be made through the the country’s sovereign wealth fund.

(CNN) Bank of England blocks Maduro’s $1.2B gold withdrawal – report

(CNN)

London (CNN)The Bank of England has blocked Nicolas Maduro’s officials from withdrawing $1.2 billion worth of gold, Bloomberg reported, dealing a further blow to the embattled Venezuelan President as he tries to salvage his authority.According to the report, which cites unnamed people familiar with the matter, the gold is a significant part of the $8 billion in foreign reserves held by the Venezuelan central bank.CNN has not been able to independently verify the report and is attempting to get a response from Maduro’s officials.

Venezuela's self-declared acting president makes overture to military

Venezuela’s self-declared acting president makes overture to militaryThe move by the Bank of England came after top U.S. officials urged the British government to help cut off Maduro’s access to his country’s assets, the report said, and instead steer them towards opposition leader Juan Guaido, who has claimed the presidency.On Saturday, the UK joined the US and a host of other countries by saying it would recognize Guaidó as the country’s interim President if new elections were not called within the next eight days.”We stand shoulder to shoulder with the United States in saying that the National Assembly and its President Juan Guaidó are best placed to lead Venezuela to the restoration of its democracy, its economy and its freedom,” said UK Minister of State Alan Duncan.In a statement, the Bank of England said Saturday that it provides gold custody services to a large number of customers, but it does not comment on those relationships.”In all its operations, the Bank observes the highest standards of risk management and abides by all relevant legislation, including applicable financial sanctions,” the statement said.The US Treasury Department said in a statement Friday it plans to use economic and diplomatic tools to ensure any commercial transactions with the Venezuelan government are “consistent” with the US-recognized government of Venezuela led by Juan Guaidó.

(ZH) Fed Probing Deutsche Bank’s Role In Largest-Ever Money Laundering Scandal

(ZH)

As rumors about a possible Deutsche Bank merger with rival troubled German lender Commerzbank continue to swirl despite the seemingly never-ending investigations into a suite of alleged misdeeds by the bank, Bloomberg has given would be merger arbs weighing whether to buy the German lender’s battered shares one more reason to hold off.

DB

In a follow-up to a report late last year that the Department of Justice had expanded its probe into what could be the largest money laundering scandal in history – that is, the infamous Danske Bank money laundering scandal, which involved some $230 billion of suspicious money flowing into Western Europe from shadowy sources in the former Soviet Union – by looking into the role played by the various correspondent banks that cleared many of these transactions (a group that included DB, BofA and JPM), Bloomberg reported on Wednesday that the Federal Reserve is examining how DB moved billions of dollars on behalf of Danske’s Estonian branch, the epicenter of the fraud.

DB

Though this line of inquiry is said to be in its early stages, the implications are clear: US regulators are growing increasingly dissatisfied with correspondent banks and their deference on all KYC-related issues to the client banks whose transactions they are clearing.

Deutsche Bank said that month it has controls in place when acting as a correspondent for other banks, but its ability to know about their clients is limited. As a correspondent, “your only relationship is with the bank and the bank itself has the responsibility to check its own client to monitor the transaction and to do all these kinds of checks”, a company representative said at the time.

The Fed is exploring whether Deutsche “adequately monitored funds” moving through Danske’s Estonian branch.

The Fed’s probe is in an early stage as it scrutinizes whether Deutsche Bank’s U.S. operations adequately monitored funds from an Estonian branch of Danske Bank A/S, according to two people briefed on the situation, who asked not to be named because the inquiry isn’t public. Danske, which used correspondent banks such as Deutsche Bank to move money abroad, has admitted that much of about $230 billion that flowed through the tiny Estonian outpost may have been dirty.

For what it’s worth, DB denied that the Fed or other US regulators or law enforcement agencies were investigating the bank. Instead, it said they were merely asking questions.

“There are no probes,” Deutsche Bank said in an emailed statement, but the bank “received several requests for information from regulators and law enforcement agencies around the world. It is not surprising at all that the investigating authorities and banks themselves have an interest in the Danske case and the lessons to be learned from it. Deutsche Bank continues to provide information to and cooperate with the investigating agencies.”

The Fed is supposed to ensure that banks in its jurisdiction properly scrutinize their clients. One factor that may have attracted scrutiny from the Fed was testimony from a Danske whistleblower who told lawmakers in Denmark that DB moved $150 billion – the bulk of the suspected illicit cash – on behalf of Danske.

The U.S. requires banks operating under its jurisdiction to scrutinize clients and their dealings to detect potential money laundering and alert authorities to suspicious transactions. The Fed is among regulators that ensure banks have adequate systems in place to fulfill those duties.

A Danske Bank whistle-blower who outlined the illicit flow of cash through that firm has said much of it passed through Deutsche Bank in the U.S., and one of the people said the Fed is focusing on the German lender’s trust bank. Deutsche Bank has been cooperating with the Fed, the people said.

A Fed spokesman said it doesn’t publicly discuss confidential probes.

Last week, DB CEO Christian Sewing said he had launched an internal probe into the bank’s correspondent banking practices even though he hasn’t seen anything to suggest wrongdoing. Much of the illicit activity under investigation took place between 2007 and 2015.

The bank had previously reviewed its actions in the case, Sewing said at an event in Berlin. He urged people not to “prejudge” the bank or its employees, presuming their innocence unless proven guilty.

Whether the Fed probe results in financial penalties remains to be seen. But banks and investors should take note: Correspondent banks, who have previously been allowed to feign ignorance when their involvement in money laundering violations has come to light, might soon be facing a lot more scrutiny.

(ECO) Houve muito mais na CGD do que você imagina – António Costa

(ECO)

O relatório da EY sobre o financiamento da CGD entre 2000 e 2015 mostra um sistema podre. Que tem de ser mostrado ao público, para haver consequências.

Aí está. O mais desejado, e bem guardado, relatório sobre o que foi a gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2000 e 2015 viu finalmente a luz do dia – também aqui no ECO – e confirmaram-se as piores desconfianças: Créditos ruinosos, financiamentos aprovados contra o parecer do conselho de risco, defeituosa avaliação das garantias, até guerras acionistas privadas com dinheiro público. Aconteceu de tudo, e está tudo “explicadinho” neste relatório da EY.

“Há mais na Caixa do que imagina”, dizia o slogan publicitário. Premonitório. Houve muito mais no banco público do que imaginávamos no período entre 2000 e 2015 e, perante os resultados da auditoria da EY que está nas mãos do Ministério Público, agora revelados, foi ainda pior do que já se sabia.

  • A CGD reconheceu perdas de quase 1.200 milhões de euros num conjunto de 46 financiamentos, concedidos entre 2000 e 2015, nos quais não foram cumpridas as normas de concessão de crédito.

Esta é apenas uma das conclusões do relatório forense que ‘apanha’ dezenas de gestores naqueles 15 anos. Primeiro, uma declaração anti-populista: Nem todos, a maioria, aliás, participaram neste tipo de operações ruinosas e que têm de ter conclusões judiciais. Custaram milhares de milhões de euros aos contribuintes – a última fatura foi de quatro mil milhões já em 2017 – que serviram para tapar os buracos criados por negócios entre amigos ou, pior, com benefícios próprios. Mas se há muitos inocentes, também há alguns culpados, e esses têm de ser chamados à justiça.

O que está em causa? Há quatro tipos de operações que se destacam:

  1. Operações aprovadas com parecer de análise de risco desfavorável ou condicionado, não se encontrando documentadas as justificações para a tomada de risco contrária ao parecer da Direção Global de Risco;
  2. Casos onde não foi apresentado parecer técnico da Direção Global de Risco referente à operação, nem justificação para tal situação;
  3. Casos onde não existe evidência que tenha sido obtida toda a informação exigível para fundamentar a aprovação da operação (estudo de viabilidade, licenças associadas ao projeto);
  4. Casos em que as garantias assinadas em contrato não são suficientes para cobrir o rácio de cobertura de 120% conforme exposto no normativo.

O ECO defendeu, em editorial, a divulgação deste relatório e da lista dos grandes devedores no âmbito da comissão parlamentar de inquérito à CGD. Por uma questão de transparência, por uma urgência de escrutínio sobre o que foi a política de financiamento do banco público que, sabe-se agora com números e factos, tem mais semelhanças do que gostaríamos com o que aconteceu no BES. E muitos – entre os quais o Banco de Portugal e a administração da CGD – fizeram tudo o que estava ao seu alcance para não o divulgar. A justificação? A lei não o permitia. Mesmo assim, fizeram mal, como se lê. Poderiam e deveriam ter defendido publicamente a sua divulgação. Ao não o fazerem, contribuíram de forma ativa para uma discussão não informada e especulativa sobre o que estava em causa.

Pior, já depois do relatório divulgado, Faria de Oliveira, um dos presidentes da CGD no período mais negro, entre 2007 e 2010, e hoje o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, continua a dizer que o sigilo é a melhor forma de garantir a confiança na banca. Não, não é. A melhor forma é evitar que estes casos voltem a suceder, não é escondê-los da opinião pública, é revelá-los e exigir consequências. E o representante da banca deveria ser o primeiro a exigi-lo. Mas, não, prefere o jogo da escondida. Ainda tem condições para ser o presidente da APB?

Agora, a discussão é outra, fundada em números e factos: O que vamos fazer com este relatório? Que lições se retiraram e que mudanças já foram introduzidas no modelo de governação e de gestão da Caixa Geral de Depósitos para que estes casos não se repitam? É uma oportunidade única se justiça funcionar, se o governo, a supervisão e a administração da Caixa tomarem medidas, públicas e notórias. Se não o fizerem, os populistas vão obrigá-los a fazer. E será pior.

(ZH) BNP Trader Suffers $80 Million Loss After Putting On Wrong Trade Then Leaving For Vacation

(ZH)

A few weeks after Citi unexpectedly announced that it was facing a $180 million loss on a loan to an Asian hedge fund which saw major losses on its FX trades, now it’s BNP Paribas turn: the French bank reportedly lost $80 million in derivative trades linked to the S&P500-linked derivative trades late last year, Bloomberg reports.

In what appears to be a junior, if even more entertaining version of Jerome Kerviel’s infamous SocGen blow up which forced the shocked Fed to cut by 75bps to avoid a crash, the trading loss emerged after Antoine Lours, BNP’s head of US index trading, put on positions on the S&P 500 which then quickly started losing money; amusingly, Lours has yet to return to the bank from his Christmas vacation even though the majority of the S&P-linked losses came over several days in the run-up to the holiday. Having seen Kerviel’s fate, he may decide to never come back.

Antoine Lours LinkedIn Profile

Lours, who was confident enough in his trade, decided to leave for vacation after putting the trade on when said trade began losing large amounts of money as the S&P 500 tumbled. As a reminder, the S&P plunged in the days headed into Christmas, suffering the worst ever “Christmas Eve Massacre” in history shortly after Steve Mnuchin announced he was calling the Plunge Protection Team to stabilize markets. It only made things worse.

Understandably, Lours didn’t respond to a Bloomberg request for comment made through his LinkedIn account, and a colleague at his desk in New York said the trader was strangely not in the office this week. We would not hold our breath for him to come back… ever.

Needless to say, the losses won’t help BNP’s trading division, which has been seeking to revive growth as the bank focuses on improving the investment-banking unit as a whole. As Bloomberg wryly notes, Q4 trends at rival firms aren’t encouraging for the French bank, either: Citigroup Inc. and JPMorgan Chase & Co. both posted plunging bond-trading revenue this week.

Finally, adding insult to injury, the Christmas trading debacle comes as the French bank winds down some of its other markets businesses. Last week, Bloomberg reported that BNP Paribas was in the process of closing its proprietary trading arm, Opera Trading Capital. This week, it emerged that the lender is winding down its U.S. commodities derivatives desk. We now may have an idea why BNP has been in such a rush to shut down so many formerly profitable operations.

(Barron’s) Deutsche Bank Deal Talks Bubble Up Again

(Barron’s)

Deutsche Bank headquarters in Frankfurt are shown late last year.

Deutsche Bank headquarters in Frankfurt are shown late last year. Photograph by Thomas Lohnes/Getty ImagesText size

This story never seems to end: Talks about a possible merger betweenDeutsche Bank (DB), the biggest German lender, and its smaller domestic rival Commerzbank (CBK.Germany) are on again.

According to Handelsblatt, German officials have taken a keen interest in the possible combination of late, as shown by the fact that Deutsche executives and German government officials met no less than 23 times last year. As always, the question about this long-mooted merger is two-fold: Why? And why now?

The answer to both is harder today because the story has shifted of late. It started a couple of years ago as a quest for a possible acquirer of the 16% stake in Commerzbank held by the German government. These days, it looks more like an attempt at a Deutsche Bank rescue.

Neither bank immediately responded to a request for comment.

Commerzbank benefited from a large-scale German government bailout in 2008 and 2009. Over the years, Spain’s Santander (SAN.Spain), France’sSociété Générale (GLE.France), and BNP Paribas (BNP.France), Italy’sUnicredit (UCG.Italy) or Swiss UBS (UBS) were mentioned alongside Deutsche Bank as potential buyers of the resulting government stake.

Berlin, however, never hid its preference for the potential creation of a private national champion in a country with a large but challenged public banking sector.

Germany’s problem now is less to find an acquirer for the Commerzbank stake than to take care of Deutsche Bank. After a string of bad business news in the last year, the bank, humbled by its rapid expansion into investment banking abroad, is now the target of a major money-laundering and tax-evasion probe.

The CEO appointed last year, Christian Sewing, is in the middle of a turnaround plan he says is beginning to bear fruit. But the group has lost money three years in a row and is trading at less than a fourth of its book value. Even though it can hope for better market conditions for its investment-banking business in the months to come, a merger with Commerzbank, from the German government’s viewpoint, would help avoid a takeover by a foreign competitor.

According to Handelsblatt, the European Central Bank, which supervises the eurozone’s largest banks, would instead favour a combination with another European lender. Meanwhile rumors of a combination with UBS are resurfacing, although the respective size of the two banks (UBS’s market capitalization is nearly three times that of Deutsche.) would make it more an outright, humbling acquisition by the Swiss group than a merger. In any case UBS chairman Axel Weber, who once headed the German central bank, earlier this year said it would “make little sense to consider mergers now” since “they paralyse companies for years.”

It’s easy to see how a strictly German deal would appeal to the government, which is eager to shore up the country’s somewhat archaic banking sector. It may notably help paper over the €3 billion-plus loss a government so keen on fiscal rectitude would have to take on its Commerzbank stake at current market prices.

And German plans may be favored by the fact that potential European buyers are currently busy enough with their own problems. SocGen this week issued a warning on its investment-banking revenue, Unicredit’s own turnaround is challenged by financial markets’ concerns about the Italian government’s economic policies, and Santander is still looking for a chief executive.

That leaves BNP Paribas, which makes no mystery of its ambition to expand in the German retail market and become a player as a lender to the many small and medium-size companies that form the Mittelstand, the backbone of Europe’s strongest economy. It probably wouldn’t be interested in Deutsche Bank’s troubled investment bank, but may consider taking over the Postal service’s banking operation, which Deutsche acquired ten years ago.

Whatever the end game, Deutsche boss Sewing is likely to keep insisting that it wouldn’t make sense to enter serious merger or acquisition talks before he has a chance to prove his strategy right. Meanwhile don’t expect the rumors to end anytime soon.

(ZH) Deutsche Bank To Spend About $2 Billion On Bonuses, Despite “Cuts”

(ZH)

Distressed Deutsche Bank plans on cutting the company’s bonus pool by about 10% this year as the bank struggles to stay afloat, while at the same time trying to retain employees, according to a new Bloomberg report.

Bonuses are going to be paid more selectively in an attempt to keep the people that earn the most for the bank, according to the report. The bank awarded about €2.2 billion in bonuses ($2.5B USD) for 2017, meaning that the company could still be spending ~€2 billion on bonuses this year, even after the targeted 10% cut. The bank’s CEO, Christian Sewing, is said to be trying to “keep a lid” on costs.

Tim Zuehlke, managing partner at Frankfurt-based executive search firm FRED, stated: 

“Deutsche Bank has a severe talent loss problem and this bonus cut will exacerbate the problem. Focusing on top performers is not new and not the solution.”

The bank’s stock has been slaughtered over the last year and the share price is currently less than half of where it needs to be for retention awards that have already been issued to employees to vest. This is causing some top performers at the bank to consider leaving, while frustrating others.

Since Sewing has taken over, top talent like Tadhg Flood, co-head of Deutsche Bank’s global team of bankers advising financial-services clients and Charlie Dupree, its top M&A dealmaker in the Americas, have already left the company.

The bank’s revenue for 2018 is slated to be the lowest since the 2008 financial crisis and the article notes that the bank’s fourth quarter was “negatively affected by police raids on the lender’s headquarters in November”. Meanwhile, the bank’s CFO, James von Moltke, used the all-to-vague and perfunctory “weak market environment” excuse for the decline in revenues. 

The bank’s new CEO has already announced his intention to cut 7,000 employees by the end of this year and the bank said it has already cut 1,000 front office jobs in the second and third quarter of 2018.

(ECO) Google mais perto de ser um banco. Já pode emitir cartões e fazer transferências na União Europeia

(ECO)

Com a nova autorização, a gigante tecnológica Google pode gerir cartões de crédito, efetuar transferências de dinheiro ‘online’ de utilizadores ou operações de troca de divisas. 

O Banco Central Irlandês (ICB) autorizou a multinacional Google a operar como uma entidade de pagamento neste país e em toda a União Europeia (UE), confirmaram esta terça-feira fontes oficiais.

A medida, adotada pelo regulador irlandês em 24 de dezembro passado em virtude da Diretiva de Serviços de Pagamento (PSD2), permitirá ao gigante tecnológico ampliar a sua presença no setor financeiro, depois de ter obtido há dois anos uma licença do IBC para gerir dinheiro eletrónico.

Com esta nova autorização, a Google Payment Ireland poderá, por exemplo, gerir cartões de crédito, efetuar transferências de dinheiro ‘online’ de utilizadores ou operações de troca de divisas.Depois da Amazon e Facebook, Google passa a “banco” na UE Ler Mais

Também terá competências para oferecer a clientes análises pormenorizadas dos seus padrões de consumo, com o objetivo de desenhar planos financeiros e orçamentais personalizados a partir da informação de bases de dados.

Ainda que a PSD2 aspire limitar o monopólio dos bancos no sistema de pagamentos na UE, a nova licença estabelece restrições à Google e, como consequência, não poderá captar depósitos, uma atividade ainda reservada às entidades financeiras.

A responsável do comércio da Google na Europa, Florence Diss, declarou recentemente ao diário The Irish Times que a empresa está mais interessada em colaborar com os bancos – em vez de competir – para explorar as oportunidades de negócio que oferece a PSD2.

Além da Google, outras companhias tecnológicas mostraram interesse em experimentar o setor financeiro, como a Amazon, se bem que o processo de aquisição de licenças para operar como um banco tradicional é complexo, referiu o The Irish Times.

Mesmo assim, competem neste terreno um amplo número de fintechs, como a N26, Monzo, Starling, Transferwise ou a Revolut, que obteve recentemente do Banco da Lituânia uma licença para operar como banco.

(OBS) Google conquista licença para competir com a banca na Europa

(OBS) A Google obteve a sua primeira licença bancária, na Lituânia, o que lhe permitirá fornecer serviços financeiros em todo o espaço económico europeu. Google fica assim mais perto de se tornar um banco.Partilhe

WALTER BIERI/EPA

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É o primeiro passo para uma gigante tecnológica ficar mais parecida com um autêntico banco: a Google obteve a sua primeira licença bancária, a partir da Lituânia, e vai poder disponibilizar serviços financeiros idênticos aos que os bancos tradicionais fornecem em todo o espaço económico europeu.

Segundo explicam o jornal espanhol El Economista e o Jornal de Negócios, a Google vai passar agora a atuar como qualquer outra finetch — empresas que juntam os termos finanças e tecnologia e se dedicam à inovação e otimização de serviços financeiros e que beneficiam de custos operacionais menores quando comparado com os bancos tradicionais. Apesar de ter funções limitadas em comparação com a banca, a empresa tecnológica vai poder processar pagamentos, depósitos e transferências bancária,s assim como remessas internacionais.

Por ter adquirido a licença na Lituânia, que é um país mais permissivo neste tipo de processos, a permissão estende-se a todos os países do espaço económico europeu, repetindo-se o que aconteceu com o Facebook, que obteve a mesma licença na Irlanda, e com a Amazon que obteve no Luxemburgo.

As fintech, contudo, ainda não são regulamentadas como a banca tradicional, o que faz com que muitos especialistas alertem para os perigos que as grandes plataformas digitais representam para a banca.

Segundo o Negócios, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, tem vindo a alertar para o facto de as extensas bases de dados das gigantes tecnológicas representarem grandes desafios para os bancos. É que, segundo o governador, os bancos tradicionais têm bases de dados mais limitadas geograficamente do que as bases de dados das gigantes tecnológicas, e têm sistemas mais pesados e menos ágeis do que as empresas tipo Google, Facebook, Apple e Amazon.