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(OBS) “Debaixo do Céu”. A história dos que fugiram do Holocausto e encontraram abrigo em Portugal

(OBS)

Estreou-se no Indie e agora tem uma sessão diária no Cinema Ideal em Lisboa. “Debaixo do Céu” é o novo documentário de Nicholas Oulman. Entrevistámos o realizador.Partilhe

Foi durante a produção de “Com Que Voz”, o documentário sobre Alain Oulman, responsável por alguns dos maiores sucessos de Amália Rodrigues, que Nicholas, filho do pianista e compositor francês, ganhou consciência sobre a existência dos refugiados do Holocausto que passaram por Portugal. Quase dez anos depois, termina “Debaixo do Céu”, um documentário sobre as memórias de alguns desses perseguidos em fuga.

Depois da estreia no Indie Lisboa, “Debaixo do Céu” chegou esta semana à sala do Cinema Ideal, em Lisboa (com sessões diárias às 19h30). O documentário vê-se como uma viagem, desde o centro da Europa até Portugal, uma espécie de paraíso que assim ficou na memória dos entrevistados. Ao longo dos seus setenta e oito minutos de duração, Nicholas Oulman utiliza minuciosamente as imagens de arquivo que recolheu, servindo não só a parte oral do seu filme, como também o seu movimento de fuga para Portugal. É uma viagem sobre uma viagem — melhor, sobre várias viagens, através das memórias de adultos sobre a sua infância num período negro da história mundial. E foi por aí que começou a nossa conversa com o realizador:

[o trailer de “Debaixo do Céu”:]

Quando começou a pensar em “Debaixo do Céu” imaginou-o com a componente de viagem que transmite?
A primeira reação quando começa o filme é de distanciamento, mas à medida que vai evoluindo, se a pessoa se deixar levar pelo ambiente fantasmagórico, etéreo, acho que se consegue entrar num ambiente e atmosfera propícia à narrativa do filme. Foi um bocadinho isso que tentei fazer.

Compartimentou o filme em histórias, mas quando se está a ver, não se tem bem essa noção. Só me apercebi disso no final.
Isto é um documentário, e num documentário, a meu ver, o realizador parte com uma ideia de princípio mas depois consoante o que vai encontrando, consoante a evolução das coisas, a ideia de partida está sempre a transformar-se numa coisa. Com o testemunho das pessoas vamo-nos apercebendo de certas realidades. Aquilo que me impressionou na pesquisa e preparação do filme, quando estava a entrevistar estas pessoas — apesar de serem histórias muito pessoais e momentos individuais de cada um –, é que havia uma trama geral: um movimento de migração que se criou ali. Não importava de onde vinham da Europa, tinham todos o mesmo intuito, que era de salvar a pele, fugir, procurar terras melhores. Eu optei por não usar histórias muito individuais, intimistas, do dia-a-dia, coisas muito pessoais, e tentei incorporar aquilo num ensemble de movimento de um povo. E daí a escolha de não mostrar as pessoas, os entrevistados

Nem diz o nome das pessoas, sem ser no final.
Uma pessoa é guiada pela voz, depois vê as imagens que não são ilustrativas no sentido figurativo das coisas e acaba-se com o trabalho de som, com a música. É um mergulho num período negro e durante 78 minutos entramos desde o primeiro frame naquele mundo e saímos depois, com um bocadinho de cor, em 1945, naquele travelling aéreo das ruínas em Berlim. Durante esse tempo todo há uns silêncios, uns negros, que é para o espectador respirar um bocadinho. Quis criar um universo que fosse emotivo, verdadeiro, sem entrar em clichés e sem fazer uma coisa que já tinha sido feita. Filmes sobre o Holocausto, sobre a Shoa, há muitos e muitas vezes a facilidade é fazer a entrevista, plano da pessoa a falar, ilustração com imagens de arquivo. Ao pegar nisto, sabia que ia ser algo diferente. Mas não fazia ideia que ia ser aquilo que acabou por ser. Isso nasceu de um processo de criação, trabalho, experimentações, até encontrar uma linguagem que se adequasse ao sentimento que estava a tentar transmitir ao fazer este filme.”Não quis deixar que a memória fosse esquecida. Quis tentar fazer um filme importante, para mostrar que Portugal foi aquilo que foi, para mostrar um ponto de vista um bocadinho diferente e não usar imagens demasiado batidas, que toda a gente viu, aqueles campos de concentração, já muita coisa foi feita sobre o assunto. Foi um desafio maior do que estava à espera.”

Em alguns depoimentos, principalmente na primeira metade do filme, por vezes os entrevistados falam de um alemão ou de um nazi como uma “pessoa decente”, porque fizeram algo que eles não estavam à espera. No final há aquela declaração sobre os alemães terem sido complacentes com Hitler, mas continuam as ressalvas sobre alguns serem “pessoas decentes”. Isso foi algo que o preocupou, tentou abordar de alguma maneira a questão da banalização do mal?
Isto surgiu tudo quando eu estava a fazer o “Com Que Voz”, estava a fazer pesquisa sobre o meu tio que se alistou na RAF e depois fugiu. E os meus avós, aqui no Dafundo, ajudaram muitos dos judeus que passaram por Portugal, davam-lhes casa, ajudavam-nos a arranjar os documentos necessários. Eu não fazia ideia que Portugal tinha sido um país que tinha tido uma imigração tão grande de refugiados judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Não sabia que havia a implantação de campos de residência fixa pelo Estado, assim que os refugiados chegavam eram logo encaminhados para vários campos. Isso foi uma coisa que me interessou, comecei a fazer pesquisa e achei que havia matéria para fazer um filme. Esse foi o ponto de partida.

E quando é que se apercebeu de que tinha realmente um filme?
Depois na pesquisa muito rapidamente me apercebi que as únicas pessoas que ainda estavam vivas ou que poderiam testemunhar a experiência vivida eram pessoas que na altura eram crianças. Uma criança sabe tanto quanto um adulto, tem outras sensações, tem uma visão diferente da posição de um adulto. O adulto tem o sentido de responsabilidade, de que tem de salvar a família. A criança vê-se numa situação e tenta desenrascar-se como pode. Mas ainda sobre a questão da palavra “decente”…

Usam-na muitas vezes. E achei curioso ser sempre a mesma palavra. Não é bom, nem é mau, é “decente”.
Isso, a Lolita, que é a pessoa que começa o filme a acaba o filme, no final quando faz aquele discurso em que diz que só se sentiu capaz de voltar à Alemanha quando os alemães admitiram uma certa complacência, está sempre a corrigir e a justificar, porque havia sempre “alemães decentes, alemães decentes”. Porque havia, de facto, nem tudo é preto, nem tudo é branco, as coisas nunca são assim, há muitos cinzentos. E como a Annie, aquela que lembra que o cônsul lhe disse que é uma inocente e que não tem “nada a ver com isto”… Depois foi para um avião, vomitou, e apareceu um nazi com um pin que não a tratou como os outros a tinham tratado. Há sempre uma componente humana.

“O que me interessava era essa ideia de movimento, de fuga”

Ao longo do filme subentende-se que também há uma vontade do Nicholas em querer que a memória não seja esquecida.
Ao fazer um filme destes, não quis deixar que a memória fosse esquecida. Quis tentar fazer um filme importante, para mostrar que Portugal foi aquilo que foi, para mostrar um ponto de vista um bocadinho diferente e não usar imagens demasiado batidas, que toda a gente viu, aqueles campos de concentração, já muita coisa foi feita sobre o assunto. Foi um desafio maior do que estava à espera.

As imagens e os depoimentos utilizados criam uma grande sensação de movimento. É algo que chega a fugir do contexto da Segunda Guerra Mundial. Ou seja, o que está presente são as pessoas, o que aconteceu e o que se fez às pessoas.
Mas é isso. Tentei evitar o mais possível aquelas imagens de guerra, de Hitler, de tropas. O que me interessava era essa ideia de movimento, de fuga, mas ao mesmo tempo tentei concentrar-me nas imagens. Nas imagens que procurava, tentei encontrar planos mais fechados, que tornassem a coisa mais pessoal, não individualista, um coletivo que mostrasse que cada pessoa é uma. Nas imagens escolhidas há a sensação de movimento, de viagem, de périplo, de avançar. Fugir França, França é um país seguro, mas em 1940 é invadida pelos alemães,é preciso fugir mais para sul, para Bayon, Biarritz, Bordéus, mas Pétain anuncia o Armistício [de 22 de Junho de 1940] e os alemães começam a invadir a França toda, há medo, é preciso ir para a Península Ibérica, mas está lá o Franco, o Salazar, também são ditadores, será que vão fazer um acordo com os nazis? E a Península Ibérica, vai ser invadida? Mas muitas destas histórias são de famílias separadas, famílias que se perderam, crianças que tiveram que se desenrascar pelos próprios meios. As pessoas que entrevistei, que tinham todas de 85 anos para cima, têm um olhar sobre a vida que é surpreendente. Para eles, depois do que viveram como crianças, o resto é sumo. Pior do que aquilo, não há. Eles encaram a vida… e tinham uma inocência e alguns tinham uma pré-disponibilidade para falar… uma grande ingenuidade por um lado e por outro uma grande mágoa.

Que perguntas lhes fazia?
Para já, eu não conhecia as pessoas…”Os relatos desde que saíram da Alemanha, do que se lembram, até passarem por Portugal e muitas vezes irem para os Estados Unidos. Tenho histórias de alguns que foram para os Estados Unidos… como o do Sylvain, que foi feito cidadão norte-americano, aos 18 anos alistou-se no exército e voltou para a Alemanha com uma arma na mão. Mas a maior parte das pessoas que entrevistei são pessoas que chegaram com nada e construíram vidas e carreiras fabulosas.”

Aliás, antes disso. Como é que chegou a estas pessoas?
Através de um pesquisador em Portugal, Carlos Guerreiro. Tem um blog chamado “Aterrem Em Portugal”, que tinha alguns conhecimentos. Entrei em contacto com ele, disse que estava a fazer este projeto e perguntei se conseguia encontrar pessoas que passaram por Portugal nessa altura. Após uns meses começaram a chegar nomes. Entrava em contacto por email com essas pessoas, perguntava se lhes podia telefonar e começou assim. Com um nome, um número de telefone, a maior parte deles estava nos Estados Unidos, pela costa este. Basicamente o que eu fazia era, pegava no telefone, telefonava às pessoas, explicava a minha ideia, perguntava se estavam dispostos a serem entrevistados e se tinham disponibilidade, tinha uma conversa de cinco, dez, quinze minutos. Muitas destas pessoas vivem nos Estados Unidos, têm uma certa idade, quando veem um número de telefone que não conhecem, ou não atendem, ou atendem e dizem que não estão interessados, aquelas coisas do telemarketing. Tive de conseguir quebrar essa barreira e tentar explicar. “Mas espere aí, não é bem isso, vivo em Portugal, sou um realizador, estou a fazer um filme, sei que passou por cá.” Aos poucos foi-se criando uma relação e encontrámos uns dezassete ou vinte sobreviventes.

E foi a casa das pessoas?
Sim, com uma pequena equipa. Tentei ganhar uma certa confiança com eles… porque alguns falam muito abertamente sobre isto, outros nem tanto. Outros já estão tão rodados por terem trabalhado no Museu do Holocausto local, ou por terem feito palestras, como sobreviventes do Holocausto, contam histórias em escolas… Queria evitar que fossem coisas mais batidas, repetidas. Tentava entrar por um lado mais humano da coisa. Tenho entrevistas onde faço perguntas em que só me dizem “sim”, “não”, “às vezes”, “eu nunca tive medo, não sei o que é isso”. Coisas que são interessantes, a pessoa tem o seu carisma, mas não há substância para trabalhar. As entrevistas foram acontecendo e depois fomos para a sala de montagem.

Que informações procurava obter? O que queria mesmo saber?
Como era a vida deles enquanto estudantes, antes de Hitler chegar ao poder, como as coisas mudaram, o que eles sentiram, o que viram, se tinham noção das Leis de Nuremberga, se tinham noção da Noite de Cristal. E começavam a dizer que não tinham noção… consoante a idade, havia uns que eram novos e não tinham noção do que se estava a passar, outros eram mais velhos e apercebiam-se de que havia qualquer coisa que não estava a bater certo e outros mais velhos ainda percebiam que havia algo de errado. Há aquela história da Annie e da amiga que gostavam muito de ir nadar e de um dia para o outro já não ser possível nadar no sítio onde gostavam, porque os judeus já não eram bem vindos, já não se podiam sentar num banco. E depois perguntava como é que saíram da Alemanha… contaram-me a memória deles. Os relatos desde que saíram da Alemanha, do que se lembram, até passarem por Portugal e muitas vezes irem para os Estados Unidos. Tenho histórias de alguns que foram para os Estados Unidos… como o do Sylvain, que foi feito cidadão norte-americano, aos 18 anos alistou-se no exército e voltou para a Alemanha com uma arma na mão. Mas a maior parte das pessoas que entrevistei são pessoas que chegaram com nada e construíram vidas e carreiras fabulosas. Um era professor no MIT, alguns que não estão no filme, como um homem que vive em Miami e que se tornou num multimilionário. Há outro que não está… que quando esteve em Portugal e andava pelos passeios de Lisboa com a mãe reparou nos desenhos na calçada. Aquilo marcou-o imenso, ficou com aquilo na cabeça, quando foi para os Estados Unidos e decidiu o que ia fazer na vida, lembrou-se dessas pedras e começou a importar mármore e fez uma fortuna.

“Abordei as coisas que me foram relatadas através dos entrevistados, baseei-me nas memórias deles”

Para os refugiados atravessarem a Europa toda e chegarem aqui, à praia, deve ter sido uma espécie de milagre. Isto deveria parecer o paraíso. Há um relato no filme que mostra isso muito bem…
Mas era isso. Quando saíram da Alemanha, da Bélgica, saíram porque estavam a ser bombardeados, porque havia guerra, atravessaram a França toda, chegaram aos Pirenéus, tiveram de atravessar os Pirenéus nas condições mais difíceis que uma pessoa pode imaginar. E chegaram a Espanha, que estava completamente destruída, tinha acabado de sair da Guerra Civil. Alguns dizem que Espanha estava até pior do que a Europa, porque a guerra ainda estava no início. E chegam a Portugal, Portugal é luz, festas, romarias, pessoas na rua, despreocupação… Portugal era o mundo dos espiões, como se sabe, estavam cá os alemães, ingleses, americanos, no Estoril havia espionagem. Eu gosto de pensar que… o Salazar fez aquilo porque tinha pena dos refugiados. Não entro em politiquices no filme, nem estou a tentar branquear nada, segui as memórias que me foram contadas. E como são memórias de crianças, há só uma referência ao regime, que é quando o Sylvain está na Figueira da Foz…

E depois vai dar uma volta…
E começa a dar lições de francês ao tipo da biblioteca porque ele queria contar-lhe o quão mau era o regime. E é a única referência que há do regime. Mas também não falo do Aristides Sousa Mendes, foi uma opção. Não vou fazer uma coisa didática, já o sabemos. Já há filmes de ficção, documentários feitos sobre isso. Tentei evitar essas coisas. Não foi esse o meu intuito. Só abordei as coisas que me foram relatadas através dos entrevistados e baseado nas memórias deles tentei… tentei juntar ou cortar… como são muitas entrevistas, muito tempo de imagem, há entrevistas de três horas, de hora e meia, temos de concentrar-nos naquilo e construir o puzzle, o filme. Foi o meu método de trabalho e foi assim que se construiu o filme.”Quando alguém foge, não foge com fotografias, álbuns, não há aquela coisa de ‘ah, tenho aqui esta fotografia de quando era miúdo, e estão aqui os meus pais, tenho estas fotografias’.”

Imagino que o trabalho na sala de montagem tenha sido algo moroso. Como foi?
Aí é que se escreve a verdade. Com entrevistas filmadas, sabendo que existem imagens de arquivo, sabendo que as pessoas que eu entrevistei não tinham praticamente nada a nível de elementos pessoais. Porque quando alguém foge, não foge com fotografias, álbuns, não há aquela coisa de “ah, tenho aqui esta fotografia de quando era miúdo, e estão aqui os meus pais, tenho estas fotografias”. Se tinham algumas coisas, essas coisas foram doadas ao Museu do Holocausto, não têm nada. A não ser a imagem filmada deles, não existe nada para se construir qualquer coisa. Estamos perante uma realidade bem verdadeira. Com o material que nós temos, as histórias são ricas, as pessoas têm o seu carisma, há momentos fortes, menos bons, mais divertidos, há histórias, pequenas anedotas, mas o pano de fundo é o do nazismo, de fugir para salvar a vida. Não é um pano de fundo cheio de rosas, mas ao mesmo tempo temos a memória de crianças. Como diz o Fred, ele estava no comboio e tinha uma janelazinha e pensava que lá ao fundo era fogo-de-artifício…

Mas afinal era um bombardeamento.
Eu tentei fazer com que fosse uma viagem, não é bem alucinogénia, assim na memória, foi por isso que trabalhei as imagens de arquivo, fazendo uns ralenti nas imagens, para criar um lado transcendental, onde uma pessoa… se uma pessoa se deixa levar e entra naquilo, é um bocado como um sonho. Pelo menos era o meu objetivo. Acho que se a pessoa der ao filme a oportunidade que ele merece, acaba por entrar e ser surpreendido, porque não é o que está à espera.

Como encontrou as imagens de arquivo?
Foi tudo na internet. Por vezes há filmes que vês que têm algumas imagens, vais aos créditos, vês quais são as casas de arquivo, ou tentas entrar em contacto com eles. Há alguns que são muito difíceis, como o Bundesarchiv na Alemanha, tens de fazer os pedidos por escrito, demoram não sei quanto tempo a responder. Mas muitas dessas imagens, se a pessoa souber fazer a pesquisa online, vai às casas de arquivo e procura. É preciso é ter paciência… e mais paciência. E tivemos apoio da United States Holocaust Memorial Museum, eles têm o arquivo do Steven Spielberg. Como o objetivo dos arquivos é preservar a memória, eles estão sempre dispostos, desde que o filme seja sério e tenha os mesmos objetivos de promover a memória e não deixar que as coisas sejam esquecidas. Todos os depoimentos que gravei, tudo o que é filme, mandei tudo para lá. Porque eram de pessoas que não tinham depoimentos ou não tinham depoimentos tão compridos. Enviámos os brutos todos.

(IT) Second Brexit vote could damage UK ‘social cohesion’, May says

(IT)

British prime minister Theresa May says she “never even considered” renegotiating the Belfast Agreement as part of the Brexit negotiations. Video: UK Parliament TV

Theresa May has ruled out seeking changes to the Belfast Agreement as an alternative to the Northern Ireland backstop, affirming her government’s commitment to upholding every part of it. In a statement to the House of Commons about Brexit on Monday, the prime minister dismissed a report that she saw amending the agreement as part of the solution to the impasse over the backstop.

“All of us agree that as we leave the European Union, we must fully respect the Belfast Agreement and not allow the creation of a hard border between Northern Ireland and Ireland – nor indeed a border down the Irish Sea. And I want to be absolutely clear, in the light of media stories this morning, this government will not reopen the Belfast Agreement. I have never even considered doing so – and neither would I,” she said.

The prime minister’s official spokesman also dismissed a report that she was seeking a bilateral agreement between Dublin and London as an alternative to the backstop. In identifying the backstop as the focus of her efforts to find a majority in parliament for a Brexit deal, Mrs May rejected calls to rule out leaving the European Union without a deal.

Borderlands

A special investigation on Brexit & the BorderRead More

“We need to be honest with the British people about what that means. The right way to rule out no deal is for this House to approve a deal with the European Union. That is what this government is seeking to achieve. The only other guaranteed way to avoid a no deal Brexit is to revoke article 50 – which would mean staying in the EU,” she said.

Mrs May said that extending the article 50 negotiating deadline would not rule out a no-deal Brexit but would simply defer it. She also rejected a second referendum, warning that it could damage social cohesion and undermine trust in the democratic process.

“I fear a second referendum would set a difficult precedent that could have significant implications for how we handle referendums in this country – not least, strengthening the hand of those campaigning to break up our United Kingdom. It would require an extension of article 50. We would very likely have to return a new set of MEPs to the European Parliament in May. And I also believe that there has not yet been enough recognition of the way that a second referendum could damage social cohesion by undermining faith in our democracy,” she said.

She announced she was scrapping a £65 fee for EU nationals wanting to remain in the UK after Brexit, promised to guarantee workers’ rights and environmental safeguards and said she would continue talks to find “the broadest possible consensus” on the way forward.

The prime minister said she would continue to meet MPs from all parties ahead of a vote next week when MPs will be able to table amendments backing alternatives to her deal. But Labour leader Jeremy Corbyn, who has refused to meet Mrs May until she rules out leaving the EU without a deal, said the meetings were phoney.

“The prime minister’s invitations to talks have been exposed as a PR sham. Every opposition party politician came out of those meetings with the same response. Contrary to what the prime minister has just said, there was no flexibility; there were no negotiations; nothing had changed,” he said. – Additional reporting: PA

(EUobserver) Swiss likely to reject EU deal, warns president

(EUobserver) Swiss president Ueli Maurer on Sunday urged the European Union to renegotiate a deal governing future ties between the two sides, telling Swiss TV station Tele Zuri that Swiss voters would not agree to the proposed version if it comes to a referendum. “As things stand today, the framework agreement would not be accepted. So we would still have to make substantial renegotiations,” he said.

(JN) A mensagem que falta – Nuno Melo

(JN) Na mensagem de Ano Novo, o presidente da República pediu “credibilidade e transparência às instituições políticas”, atenção ao esforço “custoso para pôr de pé uma democracia” fácil de destruir e “exigência” nas escolhas a fazer nas próximas eleições europeias, regionais da Madeira e legislativas.

Terá razão. Ainda assim, de pouco servirá apelar à renúncia de “arrogâncias intoleráveis, promessas impossíveis, radicalismos temerários e riscos indesejáveis”, se forem omitidos os motivos da tentação por respostas assim erradas.

As reações extremistas e nacionalistas não nascem de gestação espontânea. Há causas profundas que há décadas vêm minando os alicerces dos regimes democráticos. E as pessoas estão cansadas.

Cansadas da corrupção indecente e às claras, praticada por tantos responsáveis políticos de partidos que se dizem moderados e à custa de rótulos acumulam votos e se alternam no poder, mas depois se apropriam ilicitamente de parcelas do erário público e do património alheio.

Cansadas de declarações públicas e peregrinações em defesa dos piores exemplos da política, em vez do repúdio cristalino da má conduta daqueles que os tribunais mostraram incapazes das funções públicas para que foram escolhidos. E não, não somos todos iguais.

Cansadas dos ataques à Justiça, em vez de melhores meios para quem a encarna. Nenhum regime é democrático, onde a criminalidade prevaleça incólume.

Cansadas da colonização forçada com socialismo, de parcelas do Estado, onde só poderia haver isenção, escolas e universidades, a começar.

Cansadas de dois pesos e duas medidas. De alarmes – justificados -, em relação ao crescimento da extrema-direita, enquanto se faz silêncio e aprecia o crescimento dramático da extrema-esquerda, amiga de ditaduras implacáveis. A propósito, o PCP e o BE, que em Portugal exercem o poder como contrapartida da manutenção no poder do PS derrotado nas urnas, defensores da loucura venezuelana, críticos do projeto europeu, saudosos da União Soviética e da experiência albanesa de Enver Hoxha, representam 20 % da Assembleia da República. Mas claro, tudo bem.

Cansadas de dogmas artificiais de género e de “ditaduras” de minorias.

Cansadas de um “politicamente” correto que vergasta e insulta quem quer que se atreva a não reproduzir fielmente as “narrativas” ideológicas criadas pelos círculos clássicos de comunicação.

Cansadas de dívidas irresponsáveis, medidas por impostos absurdos e pelo Estado que falha onde não poderia faltar.

Cansadas da simples falta de senso.

Em relação a tudo isto, 2019 trará muitas e boas diferenças. À direita e em democracia.

Deputado europeu

(OBS) O Brexit é péssimo, mas não haver Brexit será pior – Rui Ramos

(OBS) A União Europeia não se pode deixar caricaturar como “uma prisão de povos”, onde não importa como os cidadãos votam. Por isso, o Reino Unido deve sair da UE.

O Brexit é uma tragédia? É. Para o Reino Unido, porque abdica da sua influência na União Europeia. Para a União Europeia, porque se vê diminuída de uma das suas maiores economias e de um Estado que foi sempre fundamental para os equilíbrios no continente e para a projecção da Europa no mundo. Todos perderão com um Reino Unido mais insular e uma Europa mais franco-alemã e, portanto, mais paroquial.

O Brexit é ainda uma tragédia porque podia ter sido evitado. É verdade: a relação do Reino Unido com os seus parceiros europeus nunca foi fácil. Mas se o primeiro-ministro David Cameron não tivesse receado tanto o UKIP nas eleições de 2015, não teria talvez havido referendo; e se o referendo não tivesse ocorrido em 2016, na sombra da crise migratória provocada por Angela Merkel no ano anterior, teria tido talvez outro resultado.

Mas uma vez que o referendo aconteceu e o seu resultado foi o que foi, há neste momento uma perspectiva pior para a Europa: é não haver Brexit nenhum. Dir-me-ão: pior, como? Não seria preferível regressar ao que era antes? No Reino Unido e na Europa, há quem espere que um fracasso das negociações e o medo de uma saída sem acordo propiciem um segundo referendo que inverta o resultado do primeiro. Não é impossível. Bruxelas não facilitou a vida a Theresa May, tal como já não tinha facilitado a vida a David Cameron, com medo de estabelecer precedentes para uma Europa “à la carte”. No Reino Unido, as negociações com Bruxelas criaram a ideia de que, em vez de um acordo, o país tinha sido confrontado com um ultimato à medida de um Estado-vassalo.  Theresa May diz que não, e há quem argumente que as negociações deram aos eleitores britânicos precisamente o que desejavam (o “mercado livre sem livre circulação de pessoas“). Mas muitos “Remainers” e “Brexiteers” estão, por várias razões, unidos contra o acordo (o Partido Trabalhista, por exemplo, porque quer eleições antecipadas).

A Europa e o Reino Unido encontram-se a meio da ponte nietzschiana em que é perigoso parar, é perigoso avançar, e é igualmente perigoso voltar para trás. O acordo será uma fonte de tensões e de incertezas. Uma saída sem acordo é um salto no escuro. Mas uma reversão do Brexit não é menos arriscada: confirmaria a ideia de que, na Europa, as populações são obrigadas a votar até acertar no resultado certo, como nos célebres referendos irlandeses de 2001-2002 e 2008-2009. A UE não é, não tem de ser, nem pode ser uma democracia. É uma comunidade de democracias nacionais. A legitimidade democrática da UE assenta nessas democracias. Seria muito pouco saudável para estes regimes, e portanto para a própria UE, se opções fundamentais passassem a ser concebidas como o resultado, não de consensos nacionais, mas de meras imposições diplomáticas. Por cá, o PCP já aproveitou o acordo do Brexit para identificar a liberdade económica como uma simples obrigação externa.

Este seria o contexto ideal para populismos e radicalismos tentarem levantar as nações contra a “Europa de Bruxelas”, como os revolucionários de 1848 as levantaram contra a Europa das dinastias. Na Grécia, Tsipras não foi longe. Mas até onde irá Salvini em Itália? Ou alguém que consiga dirigir os “coletes amarelos” em França?

A UE não se pode deixar caricaturar como “uma prisão de povos”, onde não importa como os cidadãos votam, porque as elites europeístas arranjam sempre maneira de prevalecer. Isso serviria para deslegitimar, não apenas a UE, mas as democracias nacionais e os seus valores. Por isso, e por mais desacertada que uma votação possa parecer, convém que tenha consequências. Em 2015, depois do seu referendo, a Grécia deveria ter saído do euro. Agora, é urgente que o Reino Unido saia da UE — por causa do Reino Unido, da União Europeia e da democracia na Europa.

(Algemeiner) ‘Palestine Was the Biggest Victim of World War I’

(Algemeiner)

An aerial view of the Temple Mount in the Old City of Jerusalem. Photo: Wikimedia Commons.

The first sentence of this article in Al Madenah News by Dr. Mustafa Yousef Alddawi, marking the centennial of the end of World War I, is one of the most absurd things I’ve ever read in Arabic media. And that’s saying a lot.

“There is no doubt that Palestine was the greatest victim of the First World War,” it begins.

During World War I, Palestine had a population of 800,000. The number of people killed during the war was between 15 to 19 million.

The Ottoman Empire, Germany, France, the United Kingdom, Russia, Italy, and Austria each lost more people than the entire population of Palestine.

Obviously Alddawi is claiming that the division of the Arab world by the victors of the war, which included allowing Jews to return to a sliver of land where they are the indigenous people, is the most catastrophic thing to ever happen to anyone ever.

Many Palestinians are the masters of making everything about them. They are the biggest victims of the Holocaust, they are the biggest victims of both world wars, they are the biggest victims of “colonialism,” they are the world’s biggest victims, period.

The article ends with a threat against the world:

The Palestinian cause will be the cause of future wars, the effects of which may be no less than the world wars. … It has been a hundred years since the founding of the Palestinian cause, and it is still burning and burning, and it will remain so until the Palestinians regain their rights and return to their homes.

Yes, this Palestinian writer is saying that unless the world gives the Palestinians what they demand — the destruction of Israel — we can expect a World War III that could dwarf the others.

I’ve seen lots of mob-style threats from Palestinians, but this one takes the cake.

Elder of Ziyon has been blogging about Israel and the Arab world for a really long time now. He also controls the world, but deep down, you already knew that.

(AP) Portugal spending plan offers better times ahead of election

(APPortugal spending plan offers better times ahead of election

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LISBON, Portugal (AP) — With a general election on the horizon, Portugal’s government is promising a financial windfall after years of austerity.

The center-left Socialist government’s 2019 budget proposal unveiled Tuesday offered lower taxes, higher pay for government workers, pension increases, more jobs, and lower energy and public transport prices.

Finance Minister Mario Centeno said those measures are possible due to healthy economic growth, higher tax revenue, more efficient spending and savings on interest rates.

Centeno, who chairs meetings of the 19-nation eurozone’s finance ministers, said that successfully keeping a lid on public spending in recent years will bring a budget deficit next year of 0.2 percent — the lowest in more than 40 years — down from an expected 0.7 percent this year.

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Portugal needed a 78-billion euro ($90 billion) bailout in 2011, after recording a deficit of more than 11 percent the previous year, amid the European debt crisis.

“This is the result of a long road which the Portuguese, with great merit, completed,” the budget proposal said of the forecast deficit.

The government predicts growth of 2.2 percent next year, down from an expected 2.8 percent this year. The International Monetary Fund forecasts 1.8 percent growth for Portugal in 2019.

Public debt is seen dropping to a still-high 118.5 percent, from around 122 percent in 2018. The government forecasts the jobless rate falling to 6.3 percent from the current 6.8 percent.

It is also pledging to add 9,000 staff to the public health service and more than 6,500 teachers at schools.

Labor groups noted the government has made similar pledges in the past and later reneged on them.

The main opposition Social Democratic Party accused the government of chasing votes.

The minority government’s spending proposal requires the approval of parliament and the country’s president. The Socialists have the backing in parliament of the Portuguese Communist Party and the radical left Bloc, giving it enough votes to pass legislation.

A general election is due in a year’s time.

(EUobserver) Le Pen refuses court order to undergo psychiatric tests

(EUobserver) French far-right leader Marine Le Pen has been ordered by a French court to undergo a psychiatric test for tweeting pictures of atrocities committed by the Islamic State group in 2015. Le Pen published the court order, dated 11 September, on Twitter on Thursday and said she would refuse to undergo such tests. “I’d like to see how the judge would try and force me do it,” she said.

(BBC) Wiesbaden in Germany removes gold statue of Turkey’s President Erdogan

(BBC)

Bystanders look at a gold statue of Turkish President Recep Tayyip Erdogan in the city of Wiesbaden's Square of German UnityImage copyrightEPA
Image captionA golden statue of Turkey’s president received a mixed reception in the German city of Wiesbaden

The German city of Wiesbaden has removed a 4m (13ft) golden statue of Turkey’s president after it was defaced with the words “Turkish Hitler”.

The statue of Recep Tayyip Erdogan was installed in a square as part of Wiesbaden’s Biennale arts festival.

Organisers said they had hoped it would spark discussions linked to this year’s theme – “bad news”.

Instead, it prompted conflict between Mr Erdogan’s supporters and critics. Firefighters moved it on Tuesday night.

City councillor Oliver Franz told the Wiesbadener Kurier newspaper that angry words had escalated into physical scuffles, and “bladed weapons were spotted”.

“In agreement with state police, Mayor Sven Gerich decided to have the statue removed as security could no longer be guaranteed,” the city’s government tweeted.

Firefighters lift the golden statue using a crane under cover of darknessImage copyrightAFP/GETTY IMAGES
Image captionFirefighters moved the statue under cover of darkness

Germany has a significant Turkish minority, whose varied attitudes to Mr Erdogan reflect those in Turkey itself. Some back his nationalist politics, while others accuse him of authoritarian tendencies.

Relations between Germany and Turkey have been frosty in recent years – not least in March 2017, when Mr Erdogan compared German officials to Nazis.

The insult came after German authorities cancelled rallies he had hoped would woo ethnic Turkish voters in Germany, ahead of a key referendum.

Media captionPresident Erdogan makes Nazi Germany taunt

In August the same year, a month before Germany’s general election, Mr Erdogan called the country’s ruling politicians “enemies of Turkey” who deserved to be rejected by voters. His remarks were sternly condemned by German ministers.

The artists behind the statue said they had only meant to spark a public debate.

“In a democracy, we have to put up with all kinds of opinions,” observed Wiesbaden city theatre chief Eric Laufenberg.

Mr Erdogan is scheduled to make a state visit to Berlin in late September.

(Economist) Anti-immigration, like pro-immigration, is a legitimate political position

(Economist) A book excerpt from “21 Lessons for the 21st Century” by Yuval Noah Harari

An historian by training, Yuval Noah Harari rose to prominence with two best-selling books. Sapiens looked at humanity’s past and Homo Deus at its future. His latest book, 21 Lessons for the 21st Century, considers the here-and-now, spanning subjects from technology and terrorism to populism and religion.

In the excerpt that follows, he considers the underlying premise of immigration and what migrants and societies might “owe” each other, to conclude: “It would be wrong to tar all anti-immigrationists as ‘fascists’, just as it would be wrong to depict all pro-immigrationists as committed to ‘cultural suicide’. […] It is a discussion between two legitimate political positions, which should be decided through standard democratic procedures.”

The European discussion about immigration often degenerates into a shouting match in which neither side hears the other. To clarify matters, it would perhaps be helpful to view immigration as a deal with three basic conditions or terms:

Term 1: The host country allows the immigrants in.

Term 2: In return, the immigrants must embrace at least the core norms and values of the host country, even if that means giving up some of their traditional norms and values.

Term 3: If the immigrants assimilate to a sufficient degree, over time they become equal and full members of the host country. ‘They’ become ‘us’.

These three terms give rise to three distinct debates about the exact meaning of each term:

Debate 1: The first clause of the immigration deal says simply that the host country allows immigrants in. But should this be understood as a duty or a favour? Is the host country obliged to open its gates to everybody, or does it have the right to pick and choose, and even to halt immigration altogether? Pro-immigrationists seem to think that countries have a moral duty to accept not just refugees, but also people from poverty-stricken lands who seek jobs and a better future. Especially in a globalised world, all humans have moral obligations towards all other humans, and those shirking these obligations are egoists or even racists.

Anti-immigrationists reply that except perhaps in the case of refugees fleeing brutal persecution in a neighbouring country, you are never obliged to open your door. Turkey may have a moral duty to allow desperate Syrian refugees to cross its border. But if these refugees then try to move on to Sweden, the Swedes are not bound to accept them. As for migrants who seek jobs and welfare, it is totally up to the host country whether it wants them in or not, and under what conditions.

Anti-immigrationists stress that one of the most basic rights of every human collective is to defend itself against invasion, whether in the form of armies or migrants. The Swedes have worked very hard and made numerous sacrifices in order to build a prosperous liberal democracy, and if the Syrians have failed to do the same, this is not the Swedes’ fault. If Swedish voters don’t want more Syrian immigrants in—for whatever reason—it is their right to refuse them entry. And if they do accept some immigrants, it should be absolutely clear that this is a favour Sweden extends rather than an obligation it fulfils. Which means that immigrants who are allowed into Sweden should feel extremely grateful for whatever they get, instead of coming with a list of demands as if they own the place.

Moreover, say the anti-immigrationists, a country can have whatever immigration policy it wants, screening immigrants not just for their criminal records or professional talents, but even for things like religion. If a country like Israel wants to allow in only Jews, and a country like Poland agrees to absorb Middle Eastern refugees on condition that they are Christians, this may seem distasteful, but it is perfectly within the rights of the Israeli or Polish voters.

What complicates matters is that in many cases people want to have their cake and eat it. Numerous countries turn a blind eye to illegal immigration, or even accept foreign workers on a temporary basis, because they want to benefit from the foreigners’ energy, talents and cheap labour. However, the countries then refuse to legalise the status of these people, saying that they don’t want immigration. In the long run, this could create hierarchical societies in which an upper class of full citizens exploits an underclass of powerless foreigners, as happens today in Qatar and several other Gulf States.

As long as this debate isn’t settled, it is extremely difficult to answer all subsequent questions about immigration. Since pro-immigrationists think that people have a right to immigrate to another land if they so wish, and host countries have a duty to absorb them, they react with moral outrage when people’s right to immigrate is violated, and when countries fail to perform their duty of absorption. Anti-immigrationists are astounded by such views. They see immigration as a privilege, and absorption as a favour. Why accuse people of being racists or fascists just because they refuse entry into their own country?

Of course, even if allowing immigrants in constitutes a favour rather than a duty, once the immigrants settle down the host country gradually incurs numerous duties towards them and their descendants. Thus you cannot justify anti-Semitism in the USA today by arguing that ‘we did your great-grandmother a favour by letting her into this country in 1910, so we can now treat you any way we like’.

Debate 2: The second clause of the immigration deal says that if they are allowed in, the immigrants have an obligation to assimilate into the local culture. But how far should assimilation go? If immigrants move from a patriarchal society to a liberal society, must they become feminist? If they come from a deeply religious society, need they adopt a secular world view? Should they abandon their traditional dress codes and food taboos? Anti-immigrationists tend to place the bar high, whereas pro-immigrationists place it much lower.

Pro-immigrationists argue that Europe itself is extremely diverse, and its native populations have a wide spectrum of opinions, habits and values. This is exactly what makes Europe vibrant and strong. Why should immigrants be forced to adhere to some imaginary European identity that few Europeans actually live up to? Do you want to force Muslim immigrants to the UK to become Christian, when many British citizens hardly go to church? If Europe has any real core values, then these are the liberal values of tolerance and freedom, which imply that Europeans should show tolerance towards the immigrants too, and allow them as much freedom as possible to follow their own traditions, provided these do not harm the freedoms and rights of other people.

Anti-immigrationists agree that tolerance and freedom are the most important European values, and accuse many immigrant groups—especially from Muslim countries—of intolerance, misogyny, homophobia and anti-Semitism. Precisely because Europe cherishes tolerance, it cannot allow too many intolerant people in. While a tolerant society can manage small illiberal minorities, if the number of such extremists exceeds a certain threshold, the whole nature of society changes. If Europe allows in too many immigrants from the Middle East, it will end up looking like the Middle East.

Other anti-immigrationists go much further. They point out that a national community is far more than a collection of people who tolerate each other. Hence it is not enough that immigrants adhere to European standards of tolerance. They must also adopt many of the unique characteristics of British, German or Swedish culture, whatever these may be. By allowing them in, the local culture is taking upon itself a big risk and a huge expense. There is no reason it should destroy itself as well. It offers eventual full equality so it demands full assimilation. If the immigrants have an issue with certain quirks of British, German or Swedish culture, they are welcome to go elsewhere.

The two key issues of this debate are the disagreement about immigrant intolerance and the disagreement about European identity. If immigrants are indeed guilty of incurable intolerance, many liberal Europeans who currently favour immigration will sooner or later come round to oppose it bitterly. Conversely, if most immigrants prove to be liberal and broad-minded in their attitude to religion, gender and politics, this will disarm some of the most effective arguments against immigration.

This will still leave open, however, the question of Europe’s unique national identities. Tolerance is a universal value. Are there any unique French norms and values that should be accepted by anyone immigrating to France, and are there unique Danish norms and values that immigrants to Denmark must embrace? As long as Europeans are bitterly divided about this question, they can hardly have a clear policy about immigration. Conversely, once Europeans know who they are, 500 million Europeans should have no difficulty absorbing a few million refugees—or turning them away.

Debate 3: The third clause of the immigration deal says that if immigrants indeed make a sincere effort to assimilate—and in particular to adopt the value of tolerance—the host country is duty-bound to treat them as first-class citizens. But exactly how much time needs to pass before the immigrants become full members of society? Should first-generation immigrants from Algeria feel aggrieved if they are still not seen as fully French after twenty years in the country? How about third-generation immigrants whose grandparents came to France in the 1970s?

Pro-immigrationists tend to demand a speedy acceptance, whereas anti-immigrationists want a much longer probation period. For pro-immigrationists, if third-generation immigrants are not seen and treated as equal citizens, this means that the host country is not fulfilling its obligations, and if this results in tensions, hostility and even violence—the host country has nobody to blame but its own bigotry. For anti-immigrationists, these inflated expectations are a large part of the problem. The immigrants should be patient. If your grandparents arrived here just forty years ago, and you now riot in the streets because you think you are not treated as a native, then you have failed the test.

The root issue of this debate concerns the gap between personal timescale and collective timescale. From the viewpoint of human collectives, forty years is a short time. It is hard to expect society to fully absorb foreign groups within a few decades. Past civilisations that assimilated foreigners and made them equal citizens—such as Imperial Rome, the Muslim caliphate, the Chinese empires and the United States—all took centuries rather than decades to accomplish the transformation.

From a personal viewpoint, however, forty years can be an eternity. For a teenager born in France twenty years after her grandparents immigrated there, the journey from Algiers to Marseilles is ancient history. She was born here, all her friends have been born here, she speaks French rather than Arabic, and she has never even been to Algeria. France is the only home she has ever known. And now people say to her it’s not her home, and that she should go ‘back’ to a place she never inhabited?

As long as we don’t know whether absorption is a duty or a favour; what level of assimilation is required from immigrants; and how quickly host countries should treat them as equal citizens—we cannot judge whether the two sides are fulfilling their obligations.

An additional problem concerns accounting. When evaluating the immigration deal, both sides give far more weight to violations than to compliance. If a million immigrants are law-abiding citizens, but one hundred join terrorist groups and attack the host country, does it mean that on the whole the immigrants are complying with the terms of the deal, or violating it? If a third-generation immigrant walks down the street a thousand times without being molested, but once in a while some racist shouts abuse at her, does it mean that the native population is accepting or rejecting the immigrants?

[…]

Whatever your answers to these questions, it should at least be clear that the European debate about immigration is far from being a clear-cut battle between good and evil. It would be wrong to tar all anti-immigrationists as ‘fascists’, just as it would be wrong to depict all pro-immigrationists as committed to ‘cultural suicide’. Therefore, the debate about immigration should not be conducted as an uncompromising struggle about some non-negotiable moral imperative. It is a discussion between two legitimate political positions, which should be decided through standard democratic procedures.

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Excerpted from “21 Lessons for the 21st Century”. Copyright © 2018 by Yuval Noah Harari. Used with permission of Penguin Random House. All rights reserved.