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(EUobserver) Why Brazil’s election matters to Brussels

(EUobserver) Why Brazil’s election matters to Brussels

  • Increased deforestation in the Amazon could undo the EU’s climate action (Photo: Neil Palmer (CIAT))

 

The election of the far-right presidential candidate Jair Bolsonaro in Brazil last month is not only of concern for the Brazilian population.

It could have profound consequences for Europeans as well.

  • Connie Hedegaard: ‘I think that all good forces should right now try to reach out and deliver the good arguments for Brazil’. (Photo: European Parliament)

Before being elected, Bolsonaro said he would take Brazil out of the climate agreement agreed in Paris in 2015, and that he would allow a sharp increase of logging in the Amazon tropical rainforest.

What’s more, he suggested that the trees, which currently soak up CO2, could be replaced by industry and beef farming.

As if it would not be bad enough to see the Amazon forest’s ability in neutralising man-made greenhouse gases challenged, it could thus be replaced by additional sources of these gases.

Bolsonaro has also suggested merging the agriculture and environment ministries.

Specialist news website Climate Home called Bolsonaro’s election “the environmental story of 2018”.

Ahead of the elections, some already signalled what his election could mean for the world.

“A potential Bolsonaro win would, without a doubt, make Brazil lose its leadership on the global climate agenda and become a huge obstacle for the global efforts to combat global warming,” Carlos Rittl told the New York Times.

Rittl leads a Brazilian organisation called Climate Observatory, which had looked at presidential candidates environmental views.

US climate activist Bill McKibben sent a sobering tweet after Bolsonaro’s victory.

“The new Brazilian president’s pledge to wreck the Amazon is a tragic reminder that environmentalists need to win a fight forever, while the other side only needs to win it once,” he said.

So what now?

How should Europe react to the potential threat to the world’s climate?

Former European Commissioner for climate action, Connie Hedegaard, said that Bolsonaro could still change his mind.

“We must see how he puts his government together,” Hedegaard told EUobserver in an interview in Brussels.

“I think it’s early days,” she said.

“I think that all good forces should right now try to reach out and deliver the good arguments for Brazil. In that sense I think the jury is still out,” said the Danish former commissioner.

“I have also noticed that Bolsonaro … is not as firm stating ‘we should withdraw’ as he was only some few weeks back. Let’s see if the good arguments can win here,” she noted.

As environment minister, Hedegaard prepared and hosted the United Nations climate change conference in 2009. From 2010 to 2014, she was the EU’s climate action commissioner.

Bolsonaro will officially take office on 1 January, which means it will still be the outgoing government that will represent Brazil next month at this year’s UN climate summit.

As Climate Home noted, Brazil was an important partner for the EU at the 2015 Paris conference, where the first-ever global climate treaty was signed.

This year’s climate summit will be held in Poland, in Katowice.

Environmentalists are keen to point out the discrepancy between Poland hosting the summit, while simultaneously still relying on coal, the dirtiest of fossil fuels, for its energy.

But just wait until next year.

In 2019, the UN climate summit, known as the Conference of Parties (COP), will be hosted by Brazil.

Hedegaard suggested that this may actually be a good thing for climate action.

“I mean, you cannot imagine that we have the COP in a place where they have decided to leave the [Paris] agreement,” she said.

“It would be extremely unfortunate if Brazil chose to leave, but I really believe it would also be unfortunate for Brazil itself,” she said.

Organising the climate conference may become a matter of prestige that defuses some of the more radical plans, Hedegaard suggested.

“Until … proven [otherwise], I think that common sense and the economic interest and the international reputation of Brazil will prevail here,” said Hedegaard.

Beyond diplomacy, the EU does have some sticks available.

Campaigner for the environmental group Fern Nicole Polsterer wrote in an opinion piece “the EU’s chief – and perhaps only – leverage, is trade”.

According to the European Commission, the EU accounts for 18.3 percent of Brazil’s total trade, making the bloc Brazil’s second-biggest trading partner. The EU is the biggest foreign investor in Brazil.

In 2017, 42 percent of all beef and live animals imported into the EU came from Brazil. In the first six months of 2018, the EU imported €284m worth of beef and veal from Brazil, ahead of Argentina (€212m) and Uruguay (€153m)

EU-Mercosur

Trade with Brazil is currently the subject of negotiations as part of a possible free trade deal between the EU and a regional trading bloc consisting of Argentina, Brazil, Paraguay, and Uruguay.

However, it is unclear when this EU-Mercosur trade deal will be wrapped up.

In September, the two sides met for the 35th round of talks in Montevideo.

A two-page report from the commission said “overall, the round only resulted in limited progress”.

(OBS) O melhor é mesmo dissolver o povo e eleger outro – José Manuel Fernandes

(OBS) Chegou o momento de assumir que há muito jornalismo e muito comentário emproado que partilha com as elites políticas o mesmo tipo de complexo de superioridade que tem aberto o caminho aos populistas.

Dissolver o povo e eleger outro? A pergunta fecha um poema sintomaticamente intitulado “A solução” escrito por Bertolt Brecht no ocaso da sua vida, quando a revolta dos trabalhadores alemães contra o “governo dos trabalhadores” em 1953, na Alemanha de Leste, e a brutal repressão que se seguiu, o deixou dilacerado e confuso. É natural que, nos dias que correm, muitos também andem dilacerados e confusos, mas a sugestão de Brecht não era para levar a sério – até porque era dirigida ao dito “governo dos trabalhadores”.

Em dias complexos e imprevisíveis a prudência recomenda antes a humildade, a inteligência obriga-nos a fugir das ideias feitas e o mínimo de sensatez leva-nos a desconfiar de respostas simples ou de visões conspirativas. Pelo que, mesmo não sendo eu daqueles que pensam que o povo nunca se engana, continuo a pensar que residindo a soberania no povo temos de respeitar a sua vontade. E que se esta porventura é esdrúxula, então temos de tratar de compreender como se chegou a esse ponto e, depois, como se inverte essa situação.

Naturalmente que tudo isto se torna mais difícil quando explicam todos os males do mundo como se estes fossem fruto de maquinações ocultas (“Há uma conspiração de extrema-direita a nível internacional, muitíssimo bem pensada, bem planeada e que vem sendo executada passo a passo”) e se acha que se pode desafiar a natureza das coisas, como se a lei da gravidade não se aplicasse de igual forma ao algodão e ao chumbo (“O Facebook e o WhatsApp servem-lhes tudo de bandeja e levam-lhes as ovelhas às mesas de voto, como cordeirinhos dóceis ao matadouro”).

Estas duas frases são de Miguel Sousa Tavares (MST) e de um texto cujo título, Calem-se: o povo é quem mais ordena, é em si mesmo o reflexo da tragédia de um jornalismo e um comentariato que tem preferido meter a cabeça na areia em vez de tentar perceber e, sobretudo, de reconhecer que algumas das chaves de leitura que antes ajudavam a perceber o mundo têm hoje menos validade. Ou não têm mesmo validade nenhuma.

Valerá a pena explicar que Steve Bannon (o estratega da campanha de Trump) não teve nada a ver com a campanha de Bolsonaro? Valerá a pena recordar que as redes sociais começaram por ser óptimas quando ajudaram a eleger Obama, quando alimentaram a campanha de Bernie Sanders ou quando desencadearam a “Primavera árabe”, e só passaram a ser o diabo depois de terem sido utilizadas por Trump e agora por Bolsonaro? Julgo que não, que seria chover no molhado, e por isso não vou perder tempo por aqui. Vou ao fundamental.

E o fundamental por hoje é o corte entre aqueles que se viam como as elites capazes de iluminarem o povo e o povo propriamente dito. Foi para esse corte que João Miguel Tavares alertou no artigo que tanto irritou MST, como foi sobre esse corte que também refletiu de forma muito ponderada Helena Garrido.

Sousa Tavares recorre a um filme, de resto magnífico, “Os Despojos do Dia”, para ilustrar a sua tese sobre o papel das elites. O exemplo é infeliz – trata-se de uma defesa do poder da aristocracia por contraponto ao poder do povo ignaro – e a citação ainda mais infeliz é, pois no filme o aristocrata não faz apenas uma pergunta ao mordomo (protagonizado por Anthony Hopkins), mas sim três, e nenhuma delas é, como pretende MST, sobre inflação (há uma que é sobre o padrão-ouro). Enfim, detalhes, que só cito para que não fique fora do contexto a frase com que remata o texto, e que remete para a incapacidade do mordomo responder à pergunta que lhe era feita: “Só falta querer retirar o direito de voto àqueles, como eu, que sabem o que é a inflação mas não frequentam redes sociais”.

Partamos do princípio que MST também sabe o que foi o padrão-ouro e passemos à segunda parte, ao orgulho de não frequentar as redes sociais. Ao nojo de sequer abordar o tema. Ao orgulho de proclamar que nunca ali se foi.

De novo fujo ao tema de fundo: este artigo não é sobre redes sociais. É sobre não querer compreender, é sobre não querer sair das suas certezas confortáveis, é sobre não querer sequer escutar. E por isso é tão significativo termos alguém que acha que pode fazer-se ouvir ignorando uma das principais ágoras da actualidade, precisamente as redes sociais. Pior: alguém que não quer saber o que aí se diz, o que aí se comenta, o que se passa nesses lugares que são parte daquilo que é o espaço público dos nossos dias. É caso mesmo para perguntar se MST sabe o que é o WhatsApp e se já percebeu porque foi que o chefe de gabinete de Azeredo Lopes usou esta rede social para lhe telefonar a dar conta da combinação para a devolução das armas de Tancos. E se já reparou que estamos a falar precisamente da mesma aplicação que no Brasil foi tão utilizada pelos adeptos de Bolsonaro.

Felizmente a maioria dos jornalistas sabe que tem de estar onde estão as pessoas, e por isso não ignoram as redes sociais. Mais difícil é, muitas vezes, saírem do seu casulo de ideias feitas, do seu círculo de amizades em que todos dizem o mesmo e pensam o mesmo, ou simplesmente terem capacidade para perceber que há um mundo diferente do seu e dos grupos de pressão que têm acesso privilegiado às redações.

Aquilo a que chamamos populismos tem muitas origens mas por regra um ponto comum: um discurso contra as elites no poder. Elites políticas, as mais visíveis. Elites económicas, as que mais facilmente se gosta de atacar. Mas também elites comunicacionais. E se muitos líderes populistas procuram apresentar-se como falando “em nome do povo”, seja lá o que isso for, a verdade é que exploraram a sua oportunidade, ocupando-se por regra de temas ignorados ou subvalorizados por essas mesmas elites. As políticas mas também as mediáticas.

Quando hoje constatamos que muitas pessoas têm como primeira porta de acesso à informação as redes sociais – quando não mesmo a única porta de acesso –, quando verificamos que isso acontece mais entre os mais novos, quando vemos o espaço mediático a pulverizar-se, jornais a desaparecerem, canais de televisão a perderem audiência, não podemos colocar todas as culpas nas novas tecnologias e em novos hábitos de consumo de informação. A verdade é mais dura – e a verdade é que o jornalismo mainstream também tem sido um dos derrotados em muitas das eleições e referendos dos últimos anos, e poucos estarão dispostos a admitir que também as suas estrelas mediáticas se fecharam em torres de marfim com pouco ou nenhum contacto com os problemas das pessoas comuns, quando não vivem centradas em agendas particulares ou em activismos de trazer na lapela. Mas essa é dura realidade.

Portugal, país pequeno em vários sentidos, suporta mal a diferença – e o jornalismo não escapa a essa regra. No caso da eleição brasileira o que havia a fazer era tudo o que fosse possível para denunciar, ridicularizar, encurralar, se possível derrotar o candidato “fascista” Jair Bolsonaro, numa cacofonia de que era proibido sair. Pior: fora deste quadro tudo o que fosse procurar perceber o que conduzira o Brasil à escolha entre dois males maiores não importava – era colaboracionismo. E foi com esta narrativa no subconsciente que se fez a maior parte da cobertura da campanha na maioria dos órgãos de informação, com raras e honrosas excepções. Os prevaricadores foram levados para o pelourinho dos fazedores da opinião dominante, e naturalmente que trataram de lá colocar o Observador. Os leitores fizeram o contrário: em Outubro o Observador teve o melhor mês de sempre em número de leitores e número de sessões.

De resto, faço só uma pergunta: quantos jornalistas já experimentaram falar com os brasileiros que vivem em Portugal e que, de forma esmagadora (cerca de dois terços), votaram em Bolsonaro? Já experimentaram perguntar-lhes o que acharam de muito do trabalho das nossas televisões? Garanto que seria instrutivo.

O que me faz regressar ao ponto de partida. Se não pretendo dissolver o povo, muito menos eleger outro, então tenho de o entender. Tenho de frequentar os mesmos locais que ele frequenta – físicos e virtuais. É que nada terei a dizer de útil se não entender porque é que alguns eleitores votam contra aquilo que penso serem os seus melhores interesses. Os deles e os da democracia.

(PUB) O povo é fascista… – Maria Fátima Bonifácio

(PUB) A esquerda, não só radical, não percebe nada do que se está a passar no Mundo. Mais: recusa-se a perceber.

55% dos eleitores brasileiros optaram e votaram pelo “fascismo”, no pobre e primitivo entender da esquerda radical. O líder-sombra do BE, na televisão, ainda insinuou que os votantes em Bolsonaro eram a classe média e daí para cima! É extraordinário como mentes brilhantes se enganam a si mesmas tão facilmente! É extraordinário como o sectarismo pode cegar mais do que a real doença da cegueira! A esquerda, não só radical, não percebe nada do que se está a passar no Mundo. Mais: recusa-se a perceber.

Compreende-se: se aceitasse perceber, estaria a reconhecer que todas as suas categorias de análise política e histórica tinham ido barra fora, engolidas, mais ao largo, pela voracidade destrutiva das ondas marítimas; o mundo de hoje é um mar furiosamente encapelado. Essas categorias analíticas estão tão velhas e imprestáveis que, se abaladas, provocariam a derrocada de toda a Utopia socialista-comunista. Quantas vidas a ela honestamente dedicadas não mergulhariam na mais frustrante das desilusões, de quantos sonhos esfarrapados se não teceriam os lençóis que tapam os caixões! E, sobretudo, a que margens, a que praias arribariam os náufragos fugidos do navio em lento mas inexorável afundamento? A que ramagens, a que galhos se agarrariam? O navio afundado deixaria um imenso orfanato, atulhado de gente desempregada ante a derrocada do monopólio de tudo quanto beneficiava à conta da suposta superioridade moral que a si mesma se atribuía.

Em vários países e continentes, os pobres e remediados parece que decidiram não mais servirem de trunfo para os que em nome deles falam, mas que não falam com eles. Nem falam, nem ouvem. Basta-lhes o catecismo revolucionário. O que acontece hoje em dia é que em vários países e continentes esse catecismo caducou.

O Brasil democrático sempre foi corrupto. Mas o PT alterou as regras do regime de corrupção – porque as havia – tornando esta incontrolável quer do ponto de vista do volume de dinheiro que habitualmente circulava, quer do ponto de vista do número, da rede tentacular em que todos os políticos se vieram a encontrar enrolados. A grande corrupção não era nova. Nova foi a amplitude que ela ganhou, e que coincidiu com a chegada do PT ao poder.

Esta coincidência não passou desapercebida aos brasileiros, que se cansaram de desculpar a esquerda, democrática e soi-disant popular, amiga dos pobres mas… ainda muito mais amiga de si mesma! O PT foi tão longe nesta deriva de mentira e ladroagem que o povo se fartou: o pêtismo tornou-se, simbólica e realmente, na incarnação da ladroeira, e da hipocrisia – sim, da hipocrisia: em nome do povo, dirigido por um ex-metalúrgico, transformou-se numa máquina de rapina generalizada, corroeu e corrompeu, como ninguém até ali conseguira, os alicerces morais da nação.

Ninguém – muito menos eu – sabe ao certo o que é, quem é e ao que vem Bolsonaro. Mas a maioria dos brasileiros sabia uma coisa: ele não vinha dos subterrâneos do pêtismo. Virá de outros, possivelmente piores, mas não destes, pouco importa para a maioria dos brasileiros. O voto não veio, como aliás quase nunca veio em parte alguma, da luta de classes: veio da repugnância pelo desbragamento pêtista e do desejo de lhe dizer – “Basta!”

O PT corrompeu toda a gente e pôs toda a gente a corromper toda a gente. Cá de baixo, do fundo da sua miséria, os pobres; e, do fundo da sua mediania, os remediados e a gente de bem, que a há em todas as classes, perceberam que não havia alternativa dentro do PT ou com a mais remota colaboração do PT. Bolsonaro era um radical anti-PT; radical, violento, primitivo, brutal, deseducado. Muito em consonância com o povo, portanto, e nada em consonância com os professores da Universidade de São Paulo ou com os letristas das maravilhosas canções brasileiras. O povo votou à bruta, mas não com mais bruteza do que a bruteza investida por toda a classe política no saque da riqueza pública brasileira.

A esquerda não gosta deste povo assim? Como disse Bertolt Brecht, em ano que não sei precisar, mude-se de povo, arranje-se um povo à medida dos seus dirigentes, que lhes seja de feição. A solução exterminadora dos comunistas e dos verdadeiros fascistas, um exemplo histórico e concreto, é uma alternativa aprazível.

Já agora: quem se lembra ainda do martírio da Venezuela, que vai morrendo às mãos de um psicopata de esquerda e seus sequazes regiamente pagos pela Goldman Sachs?

(JE) O Brasil em Portugal – João Marcelino 

(JESaio das eleições brasileiras com medo da sociedade portuguesa, da falta de capacidade e bom senso de muitos dos decisores que alimentamos.

As eleições no Brasil permitiram uma excelente radiografia do espaço público português. À direita e à esquerda, mas sobretudo à esquerda. Na política e na comunicação social. Nos palácios e nas ruas. Nos meios tradicionais e nos novos media. Foi um período revelador.

Tudo começou com a tentativa de santificação de Lula. Em julho, o homem era um perseguido político, não um corrupto condenado. No auge do delírio, 22 deputados portugueses, a quem nunca se ouviu um discurso anticorrupção, decidiram escrever uma carta apelando à libertação do ex-presidente brasileiro que, rezava a lengalenga, tirara da pobreza (e da insegurança, esqueceram-se de acrescentar) milhões de compatriotas. Uma corja de ingratos, sabe-se agora, capazes de votar num “fascista”.

Mais tarde, já o ‘perigo’ Jair Bolsonaro tinha sido interiorizado, a telenovela prosseguiu com uma foto de 18 deputadas em manifestação de género: “Ele não”.

Um dia, para desilusão pessoal, a coisa chegou mesmo a Belém, onde Marcelo Rebelo de Sousa acordou com “notícias desagradáveis”. Sim, o mesmo Presidente da República que se quis despedir de Fidel Castro e se senta ao lado de Obiang na CPLP.

Entretanto, começaram os concursos de antifascismo. Em artigos e declarações sucessivamente mais pungentes, figuras destacadas da piolhice nacional, imunes à tragédia venezuelana, decretavam como o Brasil entraria numa longa noite caso Bolsonaro viesse a ser eleito.

O jornalismo, salvo raríssimas excepões, associou-se à histeria. O tema tornou-se quase único. Nas redes sociais, órfãos da FarmVille, malta sem habilidade para os eSports e muitos exibicionistas exauridos de novidades para partilhar sobre a vida feliz e fantástica que levam, escolheram a equipa para defrontar o ‘inimigo’. É desta fase a minha coleção de screenshots assinados por pataratas conhecidas e conhecidos. Um passatempo para memória futura.

Estamos agora na fase em que a direita portuguesa, eufórica, aguarda um milagre na capacidade intelectual de Bolsonaro e a esquerda, para além de surpreendentes erupções xenófobas contra brasileiros a trabalharem em Portugal, decreta que “a luta continua”, processo em que os nossos revolucionários não são capazes de colocar nem a humildade nem a simplicidade dialética de José Mujica.

Saio das eleições brasileiras com medo da sociedade portuguesa, da falta de capacidade e bom senso de muitos dos decisores que alimentamos; desta gente que parece ter desligado o cérebro depois do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 e aí acampado para sempre, entre ódios e preconceitos, fechando os olhos à corrupção da respetiva família político-partidária. Já nem a extrema-esquerda, anestesiada pela geringonça, lê sequer Hervé Kempf, o que daria pistas inteligentes para combater Bolsonaro, principalmente na sua perigosa visão de “desenvolvimento” à custa da sustentabilidade ambiental e da ameaça à floresta da Amazónia. Democracia e ecologia são hoje inseparáveis.

Confesso que também me lembrei de Kempf, e da sua teoria da deriva ocidental do capitalismo para a oligarquia, formada por partidos, famílias e seitas, na qual a finança vai colocando os políticos por conta, a propósito do novo cargo de Marques Mendes, na assembleia-geral da CGD-Angola. Visto por vários ângulos, o país não anda nada bem.

(AFP) Brazil’s Bolsonaro wants to move Israel embassy to Jerusalem: report

(AFP)

© AFP | A picture taken on October 28, 2018 shows the Israeli and Brazilian flags flying outside the Brazilian embassy in Tel Aviv
JERUSALEM (AFP) – Brazil’s president-elect Jair Bolsonaro has told an Israeli newspaper he intends to defy the Palestinians and most of the world by moving his country’s embassy from Tel Aviv to Jerusalem.

Brazil would become the second major country after the United States to do so.

Asked in an interview with Israel Hayom published Thursday if he would move Brazil’s embassy, as he had indicated during his campaign, Bolsonaro said Israel should decide where its capital is located.

“When I was asked during the campaign if I’d do it when I became president, I said ‘yes, the one who decides on the capital of Israel is you, not other nations’,” he told the paper, which is a firm backer of Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu.

Israel considers the entire city its capital, while the Palestinians see east Jerusalem as the capital of their future state, with international consensus being that the status of the whole city must be negotiated between the two sides.

Israel occupied east Jerusalem in the 1967 Six-Day War and later annexed it in a move never recognised by the international community.

In December, President Donald Trump reversed longstanding US policy and recognised Jerusalem as the capital of Israel, prompting Palestinian president Mahmud Abbas to boycott his administration.

The embassy was officially transferred on May 14, with Guatemala and Paraguay following suit, though the latter announced last month it would return its embassy to Tel Aviv.

Bolsonaro, 63, who won a run-off election on Sunday, has outraged many with his overtly misogynistic, homophobic and racist rhetoric.

Following his victory, Netanyahu told Bolsonaro he was certain his election “will lead to a great friendship between our peoples and the tightening of links between Brazil and Israel.”

An official in Netanyahu’s office told AFP the Israeli premier was “very likely” to attend Bolsonaro’s inauguration ceremony in January.

(OBS) Um “Chicago boy”, ultra-liberal e defensor do Estado mínimo. Paulo Guedes será o super-ministro de Bolsonaro para fazer crescer a economia 

(OBS) Um “Chicago boy”, ultra-liberal e defensor de um Estado mínimo, Paulo Guedes é o “super-ministro” em quem Bolsonaro confia para compensar o seu conhecimento “superficial” sobre economia.

Jair Bolsonaro, o presidente-eleito no Brasil, não tem, propriamente, fama de ser um reformista e alguém disposto a dar à economia brasileira a “sacudidela das ordenações joaninas” que Joaquim Levy disse em 2013 que o país há muito necessita. Joaquim Levy, então líder do banco de investimento do Bradesco, viria a tornar-se ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, em 2015, mas não se aguentou no cargo mais do que 11 meses porque não teve no governo de Dilma condições para fazer o tipo de política que a sua alcunha sugeria: “Joaquim, o Mãos de Tesoura“.

Três anos depois, porém, a eleição de Jair Bolsonaro deu um novo impulso de confiança aos investidores externos de que, desta vez, as coisas podem ser diferentes – não graças a Bolsonaro, que reconheceu não ter mais do que uma “compreensão superficial” sobre a ciência económica e seus derivados, mas à conta de outro doutorado pela Universidade de Chicago, nos EUA: Paulo Guedes, o provável ministro na administração Bolsonaro. Quem é e o que é que tem Paulo Guedes (e que faz subir a bolsa brasileira)?

Em poucas palavras, “Guedes é o garante da alegada conversão de Bolsonaro ao liberalismo económico”, comentou Ricardo Lacerda, presidente de uma pequena casa de investimento em São Paulo, a BR Partners, citado pela agência Bloomberg. Assumindo que Paulo Guedes passará, como tudo indica, de guru económico de Bolsonaro para seu ministro da Fazenda, o especialista acrescenta que “se, por alguma razão ele vier a sair do governo, haverá um terramoto nos mercados”.

A bolsa de São Paulo subiu mais de 20% desde junho, escalando à medida que Bolsonaro subia nas sondagens, e fixou novos máximos históricos na segunda-feira. No final da sessão de segunda-feira, a bolsa acabaria por fechar em queda, no que os analistas viram um claro exemplo de um dos principais adágios dos mercados financeiros: “Comprar com a expectativa e vender com a confirmação”. A confiança dos investidores internacionais é tal que, nos últimos dias, o suíço UBS admitiu que a vitória de Bolsonaro poderia fazer a bolsa brasileira subir quase 40% até ao final do ano, isto se o governo mostrar que está disposto a cumprir a agenda reformista que prometeu durante a campanha.

Mas no centro de tudo não está o magro programa eleitoral de Bolsonaro para a área económica — o que está no centro de tudo é Paulo Guedes: um analista citado pela Bloomberg admite que, se o ultra-liberal Guedes fosse afastado, as perdas seriam, basicamente, simétricas: a bolsa poderia perder até 40%, quase metade do seu valor atual. Essa simetria ajuda a perceber porque é que Guedes é considerado, pelo próprio Jair Messias Bolsonaro, “uma aquisição que agradeço a Deus“.

Um ultra-liberal que será “super-ministro” de Bolsonaro

Segundo noticiou a Valor Econômico, citando pessoas que colaboraram com o provável ministro da Fazenda na elaboração do programa económico, Jair Bolsonaro deverá reunir-se esta terça-feira com Paulo Guedes para começar a definir a equipa económica e acertar os planos políticos para o governo. De acordo com essas fontes, uma das principais medidas macroeconómicas que Guedes tem na calha é reduzir o nível de reservas brasileiras de moeda internacional, no fundo vendendo-as no mercado para usar o encaixe para amortizar dívida pública e, assim, poupar na despesa com juros da dívida.

Já esta terça-feira, porém, o economista desmentiu a intenção de recorrer às reservas internacionais do país, a não ser no caso de um “ataque especulativo” que fizesse o dólar atingir o patamar de cinco reais [atualmente está em 3,71 reais].

O Globo também publicou, nesta terça-feira, informações sem fonte identificada que indicam que Paulo Guedes terá como prioridade garantir a independência do banco central, o que deverá passar por um convite a que Ilan Goldfajn continue no cargo pelo menos mais dois anos. Para os investidores internacionais, esse é um sinal crucial, dada a história do Brasil e o facto de ser um mercado emergente em estado de emergência — um banco central independente é garantia de que a política monetária não será feita às ordens do poder político, potencialmente gerando inflação e penalizando os investimentos de quem decidir fazê-los.

As mesmas fontes, citadas pelo Globo, indicaram que no governo de Bolsonaro deixará de haver um Ministério para a Indústria e Comércio, passando essa área a ser uma secretaria de Estado inserida no Ministério da Fazenda — ou seja, fazendo de Paulo Guedes um “super-ministro” no governo de Bolsonaro, encarregue de tirar o país da dolorosa recessão económica que se arrasta há dois anos e reduzir a dívida que passou de 58% do PIB para mais de 77% (e, segundo o Banco Mundial, chegará a uns catastróficos 140% do PIB em 2023 se nada for feito).

Paulo Guedes será o “super-ministro” no governo de Bolsonaro, encarregue de tirar o país da dolorosa recessão económica que se arrasta há dois anos e reduzir a dívida que passou de 58% do PIB para mais de 77% (e, segundo o Banco Mundial, chegará a uns catastróficos 140% do PIB em 2023 se nada for feito).

Outra prioridade de Guedes será a reforma da chamada Previdência, isto é, a Segurança Social, substituindo gradualmente o sistema de “caixa de previdência” por um regime de capitalização e planos privados. Controlar os gastos públicos é uma necessidade para o país, atirou o responsável. Uma economia aberta, impostos baixos e uma estrutura fiscal simples são as outras chaves de uma ortodoxia que, à primeira vista, parece chocar com o protecionismo professado por um Jair Bolsonaro que, a certa altura, defendeu — usando uma figura de estilo, presumivelmente — que quem privatizou a mineira Vale devia ser executado.

Bolsonaro percebeu, desde cedo, que o discurso de Guedes poderia ser um trunfo decisivo para atrair investimento estrangeiro que será crucial para tirar o país da recessão. Mas como se casa o aparente choque ideológico entre o liberalismo de Guedes e o protecionismo idealizado por Bolsonaro? “Ouça, na verdade, não entendo de economia”, disse Bolsonaro numa entrevista ao Globo complementada com uma outra declaração de Paulo Guedes: “a última que disse que entendia [de economia] foi Dilma [Rousseff], e afundou o país”.

Sobre a base da política económica, os dois parecem estar de acordo: “o programa económico tem um diagnóstico claro. O Brasil teve 30 anos de expansão de gastos públicos, descontrolados”, afirmou Paulo Guedes, entrevistado ainda no domingo das eleições. “Primeiro grande item (dos gastos públicos) é a Previdência. Precisamos de uma reforma da Previdência”, disse o economista. Para reduzir a despesa com juros, a estratégia é “acelerar as privatizações” e, para combater o terceiro “item” dos gastos públicos, os gastos com a máquina pública, a estratégia é fazer uma reforma do Estado.

“Vamos simplificar e reduzir impostos, vamos eliminar encargos e impostos trabalhistas sobre a folha de pagamentos, para gerar em dois ou três anos 10 milhões de empregos novos. Vamos regulamentar corretamente, fazer os marcos regulatórios para investimentos na área de infraestrutura”, afirmou Guedes, não excluindo a intenção de levar o Brasil para um défice “zero” nas contas públicas a breve trecho.

Um “Chicago boy” com vários negócios sob suspeita

Paulo Guedes será “super-ministro” mas, nas palavras do próprio, começou por ser “um menino de classe média baixa lutando para viver, subindo na base do estudo, ganhando bolsa de estudo”. Nascido em 1949, formou-se no início dos anos 1970 pela Faculdade de Ciências Económicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), uma frequência que não deixou grandes marcas nem memórias aos seus professores e colegas, ouvidos pela BBC News Brasil.

Em 1974 tinha 25 anos, já era casado e, depois de tirar um mestrado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, Guedes candidatou-se a doutoramento na Universidade de Chicago, nos EUA, a faculdade fundada por Rockefeller e onde se respirava liberalismo económico e onde as teorias de intervencionismo estatal de John Maynard Keynes encontravam terreno pouco fértil — era onde Milton Friedman, por exemplo, dava aulas.

Tornou-se um “Chicago boy” que, uma vez regressado ao Brasil, não teve uma adaptação fácil ao mundo académico num contexto bem diferente de onde tinha obtido o doutoramento. Acabou por ter uma experiência a dar aulas na Universidade do Chile, convivendo de perto com os economistas e académicos que ajudavam Augusto Pinochet a cumprir o seu programa económico. Paulo Guedes regressaria ao Brasil e ao Rio de Janeiro depois de a polícia militar ter feito buscas no seu apartamento.

Voltou ao Brasil mas virou-se mais para o mundo financeiro, numa primeira fase como principal responsável pela estratégia de investimento do Banco Pactual, do qual foi co-fundador. Mas manteve-se próximo da política, chegando a coordenar o plano económico do candidato presidencial Guilherme Afif Domingos, que acabaria esmagado na votação de 1989, entre Fernando Collor de Mello e Lula da Silva (na sua primeira candidatura à presidência).

Depois dessa experiência, concentrou-se na área financeira, fundando uma gestora de investimentos — o Bozano Investimentos — no Rio de Janeiro. Foi durante esses anos que a sua atuação foi investigada pelas autoridades: suspeitas de gestão fraudulenta, crimes de mercado e, mais recentemente, uma investigação por suspeita de desvio de fundos públicos em cooperação com políticos do PT — tudo suspeitas que Paulo Guedes nega categoricamente.

Paulo Guedes nunca deixou de ser uma figura reconhecida nos círculos económicos, também pelo facto de ser colunista do Globo e por ter uma presença regular em debates e conferências. Numa delas, com Alan Greenspan, ex-presidente da Reserva Federal dos EUA, na plateia, Guedes acusou o banco central norte-americano de ser um “criador de bolhas em série” — e Greenspan, em especial, devido à sua política de juros baixos, era alguém que “colocava em risco toda a civilização ocidental”.

O seu confronto mais mediático, porém, foi com o economista francês Thomas Piketty, que em 2014 publicou uma obra — o Capital no Século XXI — que se tornou um dos livros de economia mais importantes da década e onde se sugeria que é necessário tributar mais os ricos e as heranças para deter o aprofundamento inexorável das desigualdades económicas. Segundo a história contada num perfil feito pela Piauí, Guedes criticou frontalmente as teorias de Piketty, lembrando que “os chineses antes trabalhavam 20 horas para ganhar 0,03 dólares por dia, agora trabalham as mesmas 20 horas para ganhar 1 dólar”, isto é, que foi o capitalismo chinês que elevou a riqueza daquela população. “Já os europeus, esses, não gostam de trabalhar tanto porque são pós-modernos”, atirou.

Este é o tipo de auto-confiança pouco dada a diplomacias que Guedes leva para o governo de outro homem que também não só não foge a polémicas como se alimenta delas: Bolsonaro. Tanto que o que gera alguma desconfiança entre os investidores é sobre a real capacidade de os dois trabalharem bem em conjunto, a prazo, duas personalidades fortes e com ideias fixas. No mês passado já se viu que a sintonia entre os dois está longe de ser perfeita: Guedes disse publicamente que no Brasil poderia ser introduzido um imposto sobre as transações financeiras (excluindo as bolsistas), substituindo outras cinco taxas.

Os empresários não gostaram de ouvir e o apoio a Bolsonaro tremeu, até que o capitão reformado deixou claro: “o presidente serei eu. Tratei desse assunto com ele. Ele falou que foi um engano, um ato falhado. O que ele quer é diminuir os impostos”. “Teremos um ministro, sim, mas, acima dele, tem um comandante e esse comandante chama-se Jair Bolsonaro”, afirmou o então candidato presidencial numa entrevista a uma rádio de Pernambuco.

(LeTemps) Jean-Yves Carfantan: «Le véritable objectif de Jair Bolsonaro, c’est la relance de l’industrie de l’armement»

(LeTemps) Le nouveau président brésilien s’est entouré de Chicago Boys, mais c’est aux puissants lobbies économiques et militaires qu’il doit allégeance. Pour l’économiste Jean-Yves Carfantan, une partie de l’armée cherche à retrouver son poids économique sur le pays

Elu dimanche à la présidence du Brésil, Jair Bolsonaro admet lui-même ne rien connaître à l’économie. S’il s’est entouré d’académiciens proches de l’Ecole libérale de Chicago comme Paulo Guedes, la réalité politique devrait vite limiter ses ambitions réformistes, estime Jean-Yves Carfantan, économiste installé au Brésil depuis plus de trente ans et auteur du livre Brésil, les illusions perdues (Ed. François Bourin, 2018).

Le Temps: L’avènement de Jair Bolsonaro est-il autre chose que le constat de l’échec du Parti des travailleurs au pouvoir pendant treize ans?

Jean-Yves Carfantan: C’est l’une des composantes principales. Mais ce rejet des forces politiques se produit tous les dix ans au Brésil. C’est l’apanage des jeunes démocraties. En 2003, les gens ont davantage voté contre les élites que pour Lula. Aujourd’hui, on est tombé sur ce type: Jair Bolsonaro, un député insignifiant pendant vingt-six ans. Auparavant, en trente ans de carrière à l’armée, il n’a atteint que le grade de capitaine. La balance commerciale, les taux de change: c’est du latin pour lui. A côté de Jair Bolsonaro, Donald Trump passe pour un intellectuel.

Il s’est lui-même converti au néolibéralisme après avoir passé vingt-six ans à défendre les intérêts de sa corporation…

Des forces s’opposent autour de Jair Bolsonaro, celle des économistes académiciens et celle des grands lobbies économiques ou militaires. On ne sait pas encore clairement qui pourra s’imposer, mais les militaires occuperont un rôle central. On a beaucoup parlé de la libéralisation du port d’armes durant la campagne, mais le véritable objectif, c’est la relance de l’industrie de l’armement. Les actions de la société Forjas Taurus ont d’ailleurs bondi après l’élection présidentielle. Mais au-delà du marché intérieur, Jair Bolsonaro veut convertir le Brésil en fournisseur d’armes pour tout le sous-continent.

Craignez-vous l’instauration d’un modèle égyptien avec des militaires contrôlant de larges portions de l’économie?

C’est une crainte partagée ici. Certains militaires pensent en effet qu’il est temps de récupérer de l’influence dans la vie économique. Or, ils en ont été absents pendant trente-quatre ans et n’ont aucune idée de comment fonctionne le monde moderne. Le seul consensus qui existe parmi les trois armes, c’est la lutte contre la délinquance et l’économie parallèle de la drogue. Le Brésil perd des territoires depuis quinze ans. L’Etat ne contrôle plus du tout certaines périphéries urbaines qui comptent des taux de mortalité plus élevés qu’en Syrie. Pour tout militaire de carrière, c’est inacceptable.

On parle de concentrer les Ministères de l’économie, des finances et du commerce et de les placer sous la tutelle d’un super-ministre. Jusqu’où peut aller cette concentration des pouvoirs?

Ce sont des discours de campagne. Trop de gens ont soutenu Jair Bolsonaro et veulent garder leur propre guichet comme le secteur industriel. Il ne faut pas regarder le Brésil avec des lunettes des années 1960. Nous n’allons pas vers un Etat fasciste car le pays conserve des institutions qui fonctionnent et agissent comme contre-pouvoirs. Jair Bolsonaro est un danger pour la gouvernance, pas pour la démocratie.

Une privatisation de Petrobras est-elle crédible?

Elle est impraticable car Petrobras est un monopole. Il faudrait d’abord créer une situation de concurrence, mais là encore trop d’intérêts sont en jeu. Ce sont des académiciens comme Paulo Guedes, qui ne connaissent pas grand-chose à la politique, qui ont mentionné ces privatisations. Jair Bolsonaro n’a pas l’ambition de faire des réformes qui s’avéreraient douloureuses. Il faudrait toucher aux retraites des militaires. Ou mettre fin aux taux d’intérêt bonifiés qui bénéficient tant à l’agriculture. Je m’attends à de petites mesures destinées à rassurer les marchés sur les six premiers mois de mandat. Pour le reste, le nouveau président fera son cinéma en sortant les militaires dans la rue. Sans rien changer aux problèmes de fond.

Vous mentionnez les lobbies agricoles et pétroliers. N’y a-t-il pas une volonté de diversifier une économie par trop dépendante aux matières premières?

Encore faudrait-il pouvoir investir. Le Brésil consacre 1% de son PIB aux investissements publics: c’est à peine suffisant pour maintenir le réseau routier. L’état des infrastructures est un frein aux investissements. Le tissu industriel s’affaiblit depuis quinze ans, face à la rigidité salariale et au protectionnisme qui privilégie des produits nationaux peu compétitifs. En réalité, le revenu moyen au Brésil a toujours suivi le cours des matières premières. Quelques années d’envolée et c’est une chute brutale qui s’ensuit. Ici, ce phénomène s’appelle «le vol de poule».

(BBG) Brazil Super Minister Shoulders Weight of Bolsonaro Economy

(BBG) Paulo Guedes once told a gathering of finance-industry elite that the Federal Reserve was a “serial bubble-maker” and Alan Greenspan was “jeopardizing Western civilization.” Thinking back on the event years later, he called his comments about the former Fed chairman, who was sitting in the audience at the time, “incisive and objective.”

That’s the kind of unwavering self-confidence Guedes will bring with him when he takes over Jan. 1 as a “Super Minister” and the top financial adviser to Brazil President-elect Jair Bolsonaro, who won a decisive victory on Sunday. But it’s also the trait critics say borders on arrogance, which could be an obstacle to implementing an economic agenda that’s riding mostly on his shoulders.

Guedes’s impatience with others’ points of view was on display Sunday after the victory in his first face-off with reporters. Pressed repeatedly by an Argentine journalist about plans for a regional trade bloc, he lost his composure, then was unapologetic:

“You see there’s a style that matches that of the president, because we speak the truth,” Guedes said. “We’re not worried about pleasing you.”

Two days later he apologized, saying he’d been exhausted after a long night and was overwhelmed by reporters.

More long nights lie ahead. Brazil’s nascent recovery from the worst recession in history hinges on his success, and the nation’s benchmark index has climbed 13 percent since mid-September — close to its all-time high — on optimism Bolsonaro would win, giving Guedes a chance to implement business-friendly policies. They include dozens of privatizations, a massive reform of the pension system and a revamp for the nation’s byzantine tax code.

Read more about market reactions to the Brazil election

Bolsonaro, who’s admitted he has only a “superficial understanding” of economics, has said he’s placing full control over the nation’s finances in the hands of Guedes, who was trained at the University of Chicago and founded both a private equity firm and a think tank for liberal economic theories. Yet for all that success, he’s had zero experience in implementing public policy.

“One thing’s for certain: Guedes is the guarantor of Bolsonaro’s alleged conversion to liberalism, and if for any reason he leaves the government, there will be an earthquake in markets,” said Ricardo Lacerda, chief executive officer of Sao Paulo-based boutique investment bank BR Partners.

How big an earthquake? One top market analyst said Brazil’s benchmark stock index could tank as much as 40 percent, reaching levels not seen since the 2016 impeachment of Brazil’s former president, Dilma Rousseff. While that’s probably overstating things, it’s the kind of hyperbole that’s characterized Brazil’s election rhetoric ever since polls made it clear in recent months that Bolsonaro was heading to victory.

Think Tank

Guedes, a founder of Rio de Janeiro-based private equity firm Bozano Investimentos, has campaigned for free and efficient markets in Latin America for decades, establishing the Instituto Millenium think tank to promote liberal economic theories espousing less government interference. It’s an ideology that runs counter to beliefs Bolsonaro championed until only recently, and still held by some of his closest allies.

Lacerda, who jointly managed a proprietary fund with Guedes for two years, said he’s “a brilliant economist, very well prepared, and I consider his liberal views about what must be done for Brazil to be correct.”

Guedes wasn’t always a free-market champion. He considered John Maynard Keynes his hero when he left Brazil for Chicago. There, he studied under economic thinkers redefining the field, like Milton Friedman. He converted to liberalism and returned to Brazil to proselytize. Eager students, including one who went on to become a central bank governor, Arminio Fraga, soaked it up.

“Paulo had just come from Chicago and was super sharp, and his views were very complementary to those we had at the time, which had more Keynesian inspiration,” Fraga said in an interview. “Paulo stimulated me and other students to invest in techniques I’ve always thought were essential tools, even for young researchers like myself at the time.”

Earthquake Scare

Guedes took a job teaching at the University of Chile at the same time General Augusto Pinochet’s Chicago Boys were testing their liberal prescriptions on the Chilean economy. One day, upon returning to his hotel, Guedes found intelligence agents had scoured his room. He said that gave him a scare, then an earthquake gave his wife another, so they returned to Brazil. He spent the following decades quietly building his fortune, first with the founding of Banco Pactual SA and then helping to create the asset-management firm JGP Gestao de Recursos Ltda.

Now 69, his professorial side still shows. He draws charts as he speaks, citing economists Joseph Schumpeter and Robert Lucas, or Friedman’s comparison of monetary theory to a Japanese garden. His mind hopscotches from ancient Greek democracy to the French revolution, plucking examples to bolster long-winded arguments.

As recently as a year ago, his name rarely appeared anywhere other than atop his weekly newspaper column. In March 2017, he used that platform to predict an outsider revolution in the 2018 elections, and soon began searching for a candidate to mentor. He settled on Bolsonaro, and now Guedes’s name is on the lips of tens of millions of Brazilians suffering from double-digit unemployment in the wake of the recession. Brazil’s $2 trillion economy, which historically has rebounded robustly after downturns, grew just 1 percent last year and is expected to reach an uninspiring 1.4 percent in 2018.

Guedes addressed that problem on Sunday with a specific remedy: creating 10 million jobs in the next two to three years with the reduction and elimination of taxes to attract private investment, which he called the engine of economic growth and “the greatest machine of social inclusion.”

But he’s divulged little else about the strategy he’ll use to light a fire under the economy, particularly after Bolsonaro muzzled his team during the race’s final leg.

“There are few details in practically all areas,” said Fraga, who intends to give Guedes a pension-reform proposal he drafted but said he won’t take a government post.

Reform of the unsustainable social security system will be chief among Guedes’s tasks to reduce expenses. He often says Latin America’s largest economy sacrifices the equivalent of a Marshall Plan each year servicing government debt, which he aims to sharply reduce. He has said he’ll zero the fiscal deficit in his first year through privatizations of Brazil’s state-owned enterprises, and that he’d sell the whole lot if he had his way. But already Bolsonaro has said the government will reserve the right to choose which state-owned firms remain strategic assets.

Some doubt Guedes will have free rein. Monica de Bolle, an economist who’s director of Latin American studies at Johns Hopkins University’s school of international studies, said Bolsonaro will be torn between several groups vying for influence, including the generals in his cabinet who have statist instincts. That will detract from Guedes’s power, said de Bolle, who’s spoken out against Bolsonaro and urged others to vote against him.

Lacerda said Guedes also has no experience negotiating with the Congress, “and that will be another challenge for him given all the interests and contradictions involved.”

Elena Landau, an economist who oversaw privatizations in the 1990s, said in an interview that the only asset sales that will yield significant revenues are the crown jewels, like oil company Petrobras, utility Eletrobras, and the state banks, such as Banco do Brasil SA.

Read more: Privatize Petrobras? Check With Bolsonaro’s Generals First

“I think Guedes on his team is just an opportunistic way to signal to gullible markets and other private-sector people that we’re going to fix the economy, and then when push comes to shove it’s not going to happen,” de Bolle said. “I have real questions as to whether Guedes is really capable of designing the reforms Brazil needs.”

Indeed, policy making will depend on the team Guedes creates. He’s holding meetings at the finance ministry, planning ministry and Treasury, sounding out officials who might stay on. Some who have met with him, but asked not to be named because they’re not authorized to speak publicly, said he spoke more than he listened in early meetings, citing his academic achievements and views on the last decade.

Since then, the conversation has “normalized,” according to those people, although his questions often center on identifying easy expenses to cut — what they said was the typical view of someone unfamiliar with the challenges of lowering government budgets. One of Guedes’s advisers asked a financial journalist if she might recommend a budget secretary.

“Not having experience in the public sector is a challenge, because being able to execute policy involves various people, knowing how federal bureaucracy works,” said Chris Garman, managing director for the Americas at political consultancy Eurasia Group. “It’s important to have a good team around him, and the verdict is still out on that. He’s making the right overtures, meeting with a lot of people, getting input, so the early signs are promising.”

There’s also doubt about how long two strong personalities like Guedes and Bolsonaro can coexist, Garman said. The fact Guedes sought out a candidate to latch onto early suggests this is a long-considered process in which he’s invested. Likewise Landau, who studied under Guedes and has been critical in local media, said she doesn’t think he’ll leave anytime soon, largely because his reputation is now riding on delivering results. Markets remain encouraged he’ll do just that.

“If there’s anyone qualified to help put some order into this economy, it is Paulo Guedes,” said James Gulbrandsen, who helps oversee $3.5 billion at NCH Capital, just a few blocks from Guedes’s firm in Rio. “When we look at Paulo Guedes, we recognize this is the panacea, the cure, the remedy for what ails Brazil.”

(OBS) A lição de democracia dos brasileiros – João Marques de Almeida

(OBS) A direita liberal e conservadora é a mais ameaçada pela direita populista e radical. Como se viu no Brasil, a solução não é o centrismo, antes a afirmação de um liberalismo e conservadorismo sem medo.

Normalmente, não faço generalizações. Mas o comportamento das esquerdas em Portugal durante a campanha eleitoral no Brasil foi das manifestações mais estúpidas e mais tontas que alguma vez assisti (e já vi muita estupidez na minha vida). Pelo que se viu, as esquerdas em Portugal continuam a pensar como se estivessem na década de 70 do século passado. Quando percebem que o candidato de esquerda vai perder uma eleição, resta-lhes um argumento: o candidato de direita é fascista. Ninguém quis discutir os problemas económicos e sociais do Brasil, a segurança pública, o legado dos governos do PT (quase 16 anos), a corrupção sistemática que Lula e os seus introduziram na vida política do Brasil. Tudo isso foi ignorado. Só interessou chamar fascista a Bolsonaro. Ninguém quis perceber que o tema central da campanha brasileira foi a rejeição do PT e de Lula. As esquerdas não têm a humildade para estudar e aprender o que se passa no Brasil. Vivem na arrogância cega das suas ideologias e dos seus dogmas.

Bolsonaro até poderá ser fascista, mas o facto de a esquerda o dizer é absolutamente irrelevante. As esquerdas já chamaram de fascistas a Sá Carneiro, a Cavaco Silva, a Passos Coelho, a Paulo Portas, a Marcelo Rebelo de Sousa e até, vejam bem, a Freitas do Amaral. As esquerdas banalizaram o termo fascista. Por isso, o que dizem sobre o fascismo não tem qualquer importância. As esquerdas portuguesas usam o termo fascismo com a mesma ligeireza com que os adolescentes recorrem às palavras odeio e adoro. Obviamente, as esquerdas aproveitaram as eleições brasileiras e os ataques a Bolsonaro para condicionar e assustar as direitas portuguesas. Infelizmente, algumas figuras das nossas direitas assustaram-se.

Há algumas lições que interessa retirar das eleições brasileiras (uma verdadeira revolução política). Em primeiro lugar, a maioria dos brasileiros não aceita que o Brasil tenha donos. O PT e Lula portaram-se na última década e meia como se fossem os donos do país. Compraram políticos e congressistas de partidos das oposições (o mensalão), aliaram-se a grandes grupos económicos (isso mesmo, ao grande capital) para financiar as suas campanhas eleitorais e para enriquecerem os seus dirigentes, usaram os recursos nacionais para os seus fins privados. A rejeição do PT e de Lula foi um acto democrático e saudável do povo brasileiro. Escrevi o mesmo no velho Diário Económico quando Lula foi eleito pela primeira vez em 2002. Estou convencido que se Bolsonaro e os seus se portarem como os novos donos do Brasil, daqui a quatro anos, os brasileiros também os rejeitarão, enviando-os para casa. Seria muito importante que os partidos portugueses, especialmente o PS, percebessem que em democracia ninguém é dono do regime. O povo é mesmo quem mais ordena, como mostraram os brasileiros.

Há uma segunda lição: a democracia não resiste a tudo. Para quem acredita na democracia pluralista e na liberdade política, de um modo absoluto, perceber que há muitos para quem há valores mais importantes, é perturbador. Como se nota no Brasil, nos Estados Unidos e em muitos países europeus, para muitos a atração por soluções autoritárias é mais forte do que a fidelidade à democracia. Não podemos considerar a democracia como um dado adquirido. Se os cidadãos se sentem inseguros e acreditam que a democracia serve sobretudo a minoria que está no poder e não a maioria da população, acabam por recusar o regime democrático. É trágico mas é a verdade. A qualidade da democracia é o ponto fundamental. A democracia por si é insuficiente. Compete aos partidos tradicionais cultivarem a qualidade da democracia. Bolsonaro não é o responsável pela crise da democracia brasileira, Os culpados são o PT, o PMDB e o PSDB. Será agora essencial controlar os instintos autoritários de Bolsonaro e de muitos que o rodeiam. Resta saber quem o fará.

Por fim, há uma lição importante para o PSD. Tal como em Portugal, durante anos ouvi no Brasil muita gente afirmar que não havia direita partidária no país. Tal como Portugal, o Brasil seria um país profundamente virado para a esquerda. O PSDB seria no máximo um partido de centro, mas para muitos uma força de centro esquerda, como dizia o seu maior símbolo, Fernando Henrique Cardoso. Ora, o PSDB foi o maior derrotado da subida de Bolsonaro ao poder. Os brasileiros rejeitaram o PT, mas de certo modo o partido de Lula teve um grande resultado, depois de tudo o que aconteceu com a investigação Lava Jato. Lula acabou politicamente, mas o PT continuará a ser a principal força da esquerda brasileira.

Se não fosse a vitória de Dória nas eleições do estado de São Paulo, o PSDB poderia ter chegado ao fim. No Congresso, deixou de ser um dos três grandes partidos e passou à condição de força política de média dimensão. O seu candidato presidencial, Geraldo Alckmin, não chegou aos 10% na primeira volta das eleições presidenciais. O eleitorado do PSDB emigrou para Bolsonaro. O que mostra que as elites do PSDB estiveram sempre mais à esquerda do que os seu eleitores. O mesmo se passará com o PSD. Convém que os dirigentes sociais democratas entendam devidamente esta lição brasileira. Quando o eleitorado de direita se sente abandonado e sem liderança política, fica exposto a líderes populistas e demagogos. A direita liberal e conservadora é a mais ameaçada pela direita populista e radical. Como se viu no Brasil, a solução não é o centrismo, mas sim a afirmação de uma direita liberal e conservadora sem vergonha e sem medo. Dito de um modo simples, o ‘PSD centrista de Rui Rio’ é vulnerável ao populismo de direita. O ‘PSD de direita de Passos Coelho’ é o maior travão ao aparecimento de Bolsonaros portugueses. A incapacidade, ou falta de vontade, da esquerda para perceber esta evidência não admira. A obsessão com o fascismo fez das nossas esquerdas uma coleção de tontos. Mas se o PSD e o CDS não entenderem isto, nada percebem.

PS: O Presidente da República e o PM reagiram com sentido de Estado à vitória de Bolsonaro. O Brasil continuará a ser um país importante para Portugal e para os portugueses. E Marcelo Rebelo de Sousa estará seguramente no dia 1 de Janeiro na tomada de posse de Bolsonaro.

(BBG) Brazil Far-Right Candidate Takes Strong Lead in Vote Tally

(BBG) Brazil’s far-right candidate Jair Bolsonaro won Sunday’s presidential runoff, according to a near complete count of the vote published by electoral authorities.

Bolsonaro got 55.5 percent of the votes followed by Workers’ Party candidate Fernando Haddad with 44.5 percent, with 96.3 percent of votes counted, according to electoral authorities. The former army captain will take office Jan. 1.

Brazilians cast their ballots Sunday in a bitterly divisive election after a prolonged period of upheaval that included the impeachment of a former president, a devastating recession and revelations of massive corruption among the country’s business and political elite. Bolsonaro and his government will inherit an ailing economy grappling with mounting debt, slow growth and high unemployment.

Large crowds gathered outside the seven-term congressman’s house in an upscale suburb of Rio de Janeiro to celebrate his victory with fireworks, bursts of the national anthem and chants of “legend.”

“Today is the start of a new democracy,” said Leila Figueiredo, a supporter partying with her husband outside the president-elect’s residence.

In Sao Paulo, Haddad’s voters stood mostly in silence, biting their lips as the television broadcast the election results. Police stepped in to separate rival groups of supporters shortly after Bolsonaro was declared the winner.

The ex-paratrooper had fallen just a few percentage points short of outright victory in the first round on Oct. 7. He built a popular following on the back of promises to crackdown on crime and corruption and won the support of investors by enlisting the support of University of Chicago-trained economist Paulo Guedes, who backs small government and free enterprise.

Haddad, a former one-term mayor of Sao Paulo, promised increases in state benefits and expanded social programs. Still, he failed to win over voters outraged by the Workers’ Party’s record on graft.

(OBS) A máquina de fazer fascistas já não funciona – Rui Ramos

(OBS) A lição da eleição brasileira é que a direita liberal só será alternativa se recusar compromissos com essas misturas de socratismo e Bloco de Esquerda como a que o PT corporiza no Brasil.

Mais uma vez, a maioria de um país não obedeceu às instruções de voto. As esquerdas radicais e as elites que as esquerdas radicais têm reféns não percebem. Dominam os estúdios de televisão, as salas de aula, as fundações que dão subsídios: aí, ninguém se desviou da lição ensinada: Bolsonaro era fascista, toda a gente que não votasse em Haddad era fascista (ou, pelo menos, “branqueador do fascismo”). Acontece que fora desse mundo de conformismo e estacionamento intelectual, a máquina de fazer fascistas deixou de funcionar.

O que se passou é óbvio: no Brasil, a maioria dos eleitores, por mais repugnante que fosse a alternativa, não esteve disposta a entregar o poder ao PT. Por isso, não se deixaram enganar pela velha rábula do “fascismo”. A desonestidade, aliás, era demasiado evidente: se Bolsonaro era tão perigoso, porque é que o PT não desistiu a favor de outro candidato, em melhores condições para unir os brasileiros contra o “fascista”, logo que as sondagens, ainda antes da primeira volta, confirmaram que o acólito de Lula nunca conseguiria isso? Porque o PT, como é claro, não levou a sério a demonização de Bolsonaro: era apenas um truque para obrigar os brasileiros a caucionarem o seu sectarismo e a sua corrupção. Não resultou.

Há muitas citações tolas e abjectas no currículo de Jair Bolsonaro. Mas se o Brasil tiver de ser uma ditadura militar, é improvável que o ditador seja ele. O verdadeiro perigo da sua presidência é outro: a incapacidade de proporcionar o governo estável e reformista de que o Brasil precisa, e agravar, com isso, a crise do país. É por isso uma tragédia que a direita conservadora e liberal não tenha conseguido protagonizar o movimento de repúdio do PT. Mas porque não conseguiu? Porque essa direita, no Brasil, se descredibilizou, ao colaborar durante anos com o PT e a sua corrupção. A opção de votar Haddad, como percebeu Fernando Henrique Cardoso, teria completado esse descrédito. Mas lá e cá, onde a Lisboa política tentou imitar as eleições brasileiras como a província imita o carnaval, vimos demasiada direita a procurar pateticamente um atestado de “moderação” abraçando o PT. A “moderação”, porém, não é escolher um dos extremos: é recusar essa escolha.

Bolsonaro é um grande risco. Mas uma vitória do PT, conseguida por meio da histeria e da mentira com que Haddad, sem quaisquer escrúpulos, clamou que o general Mourão fora, aos 16 anos, um torturador da polícia, teria sido a ruína garantida da democracia no Brasil. É que uma democracia não pode ser o império da corrupção e da falsidade. Leis e instituições, só por si, não dispensam qualidades naqueles que exercem o poder.

Aliás, se votar no PT fosse o meio mais eficaz de impedir a ascensão de gente como Bolsonaro, então não deveria haver Bolsonaros depois de quase duas décadas de mando petista. Esquerdas corruptas e radicais, como se viu agora no Brasil, não servem para prevenir estas insurreições eleitorais. E as direitas conservadoras e liberais, servem? A lição da eleição brasileira é simples: se quiserem ser uma alternativa, essas direitas têm, antes de mais, de evitar o erro da direita brasileira, e recusar compromissos com misturas de socratismo e Bloco de Esquerda como a que o PT corporiza no Brasil. As democracias ocidentais precisam de direitas livres e lúcidas, sem medo das esquerdas e das suas velhas máquinas de fazer fascistas. Só assim talvez não acabem por cair, à medida que os eleitorados se fartam da corrupção e do “politicamente correcto”, nas mãos dos Trump, Salvini e Bolsonaro. Recusar os Haddad é a única maneira de evitar os Bolsonaro. Infelizmente, a maior parte da direita, no Brasil como cá, não percebeu uma coisa tão elementar.

(Algemeiner) ‘Large Share’ of Brazil’s Jews Will Vote for Right-Wing Presidential Candidate Bolsonaro Despite ‘Reservations,’ Says Political Analyst

(Algemeiner)

Brazilian presidential candidate Jair Bolsonaro. Photo: Reuters / Diego Vara.

Opinion in Brazil’s Jewish community remains divided over Jair Bolsonaro, the right-wing politician widely expected to win the second round of the Latin American country’s presidential election on Oct. 28, a leading political analyst told The Algemeiner on Monday.

“The Brazilian Jewish community is split on Bolsonaro,” said Dr. Guilherme Casarões — a professor of international relations at the EAESP University in São Paulo and a contributor at the Instituto Brasil Israel — during a discussion of an election that has been dominated by accusations against the 63-year-old former army officer of racism, homophobia, and an unhealthy nostalgia for the military dictatorship that ruled Brazil from 1964 until 1985.

“My guess is that there is a large share of Brazilian Jews who will vote for Bolsonaro with reservations, moved by their disgust for the PT (the left-wing Workers’ Party that governed Brazil between 2003-16),” he said.

Casarões added that “there are smaller fractions of the community who will vote for Bolsonaro out of conviction, or who will vote for (rival PT candidate Fernando) Haddad either because of ideological affinity or because they see Bolsonaro as a threat to democracy.”

A Russian delegation of Foreign and Defense Ministry officials traveled to Saudi Arabia and met Crown Prince Mohammed bin Salman…

Bolsonaro has appealed for the support of Brazil’s  Jewish community, the second-largest in Latin America, with an uncomplicated embrace of the State of Israel. “My heart is green, yellow, blue and white,” Bolsonaro famously told a meeting at a Jewish center in Rio de Janeiro in 2017, in a reference to the colors of the Brazilian and Israeli flags.

After he was stabbed at a street rally in southeastern Brazil in September, Bolsonaro demonstratively chose to make his recovery at the Albert Einstein Hospital, a Jewish institution, in São Paulo. But when some of Bolsonaro’s supporters enthusiastically proclaimed that their candidate would be “protected” at the hospital by the Mossad, Israel’s secret service, Brazilian Jewish leaders felt compelled to dismiss this assertion — along with the allegation that Bolsonaro would have risked assassination had he been treated at an Arab community-owned hospital — as a “frivolous” attempt to “import international conflicts into Brazilian society.”

Yet it is Bolsonaro himself who sets the example when it comes to bombastic communications. A former congressman who served with nine different right-wing parties over 27 years, Bolsonaro has earned international notoriety for a string of abusive statements targeting women and minorities. In 2014, for example, he told a rival congresswoman that she “wasn’t worth raping,” while in 2016, he referred to a group of black activists as “animals” who should “go back to the zoo.” Interviewed in 2011 by Playboy magazine, he flatly rejected the notion that he could ever love a son who was gay with the quip, “I would prefer my son to die in an accident than show up with a mustachioed​ man.”

“Although I personally don’t like to call him a fascist, he is certainly stirring fascist sentiments among his voters,” Dr. Casarões observed. “And this is unfortunate, because many Bolsonaro‘s supporters who do not support violence ended up turning a blind eye to his controversial statements against minorities and in favor of torture and dictatorship, out of sheer hatred of the PT.”

The PT’s dismal record during 13 years of government certainly helped to lay the groundwork for Bolsonaro’s radical presidential bid. The party’s last president, Dilma Rousseff, was impeached in August 2016 because of a corruption scandal, while her charismatic predecessor Luiz Inácio Lula da Silva, or Lula, is currently serving a 12-year prison sentence on charges of corruption and money laundering. During the PT’s latter years in power, a growing economic crisis resulted in a recession this year, while inflation reached a 12-year high.

Casarões said that while Brazil’s predominantly middle-class Jewish community had been appreciative of Lula’s more conservative economic policies, “as the economy plummeted under President Rousseff, leading to massive deindustrialization, the community also suffered, especially among businesspeople and liberal professionals.”

On Israel, too, Casarões highlighted a distinction between the Lula and Rousseff presidencies.

“Lula’s relationship with Israel was good: bilateral trade skyrocketed and Brazil worked for a free trade agreement between the Mercosur trade bloc and Israel,” he argued. “Also, despite intense relations with Arab countries, Lula tried to maintain an even-handed approach to the Israeli-Palestinian conflict, having paid official visits to both countries in 2010.”

By contrast, Casarões said, “relations under Rousseff were marked by growing tension.” During the summer 2014 war between Hamas and Israel in Gaza, Rousseff denounced Israel for committing a “massacre” and withdrew the Brazilian ambassador from Tel Aviv. Two years later, relations worsened when the Brazilian government refused to accept the credentials of Israel’s nominated ambassador, Dani Dayan, because of his previous role as chair of the Yesha Council, a group representing Israeli communities in the West Bank.

Meanwhile, “Bolsonaro’s pro-Israel views have been nurtured in the past few years,” Casarões continued, identifying four key factors behind the candidate’s backing for the Jewish state.

“First, Bolsonaro sees Israel as a role model in military technology and public safety policies, which speaks to his background as an army captain,” Casarões said. “Second, Bolsonaro stresses Israel’s democratic character to oppose the PT’s alignments with authoritarian Arab governments across the Middle East and Africa.”

Thirdly, Casarões said, in electoral terms, support for Israel was an important means of winning the backing of Brazil’s community of Evangelical Christians, who now make up nearly 30 percent of a population that was almost exclusively Catholic just 50 years ago. Finally, Casarões suggested that Bolsonaro’s views on Israel might help him become friends with the Trump administration.

“He has been promising to shut down the Palestinian Embassy in Brasília, while transferring Brazil’s Israel Embassy to Jerusalem,” Casarões said. “He will probably try to change Brazil’s long-standing stance on the two-state solution for the Israeli-Palestinian conflict.”

(BBG) Brazil Stocks, Currency Surge as Bolsonaro Takes Commanding Lead

(BBG) Brazilian assets jumped after investor favorite Jair Bolsonaro took a commanding lead in the first round of the presidential election, garnering support that surpassed all polls.

The Ibovespa equity gauge surged 4.1 percent — the most in two years — in Sao Paulo, while the real strengthened to a two-month high. Petroleo Brasileiro SA shares gained more than 8 percent, and bonds joined the rally along with exchange-traded funds. The stark outperformance was evident on a day most emerging-market assets fell.

Traders are cheering on Bolsonaro to avoid a return to the left-wing Workers’ Party and the economic policies of the past few years, which led to the worst recession in at least a century, blew out the budget deficit and cost the country its investment-grade credit rating. While the former army captain has professed a disinterest in economics, investors are betting that advisers would steer his administration toward privatizations and other market-friendly policies.

“It’s a done deal that he’s going to be the next president of Brazil unless something very unforeseen happens,” said Bernd Berg, a strategist at Woodman Asset Management AG in Zug, Switzerland, who sees the main stock gauge rising above 100,000 and the real stronger than 3.6 per U.S. dollar in the next few weeks. “The larger-than-expected gain of conservative mandates in Congress is highly positive for Brazilian assets in the short-run as it will improve the outlook for much needed reforms in a potential center-right government.”

Brazil assets had rallied last week as polls showed Bolsonaro gaining momentum over the Workers’ Party candidate, former Sao Paulo Mayor Fernando Haddad. Those two candidates — the top vote getters in the first round — will meet in a decisive runoff election Oct. 28. Bolsonaro wound up with 46.2 percent support, short of the majority needed to win outright, compared with 29.1 percent for Haddad, electoral officials said.

In Congress, Bolsonaro’s PSL party, once tiny, will become the second-largest in the lower house, potentially giving his administration more backing than expected. Two of his sons also won election. The support among lawmakers should make painful reforms easier.

While Bolsonaro has been fairly quiet about his ideas for reviving South America’s largest economy, he has enlisted an adviser, Paulo Guedes, who is in favor of privatizations and overhauling the pension and tax systems. Though Guedes is a market darling, there have been questions about how solid his partnership with his candidate is, given that many of his proposals go against what Bolsonaro has voted for in his 30 years in Congress.

The congressman, who spent weeks in the hospital after being stabbed at a rally on Sept. 6, has also created controversy and isolated some Brazilians with rhetoric that has denigrated women, homosexuals and black people. His comments were used as evidence by some supporters that he was willing to tell it like it is, as opposed to other candidates more concerned with being politically correct. Bolsonaro also pledged a crackdown on corruption and violence in the murder-plagued country.

But investors expressed little skepticism Monday morning, sending the real up 2.2 percent to 3.7555 per dollar as of 10:41 a.m. in New York. Itau Unibanco Holding SA, Petrobras and Branco Bradesco SA were among the biggest contributors to the Ibovespa’s surge. The iShares MSCI Brazil ETF traded in New York climbed 6.5 percent. The yield on Brazil’s 1 billion euros of notes due in 2021 fell 23 basis points to 1.5 percent. U.S. bond markets are closed for the Columbus Day holiday.

State-run companies are expected to be among the biggest beneficiaries of a Bolsonaro presidency because of his adviser’s goals to privatize “everything.” Along with Petrobras, the companies include electric utility Centrais Eletricas Brasileiras SA and lender Banco do Brasil. If Bolsonaro is elected, Petrobras shares could double, according to Eduardo Cysneiros de Morais, a fund manager at Claritas Investimentos, a Principal Financial Group unit, in Sao Paulo.

“Bolsonaro’s momentum is really strong and it seems that he will have it relatively easy to win the second round,” said Tania Escobedo, a strategist at RBC Capital Markets in New York and the most accurate forecaster for the Brazilian real in the first and second quarters of this year, according to Bloomberg rankings. “That being said, the market was pretty optimistic on his prospects already and market participants positioned for this scenario.”

(P-S) How to Fix Brazil’s Economy – Otaviano Canuto

(P-S) Brazil’s future hinges on the implementation of smart, gradual, and coherent economic reforms that facilitate productivity growth and put the country on the path toward fiscal sustainability. Whoever wins the upcoming election has a responsibility to address that imperative.

SÃO PAULO – Brazil is approaching its most consequential election since the end of military rule more than three decades ago. But while the country’s politics are plagued by dysfunction, the election’s outcome will hinge on the next government’s economic reform agenda.

One of Brazil’s most serious economic challenges is anemic productivity growth, which has been undermining the country’s growth potential. With output per employee increasing by just 0.7% per year, on average, since the mid-1990s, more than half of per capita income growth over the last two decades has resulted from an increase in the share of the economically active population. But that engine of income growth will soon stall, owing to rapid population aging.

Weak productivity growth partly reflects a lack of trade openness, which limits Brazilian firms’ access to foreign inputs and technologies, as well as barriers to effective domestic competition. Moreover, weak logistics infrastructure, differentiated state tax regimes, and subsidies to specific firms enable less efficient companies to survive and retain resources, lowering average productivity.

To address this, policymakers must support the private sector by strengthening the adoption and diffusion of advanced technologies, rather than by offering compensation for high internal costs. Moreover, the business environment should be made more favorable for entrepreneurs, including through reform of the complex and imbalanced tax system.

Increased infrastructure investment is also needed, as is reform of financial intermediation, so that financing terms are better aligned with investment projects. And the quality of education and the formation of human capital could benefit from less rigid allocation of public resources and more experience-sharing among states and municipalities, some of which have made progress using measures that could be applied elsewhere.

Brazil also needs significant fiscal adjustment. Even as productivity and economic-growth potential have increased at a snail’s pace, real (inflation-adjusted) public spending has risen sharply. Public expenditure increasedfrom less than 30% of GDP in the 1980s to about 40% in 2017, including 68% growth from 2006 to 2017. And yet public investment (including in infrastructure) has declined, amounting to less than 0.7% of GDP last year.

With tax revenues affected by the decline in GDP in 2015-2016 and the subsequent fragile macroeconomic recovery, the primary budget balance, relative to GDP, deteriorated by more than four percentage points. This caused public debt to rise from 54% of GDP in 2012 to 74% in 2017.

To address skyrocketing debt, in 2016, Brazil approved a constitutional amendment imposing a ceiling on public spending for the next 20 years. If the authorities manage to adhere to this rule – or combine spending cuts with tax revenues to obtain an improvement of 0.6% of GDP per year in the public-sector primary balance – the trajectory of public debt could become sustainable again within a decade. The key to success, of course, will be smart spending cuts.

The World Bank, where I am an executive director, has already identified areas where such cuts can be made: social security, public-sector payrolls, and subsidies and tax exemptions. By easing the strain on the public budget, spending cuts in these areas could even create space for other, more productive types of public expenditure.

Crucially, such cuts would have only minimal consequences for poorer Brazilians. In fact, when it comes to tax reform, there are steps that could not only contribute to improving the business environment, but also help to reduce the social inequities embedded in the current system.

In the quest to improve productivity and achieve fiscal rebalancing, Brazil’s leaders must also reform public-sector governance. As it stands, the provision of public services in a wide range of areas – including health, education, violence, infrastructure, transportation and logistics, and the management of water resources – is highly inefficient.

The reasons are wide-ranging. Brazil suffers from an excess of rules, which contribute to budget rigidity; fragmentation of service delivery; poor planning, monitoring, and evaluation of projects and policies; a lack of positive performance incentives for public-sector workers; the judicialization of policymaking; and an increasingly risk-averse bureaucracy.

Brazil thus needs to improve policy consistency, from planning through execution of programs and projects, and focus more on monitoring and evaluating results. Better coordination between the public and private sectors would also improve the capacity of public expenditure to contribute more to improving socioeconomic outcomes.

Brazil’s future hinges on the implementation of smart, gradual, and coherent economic reforms that facilitate productivity growth and put the country on the path toward fiscal sustainability. Whoever wins the upcoming election has a responsibility to address that imperative.

(ECO) Bolsonaro ganha com 46% e vai à segunda volta com Haddad

(ECO) O candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, do PT, vão disputar a segunda volta que vai determinar quem vai suceder a Michel Temer na presidência do Brasil.

Com 99,95% dos votos apurados, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, contabilizava 46,04% dos votos na corrida presidencial, Fernando Haddad 29,26% e Ciro Gomes aparecia em terceiro, com 12,47%. No dia 28 de outubro, o candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro e Fernando Haddad do PT vão disputar a segunda volta, no próximo dia 28, que vai determinar quem vai suceder a Michel Temer na presidência do Brasil. Esta será a sexta vez que dois candidatos à Presidência avançam para segunda volta desde 1985.

Os resultados não fogem muito da primeira projeção feita pela empresa Ibope que, de acordo com a Folha de São Paulo, dava uma segunda volta entre Bolsonaro, com 45%, e Haddad, com 28%. Ciro ficava nessa projeção com 14%, Alckmin com 4%, Amoêdo com 3% e Marina com 2%.

Nas eleições para o Senado, os números da Datafolha dizem que Dilma Rousseff, antiga presidente do Brasil, perdeu a eleição no Estado de Minas Gerais.

Um total de 147,3 milhões de brasileiros foram chamados este domingo a votar nas eleições em que estão em disputa o cargo de Presidente e também representantes no parlamento (Câmara dos Deputados e Senado) e nos governos regionais.

Bolsonaro ganha em Lisboa, Porto e Faro

Segundo a agência Lusa, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, venceu nos consulados do Brasil no Porto e em Faro. “Quase 60% dos votos, mais concretamente 59,80%, em Faro foram para o candidato Jair Bolsonaro”, disse à Lusa o representante diplomático responsável pelo ato eleitoral no consulado de Faro, salientando que a afluência às urnas foi “fraca”, com apenas 22% dos eleitores inscritos.

No Porto, Jair Bolsonaro também venceu com larga maioria, disse à Lusa a vice-consul Lígia Verde, que adiantou que em segundo lugar ficou Ciro Gomes (o candidato que encabeça o Partido Democrático Trabalhista), ficando em terceiro o candidato do PT, Fernando Haddad.

A TSF tem dados para Lisboa que mostram que “o candidato do PSL ganhou com 56% dos votos”.

(Economist) Brazil is shaping up for a unique kind of financial crisis

(Economist) Chronic governance failings mean it is in a battle with itself

RUDI DORNBUSCH, a renowned economist who died in 2002, said there were two sorts of currency crisis. The pre-1990s kind is slow. It starts with an overvalued exchange rate, which gives rise to a trade deficit. Foreign-exchange reserves are gradually run down to pay for it. When they are gone, the game is up. The currency drops. The finance minister loses his job. But life goes on much as before. The world does not collapse.

The second sort of crisis is the first sort on steroids. A country that might once have blown some World Bank loans on bad policies is able to tap global capital markets for billions of dollars to misuse. Domestic banks join the party. The economy booms. When the flow of capital suddenly reverses, the currency collapses. Bankruptcy is widespread. The damage is big enough to affect others.

Brazil would seem to demand a third category. Elections this month will decide its next president and the character of its congress. They will thus shape the response to a slow-motion financial crisis. The drama is likely to be played out in the currency market. The impact might be far-reaching. But Brazil displays no symptoms of an old-fashioned balance-of-payments crisis. Nor is it at the mercy of global capital. Brazil’s crisis is, in essence, a battle with itself.

Compare Brazil with Argentina and Turkey, both in the eye of market storms this year. They fit the template for a currency crisis. Both had run large deficits on the current account, a broad measure of the trade balance. These were financed by foreign borrowing, much of it in dollars. Both suffer high inflation. Both had skimpy foreign-exchange reserves. Brazil is different. Its current account is broadly in balance. Inflation is close to a record low. Its plentiful currency reserves dwarf its dollar debts.

Brazil’s problem is that its government finances are on a dangerous path. Public debt has risen from 60% to 84% of GDP in just four years. That owes a lot to a collapse in revenues after 2013. A brutal recession did not help. But the budget had been flattered by windfall receipts from a mining boom and credit-fuelled consumer spending. Those will not be repeated.

The third way
That means spending cuts are needed to fix the public finances. The government wage bill has grown rapidly. But over-generous pensions are a far bigger problem. They already account for 55% of non-interest public spending. The cost will go on rising as Brazil ages. Things might be worse were it not for a constitutional amendment in 2016, which caps the rise in public spending. An attempt to reform pensions was aborted when the president, Michel Temer, was implicated in the corruption scandals that have seen one of his predecessors impeached and another jailed.

In a different Brazil, politics would seek to reconcile the claims of bondholders (who are almost all Brazilian savers; see chart), pensioners, well-paid government workers and the rest of the country. The last group has suffered a squeeze on public services and living standards to make the sums add up. Instead, the corruption crisis has engulfed the governing class. The two front-runners for president are polarising figures who might struggle to navigate pension reform through congress. The crunch point might be next August, if not before, says Arthur Carvalho of Morgan Stanley. A budget for 2020 must be submitted then. If pension reform is not in place, a big squeeze will be needed elsewhere to stay below the spending cap, he says. Or the cap itself will have to be lifted.

Bondholders would take fright. Though foreigners hold little of Brazil’s debt, there would still be capital flight, a falling currency and rising bond yields. As Brazilian savers anticipate the inflation and economic chaos that will result from soaring public debt, they will seek to escape it. Savers elsewhere in Latin America have long held dollar accounts offshore as a shield from inflation at home. This would be novel for Brazilians, says Mr Carvalho. But because short-term interest rates have been slashed to reflect low inflation, the opportunity cost of pulling money from Brazil has rarely been lower.

Nothing is ever entirely new. The symptoms of Brazil’s past crises were high inflation and external deficits. But below the surface, the underlying problem was lax fiscal policy, says Armínio Fraga of Gávea Investimentos, a hedge fund, and a former governor of Brazil’s central bank. In the slow-burning sort of crisis, said Dornbusch, a mid-course correction can prevent the worst. Brazil might yet manage that. If it cannot, events are likely to speed up dramatically.

(OBS) #VocêsTambémNão – Rui Ramos

(OBS) Jair Bolsonaro no Brasil, tal como Donald Trump nos EUA, são em grande medida o produto das esquerdas que agora gritam #EleNão. A essas esquerdas, é difícil deixar de dizer: #VocêsTambémNão.

Desculpem não me comover com toda a gente que até por cá, nos últimos dias, achou que lhe convinha pôr no CV repúdios mais ou menos histriónicos da candidatura presidencial de Jair Bolsonaro, aderindo à moda do “#EleNão” das esquerdas radicais brasileiras. Ao contrário deles, não sei se Bolsonaro é ou não o Anti-Cristo. Tem certamente, tal como Donald Trump, um jeito agressivo e grosseiro. Mas é legítimo suspeitar que, mesmo que fosse o político mais cordato e respeitador do mundo, estaria neste momento a ser tratado exactamente da mesma maneira, como a encarnação do mal absoluto. É que para isso, na política ocidental, basta não ser de esquerda. Nos EUA, nas últimas décadas, os presidentes republicanos Ronald Reagan e George W. Bush, ou os candidatos John McCain e Mitt Romney não precisaram de dizer o que Trump diz, nem fazer o que Trump faz para serem acusados de pretender acabar com a democracia americana, restabelecer a escravatura, rebaixar as mulheres e provocar uma guerra nuclear.

É verdade: McCain, depois de desentender com Trump, morreu em odor de santidade e até Bush passa hoje por cavalheiro, porque o que importa é atacar quem está, não quem esteve. Isso poderia sugerir que a demonização ritual dos seus adversários é, à esquerda, simples marketing: fingir sempre que quem não vota em nós contribui para o fim do mundo. Para alguns, talvez seja apenas isso. Mas para os radicais, não. Porque os radicais adorariam mesmo ter pela frente fascistas, racistas e misóginos. Seria, segundo imaginam, a maneira de provocar as rupturas que, com um pouco de sorte, esperam transformar em revoluções. Como justificar, de outro modo, os seus próprios extremismos? Ora, estes radicais há uma década que desalojaram os “centristas” na orientação das esquerdas, inebriados pela ideia de  reviver os anos 60.

Por vezes, para explicar os “excessos” do chavismo venezuelano ou do castrismo cubano, invocam-se a desigualdade e o exclusivismo dos regimes anteriores. Porque não, da mesma maneira, argumentar que Bolsonaro no Brasil, tal como Trump nos EUA, são em grande medida o produto das esquerdas que agora gritam #EleNão? Trump e Bolsonaro não são imagináveis sem a desonestidade com que as esquerdas classificam todos os adversários como fascistas, racistas e misóginos, e que acaba por dispor demasiada gente a seguir quem não se deixa intimidar, e só por isso. Ou sem os tabus que as esquerdas usam para impedir qualquer discussão racional sobre inquietações legítimas como a segurança, abrindo assim o caminho a demagogos que, ao contrário dos políticos convencionais, nada têm a perder e portanto não receiam a demonização que espera quem menciona esses temas. Eis como um excêntrico como Bolsonaro, sem o apoio de qualquer dos grandes partidos, pôde deixar para trás a direita tradicional do PSDB, condenada a figurar como parte do velho sistema, e surgir como a alternativa à corrupção e ao desgoverno do PT.

Para as esquerdas radicais, é uma excelente notícia, porque já sonham com os confrontos que hão-de iniciar o povo na revolução. Para quem defende a democracia liberal num mundo livre, é péssimo ver o espaço do movimento conservador liberal ocupado por quem, mesmo tendo adoptado alguns dos seus temas, como o “liberalismo económico”, perfilha facilmente princípios que lhe são contrários, como é o caso do isolacionismo protecionista de Trump (ainda que concebido apenas como táctica negocial de choque). Mas no desapego aos tratados internacionais, Trump e o radical Bernie Sanders, não sendo iguais, são muito parecidos. Por menos que apreciemos Bolsonaro ou Trump, é difícil deixar de dizer a estes seus inimigos: #VocêsTambémNão.

(OBS) A saga do traficante de escravos portuense que deu a D. João VI o palácio que agora ardeu no Rio de Janeiro

(OBS) Um dos delatores da Lava-Jato disse aos investigadores que a corrupção no Brasil começou quando o traficante portuense Elias Lopes doou a D João VI o palácio que agora ardeu. Esta é a sua história.

Há um pecado original no edifício do Museu Nacional que no passado domingo foi devorado pelas chamas no Rio de Janeiro. O palácio passou a ser a residência da família real portuguesa pouco depois da sua chegada ao Brasil, em 1808. A forma como a quinta da Boa Vista foi oferecida ao príncipe regente, D. João VI, por um traficante de escravos nascido no Porto, e as benesses que o monarca lhe deu em troca levaram a que o caso fosse invocado, dois séculos mais tarde, por um dos implicados na operação Lava Jato, como sendo o início da corrupção contemporânea no Brasil.

Esse momento, recriado no 6.º episódio da série da Netflix “Mecanismo”, foi relatado à Folha de São Paulo por Carlos Fernando, procurador do caso Lava Jato: “Na primeira vez que nós conversámos com o Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobras] para negociar a delação premiada, ele falou: ‘Isso [corrupção] começou em 1808 com a chegada de D. João VI ao Brasil’. A Quinta da Boa Vista era de um mercador de escravos, que a ofereceu a D. João para morar. A partir daí o privado e o público misturaram-se para sempre no Brasil. Essas foram as primeiras frases do Paulo Roberto Costa”.

O edifício do Museu Nacional em chamas. Antes residiu aqui a família real portuguesa, graças à oferta de Elias António Lopes

“O mais soberbo palácio que há nas Américas, com mais de 300 janelas”

Não se sabe quem, há 210 anos, escreveu esta carta a partir do Brasil. É o relato mais detalhado da forma como Elias António Lopes ofereceu uma quinta a D. João VI em 1808, quando a família real portuguesa desembarcou no Brasil para fugir das invasões napoleónicas. O autor, que permanece anónimo, descreveu assim o acontecimento dirigindo-se a um irmão que tinha em Portugal:

“A primeira coisa notável que me lembra dizer-te é a generosa oferta que o Negociante e Cidadão desta Cidade, Elias António Lopes, fez da sua Chácara (Quinta) a S.A.R [Sua Alteza Real], e que o mesmo SENHOR se dignou aceitar. A dita Chácara é uma das melhores coisas que há para o sul. Está situada na bela planície de S. Cristóvão, distante desta Cidade coisa de meia légua à beira mar. No meio dela se eleva uma colina de espaçosa grandeza, sobre a qual está edificado o mais soberbo Palácio que há nas Américas; pois só a varanda que tem em roda, e são de arcaria, tem mais de 300 janelas todas envidraçadas. Quando S.A.R entrou ali pela primeira vez, disse a Elias António, que o acompanhava: ‘Eis aqui uma varanda Real, Eu não tinha em Portugal uma coisa assim’. ‘Hoje’, respondeu Elias, ‘hoje é que Vossa Alteza a faz Real com a sua presença.’” [grafia adaptada ao presente para facilitar a leitura]

“No dia seguinte às 9 da manhã foram levantadas as Armas Reais no próprio Palácio, e ao mesmo tempo subiu ao ar uma girândola de foguetes, que anunciou a todos esta inauguração. Desde aquele dia começou a chamar-se à dita Chácara Quinta de S. Cristovão”

De um lado, o mar; do outro, a floresta da Tijuca e o Corcovado. Não espanta por isso que tenha sido baptizada como Quinta da Boa Vista. Faltaria resolver a dificuldade do trajecto até à cidade, mas D. João VI mandou arranjar e iluminar todo o caminho com lâmpadas de azeite dos dois lados. A carta dirigida a um irmão em Portugal, publicada na obra “Relação das festas que se fizeram no Rio de Janeiro, quando o Príncipe Regente N.S, e toda a Sua Real Família chegaram pela primeira vez aquella capital” (Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro), dá detalhes sobre a festa de inauguração da quinta e a forma como a família real começou a habitar o espaço, dando prioridade aos jantares.

“Eu não tinha em Portugal uma coisa assim”, terá dito D. João VI quando viu a quinta em 1808

“No dia seguinte às 9 da manhã foram levantadas as Armas Reais no próprio Palácio, e ao mesmo tempo subiu ao ar uma girândola de foguetes, que anunciou a todos esta inauguração. Desde aquele dia começou a chamar-se a dita Chácara Quinta de S. Cristovão. S. A. R. tem ido lá jantar muitas vezes, e até já conseguiu de sua Augusta Mãe que fizesse o mesmo por três vezes, e toda a Real Família por outras muitas. Umas vezes vai por terra, e outras por mar. Tem lá criados da Casa, e tudo o mais que lhe é necessário. S.A.R mandou fazer na mesma um belo jardim, que dois regatos de cristalinas águas podem regar abundantemente.”

Por fim, o documento explica ainda o que Elias recebeu em troca do príncipe regente: cargos, honrarias e futuras fontes de rendimento. E isto foi só o início.

“A Grandeza desta Quinta poderá ser de uma légua em circuito, tudo planície, à excepção da colina em que está edificado o Palácio. S. A. R., querendo gratificar a Elias António Lopes generosa oferta, que os mesmos Fidalgos avaliam em 4000 cruzados, houve por bem nomeá-lo Comendador da Ordem de Cristo, Fidalgo da Casa Real, e Administrador da mesma Quinta.”

Agora o mesmo episódio narrado mais de dois séculos depois, na série Mecanismo, que tem feito sucesso na Netflix. Pode espreitar o trailer aqui:

Há um momento em que o procurador do escândalo de corrupção Lava-Jato pergunta ao diretor de abastecimentos da Petrobrás quando é que tudo começou. João Paulo Rangel, personagem inspirado em Paulo Roberto Costa, responde assim:

“Tudo começou em 1808 com a vinda de D. João VI para o Brasil… naquela época quem mandava eram os comerciantes, os traficantes de escravos, eles eram os donos do dinheiro… e um deles, o mais rico, chamava-se Elias António Lopes. Percebeu que a cidade não tinha muito a oferecer e cedeu a Quinta da Boa Vista para D. João VI morar com a sua família. Aí começou. Ele  (Elias Antonio Lopes) recebeu a Ordem Militar de Cristo e foi nomeado escrivão e tabelião de Paraty e Senhor de Tiradentes, Cavaleiro da Casa Real, Alcaide-Mor e também… provedor de seguros da corte e arrecadava impostos em várias localidades… e aí começa essa longa tradição que vem dar aqui…”

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Um escravo de Elias valia 118 sacos de farinha

Elias António Lopes chegou a ser o terceiro maior traficante de escravos na praça mercantil do Rio de Janeiro, segundo Manolo Florentino, historiador brasileiro, autor de Em costas negras e de várias outras investigações sobre o comércio de escravos. Elias tinha quatro embarcações: Europa, Paquete Infante, São João Americano e Deligente. Os seus navios negreiros iam a Goa e Malabar buscar tecidos, para usar como moeda de troca em Moçambique ou Angola, onde comprava os escravos que transportava até ao Brasil.

Numa expedição em 1812 para recolher 469 escravos em Moçambique, via Cabo da Boa Esperança, apenas 350 chegaram vivos ao Rio de Janeiro. Ou seja, em cada quatro escravos, um morreu.

Eram viagens feitas em condições duríssimas. Uma parte significativa dos escravos — amontoados e sem espaço para se movimentarem — não sobrevivia à travessia. Por exemplo, numa expedição em 1812 para recolher 469 escravos em Moçambique, via Cabo da Boa Esperança, apenas 350 chegaram vivos ao Rio de Janeiro. Ou seja, em cada quatro escravos, um morreu.

À chegada ao porto do Rio de Janeiro, os traficantes pagavam na Alfândega os direitos sobre os escravos, que eram depois expostos na Rua do Valongo, perante quem estava interessado em os comprar. Eram relativamente baratos, mesmo para famílias de classe média. James Tuckey, oficial da Marinha britânica, relatou que, em 1803, um negro adulto era vendido por 40 libras no Rio de Janeiro. Uma mulher era mais barata: 32 libras. Um rapaz custaria 20 libras. Já um negro que tivesse sobrevivido à varíola seria mais valioso, porque em princípio viveria mais anos.

Elias chegou a ter mais de cem escravos a trabalhar nas suas propriedades e embarcações

Eram avultados os investimentos na montagem de uma expedição de um navio negreiro, como enumerou Manolo Florentino:  aquisição ou aluguer das naus; formação do stock para assegurar a permuta e sustentar os intermediários; manutenção dos escravos durante a viagem; e seguro dos cativos e dos equipamentos usados na travessia. Mas o negócio proporcionava também margens elevadíssimas. Por exemplo, em 1814 Elias António Lopes vendeu 486 escravos que trouxe de Cabinda e facturou 45 contos de réis, um lucro assinalável para a época.

Entre 1790 e 1830, mais de 1.500 navios negreiros atracaram no Rio de Janeiro, com cerca de 700 mil escravos, muito usados nos trabalhos agrícolas em plantações longe da cidade.

Em 1808, quando a família real portuguesa chegou ao Brasil, dos 70 mil residentes no Rio de Janeiro metade eram escravos. O próprio Elias chegou a ter cem escravos a trabalhar nas suas propriedades e nas suas embarcações. Valiam ao todo 8 contos de reis. Por exemplo, os sete escravos marinheiros do Paquete Infante foram avaliados em 759$200, o equivalente a 832 sacos de farinhas ou 169 barris de carne seca, segundo o artigo Escravos, senhores e vida marítima no Atlântico: Portugal, África e América portuguesa, c.1760 – c.1825, de Jaime Rodrigues, professor de História da Universidade Federal de São Paulo. Fazendo uma conta simples, significa que cada escravo valia o mesmo que 118 sacos de farinha ou 24 barris de carne.

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Armas, religião, fortuna: a ascensão social de Elias no Rio

Elias terá começado a traficar escravos em 1795, mas chegou ao Brasil muito antes disso, em princípio em 1771, com 15 anos — é pelo menos essa a data de uma carta que dali enviou ao seu pai, segundo a dissertação sobre o negociante portuense da autoria de Nilza Licia Braga, investigadora da Universidade Federal Fluminense. Elias António Lopes nasceu na freguesia da Vitória, no Porto, em 1756, filho ilegítimo do capitão António Lopes Guimarães, que seria casado com outra mulher, e de Maria Antónia. Um documento que o jovem Elias terá levado para o Brasil foi um caderno comprido escriturado no Porto em 1739, o que indicia que terá recebido conhecimentos de escrituração mercantil através dos negócios do pai (que teria contactos no Brasil, a quem terá pedido que acolhessem e orientassem o filho nos primeiros tempos).

Em 1790 (com 34 anos) já surge referenciado como comerciante estabelecido na Rua Direita (atual Rua Primeiro de Março), a mais importante do Rio de Janeiro naquele fim do séc. XVIII. Nesse ano, recebeu do vice-rei e capitão general de mar e terra do Estado do Brasil, D. José de Castro, Conde de Resende, a patente militar de capitão de Rebelim do Moinho de Vento da Fortaleza da Ilha das Cobras. Em tempo de guerra, seria obrigado a residir nessa fortaleza, uma das 12 que protegiam a barra do Rio de Janeiro no fim do séc. XVIII.

“Melhorias progressivas do Palácio de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista); de 1808 a 1831”. Ilustração de Jean Bapstiste Debret. Arquivo Nacional do Brasil/Biblioteca Maria Beatriz Nascimento

Além da distinção honorífica, o capitão estava isento de pagar certos encargos e terá tido outras vantagens materiais, relacionadas com a proximidade entre a sua fortaleza e o porto do Rio de Janeiro, onde fazia negócios. Por exemplo, armazenava pólvora num armazém no Forte da Ilha de Santa Bárbara, para a comercializar para as fortalezas localizadas na Baía de Guanabara, principalmente na Ilha das Cobras. Tinha farda, armas (dois espadins) e jóias, que deveria usar quando estava em funções (conservava, aliás, todos esses adereços à data da sua morte).

Também atingiu outro estatuto social através da religião. Quatro anos depois de ter sido apontado como capitão de uma fortaleza, entrou para a Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo (carmelitas). No livro 6.° de Entrada de irmãos e irmãs, regista-se que “tomou o hábito e professou” em 29 de Março de 1794, tendo pago 19$200 réis. Tinha em casa um oratório e várias imagens de santos, de anjos e de Cristo. Elias, que não se casou nem teve filhos, viria a ser sub Prior desta ordem em 1813.

Uma vez que a família era do Porto, Elias foi até dispensado por D. João de passar as provas da Mesa de Consciência e Ordens, que deveria ouvir várias testemunhas para determinar se o candidato era digno de pertencer à Ordem de Cristo.

“São estratégias típicas de um indivíduo querendo se inserir numa sociedade de Antigo Regime, de forte hierarquia social e de tradição senhorial e militar”, salientou Nilza Licia Braga, autora da dissertação intitulada “Entre Negócios e vassalagem na corte joanina: a trajetória do homem de negócio, comendador da Ordem de Cristo e deputado da Real Junta de Comércio Elias António Lopes“.

Em 1799, o vice-rei Conde de Resende já incluiu o nome de Elias António Lopes numa lista dos 36 homens mais ricos do Rio de Janeiro. Sete dessas fortunas, incluindo a de Elias, estiveram ligadas ao tráfico de escravos.

Embora já tivesse papel de relevo na sociedade brasileira, o grande salto do negociante portuense deu-se depois da chegada da família real ao Rio de Janeiro. O Paço Real, no centro da cidade, oferecia poucas condições de conforto e deixava a família de D. João VI muito exposta ao povo, pelo que foi facilmente aliciada com o palácio da Boa Vista. Em contrapartida, como forma de gratidão, D. João encheu Elias António Lopes de honrarias, cargos e fortuna. Começou logo por o fazer comendador da Ordem de Cristo, referindo expressamente a oferta da quinta como razão para a condecoração, mas frisando que essa “repartição” dos lucros de Elias com o Estado era feita com “notório desinteresse”:

“Atendendo ao notório desinteresse, e demonstração de fiel vassalagem, que vem de tributar à Minha Real Pessoa Elias António Lopes, Negociante da Praça desta Capital, no oferecimento que Me fez de um prédio situado em São Cristovão de distinto e reconhecido valor em beneficio da Minha Real Coroa, E desejando fazer-lhe honra e Mercê como ele merece por esta acção voluntária de repartir com o Estado os lucros adquiridos pelo seu comércio: Hei por bem fazer-lhe Mercê de uma Comenda da Ordem de Cristo das de África, que vagar podendo usar logo da Insígnia de Comendador, como também da Propriedade do Ofício de Tabelião Escrivão da Comarca e Almotaceira da Villa de Parati, logo que finde a arrematação, e de Administrador do referido Prédio.”

Uma vez que a família era do Porto, Elias foi até dispensado por D. João de passar as provas da Mesa de Consciência e Ordens, que deveria ouvir várias testemunhas para determinar se o candidato era digno de pertencer à Ordem de Cristo.

D. João VI, retratado ainda na Ajuda, antes da fuga da família real para o Brasil

A sequência de nomeações é impressionante nos anos que se seguem: depois da Ordem de Cristo, da administração da Quinta da Boa Vista, do cargo de tabelião em Parati, D. João VI atribuiu-lhe um dos dez lugares de deputado no tribunal da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fabricas e Navegação (“atendendo ao merecimento e préstimo”, lê-se no despacho régio). Em 1810 foi feito fidalgo cavaleiro da Casa Real e passou a Alcaide-Mor e Senhorio da Vila de São José del-Rei, uma área riquíssima com grande potencial madeireiro e agrícola na comarca do Rio de Janeiro. Foi aliás o próprio Elias que pediu a D. João esta nomeação. O príncipe regente acedeu e justificou com “o zelo e honra” com que o negociante desempenhava as suas “obrigações de um útil e bom vassalo” e “muito especialmente pelas generosas demonstrações de afecto” que lhe dedicava.

Mas talvez a função mais rentável de todas tenha surgido a partir de 1810, quando se tornou responsável pela recolha de impostos em várias localidades, em conjunto com outros negociantes, que em troca recebiam uma percentagem das receitas que entregavam à Coroa

Contrariando um parecer negativo da Junta do Comércio, o príncipe regente nomeou ainda Elias para corretor e provedor-mor da Casa de Seguros da praça da Corte — o ramo segurador era fundamental para quem tinha actividades mercantis e investia largas somas nas expedições dos navios negreiros que iam buscar escravos africanos. Foi ainda nomeado conselheiro de Sua Majestade. E moedeiro, ou membro da Casa da Moeda, zelando por isso pela qualidade do dinheiro em circulação e beneficiando de mais privilégios especiais.

Excerto do edital publicado na Gazeta de Lisboa que justifica a atribuição de mais uma mercê a Elias António Lopes

Mas talvez a função mais rentável de todas tenha surgido a partir de 1810, quando se tornou responsável pela recolha de impostos em várias localidades, em conjunto com outros negociantes, que em troca recebiam uma percentagem das receitas que entregavam à Coroa. Elias recebia por exemplo um terço dos dízimos cobrados na Ilha de Santa Catarina e arredores; metade do Contrato da Dízima da Chancelaria da corte; 2/9 do Subsídio literário e do real da carne da corte; 2/9 do Contrato do Equivalente do Tabaco e Subsídio Pequeno; um quinto do contrato de cobrança do dízimo da capitania do Rio Grande de São Pedro do Sul; mais um quinto dos dízimos de São João Marcos e freguesias anexas; e mais 1/25 avos dos dízimos de São Gonçalo.

Quando morreu e foi feito o inventário da sua fortuna, foram encontrados registos de vários empréstimos que fez à Coroa, com indicações suas bastante claras e compreensíveis face a todas as benesses que recebeu: “Não cobrar”. Os 400 mil reis que a fazenda real devia a Elias estavam já no item de contas perdidas.

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A corrupção contemporânea no Brasil começou com a doação do Palácio a D. João VI?

Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobrás que praticamente apontou Elias António Lopes como pai da corrupção no Brasil, não precisa de ser um grande conhecedor de História. Basta-lhe aliás ter sido leitor de Laurentino Gomes, autor dos best-sellers 18081822 e 1889. O jornalista brasileiro já considerou por várias vezes a corrupção no Brasil como “uma herança portuguesa”, a partir do momento em que os ricos da colónia financiaram o rei, em 1808, em troca de benefícios e de títulos de nobreza. “Durante os 13 anos em que a corte permaneceu no Brasil houve mais títulos de nobreza do que em todos os 500 ou 600 anos anteriores da História de Portugal. Houve uma troca de interesses e muita corrupção”, disse o autor ao DN em 2008.

Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobrás e delator da Lava Jato, que invocou Elias para justificar a corrupção no Brasil

Mais recentemente, em 2015, já com os escândalos de corrupção a abalarem a cúpula da classe política brasileira, Laurentino Gomes deu uma conferência no Rio de Janeiro para tentar responder às perguntas: “O Brasil é um país corrupto por natureza? Dá para mudar isso?” Voltou a 1808, para dizer que o regime de toma-lá-dá-cá se agravou com a chegada da corte ao Brasil, começando logo com o presente que Elias deu a D. João VI, “a melhor e maior casa da cidade, onde se situa hoje o Palácio da Quinta da Boa Vista, no bairro de São Cristóvão. Nos anos seguintes, esse traficante foi um dos homens que mais enriqueceu e mais ganhou títulos de nobreza no Brasil. Fez, portanto, um ótimo negócio”.

“Nos anos seguintes, esse traficante [Elias António Lopes] foi um dos homens que mais se enriqueceu e mais ganhou títulos de nobreza no Brasil. Fez, portanto, um ótimo negócio”
Laurentino Gomes

Já Nilza Licia Braga, a investigadora que estudou mais aprofundadamente Elias António Lopes, não o vê como pioneiro da corrupção. Invoca por um lado muitos exemplos de condutas ilícitas para benefício particular, ainda no tempo colonial, até mesmo de grandes autoridades portuguesas. Depois faz questão de o inserir na conjuntura histórica a que pertence. “Elias António Lopes reflete o seu próprio tempo, quando ele e muitos negociantes almejavam nobilitação por meio de mercês concedidas pela monarquia portuguesa. A mobilidade ascendente de Elias exemplifica que a permanência dos valores aristocráticos de Antigo Regime português se fazia presente no início do século XIX, quando os homens de negócio prestavam favores ao regente e em troca eram recompensados com mercês.”

Depois de ter consultado vasta documentação referente aos negócios do traficante de escravos, a investigadora ficou convencida que “Elias não se enxergava como um corruptor”, como disse ao Observador. “A prática de ser condecorado com mercês, a partir de contribuições financeiras à monarquia, era um hábito frequente entre os negociantes. Ele via essa prática de ‘favores’ à Coroa portuguesa como algo natural. Até mesmo o tráfico negreiro, que julgamos como um negócio desumano e inconcebível nos dias de hoje, era visto como um negócio lucrativo e permissivo na economia portuguesa, que era praticado em seus domínios ultramarinos na época colonial”.

“Elias não se enxergava como um corruptor. A prática de ser condecorado com mercês, a partir de contribuições financeiras à monarquia, era um hábito frequente realizado entre os negociantes”
Nilza Licia Braga

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A luta pela herança entre a coroa e os sobrinhos de Elias

Depois de ter oferecido a quinta a D. João VI, Elias António Lopes viveu apenas mais sete anos. Morreu repentinamente, a 7 de Outubro de 1815, e foi sepultado na casa de Profundis, na catacumba n.° 52 da capela da ordem carmelita de Nossa Senhora do Monte do Carmo, vestido com um dos seis hábitos da Ordem de Cristo que possuía.

Tomás Pereira de Castro Viana, um caixeiro de Elias, manteve os negócios do ex-patrão, incluindo a conclusão de uma expedição para ir buscar escravos a Cabinda, e ficou encarregue de fazer o inventário de todo o seu património. Duas semanas após a morte, em casa do falecido, Tomás jurou com a mão direita colocada nos evangelhos que não iria ocultar qualquer bem.

O inventário demorou quase dois anos, ficando apenas pronto em 22 de setembro de 1817. Quatro navios, 13 imóveis, jóias, carruagens, acções do Banco do Brasil e rendas que lhe deviam. Valor total: 236 contos. Descontadas as dívidas que Elias deixou por saldar, sobravam 66 contos — e uma luta por essa avultada herança.

Um mês e meio após a morte de Elias, D. João VI comprou aos administradores da herança duas propriedades coladas à Quinta da Boa Vista e também 95 escravos.

O inventário demorou quase dois anos, ficando apenas pronto em 22 de setembro de 1817: quatro navios, 13 imóveis, jóias, carruagens, acções do Banco do Brasil e rendas que lhe deviam. Valor total: 236 contos. Descontadas as dívidas que Elias deixou por saldar, sobraram 66 contos — e uma luta por essa avultada herança.

Uma imagem da Quinta de São Cristóvão em 1820

O facto de a morte ser inesperada justificará que Elias não tenha preparado um testamento. Como não se casou nem teve filhos, iniciou-se essa disputa entre dois sobrinhos (Joaquim António Lopes e Elias António Lopes, homónimo do tio), que reclamaram a herança, e o Desembargador Procurador da Coroa e Fazenda, que defendia que o património do traficante de escravos devia reverter para a coroa, porque os irmãos eram (tal como Elias) filhos ilegítimos. O pai de Elias, o capitão António Lopes Guimarães, era casado quando morreu em 1779, enquanto a mãe era solteira, pelo que Elias e os irmãos terão sido fruto de uma relação adúltera ou, de acordo com o jargão da época, de “danado coito”. Segundo o Procurador da Coroa e Fazenda, os irmãos e sobrinhos de Lopes não conseguiram provar legalmente que eram seus herdeiros.

O caso arrastou-se durante mais de quatro anos e só teve um desfecho em 1820, após uma intervenção do próprio D. João VI, que foi contra o procurador que defendia os interesses da coroa e deu razão aos herdeiros. Apesar de serem ilegítimos, os sobrinhos herdaram a fortuna deixada por Elias, graças à intervenção do príncipe regente a quem o negociante tinha doado a melhor quinta que havia no Rio de Janeiro.

(BBC) Jair Bolsonaro, Brazil’s presidential front-runner, stabbed at rally

(BBC)

Brazilian right-wing presidential candidate Jair Bolsonaro gestures after being stabbed in the stomach during a campaign rally in Juiz de Fora, Minas Gerais State, in southern Brazil, on September 6, 2018.Image copyrightAFP/GETTY IMAGES
Image captionPresidential candidate Jair Bolsonaro, pictured seconds after being stabbed in the stomach

The front-runner in Brazil’s presidential election, Jair Bolsonaro, has been stabbed at a campaign rally.

The far-right politician was attacked amid a crowd in the south-east state of Minas Gerais. A suspect was arrested.

Mr Bolsonaro had surgery for injuries to his intestines and is expected to recover, hospital officials said.

The controversial politician, who has outraged many in Brazil with racist and homophobic comments, has performed strongly in recent opinion polls.

The polls suggest he will get the most votes in next month’s presidential elections if former President Luis Inácio Lula da Silva remains blocked from standing.

Left-wing Lula had been the long-standing favourite but he is currently in prison, appealing against a ban on his candidacy that was imposed after his conviction for corruption.

Some of Mr Bolsonaro’s past comments have caused uproar, including equating homosexuality with paedophilia, and saying a congresswoman was too ugly to be raped.


Campaigning from hospital and prison

Katy Watson, BBC South America correspondent, Sao Paulo

This is another twist – a dramatic one – in what has already been a turbulent campaign.

Jair Bolsonaro is the front-runner and he is in a hospital bed, while the only person thought to be able to beat him is Lula – and he is in a prison cell. It is a surreal situation.

One of Jair Bolsonaro’s key campaign messages is that he will try to turn around the growth in violent crime. The fact that he is now a victim himself plays into the hands of his supporters, who see this as a very important problem for Brazil to tackle. Everyone – including his detractors – has rallied around him to condemn the attack.

As it has happened so close to the October election, he won’t be on the campaign trail for the next week or so. Nevertheless, his supporters will be strengthened, seeing that his concerns are their concerns.

This is a crucial time for Brazil, as the country heads towards the most uncertain elections in decades.


How did the attack unfold?

Footage of the incident in the city of Juiz de Fora shows Mr Bolsonaro making a thumbs-up gesture and being held aloft by supporters when he is stabbed with what appears to be a knife.

He then doubles over with pain and his supporters quickly lower him to the ground and bundle him into a car.

After the attack, his son Flavio initially tweeted that the wound was “only superficial”, but he gave a more sombre assessment two hours later.

“Unfortunately it was more serious than we had expected,” he wrote. “He lost a lot of blood, arrived at the hospital with a [blood] pressure of 10/3, almost dead. His condition now seems stabilised. Pray, please!”

Hospital officials later said Mr Bolsonaro had suffered a “deep” and life-threatening stab wound in his intestines and was in a “serious but stable” condition.

A handout photo made available by the Military Police shows Adelio Obispo de Oliveira, suspected of allegedly stabbing presidential candidate Jair Bolsonaro.Image copyrightEPA
Image captionMilitary police released a picture of the man suspected of stabbing Mr Bolsonaro

He was recuperating well in intensive care after two hours of surgery, they added, but would spend at least a week to 10 days in hospital.

He has since been filmed in his hospital bed, making a hoarse statement. He described how what he thought was “just a blow” turned into an unbearable pain. He had “never hurt anyone”, he said.

Police said a suspect has been arrested and named him as Adelio Obispo de Oliveira, 40. Officials quoted by Reuters news agency said he appeared to be mentally disturbed.

He was manhandled and beaten by angry supporters of Mr Bolsonaro before being taken into custody.

People surround a man suspected of stabbing Brazilian presidential candidate Jair Bolsonaro (not pictured) as he was campaigning in Juiz de Fora, Minas Gerais state, Brazil September 6, 2018Image copyrightREUTERS
Image captionStabbing suspect Adelio Obispo de Oliveira was grabbed by members of the crowd
Jair Bolsonaro grimaces after being stabbed in the stomach in Juiz de Fora, Minas Gerais State, on September 6, 2018.Image copyrightEPA
Image captionIt took the crowd some moments to realise Jair Bolsonaro, top right, had been stabbed

What has been the reaction?

Mr Bolsonaro’s electoral rivals have all condemned the stabbing. Fernando Haddad, who is expected to replace Lula on the Workers Party ticket, said the attack was “absurd and regrettable”.

Speaking in the capital Brasilia, President Michel Temer said such an attack was “intolerable” in a democratic state and that he hoped Mr Bolsonaro recovered soon.

“Tolerance is a part of democracy. It is a part of the rule of law,” he said.

The president’s predecessor, Dilma Rousseff, warned that the attack must not go unpunished “because it must serve as an example so that it doesn’t happen to any other candidate”.

Supporters of Brazilian presidential candidate Jair Bolsonaro hold a vigil on Avenida Paulista in Sao Paulo, Brazil, 06 September 2018.Image copyrightEPA
Image captionSupporters of Mr Bolsonaro in Sao Paulo held a vigil for him

Who is backing him?

Mr Bolsonaro’s backers see him as a strong leader who would crack down on crime.

The 63-year-old, who is representing the Social Liberal Party (PSL), is followed by millions of Brazilians on social media, and many refer to him as the “Brazilian Trump”.

He also supports loosening gun control laws, and is backed by millions of evangelical Christians for his uncompromising anti-abortion stance.

The latest polls suggest he could win the first round, but is unlikely to be victorious in the run-off.

Nonetheless, stocks rose after the attack, as it was seen as increasing his chances. His free-market economics make him popular with investors.

How did he become a presidential contender?

A former army captain, Mr Bolsonaro entered politics in the 1980s to defend the rights of military personnel.

Brazil had just returned to democracy, and in 1989 held its first free presidential election.

Few imagined at that time that he could become a serious contender in a presidential poll. But the collapse of the Workers’ Party government and the impeachment of President Rousseff two years ago revealed the extent of political divisions in the country.

File photo: Jair Bolsonaro gestures during a campaign rallyImage copyrightAFP
Image captionMr Bolsonaro has performed strongly in polls ahead of next month’s election

Mr Bolsonaro’s outspoken rhetoric and his defence of law and order appealed to many who blamed the left for corruption and the economic crisis.

In 2011, he told Playboy magazine that he would be “incapable of loving a gay son” and that he would rather see such a son of his “die in an accident”.

In 2015, he was fined for saying in a newspaper interview that Congresswoman Maria do Rosario was “not worth raping; she is very ugly”.

He is currently being investigated for alleged racism over derogatory remarks he made about Afro-Brazilians.

(NationalGeographic) Fire Devastates Brazil’s Oldest Science Museum

(NationalGeographicThe overnight inferno likely claimed fossils, cultural artifacts, and more irreplaceable collections amassed over 200 years.

Major pieces of Brazil’s scientific and cultural heritage went up in smoke on Sunday night, as a devastating fire ripped through much of Rio de Janeiro‘s Museu Nacional, or National Museum. Founded in 1818, the museum is Brazil’s oldest scientific institution and one of the largest and most renowned museums in Latin America, amassing a collection of some 20 million scientifically and culturally invaluable artifacts.

The Museu Nacional’s holdings include Luzia, an 11,500-year-old skull considered one of South America’s oldest human fossils, as well as the bones of uniquely Brazilian creatures such as the long-necked dinosaurMaxakalisaurus. Because of the auction tastes of Brazil’s 19th-century emperors, the Museu Nacional also ended up with Latin America’s oldest collection of Egyptian mummies and artifacts.

Even the building holds historical importance: It housed the exiled Portuguese royal family from 1808 to 1821, after they fled to Rio de Janeiro in 1807 to escape Napoleon. The complex also served as the palace for Brazil’s post-independence emperors until 1889, before the museum collections were transferred there in 1902.

In a Monday interview, Federal University of Espírito Santo paleontologist Taissa Rodrigues said that some of the metal cabinets containing fossils may have withstood the fire, though it’s unclear whether the fossils inside survived. Duane Fonseca, a biologist at Brazil’s Federal University of Rio Grande, reported on Twitter on Monday that technicians had saved some of the museum’s more than 40,000 mollusk specimens.

But now, many of the fossils, the Egyptian collection, the museum’s invertebrate specimens, and more artifacts housed in the main building are probably destroyed. The museum’s fish and reptile specimens, herbarium, and library were housed separately and are thought to have survived.

“When I saw the news about the tragedy, I just started crying, and all my colleagues, other archaeologists I know in Brazil, they had the same reaction—that’s a loss for all the world,” says Maria Ester Franklin Maia Silva, a Brazilian archaeologist and Ph.D. student at the University of São Paulo.

An Irreplaceable Loss

It’s not yet clear how the fire started, but it did begin after the museum was closed to the public, and no injuries have yet been reported. Firefighters worked through the night to douse the burnt-out shell of the main building, but it seems the blaze has already seared a gaping hole in many scientists’ careers.

“The importance of the collections that were lost couldn’t be overstated,” says Luiz Rocha, a Brazilian ichthyologist now at the California Academy of Sciences who has visited the Museu Nacional several times to study its collections. “They were unique as it gets: Many of them were irreplaceable, there’s no way to put a monetary value on it.”

Museums are living, breathing repositories of who we are and where we’ve come from, and the world around us.

EMILIO BRUNA, UNIVERSITY OF FLORIDA

“In terms of [my] life-long research agenda, I’m pretty much lost,” says Marcus Guidoti, a Brazilian entomologist finishing up his Ph.D. in a program co-run by Brazil’s Federal University of Rio Grande do Sul.

Guidoti studies lace bugs, an insect family with more than 2,000 species worldwide. The Museu Nacional held one of the world’s largest lace bug collections, but the fire likely destroyed it and the rest of the museum’s five million arthropod specimens. “Those type specimens can’t be replaced, and they are crucial to understand the species,” he says by text message. “If I was willing to keep working on this family in this region of the globe, this was definitely a big hit.”

Paleontologist Dimila Mothé, a postdoctoral researcher at the Federal University of the State of Rio de Janeiro, adds that the blows to science extend beyond the collections themselves. “It’s not only the cultural history, the natural history, but all the theses and research developed there,” she says. “Most of the laboratories there were lost, too, and the research of several professors. I’m not sure you can say the impact of what was lost.”

Brazil’s indigenous knowledge also has suffered. The Museu Nacional housed world-renowned collections of indigenous objects, as well as many audio recordings of indigenous languages from all over Brazil. Some of these recordings, now lost, were of languages that are no longer spoken.

“I have no words to say how horrible this is,” says Brazilian anthropologist Mariana Françozo, an expert on South American indigenous objects at Leiden University. “The indigenous collections are a tremendous loss…we can no longer study them, we can no longer understand what our ancestors did. It’s heartbreaking.”

On Monday, The Brazilian publication G1 Rio reported that ashes of burned documents—some still flecked in notes or illustrations—have rained down from the sky more than a mile away from the Museu Nacional, thrown aloft by the inferno.

Defunded and in Disrepair

This is not the first time in recent years that the world lost a natural history museum. In April 2016, India’s National Museum of Natural History in New Delhi was also destroyed in a fire. Nor is this the first time that fire has claimed an invaluable part of Brazil’s heritage.

In 2010, blazes ripped through the Instituto Butantan, a major biomedical research laboratory in São Paulo, destroying one of the world’s largest collections of venomous animal specimens. The fire vaporized more than half a million preserved snakes, spiders, and scorpions collected over a hundred years.

“This is far from being a problem unique to Brazil,” says the paleontologist Rodrigues. “Collections worldwide are at risk, and unless we take good care of them, these kinds of things will happen again and again and again.”

In a statement posted on Twitter, Brazilian president Michael Temer lamented the Museu Nacional’s loss as “incalculable to Brazil” and “a sad day for all Brazilians.” But the Brazilian government is facing mounting criticism over complaints that the tragedy was preventable.

Since 2014, the Museu Nacional hasn’t received its full annual $128,000 budget; this year, it received a paltry $13,000. In 2015, the Museu Nacional was forced to close its doors temporarily because it could no longer pay its cleaning and security staff. The museum’s curators had to crowdfund repairsto termite damage in one of the most popular exhibit halls, which contained the skeleton of a humpback whale and bones from the dinosaur Maxakalisaurus.

A full-size replica of the dinosaur Maxakalisaurus topai is seen on display at the National Museum in Rio de Janeiro, Brazil, in 2006.

PHOTOGRAPH BY VANDERLEI ALMEIDA, AFP/GETTY IMAGES

In May 2018—on the eve of its 200th anniversary—ten of the museum’s 30 exhibits were closed to the public because of disrepair. At the time, the Brazilian newspaper Folha de S.Paulo reported that the museum had peeling walls and exposed electrical wiring. The two fire hydrants near the musem were reportedly empty, forcing firefighters to use water trucks and pond water from Quinta da Boa Vista, the urban park containing the Museu Nacional.

“In my point of view, Brazil had responsibility to keep these artifacts safe, [and] Brazil failed on that,” says Franklin Maia Silva.

‘We Lose Some of Who We Are’

Already, the Brazilian government has pledged that it will start studying how to rebuild the Museu Nacional. Folha de S.Paulo also reports that culture minister Sérgio Sá Leitão has called for inspections of other Brazilian museums’ fire protection systems.

But researchers point out that simply fixing the building will do little to fill the gaping hole in Brazilian science, especially as the country continues to slash research budgets. In March 2017, Temer cut science funding by 44 percent, to $1 billion—the lowest levels since 2005—and in late 2017, he proposed further cuts of another 16 percent. Some of the country’s research institutions have struggled to pay for basic amenities such as electricity bills, reports Nature.

“Science in general in Brazil is seen as something we don’t need to invest in,” says Rocha. “I hope [Brazilian leaders] open their eyes and see that it’s worth investing in, besides rebuilding.”

“First, there’s disbelief that they will really fund the reincorporation of the museum, and [my] second reaction is anger, because they knew the museum needed funding for years,” Françozo adds. “How do you ‘rebuild’ a 200-year-old collection that has burned to ashes?”

In the meantime, local students are working on a rebuilding project of their own: “In the face of tonight’s tragedy, the students of the museology course at UNIRIO [the Federal University for the State of Rio de Janeiro] are mobilizing to preserve the memory of the National Museum,” the Museu Nacional said in an email. “We ask everyone who possesses images (photographs/videos/even selfies) of the collection and exhibition spaces to share them with us.”

The students may well get a submission from Emilio Bruna, an ecologist at the University of Florida. Bruna’s work often takes him to Brazil, where he studies habitat fragmentation. But when he recently visited the Museu Nacional with his wife—a native Brazilian—and their children, the family strolled the halls as tourists.

“You walk through this building that was there at the origins of this incredibly rich and vibrant country, you saw people proud to see the fossils of Brazilian dinosaurs—of animals unique to their country. As soon as I found out [about the fire] and blurted it out, my son was in tears. He was just devastated,” Bruna says.

“Museums are living, breathing repositories of who we are and where we’ve come from, and the world around us,” he adds. “Those insects pinned in a drawer, or those fish in a jar, or a feathered cape you might see in a display case—that represents a little piece of who we are as a people, as humans, as part of a greater world.

“And when those specimens are lost, we lose some of who we are.”