+++ (DE) CaixaBank deverá pagar parte da posição da Santoro no BPI com acções do BFA

(DE) O acordo ainda está no segredo dos deuses, estando os advogados ainda a elaborarem os documentos jurídicos que dão corpo ao acordo assinado no Domingo. A operação que foi acordada é complexa, passa por um spin-off do BFA, a sua cotação, o pagamento em dinheiro e em espécie.

CaixaBank deverá pagar parte da posição da Santoro no BPI com acções do BFA

Sergio Perez/Reuters

A operação que consumará o divórcio entre Isabel dos Santos e o BPI é complexa. Segundo conseguiu apurar o Económico, deverá ter lugar em vários passos.

Em primeiro lugar, deverá passar por um ‘spin-off’ do Banco Fomento de Angola (BFA), através do qual o BPI entregará aos seus accionistas a participação de 50,1% que detém no banco angolano. Desta forma, o CaixaBank, que tem 44% do BPI, ficará, segundo contas do Económico, com 22,04% do BFA.

A Santoro Finance, de Isabel dos Santos, que tem 18,58% do BPI, também ficaria, neste cenário, com acções do BFA no âmbito do spin-off (representantes de 9,31% do capital). Está previsto que o BFA seja admitido à cotação em Lisboa e, nessa altura, se for aceite pela CMVM e pela Euronext Lisboa, ser-lhe-á atribuído um valor por acção que depois servirá de referência para a avaliação da posição entregue ao CaixaBank no referido ‘spin-off’.

Foto: Paulo Alexandre Coelho

Isabel dos Santos deverá então dispersar parte do BFA na bolsa. Não foi possível apurar se vai colocar parte do que tem a Unitel, ou se dispersa também as acções que lhe couberem no ‘spin-off’. Actualmente, Isabel dos Santos já detém 49,9% do BFA através da Unitel.

Com o ‘spin-off’, o BPI ficará automaticamente livre do problema de excesso de exposição aos grandes riscos, cumprindo assim a exigência do Banco Central Europeu (BCE), uma vez que deixará de ser dono do BFA. O BCE exigia que o BPI cumprisse esta exigência até 10 de Abril. Daí a urgência nas negociações entre catalães e angolanos.

De seguida, o CaixaBank comprará a posição de Isabel dos Santos no BPI, que ascende a 18,58%, eventualmente com ‘tag-along’ para a posição do BIC que também lhe é imputada, o que elevaria esta percentagem para 20,9%. O banco catalão deverá pagar essa posição com dinheiro e com as acções do BFA avaliadas ao valor do mercado, ou ao preço determinado para a Oferta Pública Inicial (IPO) em bolsa. Ao todo, o CaixaBank ficará com 62,6% do BPI. Algures durante este processo, terá lugar uma assembleia geral para desblindar os estatutos do BPI. Actualmente, devido à blindagem dos estatutos, os accionistas do BPI só podem votar com um máximo de 20% dos direitos de voto.

No fim de tudo (da compra e do IPO), Isabel dos Santos ficaria a controlar mais de 60% do BFA em Angola sem despender qualquer investimento financeiro, e ainda receberia uma parte em dinheiro da venda do BPI ao CaixaBank.

A seguir o CaixaBank terá de lançar uma OPA ao preço implícito no acordo com Isabel dos Santos.

Até ao fecho, não foi possível confirmar os contornos desta operação com as partes envolvidas, que alegam o dever de sigilo até à autorização dos reguladores.

A cotação do BPI continuará suspensa até à publicação do acordo, já com as devidas autorizações concedidas.