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(BBC) Portuguese 400 year old shipwreck found off Cascais

(BBC)

Media captionThe find is part of a 10-year archaeological project

Archaeologists have found a 400-year-old shipwreck off the coast of Portugal, in what one specialist called the “discovery of a decade”.

Spices, ceramics and cannons engraved with Portugal’s coat of arms all lie around the wreck, found near Cascais, close to the capital Lisbon.

The team believe the ship was returning from India when it sank sometime between 1575 and 1625.

This was at the height of Portugal’s spice trade with Asia.

At a depth of 12m (40ft) the wreck was very well preserved, project director Jorge Freire told Reuters news agency.

“From a heritage perspective, this is the discovery of the decade,” he said, calling it “the most important find of all time” for the country.

Shipwreck found off Cascais, PortugalImage copyrightREUTERS/CASCAIS CITY HALL
Image captionThe project’s head called the wreck “very well-preserved”
Shipwreck found off Cascais, PortugalImage copyrightREUTERS/CASCAIS CITY HALL
Shipwreck found off Cascais, PortugalImage copyrightREUTERS/CASCAIS CITY HALL
Shipwreck found off Cascais, PortugalImage copyrightREUTERS/CASCAIS CITY HALL

Chinese porcelain from the late 16th and early 17th centuries was also among the wreck, as were bronze artillery pieces and cowry shells – a currency used in the slave trade.

Cascais municipal council said the ship was found at the start of September while dredging the mouth of the Tagus river, which runs past the resort town through Lisbon.

Mayor Carlos Carreiras told the Guardian newspaper it was an “extraordinary discovery”, which will reinforce their “collective identity and shared values”.


The find is part of a 10-year archaeological project supported by the town of Cascais, the Portuguese government and navy, and Nova University in Lisbon.

The Minister of Culture, Luis Mendes, said the mouth of the Tagus river was considered a “hotspot” for wrecks.

“This discovery came to prove it,” he said.

A diver works at the scene of a centuries-old shipwreck near PortugalImage copyrightREUTERS
A diver works at the scene of a centuries-old shipwreck near PortugalImage copyrightREUTERS
A diver works at the scene of a centuries-old shipwreck near PortugalImage copyrightREUTERS

(PUB) Jared Diamond: “Se Lisboa só pudesse ter um museu, esse museu deveria ser o das descobertas”

(PUB) Jared Diamond Viveu entre os últimos caçadores-recolectores do mundo e emociona-se com o fim iminente desse modo de vida. Defende que para perceber o mundo actual temos de recuar à pré-história e que há coisas a aprender com as sociedades tradicionais. Para este prestigiado académico, uma das vantagens históricas da Europa é a sua desunião.

Jared Diamond não é um académico qualquer. Sereno, empático e de ar saudável, na sua presença sente-se como devem ter sido extraordinários os seus 81 anos, feitos há menos de uma semana. Durante décadas conviveu e fez amigos entre os membros das sociedades tradicionais das ilhas da Nova Guiné, que estão entre os últimos caçadores-recolectores do mundo, um modo de vida com seis milhões de anos, prestes a desaparecer. Quando estava nos “trintas” um novo-guineense chamado Yali fez-lhe uma pergunta: porque é que vocês brancos desenvolveram tantas coisas e as trouxeram para a Nova Guiné, mas nós, negros, tínhamos tão poucas coisas nossas? É uma pergunta avassaladora. Para a responder, não basta dizer que as várias sociedades humanas se desenvolveram de formas diferentes, que algumas chegaram à era espacial no século XX enquanto outras se mantiveram com tecnologia da Idade da Pedra até aos tempos modernos. É preciso tentar explicar porquê. Por exemplo, porque é que a agricultura e as ferramentas de metal apareceram em certos locais e não noutros? Estas são para Jared Diamond as razões últimas, necessárias para responder à pergunta de Yali.

Duas décadas volvidas, e já muito depois da morte de Yali, publica um livro com a sua tentativa de resposta, Armas, Germes e Aço. Em três palavras, são estas as razões imediatas para que os europeus e os seus descendentes tenham dominado o mundo num piscar de olhos, de apenas cinco séculos. Mas Diamond tenta chegar às razões últimas, ou seja, aos acontecimentos e circunstâncias que após o fim da última Idade do Gelo fizeram com que as coisas tivessem sido assim. O livro valeu-lhe o prestigiado Prémio Pulitzer em 1998. Tem várias obras de divulgação científica publicadas, todas sucessos planetários. No mais recente “O mundo até ontem” mostra-se grato pelas vantagens da modernidade, mas diz-nos que podemos aprender algumas coisas com as sociedades tradicionais. Não imitá-las, apenas adoptar algumas soluções para problemas específicos que certas sociedades resolveram melhor do que nós.

O pai era físico, a mãe linguista, professora e pianista. Jared é professor de Geografia na Universidade de Califórnia em Los Angeles (UCLA), mas ao longo da vida teve vários interesses e carreiras, sucessivas e em paralelo. Fisiologia, ornitologia, ecologia, história ambiental, entre outras. No final dirá que, apesar da importância da colaboração científica multidisciplinar, há uma vantagem em ter muito conhecimento num cérebro só. Veio a Portugal a convite da Fundação Francisco Manuel dos Santos para participar no encontro O Trabalho Dá Que Pensar. Resume aqui de modo dramático a sua resposta à pergunta de Yali, fazendo uso da arte da síntese, desenvolvida ao longo de décadas de contacto com jornalistas. Daí partimos para as descobertas portuguesas e respectiva proposta de criação de museu em Lisboa. Falamos ainda sobre as diferenças na educação, na avaliação de riscos e no envelhecimento, nas sociedades tradicionais e na nossa. E das vantagens e desvantagens da inteligência artificial. Pelo caminho, mandou-me deitar fora o saleiro.

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Algumas populações humanas permaneceram caçadoras-recolectoras até há pouco tempo. Outras evoluíram para formar sociedades muito complexas. Como é que as coisas aconteceram de maneira tão diferente?
As diferenças entre as sociedades humanas modernas resultam de diferenças na geografia e biogeografia, ao longo dos últimos 10 mil anos. Em particular na disponibilidade de espécies animais e de plantas adequadas para domesticação, mais do que em diferenças entre as pessoas em si.

Se entendi correctamente, não há mérito de uma sociedade particular por ter evoluído de uma certa maneira. Não há diferenças inatas nas populações, as diferenças estão nos seus ambientes?
É verdade. Claro que há diferenças fisiológicas e noutros aspectos. Há razões pelas quais os europeus podem digerir leite e os aborígenes australianos não. Mas diferenças que contam para que algumas pessoas se tornem escritores, empresários e operários metalúrgicos, enquanto outros povos permaneceram caçadores-recolectores, diferenças genéticas nos cérebros, não há provas disso.

Muitas pessoas procuram as raízes da desigualdade no mundo de hoje há 500 anos, quando os europeus chegaram à América. Mas no seu livro Armas, Germes e Aço argumenta que as raízes da desigualdade actual estão algures após o fim da última era glacial (há 13 mil anos) porque as sociedades evoluíram de maneira diferente a partir daí. Isso está correcto?
É verdade. Se alguém me dissesse que todas as diferenças no mundo moderno começaram a surgir há 500 anos, eu diria: olhem para o estado do mundo em 3000 a.C. Na Ásia ocidental, e a começar no Sudeste europeu, já existiam ferramentas de metal, escrita e reis. Enquanto na Austrália havia apenas caçadores-recolectores. E nas Américas, no México e nos Andes, a agricultura estava só a começar. Se um extraterrestre, uma criatura verde de oito pernas da nebulosa de Andrómeda, tivesse visitado a Terra em 3000 a.C. e lhe pedissem para prever quem iria conquistar o mundo, o visitante faria uma aposta correcta. Claro que seriam aquelas pessoas da Ásia ocidental e os seus descendentes. As diferenças em 3000 a.C. eram já tão grandes que foram essas que produziram o mundo moderno.

Escreve a palavra “descobertas” entre aspas, quando se refere às descobertas geográficas ibéricas no século XV. Porquê as aspas?
Porque as descobertas geográficas no século XV foram descobertas dos europeus de coisas que eram conhecidas por outros povos há 40 mil anos! O primeiro europeu a descobrir a Austrália foi um holandês em 1606 [Willem Janszoon]. Esse holandês descobriu a Austrália? Não! Os aborígenes da Austrália viviam lá há 60 mil anos. Foram eles que descobriram a Austrália. As aspas significam: descobertas por europeus.

O presidente da Câmara de Lisboa quer fazer um museu das descobertas. Algumas pessoas argumentam que a palavra “descoberta” esconde a escravidão e a colonização que se seguiram. Acha que devíamos ter um museu das descobertas em Lisboa?
Claro que devíamos ter um museu das descobertas em Lisboa! Possivelmente, a coisa mais importante acerca de Portugal nos últimos 600 anos foram as grandes descobertas feitas por navegadores portugueses. É verdade que Vasco da Gama não descobriu a Índia. Descobriu o caminho marítimo para a Índia. E também não é verdade que um português tenha descoberto o Brasil, já havia um milhão de nativos americanos a viver no Brasil, mas um navegador português foi o primeiro europeu a chegar ao Brasil. E isso teve uma importância enorme para a história mundial, porque levou à colonização europeia do Novo Mundo. Se Lisboa só pudesse ter um museu e tivéssemos de demolir todos os outros, esse único museu deveria ser das descobertas. Mas teríamos de entender o que significa descobertas.

Se escrevêssemos apenas uma página sobre Portugal num livro de história mundial, esse deveria ser o tema? Não o tráfico de escravos transatlântico?
É verdade. Claro que a coisa mais importante acerca de Portugal na história mundial foi o seu papel na expansão europeia pelo mundo. E a expansão europeia no mundo significou muitas coisas, boas e más. Significou o tráfico de escravos transatlântico, o que é mau. Significou a importação de sementes do Novo Mundo para a Europa, o que foi bom para a Europa. Significou o desenvolvimento de sociedades agrícolas altamente produtivas na Argentina, o que é bom. Uma pessoa pode ser selectiva tanto positiva como negativamente. Se uma pessoa disser que a descoberta portuguesa do Novo Mundo foi a coisa mais maravilhosa dos últimos 600 anos… não, disparate! Resultou no tráfico de escravos transatlântico e na matança da maioria dos nativos americanos, o que é mau. Se quisermos dizer que a descoberta portuguesa do Novo Mundo foi inteiramente má… não, não foi! Muitas pessoas querem que a vida seja simples. Que seja tudo bom ou mau. Lamento, talvez a vida seja assim na nebulosa de Andrómeda, mas aqui na Terra o bom e o mau misturam-se!

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RUI GAUDÊNCIO

O que aconteceu quando os europeus se encontraram com os nativos americanos foi em grande parte inevitável?
Infelizmente, sim. Ao longo da história humana quando povos mais poderosos encontraram povos menos poderosos, o resultado foi quase sempre a conquista, a expulsão, às vezes o extermínio dos povos menos poderosos. Foi apenas nos últimos 80 anos que começámos a ter excepções. Quando os europeus “descobriram” as ilhas da Nova Guiné, havia lá populações densas de milhões que viviam com tecnologia da Idade da Pedra. Quando os europeus chegaram, não os mataram todos porque em 1930 já não era considerado aceitável que os europeus exterminassem e expulsassem outros povos. Mas se os europeus tivessem descoberto as ilhas da Nova Guiné 80 anos antes, claro que os teriam matado ou expulsado a todos. Os comportamentos melhores são relativamente recentes. Isto não quer dizer que todos os comportamentos humanos nos últimos 80 anos foram bons. Podemos pensar em várias coisas que aconteceram na II Guerra Mundial que não foram boas.

Deveria um chefe de Estado português pedir desculpa pelo papel do país no tráfico transatlântico de escravos?
Caramba! Eu oiço esse argumento em relação à Austrália. Não estou familiarizado com os argumentos acerca de Portugal, mas devem ser sem dúvida semelhantes. Devem os australianos modernos pedir desculpa pelo que os europeus fizeram aos aborígenes australianos a partir de 1788, quando os britânicos colonizaram a Austrália? Eles mataram, infectaram com doenças e expulsaram das suas terras os aborígenes australianos. Devem os europeus modernos pedir desculpa pelo que os europeus de 1830, 1880 e 1920 fizeram? Um primeiro-ministro australiano chamado John Howard disse que os australianos modernos não devem pedir desculpa pelas coisas que os seus tetravós fizeram, mas sim pelas coisas que fazem hoje. Outros australianos acham que devem pedir desculpa por coisas que o seu povo, os seus antepassados, fizeram. É semelhante nos Estados Unidos. Devem os americanos brancos modernos pedir desculpa pela escravatura? Alguns americanos dizem que sim, outros dizem que foram os seus tetravós, como é que podem pedir desculpa pelo que eles fizeram? É um debate em aberto. A resposta para Portugal deve ser semelhante. Não foi você ou os seus colegas de escola que fizeram o tráfico transatlântico de escravos. Foram os vossos tetra-tetra-tetra-tetravôs. Sente-se responsável pelos actos deles?

Pedir desculpa pela escravatura não é incompatível com o seu argumento de que as causas da desigualdade não são de há 500 anos, mas de há 10 mil anos? Pedir desculpa pela escravatura é pedir desculpa por algo na história recente, mas que não foi determinado pela história recente.
Porque é que os europeus estabeleceram um comércio de escravos transatlântico? Porque é que os africanos não fizeram um comércio de escravos trans-mediterrânico, com africanos a escravizarem europeus? A razão para isso são armas, germes e aço; as origens precoces da domesticação de plantas e animais no Sudoeste asiático, porque havia lá muito mais espécies domesticáveis do que em África. Para além disso, é porque a Eurásia tem um eixo Este-Oeste [com latitudes e climas semelhantes], que permitiu que as sementes chinesas chegassem à Europa. Enquanto a África tem um eixo Norte-Sul [com grandes diferenças de latitudes e climas], por isso as sementes do Crescente Fértil nunca chegaram à África do Sul, até os holandeses navegarem até lá. É por causa da geografia e da biogeografia. É verdade. Por outro lado, essa é a razão última, mas as pessoas apesar disso têm responsabilidades morais. Se o povo A está numa posição de poder, hoje em dia nós dizemos que esse povo não deve usar esse poder para exterminar outro povo. Portugal é hoje mais rico e poderoso do que… o Congo. Se os portugueses fossem para o Congo e começassem a matar congoleses, devíamos dizer que a culpa não é dos portugueses, é porque tiraram partido da domesticabilidade do gado? Outros poderiam argumentar: sim, os portugueses tiraram partido da domesticação do gado, mas ainda assim têm responsabilidades morais quando decidem ir matar congoleses!

No início do século XV, a China tinha capacidade técnica naval para atravessar o Pacífico e chegar à costa oeste dos Estados Unidos? Ou para alcançar a Europa?
Por volta de 1432, sem dúvida que sim. Porque a China tinha uma série de frotas, com navios muito maiores do que os navios de Cristóvão Colombo. E eram frotas muito maiores, que a China enviou primeiro para a Indonésia, depois para a Índia, depois para a costa oriental de África. Parecia que as frotas chinesas estavam quase a dobrar o cabo da Boa Esperança e a chegar à Europa. Infelizmente para a China, houve uma mudança de imperador. O novo imperador disse: estas frotas são um enorme desperdício de dinheiro e trazem coisas inúteis para a China, que já tem tudo o que precisa. A China tinha certamente a capacidade tecnológica para chegar à Europa em 1432. E se tivesse assim escolhido teria também tido a capacidade técnica de chegar às Américas em 1432. Mas escolheu não o fazer.

Foi a unidade política na China que deu vantagem à Europa? Cristóvão Colombo pediu a vários reis para financiar a sua viagem.
Exactamente. Colombo primeiro pediu aos italianos, que disseram que não. Pediu aos franceses, não. Pediu ao rei de Espanha, não. Pediu aos portugueses, não. Pediu aos duques de Espanha, não. Finalmente pediu ao rei de Espanha, que disse está bem, leva estes dois barcos e vai. Na China, não havia seis hipóteses.

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“Um primeiro-ministro australiano chamado John Howard disse que os australianos modernos não devem pedir desculpa pelas coisas que os seus tetravós fizeram, mas sim pelas coisas que fazem hoje.”

Na altura não houve uma decisão centralizada que impedisse Colombo de fazer a viagem. Mas hoje há uma União Europeia. Pensa que a União Europeia pode minar esta vantagem histórica da Europa, de não ser politicamente unida?
É um grande desafio para a União Europeia. Como é que se conseguem as vantagens da União Europeia, sem perder a vantagem histórica da desunião? Isto é debatido por historiadores, mas eu vejo, entre as vantagens históricas da Europa, a sua desunião. A Europa teve a sorte de ser, de facto, uma península a oeste do Crescente Fértil. Obteve a escrita, ferramentas de metal e agricultura a partir do Crescente Fértil. Mas a Europa era desunida. O que significa que existiam 200 príncipes que competiam uns com os outros. Se um príncipe tomasse uma má decisão… houve príncipes que aboliram as armas. E sabe o que aconteceu? Príncipes vizinhos, que não tinham abolido as armas, conquistaram esses principados. Quando um imperador na China tomava uma má decisão, tal como, não há mais navios oceânicos, não havia mais 199 príncipes chineses para dizer que mantinham os seus navios oceânicos. Eu vejo as vantagens históricas da Europa como a sua proximidade ao Sudoeste asiático, estar nas zonas temperadas, ter terras realmente férteis, chuva no Verão e ser politicamente desunida. Para a União Europeia, hoje, o desafio é ter as vantagens de um certo grau de união, preservando a vantagem histórica de desunião. Mas eu não me preocupo com isso, de todo. Parece-me que a Europa está a fazer um excelente trabalho na preservação da sua desunião!

Viveu no seio de sociedades tradicionais, na Nova Guiné. Que impacto isso teve em si?
Transformou a minha visão da vida em muitos aspectos. Comecei a visitar a Nova Guiné muito antes de ter tido filhos. Tinha quase 50 anos quando os meus filhos [gémeos] nasceram. Eles nasceram em 1987 e a minha primeira visita à Nova Guiné foi em 1964. Eu tinha vivido na Nova Guiné ao longo de 23 anos, quando tive filhos. O meu modelo de como tratar os meus filhos era como os nova-guineenses criavam os seus. Eu não tinha prestado atenção ao modo como os americanos criavam os filhos. Isso é um aspecto. Outro é a minha atitude em relação ao perigo, que é baseada naquilo que eu vi na Nova Guiné. A minha mulher fica exasperada com a minha reacção a qualquer perigo possível. Mas o meu percurso foi na Nova Guiné. E eu sei que se fizer uma coisa mil vezes e de cada vez há o risco de um em mil que corra mal, se a repetir mil vezes, vou acabar morto. Aprendi isso na Nova Guiné. Os europeus não aprendem isso.

Diz no seu mais recente livro O Mundo até Ontem que devemos estar gratos pelas nossas sociedades modernas, mas também que podemos aprender e incorporar algumas coisas das sociedades tradicionais. Quais?
Para além das duas que já falei [educação e avaliação de riscos], os hábitos alimentares. Tem um saleiro na sua mesa de jantar?

Não. Mas uso um pouco de sal para cozinhar.
Ok. Quando chegar a casa, deite fora o sal da sua cozinha. A comida já tem sal, não há razão para ter sal na cozinha. A escolha é sua. Se gostava de morrer de hipertensão aos 65, mantenha o sal na cozinha. Se gostava de morrer de cancro aos 103, deite fora o sal!

A nossa biologia ainda não está totalmente adaptada ao nosso actual sistema de produção de alimentos? Biologicamente ainda estamos mais bem adaptados a uma dieta de caçadores-recolectores?
Em alguns aspectos, sim. Os portugueses, tal como os americanos, morrem principalmente de doenças não contagiosas. Morrem de hipertensão, doenças cardíacas, diabetes, cancro. Dessas, certamente que os nova-guineenses nunca morrem de hipertensão, doenças cardíacas ou diabetes. Isso é por causa do seu estilo de vida. Eles não têm saleiros. É porque não comem tanto como nós. Não comem regularmente alimentos ricos em gordura, não fazem três grandes refeições por dia. Eles comem batatas-doces ao pequeno-almoço, almoço e jantar durante semanas. Depois matam uns porcos e empanturram-se, ficam mesmo gordos e depois voltam a comer as batatas-doces. Não é que eu esteja a dizer que deveríamos imitar o estilo de vida dos nova-guineenses. Eu não como batatas-doces em três refeições por dia. E estou contente por isso. Eu gosto de comer bem e tento regular a boa comida que como. E deitei fora os saleiros para, pelo menos, reduzir o risco de morrer de hipertensão ou AVC.

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Jared Diamond viveu décadas entre as sociedades tradicionais da Nova-Guiné, facto que haveria de transformar a sua visão do mundo e da vida e até da educação dos seus filhos DR

Quanto tempo vivem em média os nova-guineenses que têm essa dieta?
Até aos tempos modernos, até à medicina moderna chegar à Nova Guiné, a esperança média de vida dos nova-guineenses seria talvez de 50 anos. Isso é terrível. A razão pela qual a sua esperança de vida era de 50 anos não era porque eles morressem de diabetes, AVC ou doenças cardíacas. Eles morriam porque se matavam uns aos outros. Morriam de doenças infecciosas, que nós tratávamos em Portugal e nos Estados Unidos com antibióticos. Morriam em acidentes, na selva. Se caíam e partiam uma perna, não havia médicos nem hospitais. Morriam de fome. As causas de morte na Nova Guiné tradicional são causas que nós já eliminámos em grande parte. Agora que a Nova Guiné foi trazida para o mundo moderno, os nova-guineenses vivem mais, até depois dos 60. Mas também estão a ficar gordos, diabéticos e hipertensos.

Disse que nas sociedades tradicionais da Nova Guiné muitos morriam de doenças infecciosas. Doenças locais ou vindas de fora?
Eram doenças infecciosas tradicionais. As doenças infecciosas europeias foram levadas especialmente para as Américas. Mas como a Nova Guiné fica no extremo leste da Indonésia, que é perto da China, as doenças asiáticas foram provavelmente chegando à Nova Guiné. Por isso não houve uma grande mortandade de nova-guineenses com doenças europeias. Eles morriam principalmente de doenças tropicais, especialmente malária e dengue. E de aquilo que nós chamamos “doenças gastrointestinais”.

Afirma que as sociedades ocidentais são das mais cruéis para os idosos. O que poderíamos aprender com as sociedades tradicionais em relação aos mais velhos?
Muitas sociedades tradicionais proporcionam aos idosos uma vida mais satisfatória do que na Europa. E por outro lado tiram mais partido dos idosos. Os mais velhos têm experiência. Um septuagenário teve muito mais experiência de relações humanas. Claro que um septuagenário não tem mais experiência com isto [telemóvel] do que o meu filho de 30. O facto de eu ter 81 anos não me ajuda nada com isto, peço ajuda ao meu filho. Mas eu e a minha mulher temos muito mais experiência a lidar com pessoas, a tomar decisões e a gerir pessoas. Apenas porque vivemos mais. Isso é algo em que os idosos são bons. Em muitos ou na maioria dos aspectos eu vejo vantagens da vida na Europa quando comparada com a vida nos Estados Unidos. Mas um aspecto em que a vida na Europa é inequivocamente pior do que nos Estados Unidos é que na Europa, muitas vezes, a aposentação é obrigatória. Soube que na função pública, em Portugal, há uma idade de aposentação obrigatória. Se eu fosse o Presidente Kim Jong-un, da Coreia do Norte, e quisesse arruinar-vos, faria exactamente o que os europeus estão a fazer a si próprios. Uma lei de aposentação obrigatória para que deitem fora as vossas pessoas mais experientes. Era igual nos Estados Unidos, mas a aposentação obrigatória foi tornada ilegal há cerca de 30 anos. Pelo contrário, na Nova Guiné, é reconhecido que os mais velhos têm valor. Quando não havia escrita na Nova Guiné, os velhos eram repositórios de conhecimento. É normal na Nova Guiné, quando alguém quer saber alguma coisa, ir perguntar a um velho. Ou se quiser um conselho.

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Ainda há caçadores-recolectores?
Sim. Na Nova Guiné, ainda há alguns grupos. Não muitos, mas ainda há alguns. Na bacia amazónica ainda há caçadores-recolectores e em África também há alguns grupos. Os hadza, da Tanzânia, alguns ainda são caçadores-recolectores. Entre o povo san, do Botswana e da Namíbia, havia caçadores-recolectores até há poucas décadas e provavelmente ainda existem alguns. Os inuítes, os esquimós no Árctico, alguns deles ainda vivem como caçadores-recolectores.

Há futuro para os caçadores-recolectores ou eles serão gradualmente assimilados pelas sociedades modernas?
Provavelmente, dentro de 20 anos não restarão nenhuns caçadores-recolectores em qualquer lugar do mundo. E isso é notável. Praticamente todos os humanos foram caçadores-recolectores durante os últimos seis milhões de anos. E isso significa que seis milhões de anos de história humana vão acabar nos próximos 20.

Os sistemas automáticos tornados possíveis pela inteligência artificial irão libertar os humanos para mais inovação e criatividade?
Sim e não. A inteligência artificial irá tornar algumas tarefas inúteis. As máquinas serão capazes de executar essas tarefas. Por exemplo, os computadores. O meu doutoramento foi em fisiologia laboratorial. Nesses tempos, os computadores que usávamos para fazer modelos de como os nervos conduzem impulsos eléctricos eram muito primitivos e demoravam duas semanas a calcular um impulso nervoso. Hoje, o cálculo é feito imediatamente. Com os computadores, conseguimos fazer coisas muito rapidamente. Isso é maravilhoso. Mas também é terrível. Porque, se olharmos para os jovens, estima-se que as pessoas como os meus filhos passam 80% do seu tempo com aparelhos electrónicos com ecrãs. Passam muito pouco tempo a falar com pessoas, a olhar pessoas cara a cara. Se se passa muito pouco tempo cara a cara com pessoas, então não se aprende a ler os sinais, os ligeiros movimentos, a respiração, a linguagem corporal. Simplesmente não se entendem as pessoas tão bem. Acho que é um dos factores que contribuem para o comportamento cada vez mais rude e cruel nos Estados Unidos. Especialmente na política americana, mas é mais generalizado. É mais fácil escrevermos uma mensagem muito rude se virmos uma mensagem num ecrã. É mais difícil para mim olhar para si e dizer coisa terríveis sobre si do que se estiver as escrevê-las num ecrã. Vejo isto como um dos grandes inconvenientes da tecnologia moderna, incluindo a inteligência artificial.

Quando a agricultura foi adoptada nalgumas sociedades, muitas pessoas ficaram livres para fazer outras coisas, já que nem todos precisavam de passar o tempo a procurar os seus próprios alimentos. Algumas puderam especializar-se na construção de ferramentas, outras tornaram-se soldados a tempo inteiro, políticos ou burocratas. Explica isto nos seus livros. A inteligência artificial, por libertar os humanos de certas tarefas (por exemplo, guiar carros), é semelhante à agricultura? Vê alguma semelhança entre as duas coisas?
Eu vejo exactamente essa semelhança que acabou de mencionar. A agricultura criou novas oportunidades. A inteligência artificial e a tecnologia em geral criam também novas oportunidades. Mas não conheço nenhuma tecnologia que tenha trazido apenas coisas boas. A agricultura é um bom exemplo. Quando foi trazida para a Europa, foi muito marcante. Os primeiros agricultores ficaram cerca de 15 centímetros mais baixos do que os caçadores-recolectores a que sucederam. Inicialmente, a agricultura foi menos nutritiva e forneceu menos vitaminas. Os caçadores-recolectores que viviam em Portugal em 7000 a.C. eram bastante altos. Só depois da I Guerra Mundial é que os agricultores portugueses voltaram a ser tão altos como os caçadores-recolectores de Portugal de 7000 a.C. A chegada da agricultura também esteve associada a muitas novas doenças. A agricultura trouxe grandes benefícios, mas também grandes inconvenientes. Todas as tecnologias têm benefícios e inconvenientes. A inteligência artificial também tem benefícios, mas já está a trazer inconvenientes.

Trabalhou em muitos campos, como antropologia, biologia, ornitologia, ecologia, história e geografia. Como vê a especialização actual na ciência, em que muitas vezes os investigadores estão focados apenas numa gama muito estreita de temas e técnicas?
A especialização, tal como a agricultura e a inteligência artificial, tem benefícios e desvantagens. Consideremos a especialização da genética moderna. Com as modernas técnicas genéticas, podemos analisar o ADN de esqueletos de caçadores-recolectores portugueses de há 9000 anos. E podemos responder a perguntas acerca da pré-história que eram impossíveis de responder antes de termos estas novas técnicas, dos últimos sete anos. Essa é uma grande vantagem da especialização. A desvantagem da especialização é que é muito complicada e é preciso investir muito tempo a aprender estas técnicas genéticas modernas. Quem aprender estas técnicas, provavelmente, não terá muito tempo para estudar línguas, pintura, a música de Bach, os primeiros exploradores portugueses. Sabe menos. Em ciência, para se tirar conclusões, é preciso colaborar com outras pessoas. Mas há uma vantagem em ter muito conhecimento num cérebro só, em vez de em sete cérebros diferentes. A especialização, tal como a agricultura e a inteligência artificial, traz poder, mas também desvantagens. O que é que podemos fazer acerca disso? Podemos tentar minimizar as desvantagens, colaborando. Especialistas em genética a colaborar com linguistas e com arqueólogos, o que felizmente acontece cada vez mais. Os melhores especialistas sabem que não sabem outras coisas e que precisam de colaborar com pessoas que saibam.

(OBS) Fátima Carneiro eleita a patologista mais influente do mundo

(OBS) A distinção foi atribuída à investigadora pela revista científica “The Pathologist” que, ao longo de dois meses, inquiriu patologistas de todo o mundo sobre quem consideravam merecedor do título.

Foi “com surpresa” e “enquanto estava a trabalhar e a ver o email” que Fátima Carneiro, professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e diretora do serviço de Anatomia Patologia do Centro Hospitalar São João (CHSJ), recebeu a notícia de que tinha sido considerada a patologista mais influente do mundo. 

A distinção foi atribuída pela revista científica “The Pathologist” que, ao longo de dois meses, inquiriu patologistas “dos quatro cantos do mundo” sobre quem consideravam ser o merecedor do título. Este ano, Fátima Carneiro — que integra também o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da U.Porto (Ipatimup), atualmente integrado no i3S — foi destacada pelas suas capacidades enquanto patologista e professora universitária, ficando, desta forma, no primeiro lugar na lista das 100 posições.

Além disso, entre os colegas de profissão, Fátima Carneiro é destacada não só enquanto uma perita na sua área de especialidade, mas, também, pelas suas capacidades de liderança”, refere a FMUP num comunicado enviado esta quinta-feira.

Apesar de ser a primeira vez que chegou ao primeiro lugar, esta não é uma estreia da investigadora na lista. Em 2015 já tinha feito parte dos 100 mais influentes, num ano em que foi o médico português Manuel Sobrinho Simões — também ele docente da FMUP, fundador do Ipatimup, e patologista no CHSJ — o profissional considerado o patologista mais influente a nível mundial (e que este ano também está presente na lista).

Para Fátima Carneiro, apesar de esta ser uma distinção “que é de orgulho para quem o recebe”, o mais importante é que se trata de “um reconhecimento de uma visão de uma realidade particular, criada num determinado ambiente de trabalho e de um conjunto de pessoas que se apaixonaram por esta forma de estar na patologia”.

Apesar de tudo, o que nós temos é uma competição entre patologistas dos quatro cantos do mundo e o facto de Portugal ficar à frente de candidatos excelentes como a dos Estados Unidos ou do Reino Unido, é um reconhecimento importante para o país. Trazer a patologia portuguesa a uma fórum internacional dá-me alegria, não posso esconder”, referiu Fátima Carneiro ao Observador.

Natural de Angola (1954), Fátima Carneiro licenciou-se em Medicina pela FMUP em 1978 e é atualmente Professora Catedrática da mesma instituição e diretora do Serviço de Anatomia Patológica do Centro Hospitalar São João. No que diz respeito à academia e à investigação, a docente da FMUP é autora de mais de 250 artigos científicos e contribuiu para o desenvolvimento de vários capítulos de livros de especialidade.

Numa área que considera estar “um pouco abandonada”, mas que “é essencial para o exercício da Medicina com as suas exigências atuais”, a investigadora reforça a importância de uma aposta crescente na patologia. “É preciso uma aposta muito maior e é preciso consolidar o que existe, para criar estruturas que possam dar apoio permanente, para continuar a formar patologistas com qualidade e de uma forma integrada, para que possam exercer as suas funções, que são de uma imensa responsabilidade”, explicou ao Observador.

Sobre o seu percurso, Fátima Carneiro destaca à revista britânica, além do envolvimento no ensino e na atividade de diagnóstico, “um especial orgulho em ter conseguido atingir a senioridade na sua área de investigação, o cancro gástrico, e de todas as parcerias de investigação e ensino que estabeleci ao longo da carreira em quatro os continentes”.

A investigadora dirigiu também vários projetos internacionais, foi presidente da Sociedade Europeia de Patologia (2011-2013) e, em Portugal, coordenou a Rede Nacional de Bancos de Tumores (2008). Atualmente Fátima Carneiro preside a Academia Nacional de Medicina Portuguesa.

(CNBC) Shares of luxury online marketplace Farfetch surges 53 percent in IPO’s first day of trading

(CNBC)

  • Shares of London-based luxury online marketplace Farfetch jumped more than 50 percent in their market debut Friday.
  • Farfetch Thursday night raised $885, stamping a valuation of $6.2 billion on the online giant, taking into account employee dilution.
  • The global market for personal luxury goods was estimated to be worth $307 billion in 2017.
Farfetch CEO on IPO and luxury online marketplace

Farfetch CEO on IPO and luxury online marketplace  

Farfetch sold 44.2 million shares Thursday night, raising $885 million and stamping a valuation of roughly $6.2 billion on the online giant after factoring in shares already held by employees. It priced its initial public offering a buck above its range of $17 to $19 a share, after having already upsized its IPO due to robust demand.

Farfetch opened at $27 and posted an intraday high of $30.60.

With a $6.2 billion market price and $385 million in 2017 revenue, Farfetch is trading at a richer valuation than AmazonJD.com as well as other traditional retailers.

“Marketplace” companies often trade at a higher premium than traditional retailers, because they don’t carry the risk being stuck with unwanted product, investment bankers say. Farfetch, however, continues to face steep competition from luxury retailers like Matchesfashion.com and Net-a-Porter. While its marketplace business model alleviates its inventory risk, it does not stop customers from shopping on multiple websites, the bankers say.

Farfetch began as platform to help local high-end boutiques reach broader audiences and later evolved as a tool through which brands like Gucci could sell directly. It connects shoppers to over 700 brands and boutiques internationally and express ships to more than 190 countries, according to the company’s registration documents.

It was founded in 2008 by José Neves, a Portugese entrepreneur with experience in both luxury and technology, according to the company. Neves spent years courting the world’s most elite brands, in an industry ruled by a narrow set of power players, like Chanel, Richement and Hermes. Of the retailers Farfetch works with, 98 percent of have an exclusive relationship with it.

Those tight relations with luxury players stands in contrast to those they have with Amazon. Luxury labels have resisted selling on Amazon, suspicious of its ability to maintain the integrity of their brand.

The global market for personal luxury goods was estimated to be worth $307 billion in 2017, according to the Farfetch’s registration documents, citing data compiled by Bain. It is expected to reach $446 billion by 2025, according to the data.

Farfetch makes its money primarily through commissions on sales on its website, generating revenue of $385 million in fiscal 2017, a 59 percent jump over the previous year.

It continues, though, to lose money, as it goes after new customers and builds out its infrastructure. Farfetch recorded an after-tax loss of $112 million in 2017, down from a loss of $81 million the previous year.

Despite plans to continue to invest, Farfetch’s customers to have proven to be loyal, a rarity in e-commerce.

“Typically over time, customers peter out. Here, it’s almost like in this business, after they get customers they become something of an annuity. It’s more like what you would see in a software or service firm than a luxury apparel company,” said Daniel McCarthy at Theta Equity, a quantitative financial analysis firm.

Still, for Farfetch to ultimately achieve profitability, said McCarthy, it will need to sufficiently grow its sales to balance its fixed costs like administration expenses. Farfetch is also taking a number of risks, including its investments in new technology to support its “store of the future.” Meantime, the luxury market, albeit growing, has limited runway and remains vulnerable to economic dips.

Farfetch has grown through a number of partnerships, including JD.com in Asia and the Chalhoub Group in the Middle East, that have helped it broaden its distribution, offerings and capabilities. It has offices in 11 cities, including London, Tokyo and Los Angeles.

It also continues to invest in brick-and-mortar retail, buying London fashion boutique Browns in 2015. It is using Browns as one of its testing grounds for new technology in what it calls the “store of the future.” Offerings include touch-screen-enhanced mirrors and connected clothing racks.

Farfetch also launched Black and White, an infrastructure platform that luxury brands can use to develop their own e-commerce business.

(JN) Farfetch cumpriu o sonho de içar a bandeira portuguesa na bolsa de Nova Iorque

(JN) A Farfetch tornou-se esta sexta-feira a primeira empresa tecnológica portuguesa no mercado de valores mundial e içou, literalmente, a bandeira de Portugal no edifício da maior bolsa de valores do mundo, em Nova Iorque.

“Colocar a bandeira portuguesa no New York Stock Exchange (NYSE) era um dos pequenos sonhos que tínhamos e que foi realizado hoje”, disse José Neves, fundador da empresa, numa entrevista à Lusa.

O empreendedor português fez questão que a bandeira portuguesa estivesse içada neste dia em que a Farfetch se estreou no mercado de valores mundial a 27 dólares por acção e pouco depois já passava dos 30 dólares.

“Hoje foi um dia fantástico de celebração. Este dia é para equipa”, afirmou José Neves. “Eu sei que todos os nossos escritórios internacionais, incluindo os escritórios de Portugal, celebraram com muita alegria. O trabalho é deles, os resultados são deles”, adiantou, agradecendo à “equipa fantástica de três mil pessoas”, das quais metade tem nacionalidade portuguesa.

Sem adiantar números nem mercados a conquistar nas próximas etapas, José Neves afirmou que, depois desta oferta inicial pública, “começa o segundo capítulo”. “Não damos números concretos, mas vamos continuar a empregar mais pessoas e a gerar mais emprego”, garantiu.

O empresário referiu que desde a fundação da empresa, em 2007, estes 11 anos serviram para criar relacionamentos “fantásticos” com as marcas e “estabelecer a presença internacional” da Farfetch, que se encontra agora nos principais mercados de luxo.

A Farfetch é uma plataforma global no sector da moda de uma indústria que factura mais de 300 mil milhões de dólares anuais, a indústria de luxo.

Segundo o gestor, actualmente apenas 9% das vendas de luxo acontecem na Internet, mas o número vai mudar para 25% nos próximos dez anos, que representam 100 mil milhões de dólares (85 mil milhões de euros), um crescimento “exponencial”. “Penso que a oportunidade para o sector de luxo ‘online’ é enorme”, considerou o empresário.

A Farfetch orgulha-se de ser o único ‘marketplace’ do mercado de luxo e não ter concorrentes nesse modelo de negócio, mas admite ter de disputar a atenção do cliente, que pode comprar em diversos ‘sites’, mas que não oferecem o mesmo serviço.

Além de ser a única que não vende nada seu, o crescimento da Farfetch na primeira metade do ano de 2018 foi de 60%, o que deu a esta empresa luso-britânica mais quota de mercado.

O que se segue são “mais dez anos de crescimento, de inovação e continuar a construir uma empresa que é gerida com base num sentido de cultura e de valores muito fortes”, sustentou José Neves.

Um dos valores que a Farfetch agora assume é ser uma inspiração para outras empresas. “Espero que este lançamento em bolsa seja uma inspiração para outros empreendedores em Portugal. As ‘startup’ portuguesas estão a ter muito sucesso”, declarou José Neves, numa alusão ao programa de aceleração de ‘startup’ da Farfetch, o Dream Assembly, que dá aos empreendedores participantes conhecimentos e contactos na indústria de luxo.

(JN) O hábito faz o monge – Nuno Melo

(JN) Ter o primeiro-ministro de Portugal trajando como se fosse beber um copo ao Urban Beach, enquanto acompanhava o ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, Manuel Domingos Augusto, impecavelmente aprumado em revista a militares perfilados, não foi só uma circunstância do momento, nem é uma atitude que possa ser desvalorizada. Reflete uma “proletarização” do Estado promovida por uma certa Esquerda que há décadas se esforça por desmantelar símbolos e valores de sempre, que acha antigos, sem ter noção que enquanto exerce funções eletivas, ou em áreas de soberania, não se representa a si, mas transporta todo o peso do Estado.

De mocassins e calças de ganga, numa ocasião com peso protocolar, não esteve apenas António Costa, mesmo se convencido do acerto da combinação feita ao gosto da moda em voga no Largo do Rato. Esteve o primeiro-ministro de um país, que por acaso impõe a outros – e bem -, regras protocolares de “etiqueta e pragmática” que como inscrito em decreto regulamentar e publicado no Portal do Governo, são definidas “de acordo com as práticas internacionais vigentes e as tradições e costumes do Estado português”.

Encarnar o Estado em funções públicas implica formalismo e responsabilidade. Foi sempre assim.

O problema é que não falta quem hoje confunda informalidade com modernidade. E, infelizmente, há anos que o mau exemplo vem de cima.

Começou na Assembleia da República, com o dr. Louçã e companhia em postura andrajosa, para melhor impacto cénico na defesa da liberalização do consumo de drogas e da guerra aos crucifixos. Consciente do poder da imagem, no BE, a par dos discursos inflamados, a T-shirt manhosa foi sempre uma imagem de marca. Mas ao menos nesses tempos, a enorme maioria da representação parlamentar, PS incluído, tinha noção de onde estava. Acontece que depois, veio a “bloquização” do próprio PS.

Assim se percebe que a opção descontraída do primeiro-ministro em Angola nem sequer tenha sido caso único. Teve precedente na imagem gémea do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, sem gravata e em desleixo, a passar revista às tropas em Portugal, mesmo sabendo que as Forças Armadas foram forjadas por séculos de tradições que encaram o atavio e aprumo como regras essenciais. Apesar do óbvio desprezo do Governo em relação à instituição militar, há atos que soam a insulto.

Acresce o momento e o país. Independentemente da história, Angola é um parceiro estratégico e comercial importante para Portugal. Sendo que em política e em relação a governantes, o hábito também faz o monge.

* DEPUTADO EUROPEU

(MDT) ANGOLA, PORTUGAL PUT AN END TO DOUBLE TAXATION

(MDT)

Angola and Portugal are due this week to sign a convention to end double taxation between the two countries, as part of a two-day visit to Angola that the Portuguese prime minister is due to start on Monday, financial newspaper Jornal de Negócios reported last Friday.

The newspaper reported that although Portugal’s finance ministry did not confirm that the agreement will be signed during the prime minister’s visit, the Angolan Secretary of State for International Cooperation, Domingos Vieira Lopes had already admitted the possibility of signing the agreement during Costa’s visit to Luanda.

“The agreement to avoid double taxation between Angola and Portugal is in progress and practically concluded,” the newspaper wrote quoting the Secretary of State for International Cooperation.

The Portuguese Minister of Foreign Affairs, Augusto Santos Silva, said the visit “will have a very important economic component because the commercial relationship and in terms of reciprocal investments of Portugal and Angola is very intense.”

Santos Silva said in Brussels on the sidelines of a NATO summit in July that Portugal and Angola will also sign the new strategic cooperation programme and meet with the Portuguese community in Luanda.

Jornal de Angola reported that the Portuguese prime minister spoke yesterday at the “Angola-Portugal Economic Forum: for a strategic partnership.”

The Forum is organised by Angola’s Private Investment and Export Promotion Agency (AIPEX) and its equivalent Agency for Investment and Foreign Trade of Portugal (AICEP). The Minister of State for Economic and Social Development, Manuel Nunes, is to to make the opening speech at the meeting.

The schedule shows that the General Investment Plan will be presented during the meeting, with contributions from the presidents of Aipex, Licínio Contreiras and AICEP, Luís Filipe de Castro Henriques, as well as a letter of intent signed to support the Development Finance Company (Sofid) of Portugal for a project of Angolan company Metalser.

(Reuters) Portugal eases registrations for asset managers as Brexit looms

(Reuters) Portugal launched a bid on Monday to attract asset managers away from Britain ahead of its exit from the European Union next year, with regulators announcing they are simplifying the process for the firms to register in the country.

In a presentation, the central bank and CMVM stock market regulator said they “are determined to make Portugal an appealing option” for investment managers, promising to streamline authorisations for firms that want to move to Lisbon.

Among the changes, the regulators said applications would be approved more quickly, firms would deal with a single point of contact, and support will be offered in English to asset managers that want to move.

Approvals will be given in up to six months.

“The objective is to create the necessary conditions for firms that want to move to Portugal, within the context of the United Kingdom’s departure from the EU, so that they have clear and easy information to do so,” said Helder Rosalino, an administrator at the central bank.

Britain is the world’s second largest asset management hub, with fund assets reaching 9.1 trillion pounds ($11.96 trillion) last year, managed chiefly from London and Edinburgh.

Portugal is already trying to attract wealthy Britons who want to move after Brexit and has established a special office to make it easier to make real estate and other corporate investments.

It also offers so-called ‘golden visas’ to foreigners who want to gain residency through house purchases of 500,000 euros.

But it has been slow compared to places like Frankfurt and Paris in grabbing a slice of London’s financial services industry.

(ECO) Gulbenkian já está outra vez a negociar a venda da Partex

(ECOEm abril a Fundação Gulbenkian pôs um ponto final nas negociações com os chineses da CEFC para vender a Partex. Cinco meses depois, admite que já está novamente a negociar, mas não diz com quem.

A Fundação Calouste Gulbenkian já voltou a negociar a venda da Partex, depois de ter decidido por termo ao processo que vinha a desenvolver com os chineses da CEFC, em abril.

“As negociações continuam, mas para já não há nada para dizer”, confirmou ao ECO fonte oficial da Fundação que, nos últimos quatro meses, questionada sobre se havia desenvolvimentos na tentativa de encontrar novos interessados na Partex, ou em eventuais negociações, sublinhou sempre que não havia nada de novo. Apesar das insistências, a mesma fonte oficial não deu detalhes sobre com quem a Fundação está agora sentada à mesa das negociações.

As negociações continuam, mas para já não há nada para dizer.

Fonte oficial da Fundação Gulbenkian

O ECO também contactou o presidente da Partex, mas António Costa e Silva remeteu quaisquer esclarecimentos para a Fundação, a entidade que está a levar a cabo as negociações.

A opção de venda da Partex é “estratégica” dada a “nova matriz energética” da Fundação e uma questão de “coerência” com as convicções da instituição. Numa entrevista ao Expresso (acesso pago), em fevereiro, Isabel Mota explicou que a sustentabilidade que a Fundação defende “implicaria, mais cedo ou mais tarde, sair dos combustíveis fósseis”. “E corresponde a um movimento geral nas grandes fundações internacionais e não só: ter uma preocupação ética em relação ao bem comum e direcionar os investimentos em relação à filantropia”, acrescentou a presidente da Fundação.

A tentativa de venda não é de agora. Foi em junho do ano passado que a Gulbenkian avançou que estava a avaliar a entrada de grupos internacionais, com interesses no Médio Oriente, na petrolífera detida a 100% pela Fundação. Mas foi com os chineses da CEFC que as negociações chegaram mais longe. Contudo, as informações que começaram a ser veiculadas em março de que o presidente da CEFC China Energy, Ye Jianming, teria sido detido — houve mesmo uma delegação oficial da República Checa viajou à China em março para saber do seu paradeiro, levou a Fundação a por termo às negociações. Uma decisão que foi depois seguida pelo Montepio que estava a negociar com os mesmo chineses o negócio dos seguros, depois de o regulador ter chumbado o negócio.

Com a venda da Partex — uma operação que para avançar terá sempre de ter luz verde do Governo — a Fundação esperava encaixar cerca de 500 milhões de euros.

A petrolífera representou, em 2017, cerca de 18% dos ativos da Fundação, e a sua alienação é criticada por muitos. O especialista em geopolítica do petróleo, José Caleia Rodrigues, em declarações à Lusa, na altura, lembrava que “a missão da fundação não é explorar petróleo, o petróleo é uma fonte de rendimento e hoje o setor da produção de petróleo é para gigantes”, e a Partex “pode ser um jogador menor”. “Vender a sua posição [na Partex] pode não ser asneira, mas para Portugal era interessante tê-la. E até porque as coisas podem mudar”, acrescentou.

(ING) Portugal: On track for another good year

(ING) The government continues to focus on reducing public debt and the deficit however strong house price growth is becoming a concern. We expect the economy to continue to perform well in 2018, although growth will be slower than last year and forecast annual growth of 2.1% in 2018 and 1.8% in 2019.

The discussion about the 2019 budget is ongoing, but it seems the Portuguese government continues to focus on limiting the budget deficit and public debt.

The prime minister António Costa recently said the country should continue to do this to protect itself from external risks, such as a further escalation of the US-China trade war. In 2017, the Portuguese government debt in terms of GDP was the third highest in the Eurozone (125.7%), after Italy (131.8%) and Greece (178.6%). Costa recently said that the aim for 2019 is a deficit of 0.2% of GDP, which is even lower than last year’s 0.9% excluding the one-offs such as the recapitalisation of the public bank Caixa Geral de Depósitos.

The draft budget is expected to be given to the parliament and the European Commission by 15th of October, after which it will be discussed in parliament, while the vote on the bill would take place at the end of November.

In 2017, the Portuguese government debt in terms of GDP was the third highest in the Eurozone (125.7%), after Italy (131.8%) and Greece (178.6%)

In the second quarter, the economy grew by 2.3% year on year, compared to 2.1% in the first quarter. Like the first quarter, net exports contributed negatively to growth, but domestic demand, and in particular consumption and investment, more than compensated. Consumption remains supported by a strong labour market. The unemployment rate continues to drop sharply and reached 6.8% in July. Employment growth has been declining since the beginning of the year but managed to stay above 2%. Soft data, such as consumer confidence and the Economic Sentiment Indicator (ESI) remain at high levels.

The unemployment rate continues to drop sharply and reached 6.8% in July

One issue that gets more and more attention is the sharp increase in house prices, which have been accelerating since early 2015 and reached 12.2% in the first quarter of 2018. This is almost twice as fast than Spain and three times as fast as the Eurozone. The strong growth rate is caused by surging domestic and foreign demand, while supply cannot keep up.

The government could take some measures in its 2019 budget to alleviate the pressure, for example curbing foreign demand by adjusted programs such as the golden visa and the non-habitual regime. However, the prime minister has recently announced that people who return to Portugal in 2019 and 2020 could get a reduction in income tax and discounts on their return trip and housing, which is likely to further exacerbate the problem.

(JN) Economistas internacionais vêem Portugal a crescer menos

(JNPIB deve falhar meta de crescimento do Governo tanto este ano, como no próximo. Maior diferença é em 2019, quando a média dos economistas não espera um crescimento além de 1,8%.

A economia portuguesa deverá crescer 2,2% este ano, falhando por uma décima a meta de crescimento do PIB definida pelo Governo. A previsão resulta da média de 20 economistas internacionais compilada pela Bloomberg e inclui uma revisão em ligeira baixa do crescimento no segundo semestre, face ao último inquérito. Os números foram publicados esta segunda-feira, 17 de Setembro.

Os analistas ajustaram em baixa o crescimento esperado para o segundo semestre deste ano: em vez de um ritmo de subida do PIB de 0,6% a cada trimestre, antecipam agora um avanço de 0,5% em cadeia, também nos dois trimestres.

Contudo, a maior discrepância face à meta do Executivo verifica-se em 2019. No Programa de Estabilidade, apresentado em Abril, o Governo comprometeu-se a igualar no próximo ano o ritmo de crescimento que esperava para 2018, ou seja, 2,3%. Já nessa altura esta projecção ficava acima do esperado por várias instituições.

Agora, a Bloomberg antecipa um crescimento de apenas 1,8%, caindo para 1,5% em 2020. No inquérito anterior esperava um crescimento de 1,9% para 2019, mas já anteviam o ritmo de apenas 1,5% para 2020.

As projecções trimestrais permitem verificar que a economia entrará em 2019 com o mesmo ritmo de subida do PIB do final deste ano (0,5% em termos trimestrais), mas no segundo trimestre abrandará para 0,4%. Depois, na segunda metade de 2019 é de esperar uma repetição dos ritmos dos primeiros seis meses do ano.

Preços crescem mais, mas desemprego encolhe mais depressa

A par deste crescimento ligeiramente inferior, a projecção para a inflação foi corrigida em alta, dos anteriores 1,2%, para 1,4%, sinalizando que os preços vão subir um pouco mais depressa, mas continuarão contidos.

No mercado de trabalho as notícias continuam positivas, com os analistas a reverem em baixa a sua projecção para a taxa de desemprego. A média deste ano deverá ficar em 7,1%, reduzindo-se para 6,4% em 2019. Mas os progressos param aqui: no ano seguinte, os economistas contam com uma pequena subida da taxa, para 6,5%.

Seja como for, as previsões são mais positivas do que as expectativas do Governo para todos os anos. Em Abril, o Ministério das Finanças antecipava taxas de desemprego de 7,6% este ano, 7,2% em 2019 e de 6,8% em 2020.

(ECO) Angola: Costa anuncia aumento para 1.500 milhões euros da linha de crédito às exportações

(ECOO executivo liderado por António Costa reforça relações com Angola ao anunciar um aumento, para 1.500 milhões de euros, da linha de crédito de apoio às exportações para aquele país.

O primeiro-ministro anunciou esta segunda-feira que o Governo português vai aumentar a linha de crédito de apoio às exportações para Angola de 1.000 para 1.500 milhões de eurosmedida que considerou enquadrar-se na “solidez” das relações políticas luso-angolanas.

António Costa falava no início de uma reunião com empresários portugueses com investimentos no mercado angolano, num discurso marcadamente económico, mas em que também falou de “emoção” e “paixão” sempre presente nas relações luso-angolanas.

“Vamos aumentar a linha de crédito de apoio às exportações dos atuais 1.000 para os 1.500 milhões de euros. Esta linha de crédito ampliada a renovada é um sinal muito importante da vontade dos dois países continuarem a estreitar as suas relações económicas”, declarou o primeiro-ministro.

Perante os empresários portugueses, o líder do executivo defendeu a tese sobre a necessidade de novos objetivos e, por outro lado, de os diferentes agentes no terreno “não se cingirem ao que têm feito” em termos de cooperação.

“Há ainda muito para fazer no futuro. Com a assinatura do novo acordo estratégico para a cooperação (2018/2022) vamos além dos domínios tradicionais da saúde e da educação. Alargaremos a cooperação a áreas de soberania como a defesa, a colaboração técnica policial ou a administração tributária“, especificou.

Para António Costa, os passos agora dados “traduzem que as relações políticas entre Portugal e Angola não só estão boas, como estão sólidas e com grande perspetiva de se poderem aprofundar ao longo dos próximos anos”.

“Da parte de Portugal, creio que não há com nenhum outro país, em qualquer continente, uma relação tão intensa como temos com Angola, assente nos laços individuais que se foram estabelecendo. Como todas relações intensas marcadas pela paixão, muitas vezes essas relações são também emotivas. Mas, como sabemos, sem emoção não há uma boa relação”, advogou.

Ainda neste capítulo da sua intervenção, o primeiro-ministro defendeu que, no âmbito da relação entre África e União Europeia, Portugal e Angola encontram-se em posição privilegiada.

“As relações políticas são essenciais, mas é absolutamente indispensável que o relacionamento humano, com a presença constante de quem aqui trabalha e investe, continue a construir a aprofundar as nossas relação com Angola”, afirmou, numa nova mensagem dirigidas à comunidade empresarial portuguesa radicada em Luanda.

(ECO) Portugal e Angola vão eliminar dupla tributação

(ECOO acordo deverá ser assinado durante a visita de António Costa a Luanda na próxima semana a 17 e 18 de setembro.

Portugal e Angola deverão assinar na próxima semana uma convenção para pôr fim à dupla tributação entre os dois países, avança esta sexta-feira o Jornal de Negócios (acesso pago). O acordo deverá ser assinado durante a visita oficial do primeiro-ministro a Angola, a 17 e 18 de setembro. Os dois Estados põem assim termo a uma prática que os empresários consideram injusta e lesiva da sua atividade já que os seus rendimentos são tributados duas vezes.

Pôr fim à dupla tributação, uma medida discutida há muito pedida pelos empresários, é um sinal de normalização das relações entre Portugal e Angola depois de afastado o “irritante”que durante meses aumentou a tensão entre os dois Estados. Contactado pelo Negócios, o Ministério das Finanças não confirmou a que o acordo será assinado durante a visita de António Costa, que terá na sua comitiva o secretário de Estado e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix.

No entanto, em Luanda, o secretário de Estado angolano para a Cooperação Internacional, Domingos Vieira Lopes, já tinha admitido a possibilidade de o acordo ser assinado durante a vista de Costa. “Está em curso e praticamente concluído o acordo para se evitar a dupla tributação entre Angola e Portugal”, disse o responsável. Por outro lado, o diretor do Jornal de Angola, num artigo de opinião publicado no Jornal de Negócios também admite essa possibilidade: “Prevê-se que seja assinado um instrumento fundamental para uma efetiva normalização das relações empresariais entre os dois países, e que será o fim da dupla tributação, uma antiga reivindicação dos empresários angolanos e portugueses”.

Por outro lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros já disse que a visita “terá uma componente económica muito importante, porque o relacionamento comercial e em termos de investimentos recíprocos de Portugal e de Angola é muito intenso”. Augusto Santos Silva referiu ainda, em Bruxelas, à margem da cimeira da NATO, que “Portugal e Angola irão também assinar o novo programa estratégico de cooperação”, estando ainda previstos encontros do primeiro-ministro com a comunidade portuguesa em Luanda.

gabinete de António Costa deverá divulgar esta sexta-feira a agenda oficial da visita. Depois será a vez de João Lourenço vir a Portugal a 23 e 24 de novembro.

Mas se a isenção de dupla tributação deverá avançar, a hipótese da assinatura de um acordo de isenção de vistos, está posta de parte porque Portugal, tal como a maior parte dos países europeus, pertence ao espaço Schengen e “não tem a capacidade de exercer a reciprocidade”. “Não podemos ter desvantagem para os cidadãos angolanos. Isentamos aqueles que nos podem isentar. E os países da União Europeia, os que fazem parte do Schengen, não têm essa capacidade, mas estamos a encontrar caminhos da facilitação de vistos para que, de facto, não haja obstáculos”, disse ministro das Relações Exteriores de Angola na segunda-feira.

(OBS) A conspiração oligárquica – Rui Ramos

(OBS) Em outros países europeus, dizem-nos que a democracia está ameaçada por “movimentos populistas”; aqui, está ameaçada por uma conspiração oligárquica.

Esta semana, Rui Rio conseguiu situar o PSD à esquerda do PS, junto ao BE e à sua “taxa Robles”, entretanto condenada pelos socialistas. Não foi simplesmente um disparate, nem uma reconversão ideológica (depois de avalizar as ideias do BE, o PSD propôs a generalização das PPP na Saúde).  Foi, acima de tudo, uma operação plástica: trata-se pura e simplesmente de refazer o PSD como parceiro apto para todos os arranjos, por exemplo para uma qualquer maioria com o PS e o BE. Se o PSD pode avalizar uma daquelas propostas do BE feitas à medida para irritar a direita, tudo começa a ser possível entre os dois partidos.

Rui Rio não está apenas convencido de que o PSD não voltará ao poder a não ser à boleia do PS. Parece também convencido de que a “geringonça” de 2015 fez entrar a política numa nova época, em que o poder terá de ser partilhado através de arranjos para os quais as antigas separações e incompatibilidades, herdadas do PREC e das revisões constitucionais, deixaram de ser relevantes. O “muro”, quando cai, é para todos. Se o PS pode emparceirar com o PSD, o CDS, o BE e o PCP, porque não teria o PSD direito à mesma latitude de acasalamento político? E se isso se tiver de fazer à custa do significado que o PSD teve, ao longo de décadas, para uma grande parte do eleitorado, pois o eleitorado que tenha paciência. A Rio basta-lhe que uma parte dos eleitores do PSD, por interesse do poder ou por simples inércia clubista, lhe garantam o número suficiente de deputados para se fazer valer junto de António Costa.

É esta a nova política. Mas que tem o cidadão a ver com isto? É esse o ponto: nada. A combinação parlamentar de 2015 operou o princípio de um curto-circuito entre o eleitorado e o poder. Quando se supunha que o partido mais votado governava, isto é, que os eleitores escolhiam um candidato a primeiro-ministro, as eleições condicionavam directamente o acesso ao poder. Também a ideia de que havia fronteiras políticas intransponíveis e alianças partidárias improváveis continha o que os políticos podiam fazer e, desse modo, aliás, tornava a vida pública inteligível para os cidadãos: um voto no PS ou no PSD, não era um voto no BE ou no PCP, e vice-versa. Em 2015, António Costa rompeu com essas limitações, e Rui Rio pretende agora fazer o mesmo. Em 2019, todos poderão governar com todos, conforme o que conseguirem concertar nos gabinetes e corredores. Um voto no PS ou no PSD, no BE ou no PCP, significará arranjos de governo inesperados. É a oligarquia a impor-se de vez à eleição: nunca mais os cidadãos terão a certeza daquilo em que estão a votar. O eleitor é contra a punição do lucro e por isso vota no PSD? Pois talvez vá contribuir, com esse voto, para um governo em que o BE agrave essa punição. O regime vai tornar-se indecifrável, que é o primeiro passo para se desligar dos cidadãos.

Esta transformação do regime não será feita apenas à custa dos cidadãos. Será feita também à custa da efectividade da governação. Não poderemos esperar grande coisa de governos dependentes de maiorias heterogéneas e frágeis. A tendência será para toda a gente tratar das suas respectivas clientelas à custa do Estado, e, de resto, fugir a grandes responsabilidades. No fundo, a governação de Portugal irá reduzir-se, nas suas grandes linhas, a um simples condicionamento externo, definido pelos mercados financeiros e pelas regras europeias. Viveremos assim sob a ditadura da conjuntura: quando for boa, aumentam-se as despesas; quando for má, aumentam-se os impostos. Em outros países europeus, dizem-nos que a democracia está ameaçada por “movimentos populistas”; aqui, está ameaçada pelo que temos de chamar uma conspiração oligárquica.

(JN) Não nos roblem – Nuno Melo

(JN) A “taxa Robles” é realmente um disparate que só pode ser rejeitado liminarmente, mais que não seja porque já existe sob a forma de um imposto de mais-valias que tributa a diferença entre o preço pelo qual se vendeu um bem e o preço pelo qual esse bem foi comprado. Não pode haver maior disparate do que querer cobrar duas vezes dinheiro à mesma pessoa, pela mesma coisa. Nessa medida, o CDS não está de acordo com o PSD.

Mas a “taxa Robles” é também exatamente aquilo que parece. Um ato desesperado de fuga para a frente do BE, que denunciado publicamente na sua verdadeira natureza pelo vereador antigentrificação mais devotado à especulação imobiliária do mercado, apoiado publicamente por Catarina Martins, que fez das fraquezas de Ricardo Robles a doutrina de todo o partido, tenta agora controlar danos, apostando outra vez na venda de “gato por lebre”. O grande problema do BE é que aqui chegados, já não engana ninguém.

Vale isto para o comportamento do BE em relação ao PS que apoia para se manter no poder, mas contra quem se vê forçado a encenar fraturas, porque para seu drama, o parceiro na “geringonça” será adversário nas eleições europeias e legislativas de 2019. Assim se percebem divergências impossíveis em relação àquilo que o BE rigorosamente aprovou, num exercício de transmutação política que se tem de reconhecer notável e digno de estudo. É mais ou menos como abominar o capital, mas ter Francisco Louçã a conselheiro do Banco de Portugal.

Numa intervenção recente, Marisa Matias lançou uma daquelas frases cheias de alegorias que dão muito jeito quando se quer fixar a atenção num ponto. Disse que “Mário Centeno não entrou para o Eurogrupo, o Eurogrupo é que entrou em Mário Centeno”, e rematou: “O Eurogrupo nunca saiu de Centeno”. Percebe-se que António Costa tenha sido poupado. Num casamento de conveniência sólido, não se belisca quem manda mais, sendo que Mário Centeno também se presta ao papel, com menor risco.

Acontece que Mário Centeno só é ministro das Finanças, com Eurogrupo dentro ou fora de si, porque o BE quer. Em 2015 o BE entrou no PS e o PS entrou no BE. E em conjunto levam o ministro das Finanças juntinhos no coração.

Cada medida que o BE faz de conta não gostar, só existe em Portugal porque o BE votou favoravelmente. Foi assim com o preço dos combustíveis e com as cativações de milhões nos serviços públicos aprovadas nos OE para 2016, 2017 e 2018, que trouxeram à saúde, aos transportes e a tanto mais o colapso dramático que agora se vive.

As coisas são rigorosamente assim. E só não vê quem não quer.

*DEPUTADO EUROPEU

(France24) Booming electric car sales drive lithium rush in Portugal

(France24)

© AFP | Portugal is Europe’s main lithium producer

BOTICAS (PORTUGAL) (AFP) – Mining firms are racing to open new lithium mines in Portugal, already Europe’s biggest producer of the commodity, thanks to the surge in popularity of electric vehicles powered by lithium-ion batteries.

“The more we drill, the more we find,” says David Archer as he stands at the foot of a drilling crane perforating the granite rock of mountains near Boticas in northern Portugal to measure its lithium content.

The metal has become a form of precious “white gold” since demand for electric batteries has taken off.

Archer’s British mining firm, Savannah Resources, expects to open “Europe’s most important lithium mine” in 2020 here in the remote highlands of Tras-os-Montes, Portugal’s poorest and least-known region.

The company announced Monday that lithium resources at its Mina do Barroso project there were 44 percent higher than previously estimated.

Just 25 kilometres (15 miles) away in the town of Montalegre, Portuguese firm Lusorecursos also claims to sit on Europe’s “most important lithium deposit” which it expects to begin mining in 2020, according to its financial director Ricardo Pinheiro.

“The battery sector exploded and created a real appetite for lithium,” says Lucas Bednarski, managing director of market research site Lithium Today.

– New generation of batteries –

Demand for lithium, a silver-white coloured metal that is already used to manufacture lithium-ion batteries used in phones and laptops, has taken off with the rising popularity of electric vehicles, which need powerful batteries.

“I honestly believe that lithium could be the new gold for Portugal,” said European Commission Vice-President Maros Sefcovic, who is responsible for energy policy in the European Union’s executive arm.

“The reason for that is we expect that by 2025 there will be a market in Europe for batteries worth 250 billion euros ($290 billion) annually.”

For almost a year now Sefcovic has been working on a project to build in the EU a new generation of “green” recyclable and reusable batteries.

The first step requires reducing the bloc’s dependence on imported battery components. The EU imports 86 percent of the lithium it consumes, mainly from Chile and Australia.

Portugal is already Europe’s main lithium producer, with a market share of 11 percent, but its output is entirely used to make ceramics and glassware.

“It’s known Portugal has the most important reserves in Europe,” says Bednarski of Lithium Today, adding that the crucial step will be figuring out whether mining is “economically viable in a very competitive global market”.

He estimates it is 2.5 times more expensive to produce lithium extracted from Portugal’s granite rocks than from the brine fields of Chile.

– ‘White gold rush’ –

“There is a white gold rush in various jurisdictions in the world. For continental Europe, home of the German and French car industries, the concept of having a European supply chain from mineral to electric vehicle is attractive,” says Howard Klein, investment adviser at New York-based RK Equity.

The rush is already under way in Portugal. The projects at Boticas and Montalegre are expected to get the green light from investors and the authorities in the coming months.

The government will launch calls for tenders for lithium prospecting rights at a dozen other sites to respond to “big investor appetite”, Portugal’s Secretary of State for Energy Jorge Seguro Sanches told AFP.

Since 2016 Portugal has received over 40 requests for permission to look for lithium, he adds.

But the government does not just want to collect royalties for lithium extraction.

It also wants to “seize the opportunity to develop industrial sectors linked to the transformation of the mineral, to battery production, to the auto sector and renewable energy,” Sanches said.

Savannah Resources wants to produce a mineral concentrate rich in lithium in Portugal for export.

Lusorecursos’ project at Montalegre is even more ambitious as it wants to build a factory that can transform lithium before selling it to battery makers.

(Mosaic) Searching for the Traces of Judaism in Portugal

(Mosaic) In the late 14th century, as the persecution of Spanish Jews by their Christian rulers grew more severe, many fled to nearby Portugal. Many more would arrive after the expulsion of the Jews in 1492; only a few years later, however, the Portuguese monarchy forcibly converted its own Jewish population. As a result, crypto-Judaism persisted in Portugal much longer than it did in Spain. The historian Henry Abramson describes several weeks spent in Portugal on a tour of Jewish sites, and tells the story of the country’s Jews;

Portugal boasts an ancient Jewish settlement that reached a population of some 30,000 by the end of the 15th century. Perched on the edge of the Iberian peninsula, Portugal earned a reputation for tolerance that had long attracted Jews fleeing Spanish oppression, including [the 15th-century rabbi and diplomat] Don Isaac Abravanel’s grandfather Samuel, who fled the 1391 riots and forced baptisms [in Spain] to reclaim his Jewish faith in Portugal. . . .

In a break with Portugal’s history of relative religious tolerance, King João II initially refused to admit the estimated 100,000 Jewish refugees massing at his borders [in 1492]. Intensive petitioning finally moved the king to grant a six-month transit visa to 600 prominent families, at the exorbitant price of six cruzados per person (approximately $20,000 in contemporary currency). Despairing, many Jews chose to turn back, accept Christianity, and risk the depredations of the Inquisition. Others entered Portugal illegally, hoping to blend into the local population.

Both João and his successor Manuel I imposed harsh anti-Semitic decrees aimed at forcing the Jews to accept baptism, including the kidnapping of Jewish children and exiling them to São Tomé, a recently acquired island off the coast of west Africa; according to the historian Samuel Usque, himself a Jewish refugee from Portuguese persecution, nearly 2,000 of the 2,500 children abandoned on São Tomé died there, perhaps eaten by huge indigenous lizards. By 1497, the Portuguese persecution reached its nadir with the mass conversion of all remaining Jews, both Portuguese [natives] and Spanish refugees, such that the entire Iberian Peninsula was rendered [officially] Judenrein: free of Jews.

Amazingly, [these Jews] persisted. Traces of crypto-Jewish activity over the following centuries are recorded in Inquisition trial records and memoirs of those who managed to emigrate to safe havens like Amsterdam. [S]ecret traditions continued through the centuries, right up to the 20th century, when a Polish Jewish civil engineer named Samuel Schwarz . . . heard rumors of a Portuguese community that practiced Judaism in a tiny village called Belmonte. . . . Schwarz reported that the Belmonte conversos were skeptical that he was even Jewish. Only when he recited the familiar words of the Sh’ma prayer did they accept the fact that the Inquisition had not reached every living Jew.

(ECO) Carros em Portugal são os mais velhos de sempre

(ECOA idade média dos automóveis ligeiros de passageiros em Portugal é de 12,6 anos, o valor mas elevado de sempre e acima da média europeia.

O parque automóvel em Portugal superou pela primeira vez os seis milhões de veículos, mas a idade dos veículos ligeiros de passageiros também nunca foi tão alta: 12,6 anos, um valor superior à média europeia, avança esta quinta-feira o Jornal de Negócios (acesso pago).

De acordo com a Associação Automóvel de Portugal (ACAP), desde 2000 que o parque automóvel tem vindo a envelhecer rapidamente tendo em conta o fim dos incentivos ao abate de carros, mas também à crise económica. Em 1995 a idade média dos ligeiros era de 6,1 anos, em 2000 passou para 7,2 e o pico foi agora atingindo em 2017 (12,6 anos), num momento em que 80% do parque automóvel é composto por viaturas ligeiras.

Outro dos dados avançados pela ACAP é que um em cada seis automóveis em Portugal têm mais de 20 anos — passou de 177 mil, em 2010, para 777 mil o ano passado. E existem mais de 2,9 milhões de automóveis com idade superior a dez anos. Por outro lado, a idade média dos comerciais ligeiros é de 13,7 anos, nos pesados de mercadorias de 14,7 anos e nos pesados de passageiros 14,8 anos. Já o parque automóvel do Estado, composto por 25.640 veículos, tem uma idade média de 15,3 anos no final de 2017.

Para o secretário-geral da ACAP, Helder Pedro, “a única medida para a renovação do parque automóvel com um impacto no curto prazo é o incentivo ao abate de veículos em fim de vida”.

(CNN) Portugal’s wild coastline beyond the Algarve resorts

(CNN) Sometimes, the Algarve gets a bad rap. After six decades as a prime package-tour destination, it’s perhaps no surprise that sun-drenched southern coast of Portugal can trigger a sniffy reaction from travel snobs.

Yet it’s wrong to write off the Algarve.

If you travel to the western extremities of the 125-mile coastline, you’ll encounter a protected shoreline with wild, surf-ready beaches little touched by mass tourism.

Turn east — between Faro, the regional capital, and the Spanish border — and you’ll discover a coast fringed by spacious sandbar islands gently lapped by the Atlantic.
Even in the Algarve’s oft-maligned central strip, those in the know can find secret beaches, villages oozing charm, exciting new hotels and hidden restaurants serving the region’s Mediterranean-style cuisine.

Along the 10-mile stretch of shore between the low-cost, high-rise resort of Armação de Pêra and the Arade River estuary, satellite images show a string of bite-shaped indents in the cliff face, as if some giant sea-creature has nibbled away at the coast.

More than 40 such coves are cut into the honeycomb cliffs. All are lined with golden sand that slopes softly to the ocean. Their southern exposure means the beaches are perfectly positioned to trap the rays during the Algarve’s 300 days of annual sunshine.
Algarve

Praia do Pinhao is one of dozens of thin ribbons of golden sand at the foot of sheer cliffs near Lagos.
Paul Ames

‘King of the beaches’

While Praia da Marinha, which often gets a nod in best beaches listings, is famed for its yellow rock formations rising from a lapis-lazuli sea, all the coves have a special character.
Praia da Senhora da Rocha is overlooked by a whitewashed medieval chapel perched on an impossibly narrow promontory; Praia de Benagil is a fishermen’s hangout and starting point for boat trips to a spectacular domed sea cave; Praia dos Caneiros has some of the Algarve’s broadest stretches of sand, and is home to a renowned seafood restaurant called Rei das Praias (“king of the beaches”).

The shores here take their names from the mists of local folk history: There’s a “rabid dog beach,” “the brunette’s beach,” “mosque beach” or “little kisses beach.”

Some of the smaller strands are reachable only by scrambling over rocks, filing down scrubland paths or by taking a boat — guaranteeing solitude even during the height of summer.

Although there’s a scattering of vacation villas in places, much of the clifftop has escaped development. A three-mile hiking trail leads from Nossa Senhora da Rocha to Praia de Benagil, almost without passing any human habitation. Instead, there are shady umbrella pines, wild figs, and almond trees that bloom white in February and March.

All year there are flowers, but spring sees the scrubland erupt into blossom: Purple cistus, lavender, oleander and yellow gorse. The color scheme is augmented by dashes of pink hoopoes, azure-winged magpies, rainbow-hued bee-eaters and other exotic birdlife.

Should all that hiking leave you peckish, the trail is bookended by Michelin-starred restaurants. Ocean, located in the fancy Vila Vita resort just to the east of Nossa Senhora da Rocha, is one of four restaurants in Portugal with two stars from the French gourmet bible; Bon Bon, just inland in Sesmarias, secured its first star in the 2016 edition with dishes such as langoustines with ponzu and beetroots, or skate, smoked eel and leek.
Portugal wild Algarve Praia Nova

Praia Nova is separated from Praia da Nossa da Senhora by a chapel on a narrow promontory.
Portugal Tourism

The bigger picture

Amid the unblemished beauty, the area hasn’t entirely escaped the impact of mass market tourism.

Shooting its beachside fishermen’s homes with a narrow lens, the village of Carvoeiro still looks postcard perfect, especially at sunset. Widen the focus, however, and you’ll catch a sprawl of holiday homes and downtown streets jammed with souvenir stores and bars serving cut-price cider, technicolor cocktails and Premier League soccer on TV.
Other places, however, are better preserved.

Ferragudo is a painfully pretty pile of terracotta-roofed houses curled round a low hill between a 17th-century fortress (built to guard against pirates) and a line of riverfront restaurants which expertly slap locally-caught fish on their grills.

The village’s reputation as an artists’ retreat is maintained by the Studio Bongard, a traditional tile-covered Algarve house with a bougainvillea-shaded patio overflowing with ceramic sea-life and other phantasmagorical creations by the resident sculptors.

Ten minutes inland, the narrow lanes of Estômbar contain two treasures: A parish church whose baroque façade hides an interior lined with blue-and-white azulejo tiles and an 18th-century altar glistening with Brazilian gold; and O Charneco, a scrupulously traditional hole-in-the-wall restaurant that serves a seven-course parade of Algarve specialties which can include cuttlefish roe salad, rice with monkfish, roast lamb, and sweet pumpkin cake.

A wine-soaked comeback

Algarve cuisine is based on abundant seafood, pork and lamb raised in the hills, with fresh local fruit and vegetables. More than any other part of Portugal, it’s influenced by the Mediterranean and a legacy of over five centuries of Arab rule in the Middle Ages.

The Algarve played a key role in the successful 2013 campaign to secure UNESCO cultural heritage status for the Mediterranean diet. But while the region’s food has long been appreciated, its wines are only recently making a comeback.

Vines have been grown in the Algarve since Roman times, but local tipples were long overshadowed by the notoriously tasty nectars produced on the rolling plains of the Alentejo region, just to the north. Lately however, Algarve reds and whites are generating excitement in the Portuguese wine world and beyond, as a new generation of producers — many originally from outside — exploit the region’s blend of climates, soils and slopes.
Portugal wild Algarve Quinta dos Vales

Quinta dos Vales wine estate is at the forefront of the Algarve’s wine resurgence and offers tastings, overlooked by striking sculptures.

Quinta dos Vales
At Quinta dos Vales, sitting in gently sloping countryside just outside Estômbar, visitors can tour the estate, stock up on award-winning wines and admire the work of the German owner, a banker-turned-sculptor whose fluid statues of curvy female forms loom over the vines.

A short drive north is Quinta do Francês, where Fatima and Patrick Agostini are winning kudos for wines produced at their spectacularly located estate between the Serra de Monchique mountains and Silves, a fortified city that once served as capital of a medieval Moorish kingdom. The couple were lured to the Algarve from the south of France by the region’s wine-making potential in 2002.

“There’s a great terroir here, a great climate. For wine-makers there’s plenty of variety — some places have sandy soils, but where we are there’s schist. It allows us to make wines that are full of fruit,” Fatima explains. “The way of life is more relaxed here. We love the climate, being close to the sea.”

The Algarve’s growing popularity — 2016 was a record year for visitor numbers — is triggering some exciting new accommodation options.

The first European resort of Thailand’s luxurious Anantara group opened in 2017 beside the beaches and golf courses of Vilamoura, while hip boutique hotel Casa Mãe has taken up residence beside the ancient city walls of Lagos, a port that was once the launch pad for Portugal’s 15th-century voyages of discovery and remains a gateway to more of the region’s fabulous beaches.
Underestimate it at your peril.
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(Reuters) Savannah boosts Portugal lithium estimate, shares rise

(Reuters) Savannah Resources said on Monday its Portuguese lithium resources were more than 40 percent larger than previously estimated and it was talking to potential European customers as the continent seeks to reduce battery mineral imports.

Lithium projects are springing up across the globe in response to an expected electric vehicle boom, but warnings of a bubble led to stock shorting this year, unravelling some of the previous strong rallies.

Savannah’s share price has gained around 30 percent this year and rose as much as 14 percent on Monday, before paring gains.

Monday’s 44 percent upwards revision, taking the size of Savannah’s project in northern Portugal to more than 20 million tonnes, is the third mineral upgrade this year and further revisions are likely as drilling continues, the company said.

Savannah said it was on track to complete a feasibility study early next year and aimed to be producing lithium by 2020.

“There is no significant European production of lithium at the moment. This (Savannah’s project) appears to have the best credentials to be a meaningful producer in Europe,” CEO David Archer said in a telephone interview.

Earlier this month, the London-listed company announced a secondary listing in Frankfurt, and Archer said on Monday he was in contact with potential European as well as Asian customers for Savannah’s lithium. He did not name them.

The Portuguese project, named Mina do Barroso, will produce spodumene concentrate from hard-rock lithium, which can be relatively quick to produce, although those investing in the brine fields of South America say their approach can be cheaper.

Other projects in Europe include Rio Tinto’s lithium one in Serbia, which is not expected to start production until the next decade.

Rio Tinto and Savannah also have a joint venture in Mozambique.

Simon Moores, managing director at Benchmark Mineral Intelligence, which collects and analyses data on battery minerals, said the principle of Europe having its own lithium mines was “strategically important”.

His company predicts Europe will have a fifth of global electric vehicle lithium ion battery production in 10 years’ time, compared with China’s 54 percent of North America’s 15 percent, but so far Europe relies on China and the Americas for its lithium supplies.