+++ V.V.I. (JE) Teodora Cardoso diz não ao ‘haircut’ mas defende reestruturação da dívida

(JE)

A presidente do Conselho de Finanças Públicas (CFP) admitiu que Portugal “vai precisar de uma reestruturação da dívida”, mas “pela positiva”, recusando um ‘haircut’ (perdão), como aconteceu na Grécia.

“A reestruturação da divida é algo de que Portugal vai precisar. Isto porque as taxas de juro nos mercados internacionais até estão em níveis negativos, mas vão subir e já estão a subir”, afirmou Teodora Cardoso, numa intervenção num debate promovido pelas câmaras de comércio francesa e luso-britânica, que decorreu hoje, em Lisboa.

Nesse sentido, a economista defendeu que “há uma reestruturação que é necessária, mas é a reestruturação que acontece pela positiva”, que deve resultar de “políticas económicas que levem a maior crescimento” e que coloquem Portugal perante os credores “como um país que consegue efetivamente servir a dívida no futuro”.

Segundo a presidente do CFP, isso faria com que o prémio de risco da dívida portuguesa baixasse. “Nessa situação poderemos ter a tal reestruturação, que advém de taxas de juro mais baixas e prazos mais longos. Mas isto num contexto de mercado e da avaliação dos credores da nossa capacidade de servir a dívida”, defendeu.

Isto porque, “a outra reestruturação, como a que sucedeu já na Grécia, com ‘haircuts’ na dívida, traria dois tipos de problemas”: o impacto nos bancos, que têm “muita dívida pública portuguesa e os que já não estão bem e ficariam muito pior” e um “aumento do prémio de risco”.