(JE) BCE já está a pensar na próxima crise e a prioridade é a união bancária

(JE) Em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, o membro do Conselho de Governadores do BCE Benoît Cœuré sublinhou a importância de completar a união bancária, incluindo um programa comum de segurança aos depósitos e progressos na redução do risco do setor.

Reforçar os pilares económicos e orçamentais da zona euro, bem como completar a união bancária são prioridades do Banco Central Europeu (BCE), de acordo com o membro do Conselho de Governadores da instituição, Benoît Cœuré. Em entrevista ao jornal alemão Handelsblatt, o economista defendeu que numa altura de “desordem” mundial, tem de ser a Europa a oferecer “estabilidade económica e direção política”.

“A crise forçou-nos a projetar instrumentos que permitissem enfrentar uma situação muito difícil”, afirmou Cœuré. “Fizemos isso dentro do nosso mandato, como o Tribunal de Justiça Europeu confirmou. Mas não sabemos como será a próxima crise. E não queremos testar os limites do nosso mandato”.

Questionado sobre a forma de prevenir uma intervenção que vá além do mandato do banco central, o economista francês referiu que “completar a união bancária é uma prioridade”.

O reforço inclui “um esquema comum de seguro de depósitos e novos progressos para reduzir os riscos no sistema bancário”, mas também que “os bancos devem operar e ser supervisionados da mesma maneira”, segundo explicou. “É um conjunto de medidas. Algumas podem exigir alterações legais, como sugeriu a supervisão bancária do BCE e a Comissão Europeia. Isso demorará tempo”.

Numa altura em o crédito malparado é apontado como um dos grandes problemas do setor bancário europeu e mesmo sublinhando a importância da atuação do BCE, o economista acrescentou que há questões a serem resolvidas pelos governos.

“Insisto que os NPL [créditos em incumprimento] não são apenas um problema para os reguladores e supervisores. Reduzir o stock de NPL tornará o sistema mais seguro e a recuperação mais robusta. Fazer progressos substanciais nesta questão beneficiará toda a economia da zona euro”, disse. “Uma das razões pelas quais o crescimento na Europa está atrasado em relação aos Estados Unidos é que começámos a enfrentar problemas no sistema financeiro mais tarde”.

“A discussão atual [sobre as novas regras de supervisão bancária] não deve ser uma desculpa para adiar a tomada de medidas que é importante para a recuperação europeia e a conclusão da união bancária”, acrescentou.