Category Archives: BCP

(ECO) BCP vende ao Sana Hotels edifício que ocupa quase um quarteirão na Rua do Ouro

(ECOO BCP vai sair da Rua do Ouro. Acabou de vender este edifício, que ocupa quase um quarteirão da Baixa de Lisboa, ao Sana Hotels que, assim, se prepara para abrir a quarta unidade na capital.

Os bancos estão a afastar-se do centro de Lisboa. E o BCP não é exceção. O banco ainda liderado por Nuno Amado vendeu o edifício na Rua do Ouro, que ocupa quase por inteiro um quarteirão pombalino em plena Baixa de Lisboa, ao Sana Hotels, apurou o ECO. A instituição financeira junta-se assim ao BPI e à Caixa Geral de Depósitos, que estão de saída desta zona da capital para dar lugar às cadeias de hotéis que querem aproveitar o boom do turismo em Portugal.

O banco vendeu um dos seus edifícios mais emblemáticos ao Sana Hotels, mas sem recorrer a qualquer intermediário. Ou seja, o BCP fez esta operação diretamente com a cadeia de hotéis sem a ajuda de uma consultora, uma situação que não é muito comum dada a dimensão da operação, mas que pode acontecer consoante o comprador e o vendedor, explicou um especialista do setor ao ECO. Contactado, o BCP não quis comentar. Da parte do Sana não foi possível obter um comentário até à publicação deste artigo.

Fonte: Google Maps

Trata-se de um edifício de seis pisos, com uma área total que ronda os 8.850 metros quadrados. Ocupa quase um quarteirão, com frentes para a Rua do Ouro, Rua de São Nicolau e Rua dos Sapateiros. De acordo com a consultora Worx, o preço médio do metro quadrado para os edifícios comerciais (com o propósito de serem transformados para hotelaria) na Baixa de Lisboa ronda os 5.000 euros, o que, de acordo com os cálculos do ECO, avalia esta operação entre 40 e 50 milhões de euros. Não se sabe o valor final da transação.

O BCP junta-se assim ao BPI e à Caixa Geral de Depósitos que também estão a aproveitar a forte procura para venderem os seus edifícios na Baixa de Lisboa, numa altura em que o país continua a atrair muitos turistas. O banco liderado por Pablo Forero pôs à venda no início do ano um edifício emblemático na Rua do Ouro, aproveitando “uma altura em que há mercado para edifícios destes. É claramente uma oportunidade. Há uns anos não havia tanta procura”, como explicou fonte oficial do banco ao Expresso.

Seguiu-se depois o banco estatal. A CGD também avançou para a venda de um quarteirão na mesma rua, de acordo com Expresso, com o apoio da consultora Cushman & Wakefield num negócio avaliado em 60 milhões de euros. E antes do BPI, CGD e agora BCP, também o Novo Banco vendeu a sede histórica perto do Terreiro do Paço, um edifício emblemático que está a ser transformado em 28 apartamentos de tipologias T0 e T2 e que deverá ficar terminado em 2019.

Foi esta forte procura por imobiliário que levou os investimentos no segmento a atingir o valor mais elevado de sempre. “Todos os setores, sem exceção, revelaram performancesexcelentes e todos superaram as expectativas. No investimento em imobiliário comercial, 2017 foi um ano recorde, com quase 2.000 milhões de euros transacionados”, de acordo com um estudo da consultora JLL. Ou seja, aumentaram 50% face ao ano anterior, deixando “para 2018 um pipeline robusto que antevê mais um ano muito dinâmico”.

Os bancos nacionais estão a aproveitar a forte procura pelos edifícios numa das zonas mais caras da capital. E as cadeias de hotéis são as principais interessadas nestes ativos para responderem ao boom do turismo em Portugal, com os turistas a chegarem de carro, avião ou em cruzeiros.

O Sana Hotels tem sido uma das cadeias a aproveitar esta maré. Foi em 2013 que abriu o Epic Sana Lisboa Hotel, perto do Marquês de Pombal, num investimento que rondou os 70 milhões de euros. Dois anos mais tarde, abriu as portas do Evolution Lisboa Hotel, num investimento mais reduzido (40 milhões de euros), mas não por estar numa zona menos emblemática. Foi em pleno Saldanha que apostou num conceito mais futurista e dirigido ao cliente citadino.

O edifício do BCP, agora vendido ao Sana Hotels, fica em plena Baixa de Lisboa.

Além destes dois hotéis, está ainda presente no Parque Eduardo VII, através do Sana Lisboa Hotel. E agora também na Baixa de Lisboa. Com a compra do edifício do BCP, o Sana abre o quarto hotel, cumprindo o objetivo de chegar a uma das zonas mais prestigiadas da capital: a Baixa de Lisboa.

(Reuters) BCP net profit soars 71 percent , Portugal ops regain strength

(Reuters) Portugal’s largest listed bank Millennium bcp (BCP.LS) posted a 71 percent jump in first-quarter net profit on Monday, boosted by a strong performance from its domestic operations and a drop in non-performing loans.

Return on equity, a key measure of profitability that has been a weak spot for Portuguese banks since the country’s 2010-13 economic and debt crisis, rose to 6.1 percent from 4.1 percent a year ago.

Net profit reached 85.6 million euros (75.3 million pounds) in the quarter, with the lender’s business in Portugal contributing just over half of the total whereas a year ago it brought in only 9 million euros.

“There is an improvement in profitability … with a very favourable evolution of results from the activity in Portugal,” CEO Nuno Amado told reporters.

BCP.LSLISBON STOCK EXCHANGE
+0.00(+1.76%)
BCP.LS
  • BCP.LS

“We already have a lucrative operation capable of generating 1.2 billion euros a year in operating income on a recurring basis, with a strong contribution from Portugal,” he added.

In Portugal, net income was “decisively influenced by the reduction of impairments and provisions”, the bank said in a statement, adding the income from its overseas operations, in Angola, Mozambique and Poland, was stable.

The bank reduced its non-performing exposures (NPEs) by half a billion euros to 6.3 billion, while as a percentage of all loans NPEs fell to 14 percent from 17.5 percent a year earlier. Loan impairment charges fell 29 percent to 106 million euros.

Net interest income – the difference between interest charged on loans and interest paid on deposits – rose almost 4 percent to around 345 million euros.

Its key solvency ratio rose to 11.8 percent at the end of the first quarter from 11.2 percent a year earlier.

(Reuters) Millennium bcp signs deal to launch UnionPay cards in Europe

(Reuters) Portugal’s largest listed bank Millennium bcp:

* Says in a statement it had signed an agreement with China’s electronic payments clearing system UnionPay to become the first European issuer of UnionPay cards in Europe

* Partnership initiated by BCP’s largest shareholder, China’s Fosun

* To be able to issue cards in Portugal and other countries where the bank is present, including Poland, Switzerland, Angola and Mozambique.

* The move “opens the door to a vast and growing market with excellent potential,” Millennium bcp said in a statement.

(Reuters) Fosun raises stake in Portugal’s Millennium bank to 25 pct

(Reuters) Chinese conglomerate Fosun International has increased its stake in Portuguese bank Millennium bcp to 25.16 percent from 23.93 percent, following its stated strategy of raising its holding up to 30 percent, Millennium said.

“This increase is in line with the strategic interest Fosun has previously communicated to the market and demonstrates confidence in the path being taken by Millennium bcp,” Millennium’s chief executive Nuno Amado said in a statement on Monday.

Fosun first bought a 16.7 percent stake in Millennium last year and said at the time it may raise its holding to 30 percent.

“This confirms the continued confidence of investors and regulators in our strategy and implementation,” said Amado.

Millennium has been boosted this year by a fall in non-performing loans.

(ECO) BCP dispara 6%. Bolsa lidera ganhos na Europa

(ECO) A bolsa nacional destacou-se das pares pela positiva. A forte recuperação do BCP, que subiu mais de 6%, ditou a primeira sessão de ganhos do PSI-20 após quatro sessões.

Depois de fortes quedas, o Banco Comercial Português (BCP) deu a volta. As ações do banco chegaram a cair mais de 7%, mas acabaram por valorizar mais de 6%, recuperação que permitiu à bolsa nacional voltar aos ganhos. O PSI-20 liderou as subidas entre as principais praças do Velho Continente.

O PSI-20 fechou esta sessão a valorizar 0,54% para os 5.101,67 pontos. Destacou-se na Europa — o Stoxx 600 somou 0,15% para os 375,51 pontos — acabando por conseguir recuperar à boleia do banco liderado por Nuno Amado. Encaminhava-se para a quinta sessão consecutiva de quedas, mas inverteu a tendência mais perto do final do dia.

O BCP vem de uma série de quedas consecutivas (com a liquidez a disparar), tendo chegado a afundar um máximo de mais de 7% durante a negociação para mínimos de abril. Chegou aos 18,9 cêntimos, cotação que atirou a capitalização bolsista para baixo da fasquia dos três mil milhões de euros — 2.803 milhões de euros –, mas disparou no final da negociação. O banco fechou esta sessão com um avanço de 6,12% para os 21,17 cêntimos.

A EDP e a EDP Renováveis deram o seu contributo para o desempenho no índice nacional, com subidas de 0,49% e 0,40%, respetivamente. Por sua vez, a Galp, a Nos e a Jerónimo Martins pesaram no índice com deslizes superiores a 1%. A Sonae também encerrou no vermelho, a desvalorizar 0,64%.

(ECO) A linha da vida do BCP: dos 200 contos aos 20 cêntimos

(ECO) O BCP estreou-se em bolsa há precisamente 30 anos a valer 200 contos. O ECO foi aos arquivos da Bolsa de Lisboa e mostra-lhe os altos e baixos que marcaram a história do maior banco privado português.

O ECO teve acesso ao primeiro relatório e contas do BCP após a estreia em bolsa, publicado no Boletim de Cotações da Bolsa de Valores de Lisboa no dia 3 de setembro de 1987.Euronext Lisbon

“Aviso: Faz-se público que foram admitidas à cotação no mercado oficial 550.000 acções no valor nominal de 10.000 escudos cada um do Banco Comercial Português, S.A., correspondentes ao actual capital social da empresa e representadas por títulos de 1, 10 e 100 acções. Bolsa de Valores de Lisboa, 2 de Setembro de 1987. O Presidente da Comissão Directiva, António Braz dos Santos“.

Começou assim a vida do BCP na bolsa portuguesa há precisamente 30 anos. É uma história de relativo sucesso no mercado de capitais, marcada por altos e baixos, conflitos e guerras entre acionistas e casos de polícia. Mas também de resiliência face às inúmeras diversidades e obstáculos que foi superando ao longo do tempo e que chega aos dias de hoje com dois grandes acionistas de referência em nova luta pelo controlo do maior banco privado português: os chineses da Fosun e os angolanos daSonangol.

Aviso no Boletim de Cotações da Bolsa de Valores de Lisboa

Boletim de Cotações da Bolsa de Valores de Lisboa do dia 3 de setembro de 1987. Admissão do BCP foi aprovada no dia anterior.Euronext Lisbon

Estávamos no início de setembro de 1987. Fundado dois anos antes por pouco mais de duas centenas de acionistas em nome individual, entre os quais Américo Amorim, Ferreira da Silva, Jorge Jardim Gonçalves, Pedro Teixeira Duarte e Ângelo Ludgero Marques, aos quais se associaram muitas empresas como a Vista Alegre, Têxtil Manuel Gonçalves, Salvador Caetano e Revigrés, entre outras, o Banco Comercial Português S.A. chegou ao mercado de capitais em plena época de euforia bolsista. Nesse ano, mais de 90 empresas e bancos tinham sido admitidos na bolsa de valores portuguesa.

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A 4 de setembro chegaram à praça 110 mil ações do BCP da classe “Portador” e outras 440 mil ações do BCP “Nominativas e Portador Registado”, num total de 550 mil títulos com o valor nominal de dez contos cada (50 euros, sem contar com o efeito da inflação). Mas a primeira sessão de sempre do BCP não registou sequer qualquer movimento: zero ações trocadas porque nenhum dos acionistas quis vender ações naquele dia apesar de ordens acima dos 100 contos, segundo o Boletim de Cotações da Bolsa de Valores de Lisboa relativo aquela sessão e que foi cedido pela Euronext Lisbon ao ECO.

Assim, foi apenas na sessão do dia 9 de setembro que os primeiros papéis começaram a andar de mão em mão. Não foram muitos na verdade: 350 títulos. A que preço? As ações ao portador (cujo detentor não se conhecia) fecharam a sessão nos 200 contos. Sim, 200 contos que convertidos em euros (sem contabilizar a inflação) dão 1.000 euros. As ações “Nominativas e Portador Registado” custavam 160 contos. Eram os títulos mais caros da bolsa nacional, o que condicionava a sua liquidez. O BPI, por exemplo, tinha um preço de 25 contos (Portador) e 15 contos (Nominativas e Portador Registado).

Boletim de cotações no dia 9 de setembro: última ação negociada do BCP valia 200 contos

Boletim de Cotações da Bolsa de Valores de Lisboa do dia 9 de setembro de 1987.Euronext Lisbon

O entusiasmo inicial depressa foi contaminado pela conjuntura internacional. E os primeiros meses de vida na bolsa viriam a revelar-se premonitórios quanto ao resto da história do BCP na bolsa: aumento de capital atrás de aumento de capital, perdas para os acionistas, mas ao mesmo tempo demonstração de resistência mesmo em situações de grave crise. Até hoje.

No final de setembro de 1987, as ações ao portador chegaram a valer cerca de 280 contos (cerca de 1.400 euros), tocando o valor mais elevado de sempre, num período bastante positivo nas bolsas mundiais. Entrou outubro e os mercados colapsaram com um crash na bolsa de Nova Iorque. Numa só sessão, a 19 de outubro, o índice americano Dow Jones afundou 20%. O BCP foi arrastado.

No primeiro relatório e contas apresentado pós-entrada em bolsa, Jardim Gonçalves resumia o ano desta forma: “Não é possível fazer uma referência ao ano económico de 1987 sem nos determos naqueles que terão sido os factos mais marcantes no mundo dos negócios. Refiro-me, bem entendido, à queda do dólar norte-americano e à crise que afetou o mercado de capitais nas praças financeiras mais significativas dos países de economia de mercado. (…) Ao terminar o ano de 1987, as principais bolsas mundiais não se recuperaram ainda da queda sofrida em Outubro…”

Jardim Gonçalves durante uma conferência de imprensa em junho de 1999, na sede do BCP, a propósito da Operação Publica de Troca que lançou sobre as ações da Mundial Confiança.

Para os acionistas do BCP, outubro, novembro e dezembro de 1987 trouxeram umadesvalorização das ações de 70%. No final do ano, um título do BCP ao portador “já só” valia 86 contos — longe dos 280 contos do final de setembro.

Mensagem de Jorge Jardim Gonçalves no relatório e contas de 2017

Mensagem do presidente executivo do BCP no relatório e contas de 1987 apresentado na Bolsa de Valores de Lisboa.Euronext Lisbon

Apesar do mau desempenho bolsista, como reconhecia o presidente executivo, 1987 dificilmente poderia ter corrido melhor para o BCP em termos operacionais. Foi um ano de forte expansão do negócio e de dimensão do banco, seja em termos de recursos obtidos, créditos concedidos, número de trabalhadores até número de… computadores.

Fechou o ano com lucros de 1,7 milhões de contos face aos 80 mil contos registados em 1986, segundo a demonstração de resultados apresentada na Bolsa de Valores de Lisboa e cedida pela Euronext ao ECO. Os recursos de clientes multiplicaram-se por cinco para 105 milhões de contos e funcionários já eram quase 500, o dobro do ano anterior.

Primeira demonstração de resultados do BCP na bolsa

Síntese de indicadores económicos, financeiros e operacionais do BCP em 1987.Euronext Lisbon

No mesmo relatório, Jardim Gonçalves salientou a consolidação do banco nesse ano. “O Banco Comercial Português veio, nesse aspeto, a consolidar uma posição de grande destaque cotando-se, pelo volume de consultas, pelo número e montante das operações realizadas e pela qualidade dos seus interlocutores internacionais, como um dos principais operadores e, como tal, tornando-se um observador privilegiado das tendências de negócio”.

“Uma Palavra do Presidente” assinada por Jardim Gonçalves nas contas de 1987

Uma Palavra do Presidente com a assinatura de Jorge Jardim Gonçalves.Euronext Lisbon

A linha da vida

No final de 1987, o BCP apresentou-se com uma capitalização bolsista de 220 milhões de euros. Só em 1993 superou a fasquia importante dos 1.000 milhões de euros, num período em que o crescimento do banco se fez sobretudo por via orgânica. Aquisições de bancos só no ano a seguir: comprou o Banco Português Atlântico em 1994.

Mais compras surgiram nos anos a seguir, financiadas por sucessivos aumentos de capital que alimentavam o apetite aglutinador do BCP no setor financeiro nacional, e num momento particularmente positivo na economia, em convergência com a União Europeia. Depois do Atlântico em 1994 seguiram-se o Banco Mello e o Banco Pinto & SottoMayor, concretizadas em 2000. Foi precisamente no final desse ano que o BCP atingiu o maior valor de mercado na sua história, acima dos 11.600 milhões de euros.

Valor de mercado do BCP entre 1987 e 2007

 

O ano de 2002 acabou por marcar um profundo revés (mais um) no valor do banco na bolsa. Passou de um market cap de 10.000 milhões para metade em apenas 12 meses, já a economia dava sinais de forte desaceleração face às taxas apresentadas na década anterior. Nesse ano a economia cresceu menos de 1%. E em 2003 contraiu mesmo.

O BCP foi recuperando valor nos anos seguintes, à boleia também da internacionalização do negócio — sobretudo Polónia e Grécia e junto das comunidades luso-descendentes, incluindo Angola e Moçambique.

Em 2006, voltou a superar a fasquia dos 10.000 milhões — a fasquia a que Paulo Teixeira Pinto chamava de “linha da vida do BCP” — e deu um sinal de força quando anunciou uma oferta para adquirir a totalidade (oferecia sete euros por ação) do Banco BPI. O processo de OPA encerrou sem sucesso em maio de 2007, ano em que o BCP valorizou ainda mais apesar do público conflito entre os acionistas e administração de Paulo Teixeira Pinto. Em 2008, novo tombo.

Paulo Teixeira Pinto, presidente do Conselho de Administração do BCP, antes da conferência de imprensa sobre a OPA anunciada sobre o BPI, em marco de 2006, no Palácio da Bolsa no Porto.

Guerra pelo poder

Em 1984, numa reunião no Hotel Infante de Sagres, no Porto, que serviu de rampa de lançamento do BCP, ficaram algumas das ideias-chaves acerca do que deveria ser o modelo de governo do banco: “O novo banco não poderia ser uma espécie de self-service dos acionistas, cabendo integralmente aos administradores a responsabilidade e autonomia de gestão, assim como a possibilidade de se prever, nos estatutos, a possibilidade de a Assembleia Geral poder nomear alguns membros para colaborar com o Conselho de Administração, em assuntos relevantes para a sustentabilidade do banco”. (1)

Em 1987, os órgãos sociais estavam assim distribuídos: Jorge Jardim Gonçalves liderava o conselho de administração, onde estavam ainda Eduardo Consiglieri Pedroso, Eurico Ferreira Nunes, Francisco Ferreira da Silva e Luís Mota Freitas; a mesa da Assembleia Geral tinha António Teixeira de Melo como presidente por impedimento de Luís Valente de Oliveira; e Ricardo Bayao Horta era o presidente do Conselho Fiscal do BCP.

Órgãos sociais do BCP em 1987

Apresentação dos órgãos sociais do BCP no relatório e contas de 1987.Euronext Lisbon

Mais de duas décadas depois, em 2007, estes ideais anunciados naquele hotel do Porto foram desvirtuados pela luta de poder entre os acionistas e órgãos sociais do BCP. Foi o período mais quente da vida do banco.

De um lado Jardim Gonçalves, histórico ex-presidente do BCP, e acionistas de referência como a construtora Teixeira Duarte. Do outro Paulo Teixeira Pinto, que havia substituído Jardim Gonçalves dois anos antes, e o grupo dos sete, como ficaria conhecido o grupo composto pelos acionistas Manuel Fino, Vasco Pessanha, Diogo Vaz Guedes, Bernardo Moniz da Maia, Filipe de Botton, João Pereira Coutinho e Joe Berardo.

Foram lançadas propostas para reforçar os poderes do conselho de supervisão liderado por Jardim Gonçalves, incluindo a nomeação do presidente do conselho executivo e reforço da dos mecanismos de blindagem do estatutos do BCP e que os aliados de Teixeira Pinto rejeitaram. Em resposta, os apoiantes de Teixeira Pinto propuseram alterações no governo societário e nosestatutos do banco. Neste impasse, os ataques públicos entre Jardim Gonçalves e Teixeira Pinto subiram de tom. Propôs-se a destituição de administradores.

Mas a assembleia geral de 27 de agosto, que definiria o futuro banco, deixou tudo na mesma. “Foram retiradas, pelos respetivos proponentes, as propostas relativas aos pontos 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 da ordem de trabalhos, não tendo sido apresentada qualquer proposta relativa ao ponto 8, pelo que não ocorreu qualquer deliberação sobre os pontos da ordem de trabalhos“, comunicou o BCP ao mercado. Paz no banco? Nem por isso.

Novo afundanço na bolsa e a Sonangol

Ainda que a batalha dos acionistas não tenha beliscado o valor do banco, que fechou 2007 com uma capitalização bolsista de 10.545 milhões de euros, o ano seguinte veio a provocar uma destruição tremenda para os acionistas. Terminou o ano a valer apenas 3.826 milhões de euros, refletindo uma queda de 60% face a 2007.

Foi um ano de terror nas bolsas, fortemente impactada pela crise do subprime que culminou com a falência do Lehman Brothers no dia 15 de setembro de 2008.

E foi precisamente nesse ano que se deu a entrada da petrolífera estatal angolanaSonangol, robustecida pelo elevado preço do petróleo, no BCP. “Em maio e setembro de 2008, o banco celebrou acordos de parcerias estratégicas com a Sonangol e o BPA. O conjunto de instrumentos (…) prevê, designadamente, uma participação indicativa de referência pela Sonangol no capital social do BCP e a apresentação aos acionistas do BCP de proposta de designação de um membro da Sonangol para integrar os corpos sociais do BCP”, lê-se na história do banco publicada no seu site.

Da nacionalização à China

À crise do subprime nos EUA sobrepôs outra: as crises das dívidas soberanas na Zona Euro, que atingiram sobretudo a Grécia (2010) e Portugal (2011), dois dos principais mercados do BCP e onde o banco havia investido bastante em dívida pública, o que deixava a instituição exposta a um elevado risco.

Voltaram a suceder-se os aumentos de capital. Mas, ao invés de financiar o crescimento do banco como na década de 90, estes já só serviram para garantir sua sobrevivência. De resto, o BCP até teve de se socorrer da ajuda do Estado que lhe empresta 3.000 milhões de euros para evitar um outro destino mais fatal, numa altura em que o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Portugal apertavam as regras para garantir que a desconfiança do mercado não se alastrava ao sistema financeiro.

O Estado entrou no banco já no final de 2012, com Nuno Amado já na liderança. Ainda antes de ser aprovado o plano de reestruturação, que previa uma redução da dimensão do banco no mercado nacional e internacional em julho de 2013, o BCP vendeu a operação na Grécia, onde detinha o Millenium Bank. Vendeu depois o negócio na Roménia, mantendo o Bank Millenium na Polónia, além das operações estratégicas em Angola e Moçambique.

Ao mesmo tempo, na bolsa, a cotação seguia cada vez mais deprimida. Fechou 2011 a valer menos de 1.000 milhões de euros. Recuperaria nos anos seguintes mas voltaria à casa dos 1.000 milhões em 2016, com o crédito em incumprimento a passar uma fatura pesada no bolso dos acionistas do banco. Por esta altura, o título negociava na casa de um a dois cêntimos.

O final de 2016 marcou um novo capítulo na história do banco. Sem capital, os acionistas foram “obrigados” a abrir a porta à entrada aos chineses da Fosun, de onde vinham os únicos grupos com capacidade financeira. A entrada deu-se em fevereiro de 2017, com o aumento de capital de 1.300 milhões de euros, e que conferiu aos chineses o estatuto de maior acionista do banco. Já detêm um quarto do capital do banco e uma intenção de resposta dos angolanos da Sonangol na disputa pelo título de grande acionista do banco.

O último dinossauro, mas pequeno

Três décadas depois, o BCP resiste na bolsa e o facto não passou despercebido à Euronext, que realiza esta segunda-feira uma cerimónia para celebrar a efeméride. A iniciativa acontece num momento em que o BCP regressa às primeiras páginas dos jornais, já que anunciou na sexta-feira um processo para tentar travar a garantia de 3,9 mil milhões de euros que foi concedida pelo Fundo de Resolução na venda do Novo Banco aos americanos do Lone Star.

Nuno Amado, atual presidente do BCP.Paula Nunes / ECO

O banco fechou o mês de agosto a valer pouco mais de 3.300 milhões de euros na bolsa e é o dinossauro que resta da banca portuguesa no PSI-20, depois de os últimos anos terem levado BES, Banif, BPI e, ao que tudo indica, o Montepio, acentuando o declínio da importância do setor financeiro na representatividade do mercado.

Quem manda no PSI-20?

EDP: 20.3 %GALP: 19.9 %Jerónimo Martins: 18.1 %EDP Renováveis: 10.3 %BCP: 5.8 %Nos: 4.7 %Navigator Company: 4.4 %Sonae: 3.2 %Corticeira Amorim: 2.6 %REN: 2.5 %Semapa: 2.1 %CTT: 1.3 %Altri: 1.3 %Mota-Engil: 1.0 %Montepio: 0.7 %Ibersol: 0.6 %Pharol: 0.5 %Sonae Capital: 0.3 %Novabase: 0.2 %

Fonte: Bloomberg

Longe, bastante longe da capitalização bolsista dos 10.000 milhões de euros de 2000 e 2001 ou 2006 e 2007, a tal linha de vida do banco, o BCP surge assim no quinto lugar de maior cotada em market cap da bolsa nacional, atrás da EDP, Galp, Jerónimo Martins e EDP Renováveis.

Na verdade, depois de se ter estreado nos 200 contos, ou 1.000 euros, a ação chega ao 30.º aniversário em bolsa em baixo de forma e a tentar máximos do ano nos… 26 cêntimos.

Desempenho do BCP desde o início do ano

DataEurosCotação30/12/201610/2/201724/3/201710/5/201721/6/20172/8/20179/1/201717/1/201725/1/20172/2/201720/2/201728/2/20178/3/201716/3/20173/4/201711/4/201721/4/20172/5/201718/5/201726/5/20175/6/201713/6/201729/6/20177/7/201717/7/201725/7/201710/8/201718/8/201728/8/20170.1250.150.1750.20.2250.250.275

Fonte: Bloomberg

Em termos de operação, o banco que obteve um lucro de 80 mil contos e que dizia que tinha 200 computadores em 1986 é atualmente o maior banco privado português —ainda que rivalize com o espanhol Santander Totta pelo título de segundo maior banco privado a operar em Portugal. A liderança está entregue ao banco público, a Caixa Geral de Depósitos.

(1) Dicionário de História Empresarial Portuguesa, Séculos XIX e XX, Volume I Instituições Bancárias, da autoria de Miguel Figueira de Faria e José Amado Mendes

(ECO) Nuno Amado: “Temos o dever de defender os interesses dos acionistas”

(ECO) O presidente do BCP diz que o banco tem o deve de “criar valor para os acionistas” e clarificar o processo de venda do Novo Banco. “Tomámos uma decisão muito equilibrada”, defende Nuno Amado.

O presidente do BCP diz que a decisão de avançar com um processo para travar a garantia de 3,9 mil milhões de euros concedida pelo Fundo de Resolução na venda do Novo Banco aos americanos do Lone Star é “equilibrada”. Nuno Amado refere que é a obrigação do banco “criar valor para os acionistas” e “clarificar os aspetos legais” em torno da alienação do banco de transição ao fundo norte-americano.

“Tomámos uma decisão muito equilibrada”, defende Nuno Amado na sessão que assinala o 30.º aniversário da admissão do BCP na bolsa portuguesa, referindo-se ao facto de o banco ter decidido ir para tribunal contestar a garantia concedida pelo Fundo de Resolução na venda do Novo Banco. “Temos de rentabilizar o nosso negócio, a nossa atividade e, com isso, criar o valor que os acionistas merecem”, afirma. “Temos a obrigação de defender os interesses do banco.”

“Como sabem, não existe informação suficiente”, por isso “não tivemos alternativa a não ser colocar uma ação para clarificar a decisão tomada”, refere. As declarações são feitas depois de o BCP ter avançado com um processo para travar a garantia de 3,9 mil milhões de euros concedida pelo Fundo de Resolução na venda do Novo Banco aos americanos do Lone Star, como apurou o ECO junto de fontes de mercado. O processo terá sido contra o Banco de Portugal na qualidade de autoridade de resolução, mas não foi possível confirmar oficialmente esta informação.

É uma posição de força do banco liderado por Nuno Amado, que já tinha demonstrado publicamente o seu desagrado pelo envolvimento do Fundo, que integra o universo do Estado, mas é financiado pelos bancos do sistema. Nuno Amado entende que esta garantia deve ser prestada por outra entidade do Estado diretamente e não pelo Fundo de Resolução.

A ação administrativa do BCP tem como objetivo contestar o “mecanismo de capital contingente” que o Estado dá ao Lone Star no âmbito do acordo de venda do Novo Banco e que será acionada em função de perdas a registar no chamado side bankdaquela instituição.

Apesar do processo, a instituição liderada por Carlos Costa garantiu que o processo de venda do Novo Banco prossegue sem alterações. O Banco de Portugal assinala que a venda decorrerá no calendário acordado uma vez que o BCP não pretende travar a venda, mas sim a garantia dada pelo Fundo de Resolução de 3,9 mil milhões de euros.

Ações em queda. É para continuar?

Sobre o desempenho das ações, que têm estado em queda nas últimas sessões, Nuno Amado refere que a “única forma de ter uma sustentabilidade a longo prazo é apresentado resultados e uma evolução favorável”. “É para isso que estamos a trabalhar”, refere o presidente do BCP.

No mesmo evento comemorativo, a presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários afirmou que o regulador tem consciência “de que o mercado atravessa um período particularmente difícil. E o BCP insere-se nesse contexto“. Gabriela Figueiredo Dias refere, contudo, que se deve “desdramatizar”. “Todos sabemos que o mercado tem comportamentos cíclicos”, por isso “este não é certamente o fim da história”.

O banco liderado por Nuno Amado não para de cair — recuou 1,55% para 22,30 cêntimos, tendo acumulado uma queda de mais de 10% no último mês. Descidas expressivas que devem refletir um movimento de correção, mas também os receios dos investidores quanto ao impacto financeiro que a eventual compra da unidade polaca do Deutsche Bank possa ter nas contas.

(ECO) Crescimento do PIB impõe ritmo na bolsa. BCP acelera 3,6%

(ECO) A economia avançou 2,8% e o PSI-20 não quis ficar atrás. O índice português ganhou mais de 1%, impulsionado pela escalada do BCP.

A bolsa portuguesa começou o dia animada com as previsões do crescimento do PIB e terminou com o mesmo sentimento. Ainda que a economia não tenha crescido tanto como o esperado, avançou 2,8% no segundo trimestre do ano, confirmando nove meses de crescimento acima da média da zona euro. Impulsionado pelos bons resultados da economia e pela tendência europeia, o principal índice português registou um desempenho positivo.

O PSI-20 escalou 1,29% para 5.271,91 pontos, num dia tradicionalmente marcado pela reduzida liquidez de títulos. Como afirmam os analistas do BPI, “a semana de 15 de agosto é a segunda menos transacionada do ano, só precedida pela semana do Natal”. Ainda assim, nenhum título encerrou o dia em terreno negativo, com o Montepio a fechar o dia inalterado.

O principal destaque vai para o BCP, que nesta sessão avançou 3,62% para 24 cêntimos. O setor financeiro é especialmente sensível às condições económicas dos países, sendo que uma melhoria destas se traduz em melhorias no setor. O setor energético também registou um bom desempenho, com as ações da EDP, da EDP Renováveis e da Galp Energia a avançarem 1,45%, 0,76% e 0,90%, respetivamente.

PSI-20 segue o ritmo da economia

A beneficiarem do avanço da economia estiveram também os juros da dívida portuguesa, que renovaram mínimos de um ano. As yields desceram em toda a linha, isto é, os investidores estão a exigir menos para comprar dívida portuguesa entre si. No caso da maturidade de referência, a taxa associada às obrigações a dez anos caiu para 2,81%.

Na Europa, o dia também foi positivo, com a tensão geopolítica entre os Estados Unidos da América e a Coreia do Norte a abrandar. A calma estendeu-se no Velho Continente, com a maior subida foi protagonizada pelo espanhol IBEX-35, que avançou 1,89%. Seguiu-se o alemão DAX (1,39%) e o italiano CAC-40 (1,20%). O índice que reúne os principais títulos europeus, o Stoxx 600, avançou 1,09%.

(JN) Deutsche Bank desce preço-alvo do BCP mas mantém-no na lista de preferidos

(JNO banco alemão atribui um potencial de subida de 37,8% ao BCP, o mais elevado entre as instituições financeiras da Península Ibérica seguidas pelo Deutsche Bank.

Deutsche Bank desce preço-alvo do BCP mas mantém-no na lista de preferidos

O Deutsche Bank reviu em baixa o preço-alvo atribuído às acções do BCP, mas manteve o banco português na lista de preferidos do sector, na Península Ibérica.

Numa nota de análise divulgada esta quinta-feira, 10 de Agosto, o banco alemão corta o “target” do BCP em 3%, de 33 para 32 cêntimos, o que traduz um potencial de valorização de 37,8% face à cotação actual (23,22 cêntimos).

É o potencial de subida mais elevado entre os bancos ibéricos seguidos pelo Deutsche Bank, que destaca esse facto para justificar a manutenção da recomendação de “comprar”.

“Mantemos a recomendação de ‘comprar’ para o BCP, já que é o banco na Península Ibérica com maior potencial de subida, entre aqueles que seguimos. Acreditamos que o ‘investment case’ do banco permanece intacto e é suportado por uma forte redução da exposição ao crédito malparado, validada nos resultados do segundo trimestre”, afirmam os analistas na nota de research.

Ainda assim, o Deutsche Bank cortou as estimativas de lucros para o BCP até 2019. O banco alemão acredita que a instituição liderada por Nuno Amado vai fechar 2017 com lucros de 188 milhões de euros, um valor inferior à anterior previsão de 192 milhões. Isto depois de o BCP ter registado um resultado líquido de 89,9 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, o que compara com o prejuízo de 197,3 milhões no mesmo período do ano passado.

Para 2018 as projecções foram reduzidas de 443 para 418 milhões de euros e, para 2019, de 594 para 562 milhões.

Os analistas sinalizam que existem riscos negativos para o banco português, incluindo a deterioração económica nos principais mercados onde o BCP está presente (Moçambique, Polónia e Portugal), a descida continuada das taxas Euribor e a possibilidade de a redução da exposição ao crédito malparado não corresponder às expectativas.

Além do BCP, também o Santander faz parte da lista de preferidas do Deutsche Bank, que é a encabeçada pelo CaixaBank, a “top pick”.

O banco alemão continua a ver potencial de melhoria no CaixaBank decorrente do BPI, tanto ao nível das receitas como dos custos.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

(JE) BCP tem 1,8 mil milhões em imóveis

(JE) O banco anunciou um lucro de 89,9 milhões e uma redução drástica do crédito em risco.

Nuno Amado apresentou ontem os seus resultados semestrais que passaram de prejuízo a lucro de 89,9 milhões de euros. Tendo o resultado operacional subido 4% para 598,6 milhões.

O banco ainda tem um stock elevado de ativos imóveis por recuperação de crédito. Nuno Amado disse que em junho o BCP tinha 1,8 mil milhões de euros de imóveis (1,6 mil milhões líquidos de imparidades) o que é um valor em linha com o fim do ano. No semestre o banco vendeu 165 milhões de euros de imóveis  e com isto recebeu uma mais-valia de 17 milhões face ao valor no balanço. O volume superou em 60% o volume de vendas de junho de 2016.

No BCP as imparidades do crédito (líquida de recuperações) diminuiram 50,7% para 305,0 milhões no semestre, o que vai no sentido da normalização do custo do risco em Portugal. O BCP registou no semestre  outras imparidades e provisões de 110,3 milhões (-44,3%). O crédito em risco (NPE) desceu para 7,8 mil milhões de euros em junho (em dezembro foi de 8,5 mil milhões).

O crédito malparado  desceu para 4,6 mil milhões com uma redução drástica  das entradas  líquidas (passou de 392 milhões em junho de 2016 para 37 milhões em junho).

BCP passou à segunda fase do processo de venda dos activos do Deutsche Bank na Polónia, disse  Nuno Amado. A esta segunda fase passaram mais dois bancos, o Commerzbank e Santander.

(ECO) BCP passa de prejuízo a lucros de 89,9 milhões

(ECO) O banco liderado por Nuno Amado terminou o semestre com lucros de 89,9 milhões de euros.

O Banco Comercial Português fechou os primeiros seis meses do ano com um resultado líquido de 89,9 milhões de euros, valor que compara com os prejuízos de 197,3 milhões de euros registados em igual período do ano anterior.

Este valor supera as estimativas dos analistas do CaixaBI que apontavam para lucros de quase 73 milhões de euros.

Em comunicado enviado esta quinta-feira, após o fecho do mercado, à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o BCP explica que “o resultado core ascendeu a 558,6 milhões de euros no primeiro semestre de 2017, aumentando 27,8% face aos 437,1 milhões de euros apurados no primeiro semestre do ano anterior, devido não só ao crescimento de 12,9% da margem financeira e de 3,1% das comissões líquidas como também à redução de 7% dos custos operacionais”.

O banco liderado por Nuno Amado adianta ainda que a evolução do resultado core “beneficiou do desempenho quer da atividade em Portugal, quer da atividade internacional, traduzindo-se na melhoria da eficiência operativa”.

Numa análise mais atenta, pode ver-se que a margem financeira cresceu 12,9% para 678,5 milhões de euros, beneficiando do contributo quer da atividade internacional, quer da atividade em Portugal. A margem financeira em Portugal cresceu 9% para os 390,2 milhões de euros.

As comissões líquidas ultrapassaram os 330,3 milhões de euros no primeiro semestre, um crescimento de 3,1% face ao período homólogo, beneficiando da atividade internacional, especialmente da subsidiária na Polónia.

Já os outros proveitos de exploração foram negativos em 86,6 milhões de euros, uma melhoria de 1,6% face ao igual período do ano anterior.

Tudo somado, resultou num produto bancário de 1.048 milhões de euros, o que significa um decréscimo de 1%.

Em termos de custos houve um desagravamento, com as rubricas “custos com pessoal” e “gastos administrativos” a recuarem, o que implicou uma queda dos custos operacionais de 7% para os 450,2 milhões de euros.

Já os resultados operacionais antes de imparidades subiram 4% para os 598,6 milhões de euros.

Ao nível das imparidades de crédito estas pioraram 50,7% para os 305 milhões de euros. O BCP diz que este valor reflete “uma tendência nos sentido da normalização do custo do risco na atividade em Portugal que favoreceu a melhoria do custo do risco do grupo, de 234 pontos base no primeiro semestre de 2016 para 118 pontos base em igual período de 2017”.

Em termos de rácios de capital, o Common Equity Tier 1, que mede o peso do melhor capital na instituição, foi de 11,3% a 30 de junho de 2017, face a 9,7% em 30 de junho de 2016.

O BCP adianta que “este reforço dos níveis de capital foi determinado maioritariamente pela melhoria do CET1, que incorporou os aumentos de capital realizados no quarto trimestre de 2016 e no primeiro trimestre de 2017, apesar destes terem sido parcialmente aplicados no reembolso do remanescente dos CoCo’s, por um lado, e os resultados líquidos positivos gerados e os contributos favoráveis das reservas de justo valor e das reservas cambiais neste período, por outro, não obstante um maior nível de deduções associadas a impostos diferidos ativos e ao gap de expected loss, para além dos efeitos de phase-in que afetaram adicionalmente o rácio calculado nesta base”.

(JN) CaixaBI: BCP terá registado lucros de quase 73 milhões de euros no primeiro semestre

(JNA unidade de investimento da CGD antecipa que, no primeiro semestre deste ano, o BCP tenha registado lucros de 72,7 milhões de euros. Olhando apenas para o segundo trimestre, o banco estima um resultado líquido de 22,6 milhões de euros.

CaixaBI: BCP terá registado lucros de quase 73 milhões de euros no primeiro semestre

O Banco Comercial Português (BCP) terá encerrado os primeiros seis meses do ano com um lucro de 72,7 milhões de euros. É pelo menos esta a expectativa do CaixaBI, numa nota de análise a que o Negócios teve acesso. Este valor contrasta com os prejuízos de 197,3 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano passado.

Olhando apenas para o segundo trimestre de 2017, o analista André Rodrigues, que assina a nota, aponta para um resultado líquido de 22,6 milhões de euros. Um valor que contrasta com o prejuízo de 243,9 milhões de euros registados no período homólogo do ano anterior.

“Destacamos que as nossas estimativas incorporam o custo de cerca de 60 milhões de euros no segundo trimestre de 2017, relacionado com a contribuição para o sector bancário em Portugal e também a contribuição para os mecanismos de resolução nacional e europeu (custos de exploração) que frequentemente são registados com periodicidade anual em cada segundo trimestre”, pode ler-se no documento.

O analista antecipa que a margem financeira do banco liderado por Nuno Amado tenha ascendido aos 678,4 milhões de euros no primeiro semestre do ano, mais quase 12% que igual período do ano passado. De Abril a Junho, a margem financeira terá ascendido a 346 milhões, mais quase 11% que no mesmo período do ano passado.

Os custos operacionais decresceram 0,7% nos primeiros seis meses do ano para 480,9 milhões de euros. No trimestre, este indicador registou uma subida ligeira de 0,7% para 242,6 milhões de euros.

“Esperamos que as principais variáveis mantenham uma evolução sólida no segundo trimestre de 2017. Isto deve ser visível no crescimento das receitas principais (margem financeira e comissões) e a redução do custo dos riscos de crédito e a exposição aos activos problemáticos. Globalmente, nenhuma notícia é uma boa notícia nesta fase”, comenta o analista na nota.

Os resultados serão apresentados na próxima semana, a 27 de Julho.

(JN) BCP dispara 6% para valor mais alto de Agosto de 2016

(JNO banco liderado por Nuno Amado tocou nas cotações que marcava antes de revelada a intenção de a Fosun ser accionista. Desde Fevereiro que o BCP não ganhava mais de 6% num só dia.

BCP dispara 6% para valor mais alto de Agosto de 2016

O Banco Comercial Português disparou mais de 6% na sessão desta quinta-feira, chegando mesmo ao valor mais alto desde Agosto do ano passado. A troca de acções superou a média, mas não houve um facto relevante a justificar a evolução.

As acções do BCP somaram 6,28% para valer 25,88 cêntimos, tendo fechado o dia com a maior valorização do índice PSI-20, que ganhou 2%. O banco liderado por Nuno Amado (na foto) subiu pelo quarto dia consecutivo, e puxou por Lisboa. Na Europa, o índice da banca avançou 1%.

A instituição financeira não marcava uma valorização tão expressiva desde Fevereiro deste ano. E a cotação – que chegou a ser de 25,90 euros na sessão – não era registada desde 1 de Agosto, altura em que o banco reagiu em bolsa à intenção de o grupo chinês Fosun ter uma posição de até 30%, que é agora a sua maior accionista.

A sessão foi animada no que diz respeito ao volume. Foram transaccionadas 126,5 milhões de acções, acima da média diária de 82 milhões de títulos negociados. O volume foi o mais elevado desde 14 de Junho.

Não houve factos relevantes divulgados pelo BCP. Foi apenas publicado o relatório e contas de 2016 da Sonangol, a sua segunda maior accionista. No documento, que revela que a petrolífera angolana perdeu 365 milhões de euros com o investimento feito no banco desde 2007, a empresa diz que a posição no “BCP tem tido sempre um cunho estratégico, já que é um suporte relevante para a diversificação do seu investimento, em geografias como África e a Europa, e acentua a natureza e vocação internacional da empresa”.

 

“Apesar da desvalorização prolongada em bolsa, o BCP tem feito progressos na implementação do seu plano de reestruturação tornou-se o banco mais eficiente em Portugal; apresenta grandes sucessos na desalavancagem financeira”, continua o mesmo documento.

(JE) BCP assume aos investidores em Milão três vias para reduzir o stock de crédito problemático

(JE) O BCP está fortemente comprometido em manter uma redução de NPEs em cerca de 1.000 milhões de euros por ano. No futuro, essa redução deve ser baseada em vendas da carteira de crédito (um terço ou 33%), em write-offs (outro um terço) e recuperações de crédito (o outro terço).

O CaixaBI e o Banca Akros (membro da ESN – European Securities Network ) organizaram um roadshow com o BCP em Milão e com base nesse encontro o banco de investimento traçou um relato das metas anunciadas pelos responsáveis do Millennium BCP.

“As nossas estimativas para 2018 estão abaixo dos objetivos do BCP em termos de rentabilidade”, diz o Caixa BI numa nota elaborada na sequência do roadshow. O BCP prevê um ROE acima de 10% em 2018 mas o Caixa BI é mais modesto e prevê para o BCP um ROE de 8,2% em 2018. “Isto deve-se principalmente ao maior custo do risco de crédito (84 bps – previsão do caixa BI versus meta do BCP de de <75 bps para 2018)”, diz o banco de investimento.

O BCP prevê para 2018 uma rácio de capital CET1 igual ou acima de 11% e o Caixa BI prevê para o BCP um CET1 de 12,6% (phasing in). O BCP prevê ter um rácio de eficiência (cost-to-income) de menos de 43%, mas o Caixa BI não é tão optimista e prevê que em 2018 esse rácio seja de 44%.

Por fim o Caixa BI dá um potencial de valorização em bolsa ao título BCP de 8,9%.

Sobre o roadshow em Milão, o banco de investimento descreve os principais pontos da apresentação do BCP aos investidores.

“O foco das reuniões estava relacionado com as perspectivas de evolução da qualidade dos ativos em Portugal, a saber, o portfólio de exposição a ativos improdutivos (NPEs – non performing exposure). Também houve perguntas sobre os drivers para a recuperação da rentabilidade, uma vez que o BCP prevê um ROE de cerca de 10% pelo em 2018″, diz o banco de investimento.

Na reunião em Milão, diz o Caixa BI, “os principais objetivos do BCP para 2017 e 2018 foram reiterados neste roadshow com foco na ideia de que vai melhorar o contexto macroeconómico em Portugal (prevê-se um crescimento de cerca de 2,5% em 2017)”.

O BCP reafirmou a aposta numa forte transformação organizacional. Segundo o research do Caixa BI Rui Coimbra (responsável pela relação com os investidores) destacou o sólido historial do banco em termos de redução de custos. Os custos operacionais baixaram 40% desde 2011, com uma redução de 30% nos balcões em Portugal (para 615 no 1º trimestre de 2017) e uma redução de 25% no número de colaboradores (para 7.327).

A reversão de alguns cortes nos salários aplicados quando o banco pediu ajuda ao Estado através da subscrição de títulos CoCo terá um impacto anual de 16 milhões de euros a partir de 1 de julho. “Em qualquer caso, espera-se que isso seja compensado por outras poupanças de custos”, diz a nota.

O BCP reportou um rácio de cost-to-core income (custos sobre a receita recorrente) de 48% em março de 2017 versus uma média de 82% para os bancos da zona euro (média de 69% em Portugal). Isso coloca o BCP entre os bancos mais eficientes da zona do euro. O BCP tem como objetivo manter esse indicador de eficiência abaixo de 50% em 2018.

O banco liderado por Nuno Amado reafirmou ainda o compromisso de redução do crédito em risco (NPEs).O BCP está fortemente comprometido em manter uma redução de NPEs em cerca de 1.000 milhões de euros por ano. No futuro, essa redução deve ser baseada em vendas da carteira de crédito (um terço ou 33%) , em write-offs – eliminação do crédito do balanço (outro um terço) e recuperações (o outro terço).

Os NPEs foram reduzidos para 8,3 mil milhões de euros no primeiro trimestre deste ano (contra 8,5 mil milhões em 2016) com um índice de cobertura de 100% (dos quais 39% por provisões para crédito).

Outros dos elementos chaves do banco em análise é a diminuição do custo do risco: qualquer queda de 10 bps no custo do risco de crédito (as imparidades do exercício, deduzidas de recuperações de crédito) equivale a uma redução de cerca de 50 milhões de euros em imparidades para crédito. O banco reafirmou o objetivo de um custo de risco abaixo de 75 pontos base para 2018, com cerca de 120 bps esperados para este ano, acima de 210 bps em 2016.

A margem financeira líquida (diferença entre juros pagos e juros recebdios) foi de 1,8% do 1º trimestre o que compara com 0,6% em 2013. A evolução futura desde indicador deve ser impulsionado pela diminuição dos custo de financiamento. Sendo que  a taxa média de juros dos 20 mil milhões de euros de depósitos a prazo em Portugal é de cerca de 40 pb, num contexto em que alguns países já estão pagar zero pelos depósitos a prazo. O BCP tem 3,7 mil milhões de euros de financiamento do BCE a custo de 0% quando se espera que tenha direito a um custo de -40 bps nas operações de T-LTRO – empréstimos do BCE a 4 anos, com uma característica particular: só são concedidos contra garantias de concessão de crédito à economia. T significa “Targeted”, ou seja, dirigidos à concessão de crédito.

O Caixa BI diz ainda que é preciso entrar em linha de conta com o aumento potencial das taxas de juros, uma vez que um aumento de 100 bps na Euribor deverá ter um impacto de cerca de 150 milhões de euros na receita da margem financeira.

O crescimento do crédito não é uma parte relevante do plano de negócios do BCP até 2018. “Em qualquer caso, espera-se uma estabilização dos volumes de crédito em 2017 e 2018. Neste contexto, a redução da exposição a créditos problemáticos (NPE) deverá ser compensada por um aumento de 1.000 milhões de euros de crédito novo em 2017 e 2018”.
O Caixa BI reafirma a opinião positiva do título BCP após o roadshow. A reestruturação em implementação em Portugal bem como a normalização gradual da conta de resultados deverá continuar nos próximos trimestres, sendo esperado um resultado antes de provisões acima de 1.000 milhões de euros em 2017, conclui o Caixa BI.

(JE) BCP na Polónia avança com proposta para comprar balcões e créditos do Deutsche Bank

(JE) Nuno Amado, confirmou hoje à agência Lusa que o banco Millennium da Polónia está a estudar a possibilidade de avançar com uma proposta para adquirir os ativos do Deutsche Bank naquele país. Fonte diz ao Jornal Económico que não é uma operação significativa e que abrange apenas alguns créditos e balcões.

O Millennium Bank, detido a 50,1% pelo BCP, é uma das três entidades que vai avançar com uma proposta vinculativa para a compra de alguns do activos do Deutsche Bank na Polónia, nomeadamente balcões e alguns créditos, mas, segundo fonte ligada ao processo, se chegarem a comprar é uma operação muito pequena e sem impacto financeiro significativo.

Nuno Amado confirmou hoje à Lusa que o banco polaco maioritariamente detido pelo BCP está a analisar a compra de ativos do Deutsche Bank na Polónia.

“É uma análise que se está a fazer, e que vai ter algum epílogo, mas as condições de análise e eventual proposta são, obviamente, condicionadas por um conjunto de critérios que, neste momento, estão a ser analisados”, disse o banqueiro, em Coimbra, à margem da conferência ‘Saúde Privada em Portugal’, organizada pelo Millennium bcp.

Segundo soube o Jornal Económico a probabilidade de o BCP ganhar a corrida à compra daqueles ativos na Polónia é baixa, uma vez que o Commerzbank é aparentemente o mais bem colocado para concretizar a aquisição.

Além do Millennium, o mBank (detido pelo Commerzbank) e o BZ WBK (propriedade do Santander) estão também entre a lista de candidatos à compra do 12.º maior banco do país que tem uma quota de mercado de 1% na Polónia.

As ofertas iniciais já terão sido avançadas pelos três candidatos, enquanto as propostas vinculativas pelo negócio do banco alemão na Polónia deverão chegar entre o final de Julho e Agosto, refere um jornal polaco citado pelo Negócios.

O Deutsche Bank pôs à venda a carteira de depósitos e a carteira de crédito denominados em zloty (a moeda local), o negócio de banca de investimento e corporate e balcões. O valor dos activos em alienação pode chegar aos 500 milhões de euros segundo o jornal, sendo que o interesse do BCP é apenas numa fração destes ativos e portanto o valor em causa será significativamente inferior.

Nas mãos do banco alemão continuarão os empréstimos denominados em moeda estrangeira, de acordo com as regras bancárias internas.

Os bancos privados internacionais têm sofrido com a baixa rentabilidade do negócio na Polónia devido às baixas taxas de juro, aos impostos sobre o sector bancário e aos pagamentos obrigatórios a um fundo de garantia.

No final do ano passado, o negócio do Deutsche Bank na Polónia geria activos avaliados em 39 mil milhões de zloty (9,2 mil milhões de euros) e lucrou 23,6 milhões de euros.

(JN) Deutsche Bank recomenda “comprar” o “diamante em bruto” BCP

(JNA recomendação de “comprar” que o Deutsche Bank lançou ao BCP vem com um preço-alvo de 33 cêntimos. As acções estão a cotar nos 22,78 cêntimos. Os problemas de capital estão resolvidos, falta caminhar para o lucro.

Deutsche Bank recomenda "comprar" o "diamante em bruto" BCP

O Deutsche Bank recomenda “comprar” as acções do Banco Comercial Português, antecipando que os problemas de capital estão já praticamente resolvidos. Os menores custos de financiamento dão uma ajuda à consideração.

Numa nota assinada pelos analistas Ignacio Ulargui e Atul Hanamante, o Deutsche Bank estabelece um preço-alvo de 33 cêntimos para o banco presidido por Nuno Amado (na foto). O potencial de valorização é de 45%, tendo em conta que as acções estão a cotar hoje nos 22,78 cêntimos, com uma valorização de 1,47% em relação ao fecho de ontem.

São quatro os motores que justificam a avaliação feita pelo Deutsche Bank, que considera o BCP um “diamante em bruto”. Na nota intitulada “Capital resolvido; próxima paragem rentabilidade”, o primeiro ponto referido pelos analistas é o “crescimento da margem financeira”, que se deve sobretudo à descida dos custos de financiamento. Para os especialistas, há uma tendência de fortalecimento da margem (diferença entre juros cobrados em créditos e juros pagos em depósitos) da instituição financeira.

A este elemento, segue-se também a percepção de que a subida das taxas de juro pode vir a acontecer, dando força à margem. Neste campo, a instituição financeira vê o BCP “com um dos balanços mais sensíveis à evolução das taxas de juro na Europa”. Havendo uma subida das taxas, actualmente em mínimos históricos, o banco português será um dos que mais beneficia com isso.

A melhoria da qualidade de crédito, justificada por menores entradas em crédito malparado, é o terceiro elemento de consideração dos especialistas da unidade de investimento do banco alemão, com o BCP a caminhar para um modelo com menor risco.

A este aspecto o Deutsche Bank acrescenta ainda o facto de os rácios de capital, o grande tema de preocupação até aqui, estarem “num nível confortável”, depois do aumento de capital feito este ano, através do qual a Fosun se tornou a maior accionista do BCP.

(JN) Norges Bank volta a reforçar no BCP

(JNO banco central da Noruega tem agora uma posição qualificada de 2,645% no capital no maior banco privado português.  

Norges Bank volta a reforçar no BCP
O Banco Comercial Português anunciou esta segunda-feira, 12 de Junho, que o Norges Bank voltou a reforçar a posição no banco, detendo agora 2,645% do capital.

Em comunicado, o BCP refere que este reforço de posição surge depois de uma “transacção efectuada no dia 7 de Junho de 2017”. Nesse dia as acções do BCP fecharam a sessão a cair 2,78% para 0,227 euros.

Apesar deste reforço de posição, a posição do banco central da Noruega no capital do BCP é quase idêntica à registada anteriormente. O banco português informou recentemente que a 25 de Maio o Norges Bank detinha uma participação de 2,63% e a após operações realizadas a 19 e 22 de Maio, detinha 2,6%.

No início do mês passado o Norges Bank já detinha uma posição de 2,64% no BCP, depois de ter comprado acções um dia depois da apresentação de resultados do primeiro trimestre.

O Norges Bank, que passou a ter uma participação qualificada (acima de 2%) no BCP em Fevereiro, consolida assim o estatuto de um dos maiores accionistas do BCP, ficando a par da EDP e atrás da Sonangol e da Fosun.

(JN) Institucionais europeus compram dívida hipotecária do BCP

(JNA procura pela emissão de obrigações hipotecárias do BCP superou em 180% os mil milhões disponíveis. A operação insere-se na estratégia de financiamento do grupo bancário, que consegue substituir uma emissão mais cara.

Institucionais europeus compram dívida hipotecária do BCP
O Banco Comercial Português conseguiu colocar mil milhões de euros em obrigações hipotecárias junto de investidores institucionais. Houve procura por 1.800 milhões de euros nestas obrigações.

“A operação foi colocada com grande sucesso num conjunto muito diversificado de investidores institucionais europeus”, indica o comunicado emitido pela instituição financeira liderada por Nuno Amado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O tipo específico de investidor não é identificado.

Segundo a mesma nota, a procura por estes títulos de dívida “atingiu mais de 180% do montante da emissão”, o que significa que os investidores estavam dispostos a subscrever 1.800 milhões de euros.

O BCP acredita que a procura e “a rapidez com que a colocação foi executada demonstraram de forma inequívoca a confiança do mercado no banco e a plena capacidade deste em aceder a esta importante fonte de financiamento”. O banco, que relembra que não procedia a este tipo de emissões há mais de sete anos, diz mesmo que esta operação faz parte da estratégia de financiamento para os próximos anos.

Não é caso único, tendo em conta que, além do BCP, também o BPI, o Santander Totta e o Montepio promoveram este tipo de operações.

Juro de 0,75%

A Bloomberg noticiou esta manhã o arranque desta emissão de obrigações hipotecárias, cuja subscrição ocorrerá a 31 de Maio. De manhã, a agência de informação tinha já avançado que as obrigações – que têm uma maturidade a cinco anos, ou seja, com devolução marcada para 2022 – têm um “preço de emissão de 99,386% e uma taxa de juro de 0,75%, ao ano, o que consubstancia um ‘spread’ de 65 pontos base, ao ano, sobre a taxa de swaps de 5 anos”. De manhã, a Bloomberg revelava que as orientações iniciais para a emissão destas obrigações, que serão admitidas à negociação na bolsa irlandesa, apontavam para um prémio de 75 pontos base face à taxa de mercado.

Esta nova emissão, promovida com a “liderança conjunta do Millennium bcp, Mediobanca, Natixis, Natwest, Unicredit e SocGen”, é concretizada pouco antes da maturidade de uma outra operação em torno de obrigações hipotecárias, emitidas em Junho de 2007 e que venciam nesta altura. Essa emissão de 1,5 mil milhões de euros tinha uma taxa associada de 4,75%, o que abre aqui, com a subscrição, a margem para uma poupança de juros pagos pela instituição financeira.
As obrigações hipotecárias são títulos de dívida que têm como garantia carteiras de crédito à habitação, que revertem para os detentores desses títulos caso exista algum incumprimento. E é um dos instrumentos que o Banco Central Europeu compra ao abrigo do programa alargado de compra de activos.

Este tipo de títulos tem menos risco que as obrigações sem garantias, o que se reflecte nos “ratings” e nos custos das emissões. Por exemplo, os títulos hipotecários que estão a ser emitidos pelo BCP têm “ratings” de grau de investimento. A Moody’s tem uma notação de A3 para estes títulos, a DBRS de A e a Fitch de BBB+, segundo a Bloomberg.

(ECO) Nuno Amado acredita em alteração do rating se economia crescer e endividamento cair

(ECO) Saída do PDE é uma boa notícia mas é preciso pensar no futuro, diz o presidente executivo do BCP.

O presidente executivo do BCP entende que as agências de rating poderão alterar a avaliação sobre o país se a economia continuar a crescer e, ao mesmo tempo, o endividamento público encetar uma trajetória clara de redução.

À margem da conferência do Millennium bcp “Crescimento da Economia Portuguesa – Mitos e Realidades”, Nuno Amado afirmou que a saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivos atribui “não só a nível de reputação, mas a nível prático, um grau de liberdade e vantagens” que serão “relevantes”. E salientou que isso aconteceu “depois de um esforço enorme” de todos, incluindo dos governos “pós-início da intervenção troika”.

Portanto, “é um dia bom para todos nós”, notou Nuno Amado, deixando porém a mensagem de que é preciso pensar no futuro. Para o presidente da Comissão Executiva do Millennium bcp, o “próximo passo” determinante para o país, e que permitirá gerar uma “rede de segurança adequada para todos”, é trabalhar para continuar “uma melhoria sustentável do produto e uma redução da dívida por forma a que as entidades de rating possam, numa segunda fase, alterar a sua avaliação sobre o país”, frisou.

Nuno Amado não quer antecipar se isso acontecerá já este ano, mas entende que tal depende do desempenho do país. “Se este ano o produto continuar a crescer a um nível mais elevado do que era a perspetiva inicial das entidades internacionais — e a probabilidade é grande que isso aconteça — em simultâneo com o início de uma redução clara do sentido do endividamento da dívida pública, eu creio que ficarão claras as condições para que possa haver essa redução e seria possível fazê-lo este ano”, disse.

“Mas não creio que se houver só uma das condições sem a outra, seja fácil isso acontecer e portanto repito, sem ser uma empresa de rating mas dialogando com elas, entendo que essas duas condições são essenciais e portanto é necessário percebermos que esse caminho é possível mas ainda vai demorar algum tempo, e a dívida tem que começar a descer”, adiantou Nuno Amado. O presidente do BCP apontou então para uma trajetória consistente de descida da dívida, “durante dois, três trimestres”.

“Se a dívida pública diminuir ou começar a diminuir, as condições para uma melhoria do rating, que é essencial, estão feitas”, notou.

Para Nuno Amado, o Governo tem agora de “orientar os instrumentos públicos, que têm que ser muito inferiores aos do passado, para as áreas com maior eficiência para a economia” e não pode “aumentar a despesa pública novamente depois deste esforço” que foi feito.

Questionado sobre o diploma que, de acordo com o secretário de Estado Rocha Andrade, vai permitir aos bancos abater ao IRC as perdas pelo reconhecimento de imparidades, Nuno Amado não se pronunciou, indicando que ainda não conhece o diploma.

(ECO) BCP dispara 5%. Analistas notam melhoria da qualidade dos ativos

(ECO) Banco liderado por Nuno Amado registou lucros acima do esperado no primeiro trimestre, mas analistas destacam evolução positiva da carteira de ativos. Ações disparam mais de 5%.

Para os analistas, apesar de o lucro ter ficado acima do esperado, o que mais salta à vista nos resultados do BCP é a evolução positiva naqualidade dos ativos do banco liderado por Nuno Amado. Em bolsa, a comportamento é bastante positivo: as ações disparam mais de 5% para máximos de seis meses.

“Testemunhámos uma evolução positiva na carteira de NPE (non performing exposure) e NPA (non performing assets), enquanto os lucros superaram o consenso com provisões aquém do esperado”, sublinham os analistas do BPI Research, que têm o título do BCP sob revisão. Também André Rodrigues, do CaixaBI, sublinhou a “evolução positiva da qualidade de ativos do banco (…), da carteira de crédito produtiva (+0,8% YoY) e dos rácios de capital”.

BCP

“A confirmação da redução gradual do custo do risco de crédito será um indicador chave para o BCP nos próximos trimestres. Não tendo existido desvios recorrentes significativos face às nossas estimativas, mantemos uma visão positiva para o investment case“, diz André Rodrigues, que atribui uma recomendação de “compra” para o BCP com um preço alvo de 0,25 euros.

As ações do BCP disparam esta terça-feira 5,34% para 0,2366, naquela que é a cotação intradiária mais elevada desde dezembro do ano passado. O PSI-20, o principal índice português, ganha 0,81% para 5.274,79 pontos.

BCP destaca-se em Lisboa

1D1M3M6M1A5ABCP Rvolume10.Abr12.Abr14.Abr16.Abr18.Abr20.Abr22.Abr24.Abr26.Abr28.Abr30.Abr2. Mai4. Mai6. Mai8. Mai0.160.180.20.220.24050M100M150M200MTerça-feira, Abr 25, 22:59:59● BCP R: 0.2063● volume: 113 875 586

O banco continua a sua recuperação em bolsa, depois do aumento de capital de mais de 1.300 milhões de euros realizado em fevereiro ter afundado o valor das ações.

Esta segunda-feira, a instituição liderada por Nuno Amado apresentou lucros de 50 milhões de euros no exercício do primeiro trimestre, um crescimento do resultado que surpreendeu os analistas. Justificação: menos provisões. A margem financeira ascendeu a 332,3 milhões de euros, aumentando 13,7% face ao período homólogo de 2016.

“A confirmação da redução gradual do custo do risco de crédito será um indicador chave para o BCP nos próximos trimestres. Não tendo existido desvios recorrentes significativos face às nossas estimativas, mantemos uma visão positiva para o investment case.”

André Rodrigues

Analista do CaixaBI

Mas é a limpeza do balanço do banco que os analistas mais destacam nas análises às contas do BCP. De acordo com as contas do BPI Research, que notam uma “evolução positiva nas métricas de qualidade dos ativos”, os NPE caíram 2% face ao trimestre anterior para 9,2 mil milhões de euros. No geral, os NPAs (que incluem os NPE e outros ativos) caíram dos 11,2 mil milhões de euros em dezembro para 10,9 mil milhões em março.

Nota: A informação apresentada tem por base a nota emitida pelo banco de investimento, não constituindo uma qualquer recomendação por parte do ECO. Para efeitos de decisão de investimento, o leitor deve procurar junto do banco de investimento a nota na íntegra e consultar o seu intermediário financeiro.