(ECO) Eleições em Espanha deixam Governo em aberto e castigam bolsas lisboeta e madrilena

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No rescaldo das legislativas espanholas, as ações de Portugal e Espanha recuam. No PSI-20, o destaque é a Galp, que apresentou resultados esta manhã antes da abertura do mercado.

As eleições legislativas em Espanha deixaram o Governo em aberto e as ações na Península Ibérica reagiram em baixa à incerteza política. O lisboeta PSI-20 abriu a perder 0,16% para 5.411,43 pontos (com nove das 18 cotadas no vermelho), enquanto o madrileno IBEX 35 perde 0,7%.

O PSOE de Pedro Sanchéz conseguiu 28,7%, o que lhe dará 123 deputados. Já o Podemos de Pablo Iglesias atinge 14,3% dos votos e 42 deputados. Ou seja, neste cenário, os socialistas ainda precisariam de se aliar aos independentistas para conseguirem governar. O PP de Pablo Casado é o grande derrotado da noite, tendo conseguido apenas 16,7% dos votos. O Cidadãos de Alberto Rivera teve 15,8% dos votos e os ultranacionalistas do Vox garantem a entrada no Parlamento espanhol nacional com 10,3%.

“A visão geral da DBRS é que esta eleição não irá resultar numa grande mudança política”, afirmou a agência de rating canadiana, numa reação esta segunda-feira, em que refere esperar que demore ainda algum tempo até que seja formado Governo.

“Apesar de se manter alguma incerteza política, a DBRS considera que várias características da política espanhola irão restringir resultados mais radicais. Estas incluem: forte apoio de partidos centristas, ausência de partidos significativamente eurocéticos e empenho pelo quadro orçamental europeu”, acrescentou.

Galp cai após resultados e Jerónimo Martins corrige

Além da incerteza vinda do país vizinho, Lisboa está a ser penalizada pela época de resultados. A Galp, cujos lucros caíram 24% para 103 milhões de euros no primeiro trimestre, segue a cair 1,3% para 14,79 euros por ação. Apesar do aumento da produção e das vendas na Europa, a unitização do campo de Lula no Brasil e a queda na margem de refinação penalizaram as contas.

Igualmente, também a Jerónimo Martins corrige dos fortes ganhos da última sessão e perde 1,5% para 14,56 euros por ação. Ainda no vermelho negoceiam a EDP Renováveis (-1,35%), a EDP (-0,53%) e os CTT (-0,44%), que irão também apresentar contas esta segunda-feira, após o fecho do mercado. A travar as quedas no índice, está o BCE, que avança 0,52% para 0,2497 euros por ação.

As bolsas da Península Ibérica contrariam, assim, a tendência europeia, que estende os ganhos das bolsas asiáticas. Em particular, Itália segue em alta depois de ter afastado a possibilidade de um corte no rating da dívida. Na passada sexta-feira, a Standard and Poor’s não fez alterações e a bolsa italiana abriu a ganhar 0,16%, enquanto o índice de bancos italianos sobe mais de 1%.

Os juros da dívida italiana recuam 3,4 pontos para 2,55%. Em Espanha, a yield sobe ligeiramente (0,6 pontos) para 1,03% e em Portugal mantém-se praticamente inalterada em 1,133%. O euro aprecia-se 0,11% contra a par norte-americana, para 1,116 dólares.