(JN) No gastar é que está o ganho – Nuno Melo

(JN) Desde que a empresa pública NAER – Novo Aeroporto, SA foi criada, o Estado gastou 40 milhões de euros em centenas de estudos feitos a propósito de uma alternativa ao aeroporto da Portela. Mesmo assim, o ministro do Planeamento e Infraestruturas Pedro Marques anunciou novos estudos para 2017. E ninguém se indigna, nem sequer se questiona.

Significa que quando falta dinheiro para quase tudo, sobram milhões para mais estudos que dizem precisos, sem que ao menos se reclamem responsabilidades de quem seja pelo que antes se desbaratou, ponderado que os já feitos serviram para coisa nenhuma, exceção feita ao lucro de poucos, coisa diversa do interesse público.

Em 2005, as promessas de José Sócrates sobre o aumento do investimento público fizeram manchetes. A estratégia paga com o dinheiro alheio foi reforçada em cada um dos anos seguintes, apesar da crise que se instalava. E os reparos do PSD e do CDS, de cada vez que insistiam em contas feitas, eram tratados pelo primeiro-ministro socialista como “preconceito e cegueira ideológica”, a par de Mário Lino, por esses tempos ministro dos Transportes, que entre “jamais”, lamentava a “oposição sistemática” em relação aos projetos da OTA e do TGV e a falta de visão para o futuro, “péssima para o país”.O futuro veio, de facto. Sem surpresa, o PS que em 2005 ascendeu ao Governo com uma dívida pública de 96 mil milhões de euros, correspondentes a 62% do PIB, deixou a troika de legado em 2011 e uma dívida de 185 mil milhões de euros, correspondentes a 108% do PIB.Fixemo-nos agora em 16 de dezembro de 2016.

Neste dia, António Costa disse: “Foi um erro (…) a diabolização que se fez do investimento público e, em particular, quando se viram as vias de comunicação como o diabo”.Pois. Significa que o PS não mudou nada. E isso é que é o diabo. O ministro Pedro Marques está para António Costa como Mário Lino esteve para José Sócrates. E em conjunto insistem na receita que assegurou ao país o desastre do programa de ajustamento e os sacrifícios de um povo inteiro. Recusam aprender com os erros do passado.

Sendo que por alguma razão, é primeiro-ministro de Portugal quem antes foi ministro de Estado e da Administração Interna em governos de José Sócrates. Denominador comum: com ambos, desde que o PS governa, a dívida pública nunca parou de aumentar. No terceiro trimestre de 2016 bateu um novo recorde, fixando-se em 224 420 milhões de euros, acima de 133% do PIB, o valor mais alto desde pelo menos 2007.As sondagens dizem que não tem mal.