P.O. (OBS) A grande vitória de Passos Coelho

O.P.

Eu declaro desde já, que em consciência, me encontro inibido de votar no PSD, CDS,estes por serem um atentado à inteligência, PCP e sobretudo Bloco de Esquerda por representarem ideologias comprovadamente falhadas, falsas e caducas.
Considero o Bloco de Esquerda a maior ameaça para Portugal, e sou de opinião que se fosse crime os políticos deturparem a realidade e dizerem precisamente o contrário do óbvio, poucas e poucos sobrariam no BE sem serem presos…
Portanto vejam o que me sobra…
Seguramente não o Partido dos Animais e da Natureza…
Vou votar de certeza.
E também de certeza que não voto nulo ou em branco…

FCMP



(OBS) Costa e o PS não mudaram porque descobriram de repente as virtudes do controlo da despesa pública. Mudaram porque os portugueses os forçaram a mudar e perceberam-no quando perderam as eleições de 2015

Como mostra o início da campanha eleitoral, agora todos os partidos políticos são anti-despesistas. Até Catarina Martins, no debate com António Costa, quis sossegar os portugueses, dizendo que o Bloco é a favor das contas públicas equilibradas. Longe vão os tempos em que o Bloco fazia campanha contra as regras fiscais da zona Euro, ou quando os dirigentes do PS, como Pedro Nuno Santos, procuravam assustar os alemães com a ameaça da recusa do pagamento da dívida. Aliás, a famosa restruturação da dívida ainda nem entrou na campanha, nem entrará a sério.

Na relação dos partidos portugueses com o défice a dívida há o pré-Passos Coelho e há o pós-Passos Coelho. Antes de Passos Coelho, como se viu com os governos de Guterres e sobretudo com os de Sócrates, para o PS a despesa pública não era um factor central das suas políticas económicas. Como resultado, veio o desastre de 2011 e a intervenção da troika. Mas nem assim, os socialistas aprenderam, e atacaram o governo de Passos e Portas pelas políticas de consolidação orçamental, o que chamavam de “austeridade”. Mas Passos Coelho insistiu e explicou aos portugueses que deveria haver limites para as despesas. Caso contrário, a economia nunca recuperaria e o país continuaria nas mãos dos seus credores.

O resultado das eleições de 2015 obrigou o PS e António Costa a mudarem. A vitória eleitoral de Passos e Portas, apesar dos anos difíceis entre 2011 e 2015, forçou Costa a reconhecer que os portugueses ainda não confiavam no PS. Por isso, Costa fez tudo para se distanciar do despesismo de Sócrates e percebeu que Mário Centeno seria o ministro mais importante do seu governo. No essencial, em matérias orçamentais, Centeno pensa como Vitor Gaspar: ambos olham para o Euro como o elemento indispensável para disciplinar as contas públicas, e ambos se identificam com a ortodoxia do FMI (onde Gaspar trabalha numa posição de grande destaque e para onde Centeno não se importaria de emigrar).

Costa impediu Passos Coelho de se tornar PM, mas aceitou as suas políticas fiscais. O derrotado, Costa, aprendeu com o vitorioso, Passos, que para ganhar no futuro teria que adoptar as suas receitas orçamentais. Costa e o PS não mudaram porque descobriram de repente as virtudes do controlo da despesa pública. Mudaram porque os portugueses os forçaram a mudar, e perceberam isso quando perderam as eleições de 2015.

A ‘Europa’ também explica a mudança das esquerdas em matérias fiscais. Há uma relação ambígua entre o Portugal socialista e a União Europeia: as regras do Euro ajudam a disciplinar os socialistas portugueses mas, ao mesmo tempo, os dinheiros de Bruxelas são indispensáveis para manter o Estado e as suas clientelas partidárias a funcionar. Se o Euro estabelece as regras, a ‘Europa’ é o ‘petróleo’ do regime socialista, que dá o dinheiro para distribuir.

A mudança de paradigma introduzida por Passos Coelho e pelo seu governo tem um triplo significado. Em primeiro lugar, a recusa do despesismo impede outras políticas que os comunistas, os bloquistas e muitos socialistas gostariam de implementar, como nacionalizações e a introdução de obstáculos ao investimento externo.

Em segundo lugar, quando a direita regressar ao governo (daqui a alguns anos e seguramente no pós-Rio), as esquerdas terão uma enorme dificuldade para contestar as políticas orçamentais mais ortodoxas dos governos de direita. Quando o PCP e o Bloco forem para as ruas contestarem as políticas económicas, bastará mostrar-lhes os orçamentos que aprovaram entre 2015 e 2019. Eles continuarão nas ruas e a fazer barulho, mas a maioria dos portugueses não os levará a sério.

Por fim, Passos Coelho preserva capital político para um dia regressar. Muitos políticos podem chegar a PM, mas são poucos os que provocam uma revolução no discurso e nos consensos políticos de um país.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.