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(MacauBusiness) Portugal: ‘Golden visa’ resident permit investment doubles in October, to €74m

(MacauBusiness) Investment coming into Portugal connected with the issuing of ‘golden visas’ – fast-track residence permits for major foreign investors – was in October at twice the level of the previous month, at €74 million, according to the latest figures from the Foreigners and Borders Service (SEF)

Lisbon – Investment from the granting of permits under the ARI (Residence Authorisation for Investment Activity) programme, as it is officially called, totalled €74,202,048.76 in October, up from €37,042,550.61 in September. That month, the total had been down 19% on August.

In October 125 ‘golden visas’ were issued, 118 of which on the basis of property purchases, totalling €66,807,218.91, and seven on the basis of capital transfer, for investment of €7,394,829.85. Of the permits issued for the purchase of property, 19 of them represented cases of urban rehabilitation, for which the threshold is lower.

In the six years since the ARI programme was launched in October 2012, cumulative investment totals €4,078 billion, with purchases of property accounting for €3.70 billion. Capital transfers brought a total of €380 million in the period.

Since ARIs were created, 6,687 permits have been issued: two in 2012, 494 in 2013 and 1,526 in 2014, then 766 in 2015 and 1,414 in 2016. Last year there were 1,351 issued and so far this year 1,134.

By nationality, China leads with 3,981 permits issued, followed by Brazil with 608, South Africa with 265, Turkey with 264 and Russia with 232.

Since the beginning of the programme, a further 11,370 residence permits have been issued to members of permit-holders’ families, of which 2,055 this year.

(Visão) Portugal tem uma visão “cor-de-rosa” e “falsa” sobre a Primeira Guerra

(VisãoA participação de Portugal na Primeira Guerra resultou de “um projeto político radical” contestado pelo Exército e pela sociedade, defende o historiador António José Telo, criticando a visão histórica “cor-de-rosa” e “falsa” que subsiste sobre este período

“As ideias que existem são bastante erradas. Os manuais escolares continuam a dizer que Portugal entrou na Guerra a pedido da Inglaterra. Não é bem assim. Na realidade, a Guerra provoca uma profunda divisão na sociedade portuguesa […] e a esmagadora maioria, quer do mundo político, quer da opinião pública, alinha com os chamados anti-guerristas”, disse o historiador, em entrevista à agência Lusa.

O professor catedrático de História na Academia Militar trabalha, desde 2014, numa linha de investigação ligada à evocação dos 100 anos da Primeira Guerra Mundial, do Ministério da Defesa, tendo já publicado dois livros: um sobre o Corpo Expedicionário Português (CEP) em França e outro sobre a guerra no Atlântico português.

Ainda em novembro, quando se assinala um século da assinatura do Armistício, deverá ser publicado um volume sobre a Guerra em África, ficando a coleção completa com um livro sobre a parte final do CEP e o pós-guerra em Portugal.

António José Telo sustenta que Portugal entrou na Grande Guerra por causa de “um pequeno grupo radical” de republicanos, o chamado Partido Democrático, que forçou a integração das tropas portuguesas no conflito contra a vontade da Inglaterra.

“É este setor que vai forçar a beligerância portuguesa contra a opinião da Inglaterra”, pensando que “conseguiriam o apoio de Inglaterra”, o surgimento de “um movimento patriótico” que unisse o país à volta destes radicais e a consolidação “do seu poder político”, acrescentou.

Uma vez aceite a participação portuguesa no terreno de batalha, explica o historiador, assiste-se a “uma resistência, passiva e ativa, de toda a sociedade portuguesa e em particular do corpo de oficiais do Exército, que entendem esta beligerância como um projeto não nacional”.

Por outro lado, acrescenta, havia também a resistência da Inglaterra a braços, em França, mas também em África, com um corpo militar “ineficaz”, “indisciplinado” e “minado de clubes”.

“O Corpo Expedicionário Português (CEP) em França foi desde o início forçado a um Exército que não o queria. Ninguém entendia o que o Corpo Expedicionário estava a fazer em França. Só o aceitam porque os radicais portugueses conseguem o apoio do Governo francês e encostam Inglaterra à parede”, disse.

Para o historiador, “o que é triste é que esta realidade é apresentada como um projeto nacional, por razões patrióticas, para manter o império, as colonias, a integridade nacional, para nos defender contra a agressão alemã…Não foi nada disso, foi por um projeto partidário de criar uma república radical e que era de facto antidemocrática”.

Por isso, sustenta, é preciso “desmistificar” as ideias sobre a participação de Portugal na Primeira Guerra.

“Continuamos a ser o país europeu que tem a ideia mais errada do que foi a beligerância portuguesa” e existe, tal como naquela altura, uma união “à volta de uma visão de propaganda e falsa” sobre o que se passou, afiança o historiador.

Admitindo que sente a censura a estas ideias, António José Telo afirma não ter “absolutamente qualquer ilusão que esta [sua] visão se imponha a curto prazo”.

“Os que se opõem a [esta visão] estão instalados nas alavancas principais da produção histórica e tentam por todos os meios ocultar a verdade. Vai continuar a vigorar a visão cor-de-rosa, a visão errada, a visão do radicalismo de dinossauros sobre o que foi a beligerância portuguesa”, considerou.

Portugal participou na Primeira Guerra com cerca de 100 mil militares ao lado dos aliados, enviando soldados para a frente de batalha em França (1917 – 1918), Angola (em 1914-1915) e Moçambique (1914-1918).

Para assinalar os 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial mais de 60 chefes de Estado, incluindo o Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, participam domingo, em Paris, no Dia do Armistício.

(OBS) Fascismo e salazarismo – Luís Campos e Cunha

(OBS) Salazar não era revolucionário como o fascismo, era conservador. Era mesmo avesso ao progresso industrial, era reacionário, via a felicidade do povo na ruralidade: cada família com a sua junta de bois

Foi Salazar um fascista? A resposta é, historicamente, não. Mas precisa de qualificativos e muitas justificações. Num momento em que todos falam que o fascismo está de volta, vale a pena pensar, é útil rever o que se entende por tal. Há hoje claros perigos de movimentos racistas, nacionalistas e não democráticos: é o fascismo de novo?

A palavra fascismo pode, para simplificar, ter um significado popular, jornalístico, politiqueiro, ou ter um significado histórico ou académico.

No sentido da luta política de muitos dos comentadores nos jornais, fascista é um tipo de direita com relutância para aceitar o Estado de Direito. Sem necessidade de ir para exemplos do mundo de hoje mais extremados (Maduro, Putin ou Duterte), há exemplos atuais com matizes mais suaves, em todo o caso graves: Trump nos Estados Unidos, Orbán na Hungria, Erdogan na Turquia ou o recém-eleito Presidente do Brasil, apenas para citar alguns.

Estes são todos fascistas para os comentaristas dos jornais ou candidatos a políticos da esquerda menos interessante. Neste sentido popular (e popularucho), também Salazar era um fascista.

Do ponto de vista mais histórico, então a conversa é bem diferente. O fascismo é uma corrente política, de há cerca de 100 anos, que se caracterizava por traços bem claros.

Desde logo, e em primeiro lugar, os fascistas tomaram o poder com base num partido de massas e com ações violentas e bem organizadas. Alguns usaram eleições para chegar ao poder (para logo as desprezar), mas o poder absoluto passou pela brutalidade de um partido com grande base popular: um partido de massas. A violência passava por organizações à margem do Estado e da lei. Neste aspecto, os fascistas dos anos 20 não eram muito diferentes dos comunistas dos anos 40 ou 50.

Ora, Salazar nunca teve um partido de massas, nunca conquistou o poder com ações de violência nas ruas. Desde logo quis (re) construir o Estado acabando com grupos ilegais e perigosos de arruaceiros herdados da I República. Foi tudo ao contrário. O poder foi-lhe proporcionado, em 1928, pelos militares do golpe de 1926. Os militares, não sabendo o que fazer, chamaram Salazar para ministro das finanças porque tinha escrito umas coisas… Daí em diante, Salazar foi construindo o seu poder com paciência para chegar, mais tarde, a Presidente do Conselho. É um trabalho nos bastidores e não na rua, tinha uma ideia para o País e quem tem um olho em terra de cegos pode ir longe. E foi.

A União Nacional, mais tarde criada, era um clube de amigos, caciques locais e bajuladores. Nunca um partido de massas, nem sequer um partido na acepção atual.

Segundo, Salazar abominava os grandes comícios, contrariamente a Mussolini que usava as massas como a fonte do poder. Salazar discursava a contragosto para mais de umas dezenas de pessoas, com base num texto escrito (em excelente português, saliente-se). E, nesses casos, fazia-o para explicar o que fazia, para onde ia o País em contraste com a balbúrdia e a violência da Primeira República.

Terceiro, enquanto Mussolini, Hitler ou Franco discursavam e apareciam em público em trajes militares, Salazar nunca o fez. De facto, a desconfiança de Salazar em relação aos militares é de salientar, tanto mais que a sua fonte inicial de poder foi o grupo militar de 1926. Mas Salazar tinha, nas altas patentes militares dos anos 30, oficiais que haviam combatido ao lado dos ingleses na Grande Guerra ou que fizeram demasiados golpes na I República; ou seja, gente imbuída de uma tradição militar e política em que ele não confiava. Talvez por isso, cedo chamou para o Governo o Capitão (ou já seria Major?) Santos Costa que passou a mandar no Exército (hoje seria um escândalo).

Tudo isto era contrário ao que se vivia em Itália ou na Alemanha da época. As relações entre o Nazismo e o Exército alemão davam para muito, mas fiquemos por aqui.

Em quarto lugar, o fascismo era uma força revolucionária, idolatrava as máquinas e o desenvolvimento que elas traziam. Pensava o futuro das economias com base na indústria. Salazar era exatamente o contrário.

Salazar não era revolucionário como o fascismo, era conservador. Era mesmo avesso ao progresso industrial, era reacionário. Salazar via a felicidade do povo na ruralidade: cada família com a sua junta de bois, com um hectare de terra e uma pequena casa. Era avesso ao mudar dos tempos e à liberdade de costumes que despontava, naturalmente.

Em quinto lugar, os fascismos europeus eram expansionistas e queriam criar impérios. Salazar, pelo contrário, bastava-lhe conservar o império que tinha herdado da História. Também aqui a diferença é abissal e com implicações várias na sua política internacional. Não acicatar os alemães nem perder a proteção dos ingleses.

Em sexto lugar, Salazar era religioso. Nunca saberemos quão católico seria, mas era o suficiente. O Fascismo (e o Nazismo bastante pior) era ateu e idolatrava a guerra e o “progresso”. Nada disso encontramos em Salazar.

Por último, o fascismo era racista e o nazismo ainda mais brutalmente o foi. Salazar era um paternalista em relação a África e aos africanos. Não podemos esquecer que o primeiro americano negro a entrar na universidade de brancos nos Estados Unidos data de 1962 e tal causou o caos nalgumas zonas da América. Contrariamente, nos anos 50, já os (mais tarde) líderes dos movimentos de independência tinham estudado em Lisboa. Agostinho Neto e Amílcar Cabral são disso exemplos. Mais ainda, logo no início das leis contra os judeus na Alemanha, Salazar instruiu o seu embaixador em Berlim para avisar, de forma diplomática, mas muito clara, que nas leis portuguesas não havia distinções raciais desse tipo, pelo que a aplicação de certas leis alemãs não poderia contar com a colaboração das autoridades portuguesas. Por outras palavras, judeus não poderiam ser extraditados por esse facto, porque Portugal não saberia distingui-los de outro alemão qualquer. E assim foi durante a II Grande Guerra que se seguiu.

Em conclusão, Salazar sujeitou à repressão do regime quem ativamente se lhe opunha, o que faz dele um ditador. Mas não instituiu a pena de morte; se e quando matou foi um assassínio e não a coberto da lei. A PIDE perseguia os portugueses ativos do reviralho, mas ficou a anos-luz da Gestapo. E também não usou a Mocidade Portuguesa (ou mesmo a Legião) para chacinar os eventuais não apoiantes do regime, nem tão pouco usou a fúria das massas para aniquilar quem não o apoiava. Implantou (lentamente) a censura como forma última de controlar o pensamento. As universidades eram para as elites porque Salazar era um político declaradamente anti-democrático. E era um conservador (diria, reacionário) no sentido próprio do termo. Mas também nisso o salazarismo era o contrário do fascismo.

Hoje, quando falamos de fascismo em relação a movimentos não democráticos, devemos colocar o ênfase na sua ação anti-liberal; o nosso objetivo último não são as eleições, mas deve ser sempre preservar a liberdade, tanto individual como cívica. E aí, infelizmente, estamos a viver um período muito duro.

A liberdade corre risco de ser posta em causa pelo resultado de eleições reconhecidas como livres, em que as próprias eleições são o instrumento para aplicar políticas contra o estado de direito e a liberdade, abrindo caminho a formas de “democracia iliberal” e a novos déspotas.

(OBS) BE: Quando o populismo denuncia a ameaça populista

(OBS) O Bloco de Esquerda que está a alertar para a ameaça populista é, também, um partido populista autoritário. Tal como o seu irmão e vizinho Podemos de Pablo Iglésias ou o outrora amigo Syriza.

Na sessão internacional que antecedeu a abertura da XI Convenção do Bloco de Esquerda, algumas das principais figuras do partido insistiram no perigo que representa a “emergência rompante de populismos de extrema-direita”. Um perigo pluricontinental prontamente exemplificado como a subida ao Poder de Trump e Bolsonaro na América e de Salvini na Europa.

Para estes pensadores blocotrotskistas, o fenómeno atual representa uma antecâmara para o regresso do fascismo se a esquerda repetir as desuniões do passado. Um perigo iminente, pois “já tocaram os sinos”. Uma imagem que não deixa de ser curiosa pela inclusão de um elemento com evidentes conotações religiosas.

Na visão do Bloco de Esquerda, face à veemência da denúncia e do apelo, a esquerda – e, logicamente, o povo – só cairá no logro se quiser. A solução bloquista até justificaria uma revisitação do slogan marxista. Uma mensagem adaptada à conjuntura presente – esquerdas de todo o mundo uni-vos.

Há, no entanto, alguns «pormaiores» nesta posição do Bloco de Esquerda que justificam reflexão.

Assim, em primeiro lugar, convirá dizer que o Bloco de Esquerda que está a alertar para a ameaça populista é, também, um partido populista autoritário. Tal como o seu irmão e vizinho Podemos de Pablo Iglésias ou o outrora amigo Syriza.

Uma situação que explica o facto de os intervenientes na sessão apenas terem identificado os perigos do populismo de direita. Omitiram – há esquecimentos muito bem lembrados – que o populismo é uma moeda de duas faces. Esqueceram-se de indicar os perigos decorrentes do exercício do Poder por parte do populismo de esquerda. Um esquecimento no mínimo esquisito tal a panóplia de exemplos – também pluricontinentais – que a História já documentou.

Uma omissão que traz à memória as palavras de Chantal Mouffe que, depois da morte do seu marido, Ernesto Laclau, passou a constituir a principal ideóloga dos partidos populistas de esquerda. Mouffe afirmou, em Lisboa, que a solução para travar os avanços do populismo de direita passava por apostar no crescimento do populismo de esquerda.

Como esta Convenção ocorre numa fase em que o Bloco de Esquerda sonha com a entrada, ainda que pela mão do PS, no Palácio do Poder, talvez convenha chamar à colação dois exemplos da História recente e que se prendem com os dois partidos populistas atrás mencionados.

O primeiro tem a ver com o Podemos e aconteceu quando o então número dois do partido, Iñigo Errejón, defendeu que o partido procurasse “compromisos y respetabilidad desde su trabajo institucional”. O líder, Pablo Iglésias, foi célere na recusa e insistiu que o Podemos deveria continuar com “una pata en las instituciones pero la cabeza, los brazos y la otra pierna en la calle”. Mais frisou que essa seria a estratégia a seguir até à chegada ao Poder. Palavras que apontam para a alteração de postura uma vez no Governo.

Ora, o segundo exemplo prende-se com isso mesmo e tem o Syriza como personagem central. De facto, depois do ufanismo desafiador e bacoco e das alterações semânticas de Varoufakis, Alexis Tsipras foi obrigado a render-se à realidade e a aceitar um terceiro resgate. Uma alteração que, como foi amplamente provado, a esquerda portuguesa não aceitou.

Uma demonstração da diferença que separa o discurso dos populistas – de esquerda e de direita – enquanto na oposição e a sua praxis governativa.

Quanto à denúncia de uma hipotética concertação global das forças populistas de direita para governarem o Mundo não passa de mais uma invenção do populismo de esquerda. Uma teoria da conspiração. Um novo mito global.

Professor de Ciência Política

(OBS) Junta 11 banqueiros, milionários e empresários. Balsemão vai criar Clube Bilderberg à portuguesa

(OBS) De Paula Amorim a Vasco de Mello, do presidente do Novo Banco ao da Galp, sem esquecer as líderes das Fundações Gulbenkian e Champalimaud. O grupo vai seguir as mesmas regras que o Clube Bilderberg.

Nuno Pinto Fernandes/ Global Imagens

Francisco Pinto Balsemão, antigo primeiro ministro e fundador do grupo Impresa, vai criar em Portugal um grupo semelhante ao Clube Bilderberg, noticia esta sexta-feira o Público. O grupo vai chamar-se “Encontros em Cascais” e arrancará ainda este mês na presença de 50 pessoas. A direção vai ser constituída por 11 pessoas, entre as quais ele e o filho, além de Paula Amorim, Leonor Beleza, Carlos Carreiras e António Ramalho. A missão será encontrar soluções para os problemas de Portugal e da Europa, explica o jornal.

O grupo vai seguir as mesmas regras que o Clube Bilderberg, uma conferência anual privada que acontece desde 1954 num hotel homónimo na Holanda e que reúne parte da elite política e económica do mundo ocidental. Nenhum jornalista vai poder assistir aos encontros. E todos os membros têm de obedecer às chamadas Chatham House Rule, uma norma segundo a qual quem assistir aos encontros pode falar das ideias partilhadas nas reuniões, desde que não desvende quem é que as expressou.

Segundo o Público, a lista completa de empresários na direção do grupo é composta por Francisco Pinto Balsemão, que esteve mais de 30 anos no conselho diretor de Bilderberg; o filho, Francisco Pedro, que lidera a Impresa; Paula Amorim, presidente do Grupo Amorim; Isabel Mota, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian; Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud; o autarca Carlos Carreiras, à frente da Câmara de Cascais; António Lagartixo, do comité executivo na Deloitte Portugal & Angola; Vasco de Mello, presidente do Grupo José de Mello; Pedro Penalva, presidente da AON; António Ramalho, presidente do Novo Banco; e Carlos Gomes da Silva, presidente da comissão executiva da Galp Energia.

Carlos Carreiras é o único político no ativo a integrar a direção dos Encontros em Cascais. Todos os outros são empresários e executivos nas áreas das finanças, social e educação. Juntos vão funcionar de forma semelhante ao comité diretor de Bilderberg, onde Francisco Pinto Balsemão se assumiu como um dos membros mais célebres durante 32 anos. Cada um dos membros pode permanecer na direção do grupo durante um mandato de três anos, que só pode ser renovado uma vez. E vai convidar quatro pessoas, portuguesas ou não, para assistir às reuniões.

(OBS) Alexander Stubb: “Europa deve uma desculpa e um agradecimento a Portugal”

(OBS) A Europa deve uma desculpa a Portugal pelas “tremendas medidas” de austeridade que foram impostas durante a crise, afirmou Alexander Stubb, pré-candidato à presidência da Comissão Europeia.

EUROPEAN PARLIAMENT HANDOUT/EPA

A Europa deve uma desculpa e um agradecimento a Portugal pelas “tremendas medidas” de austeridade que foram impostas durante a crise, afirmou Alexander Stubb, pré-candidato do Partido Popular Europeu (centro-direita) à presidência da Comissão Europeia.

“Penso que, de muitas formas, a Europa deve uma desculpa e um agradecimento a Portugal, no sentido de que as medidas de austeridade que o governo de centro-direita tomou em plena crise foram tremendas”, disse Stubb numa entrevista à agência Lusa em Lisboa.

Mas para o ex-primeiro-ministro (2014-2015) e ex-ministro das Finanças (2015-2016) finlandês, considerado um “falcão da austeridade”, não havia alternativa: “Tivesse eu de fazer o mesmo na Finlândia, como primeiro-ministro ou ministro das Finanças, tinha de avançar. É assim”.

O Governo de coligação PSD-CDS, “fez um ótimo trabalho numa situação difícil”, mostrando “muita coragem”, mas “desde que o governo mudou”, Stubb diz que “não tem visto muita ação”.

“Se olharmos para o desenvolvimento económico português, gostava de ver um desempenho melhor. Penso que é a 20.ª economia com crescimento mais lento na Europa neste momento”, considerou Stubb, que é atualmente vice-presidente do Banco Europeu de Investimento.

Quanto ao futuro da União Económica e Monetária (UEM), Alexander Stubb assegurou que, enquanto “pró-europeu ávido”, é e sempre foi “a favor de mais integração” e de “aprofundar o euro”.

“Em relação ao euro, penso que demos passos enormes durante a crise, a legislação [de coordenação orçamental] ‘two pack’ e ‘six pack’, o mecanismo de estabilidade europeu e, obviamente, o embrião da união bancária. No final, quero ver uma união bancária plena, incluindo a garantia de depósitos e provavelmente uma mutualização da dívida”, assegurou.

“Mas isso não vai acontecer de um dia para o outro. As condições têm de estar lá [e] estamos a alguns anos disso”, advertiu.

Para Stubb, desenvolvimentos com o orçamento que Itália apresentou para 2019, que prevê “o agravamento anual da dívida em 40 mil milhões de euros durante três anos”, “não ajudam”, porque “aqueles que querem abrandar o curso nesta matéria, vão apontar o dedo à Itália”.

“Não sei qual é o Orçamento de Portugal, o da Finlândia é de cerca de 55 mil milhões, e se a Itália está a assumir 40 mil milhões por ano de mais dívida para aplicar uma política fiscal estúpida, não vai fazer avançar a causa da união bancária ou outros objetivos”, frisou.

Vice-presidente do Banco Europeu de Investimentos, Stubb sublinhou que esta instituição “é um exemplo de um banco completamente mutualizado”.

“Partilhamos dívida e funciona. Mas partilhamos dívida com base nas condições do mercado, não com base em decisões políticas, e é provavelmente isto que tem de ser tido em consideração”, afirmou.

Alexander Stubb, que disputa a designação como ‘Spitzenkandidat’ do Partido Popular Europeu (PPE, centro-direita) com o alemão Manfred Weber, da CSU, foi entrevistado à margem da iniciativa Escola Europa, organizada pelo Partido Social-Democrata (PSD) de Portugal e pelo Partido Popular (PP) de Espanha com o apoio daquele grupo político europeu.

Após as eleições europeias, em maio próximo, cabe ao Conselho Europeu, compostos pelos chefes de Estado e de Governo dos membros da UE, designar um candidato à presidência da Comissão, o qual se submete depois a votação no Parlamento Europeu.

O Tratado de Lisboa determina que o resultado das eleições europeias seja tido em conta na escolha do presidente da Comissão, mas o Conselho não é legalmente obrigado a fazê-lo.

A escolha de candidatos pelos grupos políticos, os chamados “Spitzenkandidat” ocorreu pela primeira vez nas eleições europeias de 2014, em que Jean-Claude Juncker, candidato pelo PPE, sucedeu a José Manuel Durão Barroso.

(JN) Arrufos – Nuno Melo

(JNDepois do namoro, os arrufos. O triste caso de Tancos acabou por trazer uma consequência pedagógica. O presidente da República poderá ter compreendido, finalmente, que este PS em modo “geringonça” não é de fiar.

Enquanto lhe convenha, António Costa procurará o aconchego presidencial. O primeiro-ministro tem noção da popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa e por isso nunca perdeu a oportunidade de uma boa fotografia de conjunto, fosse a pretexto do resguardo sob um conveniente guarda-chuva em Paris, ou da colagem de Ferro Rodrigues e Fernando Medina ao chefe de Estado, com os bracinhos cruzados numa imagem forçada e sem jeito em cima de um palco, cantarolando em conjunto “a minha alegre casinha”, apesar de nascida em tempos do Estado Novo, para glorificação de uma certa modéstia que as esquerdas renegaram sempre.

A vontade de conquistar votos consegue milagres impressionantes. Mesmo assim, quando tiver de ser, o PS deixará cair o presidente da República. Perceba-se o significado do recado deselegante enviado desde S. Bento a Belém, quando António Costa sugere, a propósito de Tancos, que o presidente da República contenha a “ansiedade”.

“Ansiedade”, convenhamos, é o mínimo que o furto de armas de um quartel das Forças Armadas – ou, já agora, de mais de 50 pistolas Glock de esquadras da PSP -, sempre em tempos de governações socialista, deveria justificar. Sendo que é ostensivamente evidente que o primeiro-ministro colocou muito mais empenho na defesa de um indefensável ministro da Defesa no cargo, apesar de todas as evidências, do que em poupar o comandante supremo das Forças Armadas às conveniências eleitorais do PS. Resta perceber porquê.

As esquerdas têm um problema com as Forças Armadas e com as forças de segurança. Não é de hoje.

Para além de Tancos, foram os socialistas que por duas vezes no Governo revelaram ao Mundo a identidade de espiões portugueses, com a mesma ligeireza com que o ministro Eduardo Cabrita apouca polícias que tutela, em benefício de delinquentes perigosos que, não fossem esses polícias, continuariam soltos a aterrorizar pessoas indefesas.

Como são os bloquistas que já defenderam o desarmamento dos polícias em serviço nas ruas e agora, depois de recusarem a criação de uma comissão de inquérito a Tancos, percebendo finalmente o escândalo, ensaiam a marcha atrás de recurso, com Catarina Martins a alterar o discurso para dizer que afinal o roubo de armas é grave e tem de ser investigado. Pelo caminho, o BE reclama o fim do Dia da Defesa Nacional. O que diz de quem manda não é grande coisa.

*DEPUTADO EUROPEU

(PUB) O pogrom da chamada “Noite de Cristal”, 9 e 10 de Novembro de 1938 – Irene Flunser Pimentel

(PUB) Há 80 anos, o pogrom de Novembro de 1938 acelerou a chegada de uma nova etapa na política anti-semita nazi.

Há 80 anos, na noite de 9 para 10 de Novembro de 1938, teve lugar em diversas cidades da Alemanha e da Áustria um enorme pogrom contra os judeus, incentivado por uma parte dos dirigentes nazis. Esse terrível acontecimento representou um ponto de viragem na política anti-semita nazi, que passou das discriminações e da definição dos judeus à “emigração”/expulsão dos territórios do Reich, bem como o sequestro e “arianização” da sua propriedade. Já existente na Europa, a vaga de refugiados judeus saídos dos territórios da Alemanha nazi aumentou de forma avassaladora.

É hoje em geral aceite entre os historiadores o facto de o caminho para o Holocausto – ou a Shoah – ter procedido por etapas cada vez mais radicalizadas, sem caminho de recuo. A política anti-semita teve, assim, um carácter cumulativo, progredindo desde a discriminação profissional até ao extermínio dos judeus europeus. Nos anos 60 do século XX, o historiador Raul Hilberg enumerou essas diversas etapas, referindo que, após as primeiras discriminações, a definição dos judeus e a sua expropriação, ocorreriam a deportação, a concentração em guetos e o extermínio.

Ao colocar o anti-semitismo no centro da sua ideologia e prática, o regime hitleriano apelou ao boicote ao comércio judaico, em 1 de Abril de 1933, prosseguindo com a exclusão dos judeus das profissões liberais e da função pública. Em 1935, as Leis de Nuremberga atribuíram um estatuto de cidadania e de “sangue” diferente aos judeus. A partir de 1938, a política anti-semita nazi consistiu na expulsão da função pública, na espoliação/arianização dos bens e na emigração forçada dos judeus dos territórios alemães. Esse ano de 1938 foi particularmente doloroso para os judeus alemães, austríacos, polacos, checos e italianos.

Com o chamado Anschluss (“integração” ou “reunificação”, para os nazis, “anexação”, para outros) da Áustria no Terceiro Reich, em 12 de Março de 1938, 190.000 judeus austríacos passaram a estar sob o domínio alemão e, até Setembro de 1938, cerca de 50.000 “emigraram”. Em 16 de Abril, Göring emitiu um decreto obrigando os judeus a registarem os seus bens e anunciou o objectivo de expulsar todos os judeus da vida económica. A procura de países de refúgio na Europa e noutros continentes levou o Presidente norte-americano Roosevelt a convocar a conferência de Évian, cidade termal francesa, realizada entre 6 e 15 de Julho, para “gerir” a “inundação” de judeus.

Com a presença de países europeus e da América Latina, a conferência foi reveladora de que aqueles iriam enveredar por uma política restritiva de entrada de refugiados judeus, e ter-se-á tornado então claro também para Hitler que ninguém iria “mexer uma palha” para recebê-los. Portugal, no seu isolacionismo, não participou em Évian, mas Salazar, não por acaso também ministro dos Negócios Estrangeiros, informou-se sobre a introdução dessa legislação restritiva, junto das suas representações diplomáticas. De Oslo veio a informação da introdução de vistos para a entrada na Noruega, excepto para os escandinavos. Também na Suécia, os alemães e austríacos “de religião judaica” ou que não pudessem regressar aos “seus países por motivos políticos ou em virtude das leis de raça” só poderiam entrar com visto.

Inspirando-se nessas leis, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português estipulou, através da circular n.º 10, de 28 de Outubro de 1938, que os “emigrantes judeus” passavam a necessitar de vistos “de turismo” com a validade de 30 dias, para entrar em Portugal. Essa ordem abrangia pela primeira vez um vasto grupo específico de candidatos à entrada no país que se tornara visível a partir do momento em que a Alemanha começara a carimbar com a letra “J” os passaportes dos judeus, passando assim a especificar quais eram os “emigrantes”, impossibilitados de regressar ao país de origem.

Mas o ano de 1938 continuou a ser trágico em termos de acontecimentos que dificultaram a vida aos refugiados. Na conferência de Munique, realizada em 29 de Setembro de 1938, na qual a França e a Grã-Bretanha, através dos appeasers Daladier e Chamberlain, cederam a Hitler e a Mussolini, foi dada luz verde aos projectos expansionistas do governo nazi na zona dos Sudetas, na Checoslováquia. Por seu lado, o governo polaco estipulou que os compatriotas judeus a viverem no estrangeiro havia mais de cinco anos tinham de renovar o seu passaporte para entrarem no país; caso contrário perdiam a nacionalidade.

Encarando este diploma polaco como uma tentativa para retirar ao Terceiro Reich e à Áustria possibilidade de reenviar para a Polónia os cerca de 50.000 judeus polacos residentes em território alemão, a Gestapo ordenou a prisão de 17.000 daqueles. Conduzidos à fronteira germano-polaca, foram expulsos, mas a Polónia aceitou apenas cerca de 10.000. Foi então que um jovem judeu polaco, de uma família judia-polaca expulsa da Alemanha nessas condições, Herzel Grynzspan, feriu mortalmente a tiro um diplomata alemão, da Embaixada em Paris, Ernst von Rath, que acabou por morrer.

Na sequência deste atentado, uma onda anti-semita varreu a Alemanha. Numa procura de ganhar influência junto de Hitler, que permaneceu numa sombra de concordância, o ministro da Propaganda Joseph Goebbels aproveitou para incitar a SS e os membros do partido nazi a atacarem os judeus no espaço público. De 9 para 10 de Novembro de 1938, na “Noite de Cristal”, nomenclatura dada pelos próprios nazis devido aos vidros partidos das 7500 lojas judaicas, destruídas em todo o Reich, foram ainda destruídas 267 sinagogas e incendiadas outras 1919, queimados 11 centros comunitários, bem como atacadas 171 casas e 20 grandes armazéns de judeus.

Os actos de violência prolongaram-se por vários dias, percorrendo todo o país, perante o silêncio da maioria da população e até das próprias Igrejas que se abstiveram de criticar publicamente os ataques. Cerca de 91 judeus foram assassinados, centenas suicidaram-se e 800 morreram em campos de concentração, onde foram encarcerados enquanto reféns mais de 26.000, na Alemanha, e 6500, na Áustria. Dado que estas detenções eram destinadas a forçar os judeus a “emigrar” dos territórios alemães, aqueles que asseguraram a partida acabaram por ser libertados.

Para forçar a “emigração” dos judeus, foram também postas em prática diversas outras medidas que se juntaram às já existentes discriminações. A 12 de Novembro, um decreto de Göring excluiu os judeus da vida económica alemã, proibindo-os de administrarem lojas e de colocarem bens e serviços nos mercados. Os judeus deixaram de poder possuir terrenos, edifícios, meios de transporte, bens preciosos e artísticos ou acções, além de deixarem de ter acesso à assistência social e à habitação, bem como ficarem impedidos de frequentar teatros, cinemas ou universidades.

Os nazis ordenaram, entre outras medidas iníquas, que as indemnizações pagas pelas seguradoras alemãs aos proprietários do património destruído na “Noite de Cristal” revertessem para o governo alemão, decidindo que seriam as próprias vítimas a pagar os danos sofridos. Um decreto de Göring sobre as reparações dos judeus de nacionalidade alemã determinou que estes deveriam pagar uma contribuição de um bilião de RM ao Reich. Em Fevereiro de 1939, todos os judeus residentes na Alemanha e na Áustria que “quisessem” partir teriam de contribuir com 0,5% a 10% do valor das suas posses e com um “imposto de fuga”. O pogrom de Novembro de 1938 acelerou assim a chegada de uma nova etapa na política anti-semita nazi: a da “emigração”/expulsão dos judeus dos territórios alemães e, no final desse ano, 30% dos judeus alemães, austríacos, checos, polacos e dos Sudetas já haviam “escolhido” o caminho da “emigração”.

O processo de radicalização anti-semita acelerar-se-ia depois, com a invasão da Polónia. Em 21 de Setembro de 1939, o dirigente SS Reinhard Heydrich, da Gestapo/SD, estabeleceu, relativamente aos judeus polacos, uma distinção entre “medidas de conjunto” e “medidas preliminares” de reagrupamento provisório nas grandes cidades, para “transferência ulterior”. Por seu turno, o chefe SS e de todas as polícias nazis, Heinrich Himmler, ordenou, em 30 de Outubro, a deportação dos judeus da Polónia para o Governo-Geral, sob a autoridade de Hans Frank. Essa política levou à criação de guetos, sendo o de Lodz o primeiro, em Dezembro de 1939.

É também em geral aceite a ideia de que o Holocausto está relacionado com a operação Barbarossa, de guerra total na URSS, iniciada em 22 de Junho de 1941, sobretudo devido à ordem de execução dos comissários soviéticos (Komissarbefehl) e à criação dos Einsatzgruppen, que seguiam os exércitos alemães no leste, responsáveis pelo assassinato de dois milhões de pessoas, na sua maioria judeus. Em 14 de Outubro, foi ordenada pelos nazis a deportação dos judeus do território do Reich para os guetos de leste e, no dia 23, Himmler proibiu a emigração dos judeus dos territórios ocupados pela Alemanha, impedindo assim a fuga dos judeus dos territórios ocupados pela Alemanha. No final de 1941, a “solução final do problema judaico” já não passava pela “emigração”, fecho em guetos e deportações, mas pelo extermínio dos judeus europeus, levado a cabo a céu aberto ou em camiões ou nos centros e campos de extermínio de Chelmno, Belzec, Treblinka, Sobibor, Maidanek e Auschwitz-Birkenau.

(ECO) Fizemos bem em nacionalizar o BPN há dez anos? O Não de Cadilhe e o Sim de Teixeira dos Santos

(ECOFoi há dez anos que o BPN foi nacionalizado. Teixeira dos Santos continua a defender decisão que já custou 3,6 mil milhões aos contribuintes. Miguel Cadilhe, presidente do banco, lamenta “erro”.

Teixeira dos Santos mantém decisão de nacionalizar BPN 10 anos depois. Miguel Cadilhe nem por isso.Fotomontagem Lídia Leão

Quando Miguel Cadilhe soube que o Governo tinha decidido nacionalizar o Banco Português de Negócios (BPN), no dia 2 de novembro de 2008, o então presidente do banco ia a caminho de Ponte da Barca para uma visita ao cemitério que não tinha podido fazer no dia anterior. Recebeu o telefonema de Lisboa para se reunir de emergência com o ministro das Finanças Teixeira dos Santos, fez marcha atrás e voltou imediatamente para a capital. “A reunião serviu apenas para me comunicar a deliberação do Conselho de Ministros de nacionalizar o BPN”, confidencia Miguel Cadilhe ao ECO.

Uma década depois daquela que foi a primeira nacionalização após o PREC, em 1975, ainda hoje os dois antigos ministros têm visões completamente diferentes quanto a essa decisão de colocar o BPN na esfera do Estado (através da incorporação do banco na Caixa Geral de Depósitos), e às implicações que trouxe para o bolso dos portugueses.

O BPN continua a custar muito dinheiro aos contribuintes. Até 2016, o Estado já havia gastado mais de 3,6 mil milhões de euros com a instituição (o equivalente ao atual valor de mercado do BCP, o maior banco privado português), de acordo com os últimos cálculos do Tribunal de Contas. Mas a fatura para os cofres públicos está longe de ficar fechada.

O Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, acompanhado pelo Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, durante a conferência de imprensa, após o Conselho de Ministros extraordinário ter decidido propor a nacionalização do BPN, 02 de novembro de 2008, Lisboa.Inácio Rosa/Lusa 2 novembro 2008

Debilitado? Sim. Too big to fail? Não

Foi no dia 5 de novembro de 2008, completam-se hoje precisamente dez anos, que a Assembleia da República aprovou a nacionalização do BPN, pedida poucos dias antes pelo Executivo de José Sócrates.

O jornal Público do dia 3 de novembro de 2008 dava um contexto pormenorizado do que se tinha passado dia anterior e dos motivos que levaram à tomada da decisão: “Foi numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros que a decisão foi tomada, depois de terem falhado as negociações com os quatro maiores bancos portugueses, que se recusaram, no entanto, a encontrar uma solução para a instituição. Práticas de ‘legalidade duvidosa’ de anteriores administrações conduziram o banco a uma situação que a crise financeira mundial acabou por agravar. Neste quadro, a atual administração, liderada por Miguel Cadilhe, não conseguiu completar o plano de recuperação que tinha delineado. O ministro das Finanças diz que todos os depósitos dos clientes do banco estão garantidos“.

Mas “a nacionalização não foi decidida de um dia para o outro”, conta Teixeira dos Santos ao ECO. “O BPN estava a ser acompanhado desde meados desse ano pelo Banco de Portugal, que todos os meses reportava informação ao Governo. O banco já tinha recorrido a financiamento de emergência e linhas concedidas pela banca, masestava muito debilitado e com problemas de liquidez para honrar os seus compromissos do dia-a-dia“, recorda.

Edição do jornal Público no dia 3 de novembro de 2008. Manchete: bancos privados não quiseram salvar BPN e o Governo optou pela nacionalização.

“Não foi a dimensão do banco que justificou esse tipo de intervenção porque o BPN não era propriamente um daqueles bancos too big to fail. Era mais o ambiente que se vivia após a falência do Lehman Brothers. Podia ser uma fagulha que, num ambiente carregado de combustível, podia provocar um incêndio de proporções maiores“, argumenta ainda.

Para Cadilhe, que ocupava do cargo de presidente do BPN há apenas cinco meses, substituindo Abdool Karim Vakil (que saltou do Banco Efisa para a liderança do BPN após a saída de José Oliveira e Costa, por motivos de saúde, em fevereiro desse ano), foi o próprio Governo quem acabou por “provocar um alarme social” em torno da situação do banco, provocando uma “sangria de depósitos e uma sangria de liquidez”.

Ainda hoje aquele que viria a ser o último presidente do BPN considera que o banco foi nacionalizado por razões “insondáveis”, por “opção política”, como teve oportunidade de dizer no Parlamento na comissão que ficou de apurar as responsabilidades pela falência da instituição.

“Não foi a dimensão do BPN que justificou esse tipo de intervenção porque não era propriamente um daqueles bancos too big to fail. Era mais o ambiente que se vivia após a falência do Lehman Brothers.”

Teixeira dos Santos

Antigo ministro das Finanças

Bancarrota do Lehman Borthers? Perigo de contaminação dos problemas para outros bancos nacionais? “O BPN representava 2% do sistema bancário português. Falar em risco sistémico a propósito do BPN é querer um pretexto para aquilo que não deveria ter sido feito. Foi um erro, ponto final”, diz o antigo ministro de Cavaco Silva.

Com os custos finais da nacionalização ainda longe de estarem fechados, Teixeira dos Santos acredita que se evitou ainda maiores prejuízos para o Estado. Miguel Cadilhe nem por isso.

Após a nacionalização, o Governo ainda tentou vender o banco logo em 2010, com as avaliações a apontarem para um encaixe de 180 milhões de euros. Sem interessados na altura, a parte boa do BPN acabaria por vendida só em 2011, já com a troika em Lisboa, e por apenas 40 milhões ao BIC, hoje em dia liderado por Teixeira dos Santos.

“O BPN representava 2% do sistema bancário português. Falar em risco sistémico a propósito do BPN é querer um pretexto para aquilo que não deveria ter sido feito. Foi um erro, ponto final.”

Miguel Cadilhe

Antigo presidente do BPN

“Foi muito difícil vender o banco porque vivemos aquele período de crise financeira, de muita instabilidade. Não era uma conjuntura fácil”, recorda o antigo governante.

Estes 40 milhões de euros foram apenas uma pequena parte do que foi possível recuperar até ao momento. O que sobra do BPN estão em três veículos criados com o intuito de maximizar as vendas de ativos que faltam vender: a Parvalorem gere os créditos problemáticos do antigo banco; a Parups tem à sua responsabilidade os imóveis, obras de arte e outros ativos do BPN; e a Participadas gere as participações do BPN noutras empresas e fundos, como o Banco Efisa.

Agência do Banco Português de Negócios, Porto.José Coelho 19 janeiro, 2011

BPN tem custo “maior do que na altura seria razoável esperar”

De ano para ano, os veículos criados para ficarem com o BPN continuam a consumir despesa que vem diretamente do Orçamento de Estado: prevê-se mais de 600 milhões de euros este ano e outros 550 milhões no próximo. Isto para lá das garantias concedidas pelo Estado à Parvalorem (1.994,83 milhões de euros) e à Parups (307,17 milhões) que, sendo executadas, vão castigar ainda mais os bolsos dos contribuintes.

Saldo das receitas e despesas orçamentais relativas ao BPN

AnoMilhões de eurosSaldo acumuladoAté 20122013201420152016-4000-3000-2000-10000

Fonte: Tribunal de Contas

Com a fatura nos 3.600 milhões em 2016, Teixeira dos Santos reconhece que “o BPN acabou por impor um custo aos contribuintes maior do que na altura seria razoável esperar”, sendo que na altura da nacionalização se esperava recuperar grande parte do valor do banco.

“Mesmo assim, atentos aos riscos que havia, estou convencido que evitamos uma crise financeira que se poderia estender para lá do BPN e impor um custo superior àquele que estamos a suportar com o banco”, frisa.

Cadilhe contrapõe. Em vez de se ter nacionalizado o banco há dez anos, “o Governo poderia ter apostado no nosso plano e nós assumíamos a responsabilidade”, diz. “De certeza que o Estado não gastaria mais do que veio a gastar, pelo contrário“.

“Mas é claro que com a nacionalização do banco não houve depositante que quisesse deixar lá o dinheiro. Não há nenhum banco que resista“, sublinha.

(Reuters) Portugal’s EDPR expects to beat wind power capacity goal by 2020

(Reuters) – Portuguese wind energy group EDP Renovaveis said on Wednesday it expected to exceed its 2020 goal for increasing capacity by more than 10 percent.

EDPR, a subsidiary of EDP Energias de Portugal, also said in a presentation it had secured projects to add capacity of more than 1 gigawatt after 2020, adding that its growth strategy was not affected by adverse cyclical factors that have weighed on its earnings this year.

EDP and EDPR are both targets of a takeover offer by China Three Gorges, which is still subject to regulatory approvals in various countries.

Shares in EDPR, which earlier posted a 30 percent drop in nine-month profit due to weak wind conditions and foreign exchange impacts, were 0.3 percent higher at 1500 GMT.

EDPR said the additional capacity target, which had been set at 3.5 GW under its 2016-2020 business plan, is now projected to reach 3.9 GW, with 1.2 GW already added in 2016-17 and North America leading the main growth.

After 2020, EDPR expects to add solar power capacity in the United States and Brazil, and more onshore wind energy production in Brazil, with the total reaching 1 GW.

EDPR, which manages operating assets of 11.2 GW in 11 countries, also expects to bring two large European offshore wind projects, in which it owns stakes of between 43 and 57 percent and which have a total capacity of almost 2 GW, online.

The Portuguese company said regulatory implications of the China Three Gorges takeover were “not clear and may impact EDPR strategy and growth prospects”, particularly the U.S. business.

China Three Gorges has held talks with European utilities to gauge their interest in buying EDP’s and EDPR’s U.S. renewables business as it looks to smooth the path for its planned takeover, sources said.

(OBS) Tancos, ou o lado obscuro do regime – Rui Ramos

(OBS) Nenhuma democracia pode suportar, sem consequências, a sombra que Tancos está a projectar sobre as instituições — polícia, exército, Governo, e agora Presidência da República. É obscuridade a mais.

As Forças Armadas organizam o “maior desfile da democracia”, para comemorar o armistício de 1918, e as redes sociais encheram-se de piadas sobre “as armas de Tancos”. Entretanto, Presidente da República e primeiro ministro lamentavam, a propósito, os “jogos de poder” ou “jogos políticos” em volta das forças armadas. Que “jogos” são esses? A que se referem exactamente? A verdade é que uma classe política suficientemente habilidosa para ter deixado para trás a bancarrota de 2011, a prisão de um ex-primeiro-ministro por suspeita de corrupção em 2014, e as dezenas de mortos dos incêndios de 2017, parece estranhamente incapaz de sacudir ou até de deslindar o caso do material de guerra furtado em Tancos. “Pode originar uma crise”, vai dizendo Rui Rio. E isto já depois da demissão do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, e do chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte. Que se passou, que se passa? Mais: que se vai ainda passar?

Esta é uma história que nunca poderia ter sido inventada, e que não vale sequer a pena tentar contar. Um ano depois, continuamos a desconhecer quase tudo. Não sabemos o que se passou em Junho de 2017, quando constou que desaparecera material de guerra do paiol de Tancos. Não sabemos o que aconteceu em Outubro do mesmo ano, quando de repente foi anunciado que “todo o material” tinha aparecido na Chamusca (não tinha). Não sabemos, finalmente, quem sabia do que, segundo consta agora, terá sido uma encenação, combinada para recuperar o material furtado. Deixemos ao engenho de cada um estender a lista das dúvidas. Temos ou não paióis militares que funcionam como uma espécie de self-service para ladrões? Temos ou não um Estado que conspira contra si próprio, através de guerras entre polícias? Temos ou não autoridades para quem não vale a pena seguir os procedimentos regulares sempre que é possível “desenrascar” as situações? Qual a fronteira, no regime português, entre a habilidade e a trapalhada?

Como aconteceu em todos os escândalos políticos dos últimos quarenta e quatro anos, foi inevitável que alguém mencionasse o Watergate. É o caso clássico de encobrimento e obstrução da justiça, por fim resumido na célebre fórmula: “o que é que o Presidente sabia e quando é que o soube?” (“what did the President know and when did he know it?”). Ora, eis que no fim da semana passada, depois de muitas voltas pelo Governo e pelas chefias militares, a trapalhada de Tancos acabou por se fixar literalmente na pergunta de Watergate: o que sabia o Presidente da República, ou mais exactamente o pessoal da sua Casa Militar? Para o Presidente, foi “o mundo de pernas para o ar”: como é que podiam suspeitar dele, que tinha sempre exigido investigação? Mas disse mais: “se pensam que me calam, não me calam”. Chegados aqui, é de facto espantoso que não haja mesmo a tal crise prevista por Rio: quem, em Portugal, quer calar o Presidente da República, pelo menos acerca de Tancos?

Em resposta, o primeiro-ministro, sem pedir demasiado à elegância, pareceu recomendar ao Presidente que contivesse a sua “ansiedade”. O líder do PSD, Rui Rio, pelo seu lado, comentou que, “até ver”, o caso não colocava em causa o Presidente. Há expressões tremendas: “até ver” é, sem dúvida, uma delas. Que se passa? Começa a “grande geringonça”, que este ano substituiu a “pequena geringonça” de 2015, a “jogar” contra o Presidente, como elemento excluído do novo entendimento oligárquico? São estes os “jogos de poder”? Não sabemos. Mas há outra coisa que também não sabemos: é se devemos, a partir de agora, incluir tudo isto no “regular funcionamento das instituições democráticas”.

Irá o regime suportar, sem risco de eclipse de credibilidade, a sombra pegajosa que Tancos está a projectar sobre todas as instituições — polícias, forças armadas, Governo, e agora a Presidência da República? É que começa a ser obscuridade a mais.

(Reuters) Portugal to build satellite launch pad, lab with China

(Reuters) Portugal plans to build an international launch pad for small satellites in the Azores and has agreed with China to set up a joint research centre to make satellites on the mainland, its science and technology minister said on Tuesday.

The government has received tentative proposals from 14 consortiums from Europe, the United States and Russia to design the launch pad jointly with local organisations, and to use the site in the future, Manuel Heitor said.

During the Web Summit – Europe’s largest technology conference taking place in Lisbon this week – Heitor told reporters the “space port” on the mid-Atlantic island of Santa Maria should be ready for commercial launches by mid-2021.

Portugal aims to pick the winning offer by mid-2019.

Heitor also announced the 50 million euro ($57 million) joint project with China, to be funded in equal parts by the two countries and envisaging a laboratory in Portugal next year.

The micro satellites to be designed there will connect with land- and ocean-based sensors to collect data used in agriculture, fishery and oceanography.

Portugal’s funding for satellite research will come from state and private sources and involve local company Tekever, which makes surveillance drones for military and civilian applications, including searching for migrants from Africa.

(AFP) Under fire tech sector gathers in Portugal

(AFP)

© AFP | Web Summit’s Irish chief executive Paddy Cosgrave says technology is going through ‘a funk’
LISBON (AFP) – Europe?s largest tech event, the Web Summit, gets underway in Lisbon on Monday amid a backlash over internet firms’ role in spreading “fake news” and how they use consumer data.

Some 70,000 people are expected to take part in the four-day gathering, dubbed “the Davos for geeks”, including speakers from leading global tech companies, politicians and start-ups hoping to attract attention from the over 1,500 investors who are scheduled to attend.

But this time around tech firms find themselves on the defensive, with critics accusing them of not doing enough to curb the spread of “fake news” which has helped polarise elections campaigns around the world, and of maximising profits by harvesting data on consumers? browsing habits.

Employees of Google, Facebook and other tech giants have in recent months gone public with their regrets, calling the products they helped build harmful to society and overly addictive.

“I think technology is going through a funk… it’s a period of reflexion,” Web Summit founder and CEO Paddy Cosgrave told AFP ahead of the official opening of the event.

“With every new technology you go through these cycles. The initial excitement of the printed press was replaced in time by a great fear that it was actually a bad thing. Over time it has actually worked out OK.”

– Engine of division –

The British computer scientist who in 1989 invented the worldwide web as a way to exchange information, Tim Berners-Lee, is expected to call for a new “contract” for the internet during his opening address to the gathering later on Monday.

He has just launched Inrupt, a start-up which is building an open source platform called “Solid” which will decentralise the web and allow users to choose where their data is kept, along with who can see and access it.

“For all the good we?ve achieved, the web has evolved into an engine of inequity and division; swayed by powerful forces who use it for their own agendas,” he wrote in a blog post describing the project.

Solid intends to allow users to bypass tech giants such as Google and Facebook. The two tech giants now have direct influence over nearly three quarters of all internet traffic thanks to the vast amounts of apps and services they own such as YouTube, WhatsApp and Instagram.

Tech giants are also under fire having built up virtual monopolies in their areas.

Amazon for example accounts for 93 percent of all e-book sales while Google swallows up 92 percent of all European internet-search ad spending.

– Violent voices magnified –

Among those expected to speak at the event is Christopher Wylie, a whistleblower who earlier this year said users? data from Facebook was used by British political consultancy Cambridge Analytica to help elect US President Donald Trump — a claim denied by the company.

Another tech veteran who has become critical of the sector, Twitter co-founder Ev Williams, will on Thursday give the closing address of the event.

He left Twitter in 2011 and went on to co-found online publishing platform Mash, which is subscription based and unlike Twitter favours in-depth writing about issues.

“We got used to everything being free and we underestimated the cost of that,” he told the New York Times in May, adding “there?s clearly an appetite now for content platforms to be regulated”.

The problem with the current model is that negative stories get more attention online, and thus gain more advertisers, according to Mitchell Baker, the president of the Mozilla Foundation, a non-profit organisation which promotes Internet innovation.

“Today everyone has a voice but the problem is… the loudest and often most violent voices get magnified because the most negative, scariest things attract our attention,” she told AFP in a recent interview.

The Web Summit was launched in Dublin in 2010 and moved to Lisbon six years later. The Portuguese government estimates the event will generate 300 million euros ($347 million) for Lisbon in hotel and other revenues.

(EuroNews) Portugal populist exception?

(EuroNews)

Portugal populist exception?

Portugal is often praised as the good pupil of the eurozone in contrast to Italy, which plans to up its spending, going against eurozone rules. Lisbon is going even further setting an ambitious target of a budget deficit of 0% of GDP by 2020.

So far Portuguese “immunity” to populism has been strong, compared to the trends in central and eastern European member states.

But mainstream political parties should be vigilant says João Tiago Gaspar, a political scientist, Fundação Francisco Manuel dos Santos.

“There is no party represented in Parliament that has such a speech, but we are not exempt from this possibility, especially since we know that in Portugal people are very disconnected from politics. They support democracy as an ideal regime, but they do not rely on the parties or, necessarily, on the rulers.Those doses of mistrust may one day be channeled by someone who has sufficient media status to do so,” he notes.

While pursuing tight financial discipline, the center-left government has reversed many unpopular austerity measures implemented, in 2011-2014, by the EU troika, with the support from two far-left parties.

Besides the economic crisis, migration flows have been another main challenge for the EU project.

But Portugal holds the 6th position in terms of refugees hosted from the EU relocation program.

Some refugees also come on their own initiative, as the Palestinian Hindi Mesleh, that traded Brussels for Lisbon.

“I am really happy for staying here. Yes, salaries are not the same as in the rest of Europe, you need to give up on something to get something else. I mean, it’s safe, the weather is great, people are so welcoming,” Mesleh expains.

The fact that 2.3 million Portuguese are themselves migrants and that it has a very negative demographic trend may help explain Portugal’s openness.

The Portuguese government defends European solidarity on welcoming refugees.

“I am confident that we will be able to reverse these more xenophobic tendencies,” says Rosa Monteiro, secretary of State for Citizenship and Equality. “If, on the one hand, we are witnessing the emergence of a certain wave of resistance, of not recognizing the basic values and human rights, the elements that underpin the European construction; the European project, on the other Portugal is not one of these countries”

The biggest political test for the EU project and values will come next year, when voters head to the polls in the European parliament elections.

(PassionateFoodie) Alheira Sausages: Protection For Portuguese Jews

(PassionateFoodie)

How did sausages help protect Jews from persecution?

During my recent travels in Portugal, we visited several museums, including the fascinating Centre for the Interpretation of Sephardi Culture in the Northeastern Trás-os-Montes, which is located in the city of Bragança. This museum “…aims at revising the lives and experiences of Sephardic Jews from the Northeastern Trás-os-Montes,...” The ancestry of Sephardic Jews extends back to Jewish communities in Spain and Portugal during the Middle Ages, and who spread to various regions after the Jews were expelled from Spain in 1492. Jews have lived in the Iberian region for over two thousand years.

This map shows 32 Jewish communes in Portugal during the 14th century. In 1492, when the Jews were expelled from Spain, about 3000 traveled to Bragança, but near the end of the 15th century, even the Jewish communities in Portugal faced a dire threat.

In 1496, King Manuel I issued an edict that all the Jews in Portugal either had to convert to Christianity or leave the country without their children. Not much of a choice. Even those who attempted to leave the country were often coerced into staying and converting. All of the converted Jews and their descendants would become known as “New Christians.” However, many of these Jews only pretended to convert and secretly practiced their religion, fully aware of the harsh penalties if they were caught. In Hebrew, they were known as anuism, the “forced ones.

In 1536, the situation worsened with the formation of the Portugal Inquisition, which especially targeted the New Christians, seeking to ensure whether their conversion was true or not. The Jews needed to be clever, to maintain their disguise as converted ones, and sausages played a role in this deception. Sausages???

In the region of Trás-os-Montes, many people prepared their own pork sausages, meat which could easily last through the winter, and they would commonly hang the sausages from the rafters of their homes. These sausages were easily visible and homes without such sausages might be suspect, as Jews didn’t eat pork. Thus, in a clever stratagem, Jews decided to create their own type of sausage, something to hang in their own rafters, to avoid drawing attention to themselves.

Possibly originating in the city of Mirandela, the alheira was born, a sausage made from chicken, garlic and bread crumbs. No pork was used in the creation of these sausages. When they were hanging out, they appeared to be a normal sausage and no one was the wiser. In the photo above, you can see slices of alheira, and it somewhat resembles an exploded sausage due to the fillers within it. Nowadays, alheira sausages come in many different variations, such as using different meats or even no meat at all.

During my trip, we enjoyed alheira during several different meals, generally sliced and placed on a plate with another type of sausage. The alheira has a more unique texture, cause of the fillers, which might seem odd to you at first if you’ve never tasted these sausages before. I liked the taste of the alheira, with it’s nice blend of spices and garlicky taste, and it wasn’t as salty as some other sausages I’ve tasted. If you travel to northern Portugal, seek out alheira and remember how they helped to save Jews from persecution.

(PUB) O povo é fascista… – Maria Fátima Bonifácio

(PUB) A esquerda, não só radical, não percebe nada do que se está a passar no Mundo. Mais: recusa-se a perceber.

55% dos eleitores brasileiros optaram e votaram pelo “fascismo”, no pobre e primitivo entender da esquerda radical. O líder-sombra do BE, na televisão, ainda insinuou que os votantes em Bolsonaro eram a classe média e daí para cima! É extraordinário como mentes brilhantes se enganam a si mesmas tão facilmente! É extraordinário como o sectarismo pode cegar mais do que a real doença da cegueira! A esquerda, não só radical, não percebe nada do que se está a passar no Mundo. Mais: recusa-se a perceber.

Compreende-se: se aceitasse perceber, estaria a reconhecer que todas as suas categorias de análise política e histórica tinham ido barra fora, engolidas, mais ao largo, pela voracidade destrutiva das ondas marítimas; o mundo de hoje é um mar furiosamente encapelado. Essas categorias analíticas estão tão velhas e imprestáveis que, se abaladas, provocariam a derrocada de toda a Utopia socialista-comunista. Quantas vidas a ela honestamente dedicadas não mergulhariam na mais frustrante das desilusões, de quantos sonhos esfarrapados se não teceriam os lençóis que tapam os caixões! E, sobretudo, a que margens, a que praias arribariam os náufragos fugidos do navio em lento mas inexorável afundamento? A que ramagens, a que galhos se agarrariam? O navio afundado deixaria um imenso orfanato, atulhado de gente desempregada ante a derrocada do monopólio de tudo quanto beneficiava à conta da suposta superioridade moral que a si mesma se atribuía.

Em vários países e continentes, os pobres e remediados parece que decidiram não mais servirem de trunfo para os que em nome deles falam, mas que não falam com eles. Nem falam, nem ouvem. Basta-lhes o catecismo revolucionário. O que acontece hoje em dia é que em vários países e continentes esse catecismo caducou.

O Brasil democrático sempre foi corrupto. Mas o PT alterou as regras do regime de corrupção – porque as havia – tornando esta incontrolável quer do ponto de vista do volume de dinheiro que habitualmente circulava, quer do ponto de vista do número, da rede tentacular em que todos os políticos se vieram a encontrar enrolados. A grande corrupção não era nova. Nova foi a amplitude que ela ganhou, e que coincidiu com a chegada do PT ao poder.

Esta coincidência não passou desapercebida aos brasileiros, que se cansaram de desculpar a esquerda, democrática e soi-disant popular, amiga dos pobres mas… ainda muito mais amiga de si mesma! O PT foi tão longe nesta deriva de mentira e ladroagem que o povo se fartou: o pêtismo tornou-se, simbólica e realmente, na incarnação da ladroeira, e da hipocrisia – sim, da hipocrisia: em nome do povo, dirigido por um ex-metalúrgico, transformou-se numa máquina de rapina generalizada, corroeu e corrompeu, como ninguém até ali conseguira, os alicerces morais da nação.

Ninguém – muito menos eu – sabe ao certo o que é, quem é e ao que vem Bolsonaro. Mas a maioria dos brasileiros sabia uma coisa: ele não vinha dos subterrâneos do pêtismo. Virá de outros, possivelmente piores, mas não destes, pouco importa para a maioria dos brasileiros. O voto não veio, como aliás quase nunca veio em parte alguma, da luta de classes: veio da repugnância pelo desbragamento pêtista e do desejo de lhe dizer – “Basta!”

O PT corrompeu toda a gente e pôs toda a gente a corromper toda a gente. Cá de baixo, do fundo da sua miséria, os pobres; e, do fundo da sua mediania, os remediados e a gente de bem, que a há em todas as classes, perceberam que não havia alternativa dentro do PT ou com a mais remota colaboração do PT. Bolsonaro era um radical anti-PT; radical, violento, primitivo, brutal, deseducado. Muito em consonância com o povo, portanto, e nada em consonância com os professores da Universidade de São Paulo ou com os letristas das maravilhosas canções brasileiras. O povo votou à bruta, mas não com mais bruteza do que a bruteza investida por toda a classe política no saque da riqueza pública brasileira.

A esquerda não gosta deste povo assim? Como disse Bertolt Brecht, em ano que não sei precisar, mude-se de povo, arranje-se um povo à medida dos seus dirigentes, que lhes seja de feição. A solução exterminadora dos comunistas e dos verdadeiros fascistas, um exemplo histórico e concreto, é uma alternativa aprazível.

Já agora: quem se lembra ainda do martírio da Venezuela, que vai morrendo às mãos de um psicopata de esquerda e seus sequazes regiamente pagos pela Goldman Sachs?

(ECO) Isto é tudo o que precisa saber sobre o Web Summit

(ECOA Web Summit regressa, entre segunda e quinta-feira, a Lisboa. Aqui encontra desde a forma de lá chegar até a todos os constrangimentos em resultado da cimeira tecnológica.

A cimeira tecnológica Web Summit regressa, entre segunda e quinta-feira, a Lisboa, onde ficará por mais dez anos, com a organização a prometer “a melhor edição”, mas sem se livrar de polémicas neste e nos dois anos anteriores.

A Web Summit chegou a Lisboa em 2016 e trouxe 53 mil pessoas de 166 países, 15 mil empresas, 7.000 presidentes executivos, 700 investidores de topo e 2.000 jornalistas internacionais.

No ano passado, estes números subiram, para um total de 60 mil participantes de 170 países, 1.200 oradores, duas mil ‘startups’, 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.

Porém, estas duas edições anteriores ficaram marcadas não só pela dimensão e pelo crescimento do evento, mas também por polémicas.

Na edição de 2016, verificaram-se várias dificuldades nos acessos (rodoviários e por transportes públicos, como o metro) ao Parque das Nações, zona do evento, bem como problemas na entrada, com alguns participantes a não conseguirem assistir à cerimónia de abertura, por exemplo.

Já no ano passado, foi no final do evento que a polémica se instalou, devido à utilização do espaço do Panteão Nacional para a realização de um jantar exclusivo para convidados da Web Summit, situação que motivou várias críticas e levou a organização a pedir desculpas “por qualquer ofensa causada” e a garantir que o evento, “conduzido com respeito”, cumpriu as regras do local.

Para este ano, a organização já prometeu “a maior e a melhor” edição de sempre, com novidades e mais de 70 mil participantes.

Ainda assim, a lista de oradores desta edição já deu que falar, levando o presidente executivo da Web Summit, Paddy Cosgrave, a retirar o convite à líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, para integrar a lista de oradores, depois das críticas de vários setores.

O Governo português chegou mesmo a esclarecer que não tinha intervenção na seleção de oradores da cimeira.

Eis as principais informações que se conhecem sobre a Web Summit:

Qual é a origem da Web Summit?

Fundada em 2010 por Paddy Cosgrave e os cofundadores Daire Hickey e David Kelly, a Web Summit é um dos maiores eventos de tecnologia, inovação e empreendedorismo do mundo e evoluiu em menos de seis anos de uma equipa de apenas três pessoas para uma empresa com centenas de colaboradores.

Em 2016, a cimeira mudou-se para Lisboa, com uma previsão inicial de ficar três anos. Porém, no início de outubro deste ano, foi anunciado que o evento continuará a ser realizado em Lisboa por mais 10 anos, ou seja, até 2028, mediante contrapartidas anuais de 11 milhões de euros e a expansão da Feira Internacional de Lisboa (FIL).

acordo prevê ainda uma cláusula de rescisão de 3,4 mil milhões de euros, o que significa que se a Web Summit quiser sair, terá de indemnizar o Estado. Este montante corresponde ao impacto total estimado do evento, já que, segundo fonte da Câmara de Lisboa, se traduz em 340 milhões de euros por cada ano de incumprimento do acordo.

O Governo estima, assim, que a atividade económica gerada por este evento atinja mais de 300 milhões de euros, a par de 30 milhões encaixados em receitas fiscais.

Onde é o evento?

À semelhança das duas edições anteriores, a Web Summit decorre entre segunda e quinta-feira no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na FIL, em Lisboa.

O que traz de novo esta edição?

A terceira edição terá “três novos palcos”: o “DeepTech”, no qual estará em foco o impacto de tecnologias como a computação e a nanotecnologia na indústria e na vida quotidiana; o “UnBoxed”, onde críticos de tecnologia irão analisar produtos eletrónicos; e ainda a “CryptoConf”, que debaterá assuntos como as moedas digitais.

Ao todo, serão 25 conferências diferentes dentro de uma só cimeira para discutir realidades relacionadas com a tecnologia, em áreas como o ambiente, o desporto, a moda e a política.

A edição de 2018 em números

  • Mais de 70 mil participantes, oriundos de mais de 170 países;
  • Mais de 20.000 empresas e mais de 1.000 ‘startups’;
  • Mais de 1.000 investidores e cerca de mil oradores;
  • Mais de 2.500 jornalistas internacionais;
  • Uma competição de ‘pitch’ com 200 concorrentes;
  • Preços dos bilhetes estão a rondar os 1.000 euros (base), os 5.000 euros (para diretores) e os 25 mil euros (para presidentes de Conselho de Administração);
  • A estes acrescem 10 mil bilhetes vendidos a cinco euros para jovens entre os 16 e os 23 anos e 10 mil bilhetes mais baratos destinados a mulheres empreendedoras no âmbito do programa Women in Tech.

Estes são alguns dos oradores presentes

Quanto aos oradores deste ano, destacam-se personalidades como o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, a atriz Maisie Williams, o presidente executivo do eBay, Devin Wenig, o presidente executivo da Nestlé, Mark Schneider, o ‘designer’ de moda Alexander Wang e o presidente da Microsoft Corporation, Brad Smith, entre outros.

Do grupo de oradores portugueses fazem parte o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, o comissário europeu Carlos Moedas, o primeiro-ministro, António Costa, e o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Quem são os principais parceiros do evento?

Amazon Web Services, KPMG, Booking.com, BMWi, Mercedes-Benz.io, Volkswagen We, IBM, Cisco, Siemens, Microsoft, Google, Altice, EDP.

Como ir para a cimeira? De transportes públicos

Relativamente aos transportes públicos, o Metropolitano de Lisboa vai monitorizar a circulação na linha Vermelha durante a realização da Web Summit, com o objetivo de procurar ajustar a oferta à procura, além de reforçar o serviço de apoio ao cliente em várias estações.

Ao mesmo tempo, vai permitir a todos os participantes da cimeira da tecnologia a aquisição prévia de títulos de transporte, através de uma plataforma digital, com recurso ao pagamento com cartão de crédito.

O Metro vai ainda, em conjunto com a Carris e a CP – Comboios de Portugal e, em coordenação com a organização da Web Summit, estar presente nos locais de acreditação do evento, nomeadamente no Aeroporto e na FIL a prestar informação e encaminhamento dos visitantes, além de vender os títulos de transporte nesses locais.

O segundo e o quarto (e último) dia do evento serão marcados por greves parciais dos trabalhadores do Metropolitano, entre as 06h00 e as 09h30, que justificam a paralisação com a discordância com a proposta de atualização salarial plurianual de 24,50 euros para os anos de 2018 e 2019, que deverão perturbar o serviço.

Para quem optar por táxis, a empresa Cooptáxis divulgou que terá parte da frota com mil táxis e profissionais “mobilizados e focados” no evento.

Já para os utilizadores de plataformas eletrónicas de transporte, a Taxify anunciou que vai disponibilizar carros de seis lugares.

No que toca às chegadas ao país por via aérea, a ANA – Aeroportos de Portugal garantiu, numa resposta escrita enviada à agência Lusa, que “o Aeroporto Humberto Delgado [em Lisboa] está preparado para fazer face ao volume de visitantes previsto”.

A ANA nota ainda que “a preparação do acolhimento dos visitantes é feita com bastante antecedência”, o que se reflete, de acordo com a gestora aeroportuária, na “criação de espaços próprios que não só geram melhores fluxos na credenciação do evento como fornecem melhor serviço aos participantes”, bem como no “reforço do serviço de ‘’wi-fi’ para fazer face ao acréscimo de utilização”.

“Há espaços dedicados à credenciação de todos os visitantes, bem como de grupos específicos, e acessos de estacionamento e outros no sentido de agilizar o acolhimento deste elevado fluxo de visitantes”, refere a ANA, adiantando que vai ainda “reforçar a sinalética e o acompanhamento de passageiros” nos dias anteriores e do evento.

Ruas cortadas? Sim

Já para quem se deslocar de carro, a partir de domingo e até ao final do evento, estão previstos condicionamentos à circulação automóvel em toda a zona envolvente do Parque das Nações, sob vigilância policial.

A Alameda dos Oceanos, no sentido norte-sul, entre a Rotunda dos Vice-Reis e a Avenida do Índico, estará circulável, mas a circulação estará interrompida na Alameda dos Oceanos junto à FIL, entre o Pavilhão de Portugal e a rotunda dos Vice-Reis (sentido sul-norte).

Estará também cortada a Rua do Bojador, no troço entre o Altice Arena e a Feira Internacional de Lisboa (troço nascente-poente) e a Avenida do Atlântico, entre a Feira Internacional de Lisboa e a Praça Sony.

Estarão condicionadas a Rua do Bojador entre a Avenida da Boa Esperança e o Altice Arena e a Avenida da Boa Esperança entre a Rotunda dos Vice-reis e o Hotel Myriad.

Mais risco, mais segurança

A PSP anunciou que irá adotar medidas de segurança adicionais e cortar vias à circulação automóvel a partir de domingo no Parque das Nações, em Lisboa, devido à realização da ‘Web Summit’ 2018 na próxima semana.

Em comunicado, a PSP destacou que, “apesar de não ter existido um aumento do nível do grau de ameaça para a edição deste ano, relativamente à de 2017”, serão tomadas “medidas de segurança adicionais” centradas “na prevenção e proatividade”, com a delimitação de perímetros e no controle de visitantes nas entradas, que passam pela utilização de detetores de metais e aparelhos de Raio-X.

Operadoras reforçam cobertura

As três operadoras móveis Altice Portugal, NOS e Vodafone Portugal vão reforçar as suas redes devido à Web Summit, com a dona da Meo a assumir o desafio de duplicar os dados que circulam nas suas redes.

“A Altice Portugal, parceira tecnológica da Web Summit, dotou os locais onde decorre o evento — FIL e Altice Arena — com rede wi-fi de última geração, tendo sido esta uma das principais razões para a transferência do evento da Irlanda em Portugal”, indicou a dona da Meo à Lusa.

Assim, “serão asseguradas todas as condições para dotar os espaços com cobertura ‘wi-fi’ de alta densidade e alta disponibilidade, adequadas ao nível de exigência e à dimensão internacional do evento, para o qual se prevê a presença simultânea de mais de 67 mil dispositivos”, acrescentou.

No ano passado, o número total de dispositivos ligados à rede ‘wifi’ no evento foi superior a 50.000, representando mais de 2,1 milhões de sessões e 45 terabytes (TB) de dados.

Por sua vez, a NOS “vai realizar um reforço da rede móvel nas tecnologias 2G, 3G e 4G em toda a envolvente do Parque das Nações, através da colocação de uma torre móvel temporária e upgrade de rede nas estações que servem a área”, informou fonte oficial.

Também serão reforçadas, a nível de rede móvel, outras zonas como Chiado, Bairro Alto, Príncipe Real, Lx Factory e Cais do Sodré. A linha vermelha do metro de Lisboa, apesar de este ano já ter sido integrada no plano geral de melhoria da rede da NOS, também será alvo de intervenção com aumento de capacidade face ao volume de visitantes esperado”, acrescentou a NOS.

A Vodafone Portugal sublinhou que “sempre que ocorrem eventos de grande dimensão” a operadora “leva a cabo planos dedicados de reforço de cobertura e capacidade da sua rede de comunicações móveis””, sendo que a Web Summit “é um desses exemplos, enquanto evento onde são esperados mais de 70 mil pessoas com necessidades de comunicação muito exigentes”.

Na última edição, acrescentou, foram gerados 6TB de dados e mais de 700 mil minutos de tráfego de voz na rede Vodafone, “não se tendo registado qualquer falha ou anomalia”.

Em todo o espaço em que decorre o evento encontram-se instaladas mais de 30 antenas e pontos estratégicos dentro e fora do recinto, que reforçam a capacidade da rede móvel nos ambientes onde há bastante utilização de dados, adiantou a Vodafone, sublinhando que este ano a operadora “instalou ainda uma antena especial com tecnologia ‘Massive Mimo’”, que servirá de base ao 5G – a quinta geração móvel, que no mercado português “é apenas utilizada pela Vodafone”.

Ocupação hoteleira próxima dos 100%

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) estimou uma “ocupação próxima dos 100%” nos estabelecimentos de Lisboa na próxima semana, devido à realização da cimeira de tecnologia Web Summit, o que se deverá refletir nos preços.

“Prevê-se que os hotéis da cidade de Lisboa possam fechar com uma ocupação muito próxima dos 100% naquela semana [a próxima] e o preço naturalmente irá ajustar-se”, indicou a AHP numa resposta escrita enviada à Lusa.

Segundo esta entidade, nas duas edições anteriores, “há a registar que os participantes ficaram na hotelaria da cidade, mas também em toda a região de Lisboa”.

“Outras formas de alojamento também foram bastante procuradas, sobretudo pelos participantes mais jovens”, acrescentou.

Por seu lado, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) prevê que os participantes na Web Summit gastem mais de 61 milhões de euros nos quatro dias da conferência internacional de tecnologia.

Depois de ouvidos os seus associados, a AHRESP estimou que os esperados 70 mil visitantes da terceira edição do evento em Lisboa gastem cerca de 61,6 milhões de euros, num gasto médio diário de 220 euros, dos quais 120 euros em alojamento e 50 euros em “restauração e animação”.

Iniciativas paralelas

À semelhança das outras edições, nesta haverá eventos paralelos à cimeira, desde logo “duas grandes iniciativas” nos dias anteriores, de acordo com a organização.

Em causa está, assim, uma conferência sobre inovação corporativa, destinada apenas a convidados que trabalham na área da inovação de “algumas das maiores empresas do mundo”, como a Mozilla, a Allianz Technology, a General Motors, a P&G, a Vodafone, a Lamborghini, entre outras.

Já no fim de semana anterior à Web Summit decorre a iniciativa Surf Summit, na Ericeira, na qual empreendedores, investidores e oradores se juntam para dois dias de atividades ao ar livre.

Nos dias em que decorre a cimeira e após o horário das conferências, voltam as ações de convívio noturnas Night Summit, no LX Factory, e as festas de final de dia Sunset Summit, no Pavilhão Portugal.

App tem mais funcionalidades

Criada na edição de 2015 da Web Summit e atualizada este ano, a app (aplicação) disponibilizada pela organização permite aos participantes encontrar as pessoas certas dentro do recinto.

A aplicação funciona nos ‘smartphones’ com os sistemas operativos iOS e Android servindo como bilhete de entrada, para atualizar em tempo real o programa do evento e para recomendar em que discussões deve estar presente e quais as pessoas indicadas para falar e conhecer, sejam eles investidores, startups ou oradores.

Quanto mais dados foram compartilhados e mais ativo for o utilizador na aplicação, mais recomendações receberá, naquele que é caracterizado como um “esforço colaborativo”. Além disso, os participantes também poderão comunicar uns com os outros através da funcionalidade de chat (diálogo) da aplicação.

Este ano, foram introduzidas novas funcionalidades na aplicação, incluindo a possibilidade fazer pedidos de reunião, acompanhar oradores e fazer conversas de grupo.

(NotíciasMagazine) Judeus: estará em Portugal a nova terra prometida?

(NotíciasMagazine) Há um novo fenómeno no interior português. Milhares de turistas judeus estão a invadir lugares como Castelo de Vide, Belmonte ou Trancoso para conhecer o património judaico nacional. No último ano, o número de visitantes aumentou extraordinariamente. Há novas linhas aéreas entre Portugal e Israel, novas agências especializadas, novos hotéis, novas lojas kosher. História de um retorno.

Texto Ricardo J. Rodrigues | Fotografias Rui Oliveira/Global Imagens

Nas cozinhas dos hotéis que vão nascendo junto à raia, toda a gente sabe para que lado fica Jerusalém. «Essa foi uma das primeiras coisas que tivemos de aprender quando os turistas judeus começaram a chegar», diz António Lopes, proprietário do hotel Monte Filipe, um quatro estrelas com cinquenta quartos nos arredores de Castelo de Vide. Até 2015 acolhiam em média 150 hóspedes hebreus por ano, gente que vinha à procura das suas raízes no interior português.

Mas em 2017 esse número subiu para mil e neste ano esperam dobrar o milhar de dormidas em junho. «Há um verdadeiro boom no turismo judaico e isso está a revelar-se um balão de oxigénio para nós. Neste momento, estamos a treinar todos os nossos empregados para nos adaptarmos às necessidades desta nova clientela. Sobretudo na cozinha, onde a comida tem de ser confecionada sob os preceitos kosher. A carne, por exemplo, tem de ser cortada na direção de Israel.»

Na semana passada, a secretária de Estado do Turismo fez uma digressão pelas comunidades semitas dos Estados Unidos para promover o país como destino religioso judeu. «A ideia é mostrar Portugal como lugar tolerante e seguro e com uma herança judaica muito forte», dizia Ana Mendes Godinho à Notícias Magazine na véspera da partida.

«O número de israelitas a visitarem-nos explodiu e queremos que este nicho convoque gente também do outro lado do Atlântico. Portugal pode ser visitado enquanto destino final mas também pode ser um stopover [paragem por uns dias] para quem viaja para Israel.»

O Turismo de Portugal criou uma Rede de Judiarias em 2011, que hoje integra 37 municípios em todo o país. Mas é na zona da raia que o turismo está a ter mais impacto. Mais informações em www.redejudiariasportugal.com.

Depois desta ação em território americano, aliás, o governo planeia estender a promoção ao Canadá e ao Brasil, onde também existem comunidades relevantes. «Este mercado interessa-nos. É um turismo que vai descobrir o país, que vai descobrir o interior, que traz investimento e empreendedorismo aos territórios mais deprimidos.»

Os números do Instituto Nacional de Estatística são esclarecedores. Se no início desta década contavam-se em média cinco mil hóspedes israelitas por ano nos hotéis nacionais, em 2017 o número disparou para 105 mil, um aumento de mais de dois mil por cento.

Este boom teve efeitos diretos na aviação civil. Em novembro, a TAP e a EL AL – Air Israel abriram um acordo de codeshare para simplificar as conexões entre os dois países nos aeroportos para onde ambas voassem. Mas, um mês depois, a companhia de bandeira israelita percebeu o interesse nos voos para Portugal e decidiu reforçar uma linha com sete ligações semanais diretas entre a capital portuguesa e Telavive – que entra em funcionamento em março.

no início da década contavam-se em média cinco mil hóspedes israelitas por ano nos hotéis nacionais, em 2017 o número disparou para 105 mil. Um aumento de mais de 2000 por cento.

Não há dados que digam quantos destes turistas viajam por vocação religiosa, mas nas pequenas cidades e vilas do interior, onde resistem os traços mais emblemáticos da presença judaica em Portugal, está a acontecer uma revolução.

«O mercado israelita tornou-se em 2017 a segunda nacionalidade estrangeira a visitar o concelho, atrás apenas de Espanha, que fica aqui a quinze quilómetros, e ultrapassando países como Inglaterra, Alemanha, França ou Itália», diz António Pina, presidente da Câmara de Castelo de Vide.

«Há três anos, o nicho judaico representava menos de três por cento do nosso turismo, agora ultrapassa largamente os vinte por cento. Isto está a criar um dinamismo como há muito não víamos no município.»

«Temos casais israelitas a mudarem-se para aqui para abrir turismos rurais especializados, temos os hotéis da região a adaptarem-se às novas exigências, vamos abrir um cinco estrelas na cidade até ao fim do ano. Numa zona completamente abandonada, escondida atrás da serra, isto é o melhor que nos podia ter acontecido.»

A hotelaria é a face mais visível da mudança que os judeus estão a trazer à raia. Em abril de 2016 abriu o Belmonte Sinai Hotel, a primeira unidade do país criada propositadamente com foco no turismo judaico. Está classificada com quatro estrelas e tem 27 quartos.

«Das 16 mil dormidas que recebemos anualmente, mais de metade são judeus», diz o diretor, Ricardo Abreu. Sobretudo israelitas, americanos, brasileiros e argentinos. «Além da comida, dedicamos grande atenção ao sabbath, que começa no pôr do Sol de sexta feira e só termina no sábado à noite.

Em Belmonte abriu o primeiro hotel especializado neste nicho. «No Sabbath não há tecnologia», diz Ricardo Abreu, o diretor. «Até as chaves eletrónicas são substituídas por manuais.»

É um dia sagrado de descanso em que não se pode, por exemplo, tocar em dinheiro ou tecnologia. Então desligamos as televisões, entregamos chaves manuais em vez das eletrónicas, os quartos ficam apenas equipados com luzes de presença.» Os elevadores, da marca Schindler, o industrial alemão que salvou 1200 judeus do Holocausto, também não são usados em dia santo.

A história repete-se 65 quilómetros para norte, no Hotel Turismo de Trancoso, também de quatro estrelas. «Abrimos há oito anos, mas de há dois para cá começámos a receber excursões atrás de excursões e agora decidimos instalar duas cozinhas, uma delas vocacionada exclusivamente para alimentação kosher», diz Júlio Sarmento, o proprietário.

«Em dois anos, o mercado judaico, que não existia, passou a representar 25 por cento da nossa faturação e temos tido aumentos de lucro na casa dos dez por cento anuais. Em 2017, as contas fecharam nos 440 mil euros, o que é extraordinário numa região desertificada como a nossa.»

Esse sucesso tem efeitos colaterais, diz. Para abastecer as refeições, criaram acordos com fornecedores especializados em toda a Beira Interior. «Nos distritos da Guarda e de Castelo Branco estão a aparecer cada vez mais produtores de carne, queijo e azeite que seguem as leis da Tora. Isto está a mexer muito com a nossa economia.»

Júlio Sarmento diz que o turismo judaico já representa um quarto da faturação do Hotel Turismo de Trancoso.

Mas porque é que, 500 anos depois de terem sido expulsos do país, os judeus estão a regressar agora, precisamente agora, a Portugal? «Há dois motivos essenciais para as coisas terem mudado», diz a historiadora Carla Santos, que a partir de Trancoso investiga a presença judaica no país.

«O primeiro é o real funcionamento de uma Rede Nacional de Judiarias a partir de 2015. O segundo é a lei do mesmo ano que garante dupla nacionalidade a quem provar ter como ascendentes judeus sefarditas, que foram expulsos de Portugal no século XV.»

Vamos por partes. A Rede Nacional de Judiarias foi criada em 2011 por iniciativa da Região de Turismo da Serra da Estrela e integra 37 municípios portugueses. Tem sede em Belmonte e tem feito um trabalho notável de catalogação do património material judaico existente no país.

As bibliotecas destas povoações estão por estes dias cheias de investigadores e historiadores, contratadas por famílias judias estrangeiras para descobrirem as raízes em Portugal.

No final de 2014, a EEA, uma instituição norueguesa que financia projetos que reduzam a disparidade entre o Norte e o Sul da Europa, decidiu atribuir uma bolsa de cinco milhões de euros à rede portuguesa para que se pudessem recuperar edifícios e criar centros interpretativos. A partir daí abriram-se museus, recuperaram-se sinagogas, colocaram-se placas sinaléticas onde elas não existiam.

A organização tremeu em novembro do ano passado, quando o secretário-geral, Marco Baptista, acabado de perder as eleições autárquicas na Covilhã, desapareceu levando alegadamente consigo 115 mil euros dos cofres da instituição. Ainda assim, um mês depois, a EEA anunciou novo investimento de cinco milhões de euros nas judiarias portuguesas.

A lei que concede nacionalidade portuguesa aos descendentes de judeus expulsos de Portugal nos séculos xv e xvi foi iniciativa do governo de Passos Coelho. Entrou em vigor em março de 2015 e, desde então, o interesse forasteiro pelo país é inegável. Há 12 mil pedidos de cidadania de estrangeiros e 1800 já foram aprovados. Um dos problemas da concessão é encontrar o rasto genealógico – afinal, todos os documentos da Inquisição foram queimados.

Israel tornou-se em 2017 a segunda nacionalidade estrangeira a visitar Castelo de Vide, atrás de Espanha, que fica a 15 quilómetros, e ultrapassando Inglaterra, Alemanha, França ou Itália.

Mas até isso está a abrir um novo nicho de mercado no país. «Desde que a lei foi aprovada, não há semana em que não tenha investigadores licenciados em História, contratados por judeus de Israel, Estados Unidos ou Brasil, a virem para a nossa biblioteca e o nosso centro de arquivo», diz Carla Santos.

A secretária de Estado do Turismo concorda: «Há todo um mercado na investigação genealógica que se está a desenvolver paralelamente ao turismo judaico.»

Para Elisha Salas, rabino de Belmonte, este interesse renovado por Portugal é puramente emocional. «Veja a história deste povo. Desde Moisés ao Holocausto, passando pela Inquisição, a história dos judeus é uma história de perseguição constante. A partir do momento em que tornamos a ser aceites, temos uma grande obsessão de descobrir as nossas raízes, perceber de onde vimos.» Na vila onde mora há, aliás, a última comunidade criptojudaica conhecida do mundo.

Os judeus de Belmonte viveram em total sigilo durante cinco séculos, até aos anos oitenta do século passado. Nas suas casas ainda há sinagogas secretas, ladaínhas aprendidas em surdina, rituais que insistem fazer à porta fechada. «Na televisão israelita passam constantemente reportagens sobre Belmonte», diz ele.

«E eu sempre tive a sensação de que a história deste povo, destas 25 famílias que resistiram durante tanto tempo, que pagaram cara a perseverança de se manterem unidos, nomeadamente com os problemas de saúde decorrentes da consanguinidade, é mais conhecida em Telavive do que em Lisboa ou no Porto. Agora que os turistas hebraicos chegaram, é claro que eles querem vir aqui.»

Para Elisha Salas, rabino de Belmonte, o novo interesse dos judeus por Portugal é emocional. «Desde Moisés ao Holocausto, passando pela Inquisição, sempre fomos um povo perseguido. Quando somos aceitos, temos uma grande obsessão de descobrir as nossas raízes.»

Apesar de as duas principais cidades do país terem também assistido a um enorme incremento no fluxo do turismo judaico, é aqui, nas terras esquecidas pelos portugueses, que ele tem maior impacto. «O turismo representa cinco milhões de euros para o nosso concelho, é um dos vetores essenciais da nossa economia.

E hoje posso dizer que a fatia mais importante vem precisamente deste nicho», diz o presidente da Câmara de Trancoso, Amílcar Salvador. «Pense no que isto representa para um concelho como o nosso. Todos os meses entram no centro de interpretação judaico 800 pessoas, neste ano o número ainda aumentou trinta por cento. São pelo menos 25 mil visitas numa cidade que não tem mais de três mil habitantes. Agora, uma coisa é certa, temos de estar preparados para acolhê-los.»

Na faixa onde a presença judaica foi mais forte – a linha montanhosa do interior centro – as câmaras apostam fortemente em melhorar a oferta. Em Belmonte foi criado em 2005 um espetacular museu judaico que conta a história dos hábitos religiosos da comunidade local, e que em 2017 aumentou as visitas em 33 por cento, apesar de ter estado fechado quatro meses para remodelação.

A história de Belmonte é hoje mais conhecida em Telavive do que em Lisboa. Foi o último povo judaico a viver escondido do mundo, até aos anos oitenta do século XX.

Em Trancoso, o Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso está a ser renovado, tem uma sinagoga para acolher cerimónias religiosas dos judeus que a visitam, e em março do ano passado abriu portas o Museu Bandarra, dedicado ao profeta medieval acusado pela Inquisição de ser judeu.

Em Castelo de Vide, está prestes a abrir a Casa da Inquisição, num antigo palacete na judiaria da cidade, onde há alçapões que dão acesso a esconderijos e mobiliário que se abre para garantir acesso a uma secretíssima sinagoga. Também terá um centro de genealogia, para ajudar judeus e investigadores a encontrarem as origens das suas famílias.

«Este turismo interessa-nos», diz a Secretária de Estado do Turismo. «Ainda mais porque vai descobrir as zonas mais deprimidas do interior do país.»

«É realmente a estes sítios que as pessoas querem ir», diz Isaac Assor, diretor-geral da Alegretur, uma agência turística portuguesa especializada neste nicho de mercado. «Os circuitos começam por norma na capital e terminam no Porto, mas as experiências mais marcantes acontecem sempre na Cova da Beira.»

Há cinco anos, diz ele, não acolhia mais de dez grupos por ano, agora o número quintuplicou. «Vêm normalmente excursões de trinta a quarenta pessoas, maiores de 50 anos, de classe média alta. E o seu interesse está concentrado precisamente na faixa onde se fixou a população de Sefarad, o nome hebreu da península.»

As viagens duram em média uma semana. Também podem ir a Tomar, onde existe uma sinagoga sefardita, a Castelo Branco, Idanha-a-Nova ou Covilhã, onde há marcas judaicas bem preservadas, mas o facto é que Castelo de Vide, Belmonte e Trancoso são as paragens obrigatórias, a alma dos milhares que se esconderam, foram convertidos e acabaram por se converter em cristãos-novos.

O centro de interpretação judaico de Trancoso vai entrar em trabalhos de reconversão. Hoje acolhe uma sinagoga, para que os turistas que visitam a cidade possam ter o seu lugar de oração.

No centro de uma das judiarias mais intactas do país, a de Castelo de Vide, Carolino Tapadejo criou um museu para homenagear o legado familiar. Presidente da câmara durante toda a década de 1980, descendente de ferreiros judeus e ele próprio escultor de ferro, é uma autoridade na história sefardita da cidade.

Quando terminou a carreira autárquica, decidiu tirar o curso de Turismo Cultural – e foi aí que começou verdadeiramente a explorar aquele legado esquecido durante séculos. Hoje passa os dias a dar palestras sobre a história judaica da cidade.

«Vou constantemente a Israel, sou professor na Universidade da Extremadura, em Espanha, tenho viajado pelo mundo todo a falar da nossa Sefarad», atira. «Depois acolho grupos estrangeiros que vêm aqui. Falo hebraico, e isso ajuda.»

Acompanhá-lo pelas ruas da judiaria é toda uma lição de história. «Os primeiros relatos da presença judaica vêm de 1320, quando sete famílias de Gibraltar se instalam aqui para desenvolver o negócio das tinturarias. Mas é no século XV, claro, que as coisas mudam de figura.»

Há ainda hoje rituais que derivam da tradição judaica. Como os maranhos e as alheiras, enchidos sem porco. Como o descruzar de braços quando se faz uma promessa, que a cruz foi o tormento dos judeus.

Em 1492, os reis católicos expulsam toda a comunidade de Espanha e muitos rumam a Portugal, onde D. João II aceita acolhê-los. «De repente, Castelo de Vide, que na altura tinha oitocentos habitantes, vê-se com um acampamento de quatro mil judeus à porta da cidade. O país na altura não tinha mais de um milhão de pessoas e pelo menos cem mil hebreus dão entrada nesse ano nas nossas fronteiras. Há de ter sido uma revolução.»

Ao contrário da população católica, os sefarditas tinham um nível elevado de educação. Isso ameaçava o grupo que detinha o monopólio da cultura – o clero. «É por isso e pelo poder económico crescente dos judeus que D. João III cria em 1536 a Inquisição e o povo sefardita recebe ordem de expulsão.»

Abrem-se tribunais em Lisboa, Coimbra e Évora, que até à abolição dos autos de fé pelo Marquês de Pombal, em 1773, condenam à morte quarenta mil pessoas. «Ou saíam, ou eram queimados vivo, ou se convertiam em cristãos-novos e eram expropriados de todos os bens. Mas muitos continuavam a praticar a sua religião em segredo e a cidade está apinhada de marcas dessas práticas secretas.»

Carolino Tapadejo criou um museu para homenagear o legado familiar. Presidente da Câmara de Castelo de Vide durante toda a década de 1980, é uma autoridade na história sefardita da cidade. É descendente de ferreiros judeus.

Desde logo na arquitetura das casas. Os edifícios judeus têm sempre duas portas, uma para a habitação, outra para a loja. E depois há menorás, os famosos candelabros de sete velas, esculpidos nas ombreiras das portas, ou cruzes a assinalar a nova cristandade. «Muitas tradições subsistem. Aqui, por exemplo, é comum ver as mulheres varrer a casa às sextas-feiras e deixar uma vela acesa escondida dentro de um pote na noite de sexta para sábado, durante o sabbath

A comida é outro sinal claro. Enchidos feitos de aves, como as alheiras do Norte, ou de cabra, como os maranhos do centro, serviam para despistar as autoridades eclesiásticas. «Mas talvez o traço principal aconteça na semana da Páscoa, quando se mata o cabrito ou o borrego e se deixa o sangue do mesmo à janela, como fazia no primeiro testamento bíblico o povo de Israel.»

Foi durante uma das viagens a Israel em que contou estas mesmas histórias na televisão que Carolino Tapadejo viveu um dos momentos mais emocionantes da sua vida. Uma mulher contactou-o depois de o ver no canal israelita e contou-lhe que a sua família tinha fugido de Castelo de Vide no século .

«Era uma senhora de uma certa idade e com muito pouca mobilidade. Disse-me que a sua família passara de geração em geração a promessa de um dia aqui voltar. E, nisto, abre a mala e mostra-me uma chave muito antiga, de ferro.»

«A história deste povo é uma história de perseguição. Quando Portugal nos abre as portas, nós queremos viajar para aqui e conhecer as nossas raízes.»

Era a chave da casa daquela família na cidade alentejana, guardada durante mais de quatrocentos anos à espera do retorno. Carolino tira a chave do bolso e mostra-a com um mar nos olhos. «Ela pediu-me que a guardasse. Nunca tinha estado em Portugal, mas esta era a terra dela.»

Essa ideia do retorno está a ser revivida uma e outra vez. Veja-se Arieh Hatchvel, um brasileiro de São Paulo descendente de judeus sefarditas que, depois de dez anos a viver em Israel, decidiu estabelecer-se em Belmonte. «Casei-me com uma judia portuguesa daqui e quando percebi esta história comecei a sentir um chamamento, como uma década antes tinha sentido o chamamento de viajar para Israel. É como se esta fosse uma nova terra prometida para mim.»

Daniela Mourão, a sua mulher, viveu dois anos em Haifa com os pais, Moisés e Isabel, membros da comunidade criptojudaica da vila. «Eu estudei Gestão Hoteleira e, quando saí daqui, não havia oportunidades de trabalho. Mas isso está a mudar e é por isso que decidimos voltar.»

Os Mourão são judeus de Belmonte, emigraram há dois anos para Israel mas há um par de semanas resolveram voltar. O turismo trouxe-lhes oportunidades de negócio.

A casa da família Mourão fica num dos bairros novos da vila e tem uma enorme estrela de David em frente ao portão. Moisés construiu o monumento ainda antes de emigrar para a terra prometida.

«Cinco séculos passou a minha família a esconder-se e agora, imagine, o que andámos a esconder é o que toda a gente nos pede para mostrar», diz Moisés Mourão, judeu de Belmonte.

«Tínhamos aqui uma vida boa, mas a Tora diz que um judeu deve estar com o seu povo, e por isso decidimos emigrar.» Foram dois anos bons, mas Portugal continuava a bailar-lhes na cabeça. «Há duas semanas decidimos que era tempo de voltar. Este aumento do turismo dá-nos a possibilidade de construir aqui uma vida decente.»

Para mostrar o que fala, o homem decide ir buscar o projeto arquitetónico que está a planear para o centro da vila. É mais um hotel de quatro estrelas, vocacionado exclusivamente para hóspedes judeus, mais uma vintena de quartos. «Concorremos a financiamentos europeus, mas ainda não tivemos sorte. Haveremos de construí-lo de outra forma», suspira.

Enquanto isso não acontece, decidiram abrir uma loja de produtos kosher, que vai abrir portas nesta semana em Belmonte. Produtos alimentares, artigos religiosos, tudo o que sirva para abastecer esta nova vaga de turismo que começou a chegar.

Chama-se a Casa da Judiaria e abri-la é quase cumprir uma profecia. «Cinco séculos passou a minha família a esconder-se e agora, imagine, aquilo que andámos a esconder é o que toda a gente nos pede para mostrar.»

Moisés ri-se e abana a cabeça. Às tantas as gargalhadas contagiam a mulher, a filha e o genro, está toda a gente numa alegria desbragada. Ali, nos montes do interior do país, os judeus estão em casa.

Fabiana Oliveira Bezerra, brasileira do Recife, descendente de judeus portugueses.

«Vim ver um lugar onde nunca tinha estado e percebi que cheguei a casa»

Há um grupo de turistas brasileiros a percorrer as ruas de Trancoso. Chegaram em dois autocarros de turismo e cumprem a excursão inevitável. Começaram em Lisboa, estiveram em Castelo de Vide e em Belmonte, agora desaguaram ali.

Andam acompanhados por uma guia local a ver os traços de judaísmo que enfeitam a arquitetura da cidade. Aqui o património é riquíssimo e as autoridades locais criaram guias dos principais pontos, em português e hebraico, para alimentar a curiosidade forasteira.

Vitrais com candelabros, marcas cruciformes nas portas, até um Leão de Judah esculpido na parede de um edifício. Mas é quando entra na sinagoga do centro judaico que Fabiana Oliveira Bezerra se emociona verdadeiramente.

Pernambucana do Recife, é descendente de judeus sefarditas que fugiram para a Holanda e daí para a América do Sul. Na sua cidade há uma das comunidades mais antigas do continente. A sua história não há de ser diferente dos milhares de judeus que estão a visitar o interior português.

«É estranho», diz enquanto enxuga as lágrimas. «Vim ver um lugar onde nunca tinha estado e percebi que cheguei a casa. Podem passar quinhentos anos, podem até passar mil, mas quando uma terra se entranha no sangue de um povo, essa terra pertence a esse povo para sempre.»

Os quatro heróis portugueses da promoção do turismo judaico

Mesmo que o nome de Aristides de Sousa Mendes seja o mais conhecido, a promoção do turismo judaico em Portugal conta com outros três nomes de portugueses que se destacaram na resistência ao Holocausto.

São os quatro cidadãos portugueses classificados como Justos entre as Nações pelo Memorial do Holocausto de Jerusalém – precisamente por terem resistido ao extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

O caso do cônsul de Bordéus é o mais conhecido. Ignorando as ordens de Salazar, passou vistos a trinta mil judeus que fugiam da perseguição nazi. Mesmo que tenha destruído a carreira e morrido na miséria, a história guarda-o como o homem que mais vidas salvou do Holocausto.

Depois há Sampaio Garrido, embaixador português em Budapeste, que não só emitiu setenta passaportes para judeus em fuga como escondeu 12 pessoas na sua casa.

José Brito Mendes, um emigrante português em França, foi declarado Justo entre as ações por proteger uma criança judia cujos pais morreram em Auschwitz, assumindo-a como filha.

E por fim um padre, Joaquim Carreira, reitor do Colégio Pontifício Português em Roma quando os alemães se instalaram na cidade. Ali acolheu, escondeu e alimentou pelo menos quarenta pessoas que fugiam das autoridades nazis. Homens que arriscaram a vida para proteger outras. Portugueses. E justos.

Leia a história do padre Joaquim Carreira em www.noticiasmagazine.pt/2016/o-padre-de-leiria-que-salvou-judeus.

(JE) O Brasil em Portugal – João Marcelino 

(JESaio das eleições brasileiras com medo da sociedade portuguesa, da falta de capacidade e bom senso de muitos dos decisores que alimentamos.

As eleições no Brasil permitiram uma excelente radiografia do espaço público português. À direita e à esquerda, mas sobretudo à esquerda. Na política e na comunicação social. Nos palácios e nas ruas. Nos meios tradicionais e nos novos media. Foi um período revelador.

Tudo começou com a tentativa de santificação de Lula. Em julho, o homem era um perseguido político, não um corrupto condenado. No auge do delírio, 22 deputados portugueses, a quem nunca se ouviu um discurso anticorrupção, decidiram escrever uma carta apelando à libertação do ex-presidente brasileiro que, rezava a lengalenga, tirara da pobreza (e da insegurança, esqueceram-se de acrescentar) milhões de compatriotas. Uma corja de ingratos, sabe-se agora, capazes de votar num “fascista”.

Mais tarde, já o ‘perigo’ Jair Bolsonaro tinha sido interiorizado, a telenovela prosseguiu com uma foto de 18 deputadas em manifestação de género: “Ele não”.

Um dia, para desilusão pessoal, a coisa chegou mesmo a Belém, onde Marcelo Rebelo de Sousa acordou com “notícias desagradáveis”. Sim, o mesmo Presidente da República que se quis despedir de Fidel Castro e se senta ao lado de Obiang na CPLP.

Entretanto, começaram os concursos de antifascismo. Em artigos e declarações sucessivamente mais pungentes, figuras destacadas da piolhice nacional, imunes à tragédia venezuelana, decretavam como o Brasil entraria numa longa noite caso Bolsonaro viesse a ser eleito.

O jornalismo, salvo raríssimas excepões, associou-se à histeria. O tema tornou-se quase único. Nas redes sociais, órfãos da FarmVille, malta sem habilidade para os eSports e muitos exibicionistas exauridos de novidades para partilhar sobre a vida feliz e fantástica que levam, escolheram a equipa para defrontar o ‘inimigo’. É desta fase a minha coleção de screenshots assinados por pataratas conhecidas e conhecidos. Um passatempo para memória futura.

Estamos agora na fase em que a direita portuguesa, eufórica, aguarda um milagre na capacidade intelectual de Bolsonaro e a esquerda, para além de surpreendentes erupções xenófobas contra brasileiros a trabalharem em Portugal, decreta que “a luta continua”, processo em que os nossos revolucionários não são capazes de colocar nem a humildade nem a simplicidade dialética de José Mujica.

Saio das eleições brasileiras com medo da sociedade portuguesa, da falta de capacidade e bom senso de muitos dos decisores que alimentamos; desta gente que parece ter desligado o cérebro depois do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 e aí acampado para sempre, entre ódios e preconceitos, fechando os olhos à corrupção da respetiva família político-partidária. Já nem a extrema-esquerda, anestesiada pela geringonça, lê sequer Hervé Kempf, o que daria pistas inteligentes para combater Bolsonaro, principalmente na sua perigosa visão de “desenvolvimento” à custa da sustentabilidade ambiental e da ameaça à floresta da Amazónia. Democracia e ecologia são hoje inseparáveis.

Confesso que também me lembrei de Kempf, e da sua teoria da deriva ocidental do capitalismo para a oligarquia, formada por partidos, famílias e seitas, na qual a finança vai colocando os políticos por conta, a propósito do novo cargo de Marques Mendes, na assembleia-geral da CGD-Angola. Visto por vários ângulos, o país não anda nada bem.