(JN) Nem Centeno, nem Adalberto – Nuno Melo

(JN) Um ministro das Finanças não é um contabilista. A realidade de um país não se resume ao mapeamento de receitas e despesas. Contas públicas em ordem – a natural antítese dos PS – são obviamente importantes. Mas convirá não esquecer o resto. Mário Centeno escreveu esta semana sobre “a credibilidade da política económica, 2017″. Discorreu sobre PIB, crescimento e défice. Tudo o que o anterior Governo melhorou, mas até 2015, para o PS não importava nada. Passou ao lado dos impostos, como convém. Afinal, vivemos a maior carga fiscal desde 1995. Mais impressionante, disse ser ” falsa a ideia de que o défice tenha sido atingido por reduções do lado da despesa dedicada ao funcionamento dos serviços públicos”.

Os resultados que o PS seletivamente invoca têm tido um custo de oportunidade trágico: a falta de resposta aos incêndios, que por falhas miseráveis do Estado resultaram em mais de 100 mortos; as refeições deficientes nas escolas; o patrulhamento insuficiente nos quartéis, onde desapareceram armas; o património que se degrada enquanto a tutela assiste, convencida que cultura é teatro apenas; a falta de manutenção dos equipamentos públicos; muito mais, mas principalmente o que se passa no SNS.

O Governo lança foguetes no exato momento em que são conhecidas as condições degradantes com que crianças com cancro são tratadas. O presidente do Hospital de S. João admitiu que “as condições de atendimento pediátrico são indignas e miseráveis, lamentando que a verba para a construção da nova unidade ainda não tenha sido desbloqueada”. Há poucos meses, o Ministério das Finanças tinha sido acusado de negar as verbas necessárias para a ampliação do bloco operatório central do IPO de Lisboa, atrasando cirurgias, por natureza urgentes. No Hospital de Viseu não se realizam mamografias porque o equipamento está obsoleto. Há atrasos superiores a três anos para a primeira consulta em muitas especialidades. Os doentes são forçados a levar de casa a roupa lavada que os hospitais já não conseguem fornecer. E excelentes médicos e enfermeiros mal pagos são obrigados a produzir milagres todos os dias, porque muito do que precisam lhes é negado pelos mesmos ministros que se desdobram em conferências de Imprensa a pintar a realidade em tons de rosa.

No Parlamento, o ministro da Saúde acha que somos todos Centeno e o ministro das Finanças que somos todos Adalberto. Não somos. São os socialistas. São também Catarina Martins e Jerónimo de Sousa, que fingem arrufos com o PS que seguram no Governo. Juntos, deveriam ter vergonha.

DEPUTADO EUROPEU