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(JN) Ex-director-geral do FMI pede perdão antes de dar entrada na prisão por corrupção

(JNO antigo director-geral do FMI e ex-ministro da Economia espanhol Rodrigo Rato pediu hoje, em Madrid, “perdão à sociedade” antes de dar entrada na prisão para cumprir uma pena de quatro anos e meio pelo delito de corrupção.

“Peço perdão à sociedade e às pessoas que se possam sentir decepcionadas ou afectadas”, disse Rodrigo Rato aos jornalistas que o aguardavam à porta da prisão.

O ex-director-geral do FMI (Fundo Monetário Internacional) explicou que assume os “erros cometidos” e aceita as suas “obrigações” para com a sociedade, numa alusão à pena de prisão confirmada há três semanas pelo Tribunal Supremo.

Rodrigo Rato foi condenado pelo seu envolvimento no escândalo financeiro dos “cartões black” do banco Caja Madrid.

O ex-banqueiro, de 69 anos, tinha sido condenado inicialmente em Fevereiro de 2017 pelo desvio de fundos da Caja Madrid, que agora se chama Bankia, entidade que presidiu de 2010 a 2012.

O escândalo dos “cartões black” (negro em inglês, a cor dos cartões de crédito) era um esquema que a Caja Madrid dava aos seus dirigentes e pessoas de confiança, para pagar despesas pessoais sem limite e sem declarar nada ao fisco.

A sentença sustenta que Rato “manteve e desenvolveu um sistema perverso desde sua origem”, tendo as dezenas de acusados no processo gastado mais de 12 milhões de euros, dos quais 2,6 milhões durante os anos em que Rodrigo Rato dirigiu a instituição.

Rodrigo Rato foi membro do Partido Popular (direita) que o expulsou na sequência deste escândalo financeiro.

O economista foi vice-presidente e ministro da Economia do Governo de José María Aznar, entre 1996 a 2004, e director-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), de Junho de 2004 até Junho de 2007.

(JN) Estado já paga pela dívida o mesmo do que antes da troika

(JNA despesa do Estado com a dívida pública desceu de tal forma nos últimos anos que está em mínimos de 2011.

Os encargos com juros estão em queda desde 2015. Portugal tem beneficiado do baixo custo da nova dívida assim como dos reembolsos antecipados ao Fundo Monetário Internacional (FMI) cujos empréstimos são caros face aos valores do mercado. A melhoria tem sido expressiva, de tal forma que no primeiro semestre deste ano a despesa do Estado com juros atingiu o nível de 2011, antes do pedido de ajuda externa à troika.

A redução dos gastos com a dívida pública “coloca a despesa com juros num valor semelhante ao verificado nos primeiros seis meses de 2011, ano do pedido de assistência financeira”, aponta o Conselho das Finanças Públicas na análise às contas públicas de Janeiro a Junho de 2018 publicada esta quinta-feira, dia 11 de Outubro. A despesa com juros diminuiu 6% no primeiro semestre deste ano.

Ao todo, nos primeiros seis meses do ano, o Estado teve de desembolsar 3.390 milhões de euros para fazer pagamentos relacionados com a dívida pública. Há sete anos, esse valor foi de 3.380 milhões de euros. Em 2014, esse valor chegou a um máximo de 4.106 milhões de euros (ver gráfico). De ressalvar que este montante refere-se apenas ao valor semestral e não ao total do ano.

“Esta despesa atingiu 3.390 milhões de euros na primeira metade do ano, menos 216 milhões de euros em termos homólogos, destacando-se a redução dos juros referentes aos empréstimos obtidos no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), na sequência dos reembolsos antecipados ao FMI”, explica o CFP no relatório.

Como seria de esperar, depois de quedas expressivas, as poupanças com os juros tenderão a diminuir daqui para a frente. “O ritmo de diminuição dos juros desacelerou de 6,8% no 1.º trimestre para 6% no 1.º semestre, estando agora praticamente em linha com o implícito no PE/2018 (-5,7%)”, assinala o CFP.

Défice será inferior ao previsto
Esta redução da despesa com juros tem dado um contributo decisivo para a queda do défice orçamental. Para esse indicador, tal como antecipava em Setembro, o Conselho das Finanças Públicas aponta para -0,5% em 2018, abaixo dos -0,7% previstos pelo Governo.

“Os desenvolvimentos orçamentais do 1.º semestre e a informação já disponível relativa ao 3.º trimestre permitem perspectivar um défice orçamental inferior ao previsto pelo Ministério das Finanças para o conjunto do ano”, confirma a instituição liderada por Teodora Cardoso. Para que a meta de Mário Centeno seja cumprida o saldo orçamental tem de registar um excedente de, pelo menos, 0,4% no segundo semestre.

Mas o CFP prevê que esse excedente seja ainda maior. “Existem diversos factores que contribuem para a expectativa de um saldo orçamental na segunda metade do ano melhor do que no primeiro semestre”, considera o Conselho. Em causa está: a receita fiscal e contributiva a crescer acima do previsto, a despesa com prestações sociais aquém do esperado, a recuperação do que falta da garantia do BPP e a perda de impacto (em termos percentuais) de medidas anuais do lado da despesa, como é o caso do Novo Banco.

Para o Conselho das Finanças Públicas estes factores vão superar o impacto potencialmente negativo da alteração do perfil de pagamento do subsídio de natal na função pública, do descongelamento das carreiras, da integração de precários e das pressões orçamentais em áreas como a educação e a saúde.

(DN) FMI. Estado português é um dos mais pobres do mundo

(DN) Setor público português tem a sétima situação patrimonial mais fraca num grupo de quase 70 países. Grécia está na pior posição e a Noruega na melhor.

A riqueza pública portuguesa, medida pela diferença entre ativos e passivos (responsabilidades) em proporção do produto interno bruto (PIB), é uma das mais negativas do mundo, indica um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado nesta quarta-feira, em Bali, Indonésia.

De acordo com a publicação Monitor Orçamental, que é coordenada pelo antigo ministro das Finanças português Vítor Gaspar, o setor público português terá uma riqueza líquida negativa na ordem dos 40% do PIB (isto é, os passivos superam os ativos nessa proporção), sendo assim o sétimo país mais desequilibrado num grupo de 69 territórios analisados. Os dados usados pelo FMI referem-se a 2016.

O FMI argumenta que estas contas podem ajudar a avaliar melhor a saúde financeira dos Estados do que, por exemplo, a dívida pública. Nesse sentido, os custos de financiamento soberanos (taxas de juro cobradas aos países) podem ser mais sensíveis ou mais bem explicados pelos indicadores patrimoniais (a tal riqueza líquida do setor público) do que propriamente pela dívida pública.

De acordo com esta medida de riqueza líquida (há várias), a Grécia aparece como o Estado mais pobre, com um saldo negativo de 111% do PIB. Os passivos superam largamente os ativos detidos.

Em contrapartida, a Noruega, um dos países mais ricos do mundo e um grande produtor de petróleo, lidera este ranking com uma riqueza líquida equivalente a 348% do seu PIB (isto é, quatro vezes mais o valor da sua economia).

Em 2012, o retrato era bastante pior. Numa amostra de 31 Estados soberanos, Portugal aparecia com a pior situação patrimonial

Estes cálculos usam apenas os dados relativos aos ativos e passivos dos governos centrais e excluem responsabilidades com pensões e ativos referentes a recursos naturais (como o petróleo).

O FMI explica que isto assim é porque os países (os Estados) empobreceram bastante na última crise ao assumirem enormes responsabilidades (prejuízos) com o setor financeiro e bancário. Foi para salvaguardar a estabilidade financeira, alegaram os vários governos na altura.

“Os balanços patrimoniais públicos expandiram-se rapidamente durante a crise financeira, tanto do lado do ativo quanto do passivo, acompanhados por uma queda acentuada no património líquido, à medida que os governos permitiam que as políticas orçamentais anticíclicas operassem”, observa o novo estudo do departamento chefiado por Vítor Gaspar.

Apesar de a crise ter terminado, “os declínios modestos na riqueza pública continuaram após a crise financeira global, mesmo com a redução dos défices”, acrescenta o FMI.

Melhoria em relação a 2012

Em 2012, o retrato era bastante pior. Numa amostra de 31 Estados soberanos, Portugal aparecia com a pior situação patrimonial, sendo que nesta equação foi incluída a responsabilidade com pensões. A Noruega era, uma vez mais, o Estado com situação mais folgada.

O FMI defende que esta nova abordagem para captar a posição patrimonial líquida dos Estados “fornece a visão mais abrangente da riqueza pública, mas é pouco compreendida, mal medida e apenas parcialmente gerida”. Pior: “a maioria dos governos não fornece aos seus cidadãos” a necessária transparência sobre o que é que os Estados efetivamente detêm e devem e qual o grau de risco subjacente.

“A análise orçamental tradicional concentra-se nos fluxos – receitas, despesas e défices – com as avaliações aos stocks a limitarem-se, em larga medida, à dívida bruta”, considera o mesmo estudo.

Os Estados detêm ativos, como, por exemplo, partes de bancos através dos mecanismos de capital contingente, e partes de empresas públicas. Ao mesmo tempo, são responsáveis (passivos) por dívidas avultadas e podem sempre ser chamados a pagar garantias quando estas tiverem de ser executadas. Além disso, têm no passivo os valores relativos aos pagamentos de pensões, indica o mesmo estudo.

FMI reafirma défice de 0,3% em 2019

O Orçamento do Estado de 2019 (OE 2019) deve assentar num crescimento económico de 2,2% no ano que vem, valor que fica assim ligeiramente abaixo da projeção do Programa de Estabilidade avançado em abril (2,3%), indicam dados provisórios que o governo fez circular ontem, dia em que reuniu, no Parlamento, com os vários partidos por causa do OE.

Segundo essa mesma informação, a meta do défice público mantém-se nos 0,2% do produto interno bruto (PIB). Já o rácio da dívida pública deve ser revisto em baixa face a abril. Segundo os novos dados, o peso da dívida baixará para 117% do PIB, menos do que os 118,4% que aparecem no Programa de Estabilidade de abril.

Por seu lado, o FMI defende que o défice português deve descer até 0,3% do PIB em 2019, ficando nos 0,7% em 2018 (meta igual à do governo). O rácio da dívida deve descer de 120,8% em 2018 para 117,2% do PIB no ano que vem, acrescenta a instituição chefiada por Christine Lagarde.

(ECO) FMI só antecipou 47 das últimas 313 recessões desde 1991. Em Portugal, previu metade das recessões

(ECOFMI só conseguiu prever uma em cada sete recessões nas principais economias do mundo. Mas em Portugal a taxa de sucesso é de 50%: os técnicos anteciparam as últimas três recessões portuguesas.

Fundo Monetário Internacional (FMI) conseguiu antecipar apenas 47 das últimas 313 nas principais economias do mundo desde 1991, o que faz com que apenas uma em cada sete recessões tenha sido prevista pelos peritos internacionais, num registo que a própria instituição admite que é “pobre”. Mas, olhando para o caso de Portugal, as previsões da organização foram mais certeiras já que anteviram metade das seis recessões que a economia nacional registou nos últimos 27 anos.

É o próprio FMI que o admite com algum embaraço: “As previsões do World Economic Outlook (WEO) deveriam ser melhores, tendo em conta que já incorporam juízos sobre políticas, fatores externos e notícias económicas recentes que afetam as trajetórias das economias. Contudo, uma análise às previsões do WEO e do setor privado entre 1991 e 2016 confirma as dificuldades em fazer previsões de recessões económicas”.

Os técnicos do Fundo falam mesmo de um “registo pobre” em matéria de previsão de recessões e mostram a dimensão concreta daquilo a que chamam de “Uma Missão Dantesca”: “Enquanto os países da amostra registaram em média 2,7 recessões entre 1991 e 2016, das 313 recessões de uma amostra de 117 economias, apenas 47 foram antecipadas”, revela a instituição que, apesar de reconhecer as dificuldades e os erros — a taxa de sucesso de previsão de uma recessão é de apenas 15% neste período –, volta esta terça-feira a divulgar as suas perspetivas para a evolução da economia mundial, incluindo Portugal.

No relatório hoje publicado, os experts não deixam de meter o dedo na ferida e insistem: “Mesmo em 2009, o ano após a contração económica na sequência do colapso do Lehman Brothers, apenas seis economias avançadas (e não mercados emergentes ou economias em desenvolvimento) tiveram previsões de recessão no WEO de outubro de 2008; subsequentemente, estima-se que o Produto contraiu em 56 (quase metade) das economias da amostra“.

Sobre Portugal, segundo os dados acedidos pelo ECO, os especialistas do FMI conseguiram um score melhor. Isto é, das seis recessões que a economia portuguesa atravessou no mesmo período (nos anos 1993, 2008, 2009, 2011, 2012 e 2013), três delas foram previstas pela instituição. Mais concretamente as últimas três, em pleno período de ajuda financeira internacional que implicava a presença regular dos técnicos internacionais em Lisboa para acompanhar o plano de ajustamento.

Apesar do relativo sucesso quanto ao caso português, os resultados globais “não satisfazem” o Fundo, que diz, porém, que não acertar nas previsões é algo “comum entre quem faz previsões”.

Na verdade, esse é também o caso da Consensusb Economics, que reflete a média das expectativas de previsores privados para 44 economias. Comparando os dados, “há um padrão que é surpreendentemente comparável” entre FMI e Consensus Economics no que toca ao sucesso das previsões: esta última apenas conseguiu prever duas de 75 novas recessões nas suas previsões (sem contar economias que já se encontravam em recessão), segundo as contas da instituição liderada por Christine Lagarde.

Já a prever abrandamentos da economia, “as previsões do WEO fazem um trabalho de alguma forma melhor”. “Entre 1991 e 2016, abrandamentos económicos ocorreram em cerca de metade do tempo e cerca de metade dos abrandamentos foram previstos com precisão”, sublinha o FMI.

Mesmo em 2009, após a falência do Lehman Brothers, o registo revela uma maior eficácia das previsões dos técnicos do FMI quando se trata de prever abrandamentos da economia: três quartos dos abrandamentos registados naquele ano foram efetivamente antecipados pela instituição.

“Resumindo, as previsões do WEO revelam um melhor desempenho na antecipação de abrandamentos económicos do que na antecipação de recessões”, diz o FMI. “Mas o registo histórico deixa muito espaço para melhoria em ambos os casos e os erros de previsão durante episódios de abrandamentos severos são grandes”, reconhece.

No WEO hoje publicado, o FMI aponta para um crescimento de mundial de 3,7%, tanto para 2018, como para 2019, uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais face às previsões feitas em abril. Entre os vários países para os quais o Fundo apresenta previsões, apenas uma mão cheia deverá registar uma contração da economia este ano e no próximo: Venezuela (-18% em 2018 e -5% em 2019); Argentina (-2,6% e -1,6%); Porto Rico (-2,3% e -1,1%, respetivamente); Irão (-1,5% e -3,6%) e Sudão (-2,3%este ano e -1,9% no próximo). De frisar que, para este ano, a instituição liderada por Christine Lagarde prevê que a economia angolana registe uma quebra de 0,1% depois da contração de 2,5% de 2017. Mas para o próximo ano, Angola já deverá crescer (3,1%).

(ZH) IMF’s Lagarde Warns “Clouds On Horizon Have Materialized”, Global Growth To Slow

(ZH) IMF Managing Director Christine Lagarde just stole the consensus jam out of the global recovery donut, warning during a speech in Washington that trade wars and tighter credit are dimming economic outlooks, signaling that her outlook for 3.9% growth may be overdone.

The fund will update its World Economic Outlook on Oct. 9 ahead of opening its annual meeting in Bali, Indonesia.

“Six months ago, I pointed to clouds of risk on the horizon,” Lagarde said, according to her prepared remarks.

“Today, some of those risks have begun to materialize.”

One glimpse at the collapse in global economic data and it’s perhaps more than obvious that consensus needs some adjustment…While Lagarde acknowledged the global expansion is still the fastest in seven years, recent data suggest a cooling.

As Bloomberg reports, Lagarde said protectionist rhetoric was turning into “actual trade barriers,” spreading uncertainty among businesses and consumers. A strengthening U.S. dollar and tightening financial conditions have increased challenges for many emerging markets, she said.

Specifically, Lagarde called on countries to resolve their trade disputes, warning that the fracture of corporate supply chains could have “devastating” effects.

“History shows that, while it is tempting to sail alone, countries must resist the siren call of self-sufficiency — because as the Greek legends tell us, that leads to shipwreck,” she said, without naming countries that are putting up new barriers.

Additionally, Lagarde warned nations to guard against “fiscal and financial turbulence.” She said global public and private debt has reached a record $182 trillion, up almost 60 percent from 2007. Emerging markets and developing countries are being pinched as central banks raise interest rates in advanced economies, she said.

“That process could become even more challenging if it were to accelerate suddenly,” she said.

“It could lead to market corrections, sharp exchange rate movements, and further weakening of capital flows.”

And finally, in what appears to be a dig at President Trump, Lagarde urged world leaders to rebuild trust in institutions and policymakers…

“In too many cases, workers and families are now convinced that the system is somehow rigged, that the odds are stacked against them,” she said.

Ironically, she urged this rebuilding of trust while noting that since 1980, the top one percent of income earners have captured twice as much of the gains from growth as the bottom 50 percent.. but we should all trust them now…?

(EUobserver) IMF warns global trade war could cost $430bn

(EUobserver) The global economy could suffer a $430bn loss in GDP as a result of a trade war between the US and the rest of the world, the International Monetary Fund has warned, adding that the US itself would be “especially vulnerable”, the Guardian reported. The IMF said the new tariffs risked lowering global growth by 0.5 percent by 2020, and the US would find itself “the focus of global retaliation”.

(Reuters) IMF says supports Argentina floating exchange rate as peso tumbles

(Reuters) The International Monetary Fund said on Monday a target exchange rate for the peso will not be a condition of a financing deal with Argentina, as the currency closed more than 6 percent weaker at a record low of 25 per U.S. dollar.

Argentina requested a “high access stand-by arrangement” from the IMF last week after the peso depreciated rapidly, prompting the central bank to sell reserves and hike interest rates to 40 percent in a bid to contain one of the world’s highest inflation rates and stop the peso’s slide.

The bank sold $408 million (£300.8 million) in reserves on Monday as part of its effort to shore up the peso. During all of last week, the currency weakened 6.30 percent, and for the first 11 days of May it weakened 12.03 percent.

The Merval stock index rose 2.16 percent on Monday.

In a statement, an IMF spokesman said the Fund had not discussed any specific target for the exchange rate with Argentine authorities during negotiations in Washington.

“Argentina has a floating, market-determined exchange rate, and we fully support that,” the spokesman said. “The exchange rate should continue to be determined by market forces, with the central bank continuing to use all the policy tools that are at its disposal.”

The IMF negotiations carry political risks for President Mauricio Macri. Many Argentineans blame IMF-backed policies of the late 1990s for the country’s 2001-2002 economic meltdown. Some opposition politicians and activists have voiced concerns that the deal being drawn up in Washington will require painful fiscal belt tightening.

Opposition politicians have even demanded any deal with the IMF pass through Congress but Federico Pinedo, the leader of Macri’s party in the Senate, said that would not be necessary.

“It is expressly stated in the Argentine laws that this is a negotiation that corresponds to the president,” Pinedo told Reuters in an interview.

In an earlier statement, the IMF said its board would discuss Argentina at an informal meeting scheduled for Friday. The Fund said that meeting was “part of our usual process of briefing the board on negotiations for high access IMF programs.”

LOWER GROWTH, HIGHER INFLATION

Weak fundamentals, skittishness regarding devaluation and concern over Argentina’s drought-hit soy harvest are pressuring the peso lower.

High interest rates will have a negative impact on activity, and the weaker peso resulting from a floating exchange rate regime will add to already sky-high inflation, but both are necessary to prevent a deeper crisis, Treasury Minister Nicolas Dujovne said.

“We will have somewhat less growth, and somewhat more inflation,” Dujovne told reporters on Monday. “It is obvious that will happen.”

The central bank said 617 billion pesos (£23.2 billion) of central bank notes known as Lebacs would mature on Tuesday. That is less than the 670 billion pesos worth that traders had expected. Because of the peso’s volatility, the bank decided to buy back some of the assets.

Interest rates on the notes have been rising in secondary markets, as the bank is widely expected to hike rates in Tuesday’s auction to entice traders to roll over their maturing notes.

“The possibility of a complete renewal of the maturing (Lebacs) is not expected,” consultancy Portfolio Personal said in a note, adding that in the four auctions so far this year, 14 percent of maturing Lebacs had not been renewed.

Argentina has also received proposals for $3 billion worth of repurchase deals from banks in recent weeks, Finance Minister Luis Caputo told reporters. In recent months, the country has inked $2 billion in such deals with Credit Suisse and HSBC.

Unions marched through the city centre on Monday to protest the IMF deal and Macri’s increases in utilities prices, part of his effort to reduce the fiscal deficit.

In a statement, Macri’s office said he had spoken by phone with U.S. President Donald Trump on Monday morning, and that Trump had said he supported Macri’s discussions with the IMF. The United States has the most voting power of any IMF member country, with 16.5 percent of the votes.

(IMF) Portugal: IMF Executive Board Concludes Sixth Post-Program Monitoring

(IMF) On February 21, 2018, the Executive Board of the International Monetary Fund (IMF) concluded the Sixth Post-Program Monitoring [1] of Portugal and considered and endorsed the staff appraisal on a lapse-of-time basis. [2]

Portugal’s repayment capacity is expected to be adequate under the baseline. With improved market access and sovereign outlook and ratings, as well as additional early repayments to the Fund in 2017, risks to repayment capacity have moderated significantly since the last PPM.

The Portuguese economy has strengthened. Supported by a benign external environment, job-rich growth has gathered momentum since late 2016. The headline fiscal balance continued to benefit from stronger growth, controlled budget execution, and falling interest costs, with the 2017 deficit target of 1.4 percent of GDP likely to have been met with some margin. Financial stability has also improved with various bank capital augmentations and the sale of Novo Banco in 2017 while banks have also reduced their NPLs and returned to modest profitability. Growth is projected at 2.2 percent in 2018. Downside risks in the near term are mostly external in nature and appear moderate.

Executive Board Assessment [3]

The Portuguese economy has continued to strengthen. Supported by a benign external environment, job-rich and broad-based growth has gathered momentum since late 2016, contributing to better than anticipated fiscal outcomes in 2017, including the exiting from the European Commission’s excessive deficit procedure. Financial stability also improved in the last year. Downside risks in the near term are mostly external in nature and appear moderate.

Portugal has further improved its access to financial markets. Portugal maintains prudent liquidity buffers, and its sovereign debt has become eligible for inclusion in several international bond indexes, which should help support it even as the ECB’s asset purchase program is eventually wound down. Portugal’s capacity to repay the Fund is adequate in the baseline and robust to the risk scenarios in the DSA. In fact, owing to substantial early repurchases to date, no repurchases are due until 2021.

Despite the recent positive economic developments, important crisis legacies remain. The nonfinancial private sector’s debt is large (including by European standards) and remains a source of vulnerability. The still large stock of bad loans on banks’ books constrains their ability to provide new credit for investment. Public debt, at 126 percent of GDP, is the euro area’s third largest. While the public debt ratio is expected to decline to 108 percent of GDP by 2023, this ratio would still leave Portugal vulnerable to unexpected rises in interest rates, the wind-down in the monetary stimulus of the last few years, and cyclical downturns in Portugal and its trading partners.

Favorable borrowing conditions and the economic upswing provide an auspicious opportunity for an even faster reduction of public debt. Structural consolidation in the primary fiscal balance remains essential to keep public debt on a firmly downward trajectory over the medium-term. An adjustment focused on durable expenditure reform is likely to prove more sustainable and supportive of growth. The authorities should be cautious about permanent increases in spending that might reduce the flexibility of public expenditure when cyclical conditions change. Such caution is especially important in relation to decisions that may affect the trajectory of the government wage bill in coming years.

Banks will need to continue strengthening their business models and cleaning their NPLs. Although financial stability has improved over the past year, the high level of NPLs limits banks’ internal capacity to generate stronger returns and increase their capital. Also, some upcoming regulatory changes in the euro area, although aiming to boost resilience, could affect some banks’ funding structure and costs. Banks’ improved financial results in 2017 are encouraging, as is the ongoing implementation of ECB guidance to banks on NPLs. Continued efforts in these areas, including by improving business models and cost efficiency, so banks can generate new capital from their own profits, are necessary to ensure that they remain resilient and better support the economy. New initiatives to further improve the legal framework to support the debt restructuring of viable but distressed debtors and the recovery of collateral, including through out-of-court mechanisms, need to be implemented and closely monitored. In addition, there is a need to monitor carefully developments in the housing markets. Macroprudential authorities should also stand ready to take additional macroprudential measures if needed to prevent the build-up of imbalances and to strengthen the resilience of banks and borrowers.

Raising the economy’s growth potential and resilience to shocks will also require further structural reforms and higher investment and productivity. For the economy to absorb negative shocks and adapt to new opportunities, a flexible labor market is key. Flexibility needs to be preserved even as an environment with more stable jobs is sought. Investment needs to increase substantially to raise the economy’s medium-term growth potential. Preserving external balance while raising investment requires strengthening national saving rates as well. Along with ongoing initiatives to develop human capital, structural reforms should include efforts to continue improving the business environment.

Portugal: Selected Economic Indicators
(Year-on-year percent change, unless otherwise indicated)
Projections
2016 2017 2018 2019
Real GDP 1.5 2.6 2.2 1.8
Private consumption 2.1 2.2 2.0 1.6
Public consumption 0.6 1.1 0.2 -0.1
Gross fixed capital formation 1.6 8.7 8.1 5.1
Exports 4.1 7.0 6.6 4.5
Imports 4.1 7.5 7.0 4.5
Contribution to growth (Percentage points)
Total domestic demand 1.6 3.0 2.7 1.9
Foreign balance -0.1 -0.4 -0.4 -0.1
Resource utilization
Employment 1.5 3.1 1.3 1.1
Unemployment rate (Percent) 11.1 9.0 7.8 7.2
Prices
GDP deflator 1.4 1.6 1.5 1.5
Consumer prices (Harmonized index) 0.6 1.5 1.5 1.6
Money and credit (End of period, percent change)
Private sector credit -3.7 -1.5 0.1 0.8
Broad money -0.4 3.7 3.2 2.8
Fiscal indicators (Percent of GDP)
General government balance -2.0 -1.2 -1.1 -0.9
Primary government balance 2.2 2.7 2.6 2.6
Structural primary balance (Percent of potential GDP) 2.9 2.7 2.4 2.0
General government debt 130.1 125.7 121.7 118.4
Current account balance (Percent of GDP) 0.7 0.4 0.2 -0.1
Nominal GDP (Billions of euros) 185.2 193.0 200.2 206.8
Sources: Bank of Portugal; Ministry of Finance; National Statistics Office (INE); Eurostat; and IMF staff projections.



[1] Member countries with IMF credit outstanding exceeding the smaller of SDR1.5 billion or 200 percent of quota are subject to post-program monitoring. Post program monitoring takes place between successive Article IV consultations. Post-program monitoring gives especial attention to matters related to capacity to repay the Fund, vulnerabilities, and risks.

[2] The Executive Board takes decisions under its lapse-of-time procedure when the Board agrees that a proposal can be considered without convening a formal meeting.

(ECO) Portugal pagou mais 2,8 mil milhões ao FMI

(ECO) Portugal realizou um novo reembolso de 2,8 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional esta quinta-feira. Fica por pagar cerca de 25% do empréstimo oficial do Fundo.

Portugal realizou um novo reembolso antecipado de 2,8 mil milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciou o Ministério das Finanças em comunicado. Com este pagamento, fica por pagar cerca de 25% do empréstimo contraído junto do Fundo aquando do pedido de resgate, em 2011.

Foi reembolsada esta quinta-feira, “antecipadamente, mais uma parcela do empréstimo ao FMI, equivalente a 2.780 milhões de euros, que se vencia entre junho de 2020 e maio 2021. Durante o corrente ano foram já pagos 9.012 milhões, o valor máximo amortizado, em termos anuais, até à presente data”, informou o ministério liderado por Mário Centeno.

Após esta devolução, ficam liquidados 76% do empréstimo do FMI de 26 mil milhões de euros, salienta o Governo.

“Demos mais um passo na redução do custo do nosso financiamento”, declarou Centeno no Parlamento.

“Em 2018, a gestão da dívida publica deverá prosseguir objetivos muito concretos:minimizar os custos diretos e indiretos do financiamento, numa estratégia de longo prazo; garantir a distribuição adequada das amortizações pelos vários exercícios orçamentais; prevenir a excessiva concentração temporal das amortizações; evitar a exposição a riscos excessivos; alargar a base de investidores, tirando partido da melhoria do rating e da expansão para novos mercados de dívida”, sublinhou o ministro das Finanças.

Custos baixam

Portugal tem estado a acelerar o ritmo de devoluções para fazer baixar os custos das sua dívida por duas vias: em primeiro lugar, através da substituição do empréstimo mais oneroso do Fundo por colocação de nova dívida no mercado a taxas bem mais favoráveis; depois, porque ao baixar a exposição junto do Fundo, também alivia os juros cobrados pelo valor da dívida que permanece por pagar ao FMI.

Conforme explicou o ECO, Portugal paga uma penalização (um spread agravado) sobre o valor da dívida ao FMI que ultrapassa o limite que decorre da sua quota. Assim, ao amortizar antecipadamente estes nove mil milhões de euros, spread médio exigido ao Tesouro português baixa em quase um terço.

Para o próximo ano estão previstos reembolsos de 1.400 milhões de euros e o custo do empréstimo vai cair ainda mais. Ainda não será o suficiente para que o país se liberte desta penalização extra já em 2018. Para isso será preciso enviar um cheque para Washington de mais 1.400 milhões além do que está previsto na proposta do Orçamento do Estado.

Mas o ECO sabe que o Governo está a trabalhar para isso, aproveitando o bom momento nos mercados de dívida.

(JE) FMI: Portugal deve aproveitar recuperação económica para reduzir dívida

(JE) A instituição liderada por Christine Lagarde considera que esta política “é particularmente importante” para este conjunto de países, até porque, alerta, as taxas de juro “provavelmente vão subir”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que os países europeus com dívidas públicas, como Portugal, devem aproveitar a recuperação económica para criar ‘almofadas’ orçamentais e reduzir o endividamento.

“Os decisores políticos devem tirar vantagem das perspetivas positivas para reconstruir ‘almofadas’ orçamentais e desenvolver a capacidade de a economia crescer e absorver choques”, aconselha o FMI no relatório de outono sobre as perspetivas económicas da Europa para 2017, divulgado hoje.

Para o Fundo, países como a Bélgica, França, Itália, Espanha, Reino Unido e Portugal, que têm ainda dívidas elevadas, mas onde a economia está a recuperar, deviam “gradualmente reconstruir espaço de manobra e colocar a dívida numa trajetória descendente”.

A instituição liderada por Christine Lagarde considera que esta política “é particularmente importante” para este conjunto de países, até porque, alerta, as taxas de juro “provavelmente vão subir”.

Ao mesmo tempo, e para todos os países europeus (e não apenas aqueles com uma dívida pública elevada), o FMI defende que a política orçamental “pode ser mais amiga do crescimento e da distribuição” de rendimentos.

“Fazer com que a despesa pública seja mais eficiente e orientada ao crescimento, ao mesmo tempo que se desenha uma política fiscal que apoie a criação de emprego e o crescimento da produtividade, pode fortalecer as fundações da recuperação económica e suportar o potencial de crescimento no médio prazo”, afirma o Fundo no relatório.

O FMI estima que a economia europeia cresça 2,4% este ano e 2,1% no próximo, uma recuperação que, afirma, tem impactos positivos no resto do mundo, mas cuja sustentabilidade “continua em dúvida”.

“No longo prazo, é provável que as tendências demográficas adversas e a produtividade ainda subjugada possam atrasar o crescimento”, admite o Fundo.

Nesse sentido, aconselha “mais progresso” nas reformas estruturais para aumentar a produtividade e defende que a limpeza dos ativos dos bancos “continua uma prioridade”.

(ECO) Portugal quase livre do spread agravado na dívida ao FMI

(ECO) O spread pago pelo Estado português ao FMI pelo empréstimo no âmbito da troika vai cair 32% em 2018. Os custos baixam por causa dos pagamentos antecipados este ano.

Os reembolsos antecipados ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que Portugal deverá concretizar até ao final deste ano vão permitir baixar em quase um terço o spread exigido pelo Fundo à República. Depois, em 2018, à medida que o Tesouro português for continuando a amortizar a dívida ao FMI, o custo do empréstimo ainda vai cair mais. O objetivo é libertar o país da penalização extra no empréstimo já no próximo ano, sabe o ECO.

A primeira meta que o Governo tinha fixado para os reembolsos ao FMI, no Orçamento do Estado para 2017, era de cerca de 1,5 mil milhões de euros. Contudo, o Executivo chegou ao final do ano e anunciou mais amortizações do que o previsto. Ainda esta terça-feira o ministro das Finanças, Mário Centeno, voltou a subir em mil milhões os reembolsos antecipados, elevando o total para 9,4 mil milhões de euros em apenas um ano.

Qual é a pressa? O interesse em pagar rápido ao FMI é duplo: primeiro, porque os juros cobrados no empréstimo do Fundo são mais elevados do que aqueles que Portugal consegue obter, neste momento, no mercado. Segundo, porque os juros cobrados pelo valor da dívida que permanece por pagar ao FMI também baixam.

É que Portugal paga uma penalização (um spread agravado) sobre o valor da dívida que ultrapassa o limite que decorre da sua quota. E ao amortizar antecipadamente cerca de nove mil milhões de euros, o spread médio exigido ao Tesouro português cai consideravelmente.

O próximo gráfico mostra a posição portuguesa em relação ao Fundo, a 31 de dezembro de 2016, em euros e em SDR (Direitos Especiais de Saque, na sigla inglesa) que é a moeda do Fundo. Mostra ainda a posição projetada, tendo em conta os anúncios de reembolsos antecipados, para o final deste ano.

Dívida ao FMI: 2016 vs. 2017

 

Mas a dívida ao FMI não custa toda o mesmo. Tal como explicou o FMI ao ECO, a linha de financiamento utilizada por Portugal no empréstimo determina que a taxa é fixada semanalmente, tendo em conta um cabaz de taxas de juro de referência. Neste momento, o valor do juro de referência está em 1,675%.

A este valor soma-se um spread de 100 pontos base. Mas este spread é penalizado no caso de dívidas muito elevadas face à quota do país no Fundo. Ao montante da dívida que supera o limite, aplica-se um spread de 200 pontos base e se o limite for ultrapassado por um período superior a 51 meses, o agravamento é ainda maior: 300 pontos base. O limite é definido como 187,5% da quota do país.

No caso de Portugal, esta fasquia corresponde a 3,86 mil milhões de SDR (cerca de 4,7 mil milhões de euros) e como a dívida se mantém acima do limiar por mais de 51 meses, spread que é aplicado à dívida que supera este valor é de 300 pontos base.

O que muda com as amortizações antecipadas?

A 31 de dezembro de 2016, Portugal devia 16.327 milhões de euros ao FMI, o equivalente a cerca de 13,5 mil milhões de SDR. Em termos médios (ponderando o spread mais baixo de 100 pontos aplicado a uma parte da dívida, com o de 300 pontos sobre o restante) o valor do spread exigido pelo FMI para o montante de dívida total era de 243 pontos base.

Mas com os reembolsos antecipados, a parcela da dívida de Portugal ao FMI à qual é aplicado o spread agravado diminui muito. Assumindo que o Governo concretiza os reembolsos anunciados até ao final do ano, no total de 9,4 mil milhões de euros, a dívida ao FMI cai para 6.927 milhões de euros, o equivalente a cerca de 5,7 mil milhões de SDR.

Feitas as contas, o valor médio, ponderado, do spread aplicado pelo FMI deverá baixar para 165 pontos base. São menos 32% face ao valor de arranque de 2017. Assumindo o valor do juro constante em 1,675%, implica baixar a taxa de juro de 4,105% para 3,325.

O próximo gráfico compara a situação a 31 de dezembro de 2016, com a que se espera atingir no final de 2017.

Que parte da dívida paga spread agravado?

 

Para deixar de sofrer a penalização, Portugal tem de amortizar ainda 2,8 mil milhões de euros ao FMI. Oficialmente, está planeada uma amortização de 1,4 mil milhões de euros em 2018, mas o objetivo do Governo é manter a estratégia de acelerar os pagamentos ao fundo, tal como fez este ano. Há mesmo a expectativa, sabe o ECO, de se conseguir atingir o limiar necessário para deixar de pagar o spread agravado já no próximo ano.

(DN) Portugal pagou hoje 1.000 ME antecipadamente ao FMI – Governo

(DNO Estado português pagou hoje antecipadamente 1.000 milhões de euros do empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) e reembolsará mais 2.000 milhões até afinal do ano, disse o Ministério das Finanças em comunicado.

“Com o pagamento de hoje, estão liquidados 66% do empréstimo do FMI, de 26.300 milhões de euros”, lê-se no comunicado enviado pelo gabinete liderado por Mário Centeno, acrescentando que até final do ano serão reembolsados mais 2.000 milhões de euros.

O valor pago hoje antecipadamente e o que o Governo prevê reembolsar ainda até final do ano dizem respeito a parcelas do empréstimo do FMI que venciam em 2020.

(JE) Alterações climáticas: “Vamos ser torrados, assados e grelhados”, alerta FMI

(JE) Christine Lagarde acredita que se não forem todas medidas urgentes a humanidade terá pela frente um “futuro sombrio”, deixando as gerações futuras comprometidas.

A diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, alertou esta terça-feira para a necessidade de o mundo aliar forças e tomar “decisões críticas” para combater as mudanças climáticas e a desigualdade social. Lagarde acredita que se não forem todas medidas urgentes a humanidade terá pela frente um “futuro sombrio”, deixando as gerações futuras comprometidas.

“Se não abordarmos essas questões, vamos mudar para um futuro sombrio”, afirmou a líder do FMI numa conferência sobre economia na capital saudita Riade, referindo-se às alterações climáticas. “Seremos todos torrados, assados ​​e grelhados, se cruzarmos os braços. Precisamos de tomar decisões críticas sobre as alterações climáticas”.

As declarações de Christine Lagarde surgem quatro meses depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado o início de um processo de três anos para retirar o país do acordo climatérico de Paris, sob o argumento de que o pacto colocava os Estados Unidos em desvantagem económica e as alterações climáticas eram “uma invenção dos chineses” para prejudicar o país. Cerca de 195 nações assinaram o Acordo de Paris, que prevê a redução das emissões de gases com efeito de estufa, de forma a conseguir travar o aquecimento da temperatura do planeta.

Christine Lagarde apelou também à luta contra a desigualdade entre homens e mulheres e entre os países ricos e os mais carenciados. A diretora do FMI elogiou ainda os esforços da economia saudita em dar resposta procurar diminuir a dependência em relação ao petróleo e implementar medidas para combater a desigualdade de género.

“A Arábia Saudita está a empreender reformas para reduzir as restrições às mulheres que entram na força de trabalho”, afirmou Lagarde na declaração, mencionando a mais recente decisão de permitir que as mulheres possam conduzir no país.

(Economist) Taxing the rich

(Economist) An IMF report does not really support Jeremy Corbyn’s plans; it is more nuanced.

FOR once, the Daily Mail and the Guardian, British newspapers of the right and left, agree. In the former, Alex Brummer says “IMF’s new line of thinking of tax should please Corbyn & co” while the latter says that the IMF “analysis supports tax strategy of Labour in UK”. Both are responding to the IMF’s fiscal monitor which does indeed say that

 there would appear to be scope for increasing the progressivity of income taxation without significantly hurting growth for countries wishing to enhance income redistribution.

The report details how income tax progressivity in advanced economies declined in the 1980s and 1990s and that the tax system has done little to reduce inequality in recent years

Between 1985 and 1995, rising fiscal redistribution was able to offset about 60 percent of the increase in market income inequality. In contrast, average fiscal redistribution hardly changed between 1995 and 2010, while market income inequality continued to increase. As a result, average disposable income inequality increased broadly in line with market income inequality

But the report is about the west as a whole, rather than Britain in particular. When it comes to a specific tax rate, it says that

 Assuming a welfare weight of zero for the very rich, the optimal marginal income tax rate can be calculated as 44 percent

and compares this with the average top tax income tax band in the OECD of 35%. So there is scope for many countries to raise income taxes rather than attempt (as is suggested in America) to cut them.

In Britain, however, the top tax rate is already 45%, almost exactly at the optimal level. Mr Corbyn and the Labour party want to increase this to 50% which the IMF report implies is sub-optimal. So not really support for Mr Corbyn at all. The recommendations are really aimed at other countries.

When it comes to corporate tax, the IMF points out that tax levels can affect the return from income taxes. Richer people can decide to incorporate to avoid paying high marginal rates of tax. That might seem to support higher corporate tax rates. But the problem is that corporations are rather more mobile than people.

Taxation influences the location of firms. Savings can be invested in foreign locations with lower tax rates, making it harder for home countries to enforce taxes.

Labour plans to push up the rate of corporate tax to 26% when it takes office. But this is going against the trend.

In recent decades, international tax competition—resulting from capital mobility—has led to a steady downward trend in corporate income tax rates. This trend reduces overall tax progressivity and may also put downward pressure on PIT (personal income tax) rates. International tax coordination could potentially address this problem but has proved very difficult to implement.

Without this international co-operation, the risk is that Labour drives some businesses away at a time when, thanks to Brexit, the country will want to keep itself as attractive to international companies as possible. So the IMF doesn’t really back Corbyn in this area either.

(ECO) FMI vê dívida portuguesa abaixo de 120% em dois anos

(ECO) As projeções do FMI mostram que Portugal tem nos próximos anos uma janela de oportunidade para reduzir o peso da dívida pública.

Se o Governo se limitasse a manter no terreno as medidas que estão neste momento em vigor, a dívida pública portuguesa estaria abaixo do patamar dos 120% do PIB em dois anos. A projeção é do Fundo Monetário Internacional (FMI) e consta da base de dados do World Economic Outlook, publicado esta quarta-feira.

O FMI tem vindo a deixar avisos sobre o rumo que a economia portuguesa está a tomar, exigindo mais reformas estruturais e a manutenção do caminho de consolidação orçamental. Contudo, as próprias projeções do Fundo até 2022 mostram que os próximos anos abrem uma janela de oportunidade significativa para Portugal corrigir uma das suas principais debilidades: o peso da dívida pública. Este ano, o Governo prevê que a dívida caia para 127,7% do PIB, mas o FMI antecipa ainda menos: 125,7%. E 120% em dois anos.

Dívida pública abaixo de 120% em 2019

icas inalteradas — ou seja, o Fundo assume apenas o que está determinado pelo Governo no Orçamento do Estado para este ano e projeta o futuro como se tudo se mantivesse sem mais mexidas — a dívida pública cai consistentemente (tanto em termos brutos, como líquidos), o défice não ultrapassa os 1,5% do PIB e o excedente primário (isto é, descontando os gastos com os juros) mantém-se sempre acima de 2% até 2022.

Défice em torno de 1,5% e saldo primário positivo

Ano% PIBSaldo orçamentalSaldo primário20152016201720182019202020212022-1012345

Projeções a partir de 2017. Fonte: FMI

Só o défice estrutural (que não conta nem com os efeitos do ciclo económico, nem com medidas extraordinárias) se degrada — precisamente porque se assume que não são aplicadas quaisquer novas medidas de consolidação orçamental.

Défice estrutural degrada-se até 2,5%

(JN) FMI mantém previsão de crescimento de Portugal em 2,5%

(JNFMI projecta crescimento de 2,5% para este ano, em linha com o Banco de Portugal e com as previsões da própria instituição feitas há quase um mês. Economia desacelera no ano seguinte.

FMI mantém previsão de crescimento de Portugal em 2,5%

O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia portuguesa cresça 2,5% no conjunto deste ano, apontando para uma desaceleração na segunda metade do ano. As projecções, que fazem parte do ‘World Economic Outlook’ divulgado esta terça-feira pela instituição, indicam na generalidade dos indicadores uma manutenção das perspectivas do Fundo em relação à economia portuguesa face ao quadro traçado por Washington em meados de Setembro.

De acordo com o documento apresentado, a economia portuguesa deverá crescer este ano 2,5%. Mas no último trimestre de 2017, a melhoria do PIB será de 2%, o que compara com um aumento do PIB de 3% entre Abril e Junho de 2017.

Este cenário vai ao encontro do que foi traçado recentemente pelo Banco de Portugal, que prevê um crescimento de 2,5% para este ano, com uma desaceleração da economia na segunda metade do ano depois de um desempenho significativo na primeira metade de 2017.

Também o FMI previu a 15 de Setembro, quando divulgou o Artigo IV para Portugal, que a economia cresça este ano 2,5%.

Para 2018, a instituição liderada por Christine Lagarde espera uma subida do PIB de 2%, o que se traduz numa desaceleração face ao crescimento projectado para o ano anterior (2017).

No documento publicado esta terça-feira, o FMI faz ainda uma previsão de longo prazo para a economia, prevendo um aumento do PIB de 1,2% em 2022.

O FMI mantém ainda as previsões em relação à taxa de desemprego em 9,7% para este ano e 9% em 2018 e a taxa de inflação nos 1,6% e 2%, em 2017 e no próximo ano.

Há apenas um indicador para o qual o FMI altera as suas projecções. A balança corrente continuará a apresentar um excedente, mas menor. Nas projecções avançadas esta terça-feira, o Fundo espera agora saldos positivos de 0,4% e 0,3%, respectivamente em 2017 e 2018. No exercício anterior, de meados de Setembro, o Fundo apontava para um excedente de 0,6% e 0,5%, respectivamente.

Estes são os únicos indicadores para os quais o Fundo divulga de novo previsões.
As projecções do Fundo para 2017 estão baseadas no Orçamento aprovado pelo Governo, ajustado das previsões feitas pelas equipas do Fundo. As previsões feitas para os anos seguintes partem do princípio que não há uma alteração de políticas, explica o Fundo nas suas notas técnicas.

Segundo o mesmo relatório do FMI, a economia mundial deverá crescer 3,6% em 2017 e 3,7% em 2018, valores 0,1 pontos acima da previsão anterior, e uma aceleração significativa face aos 3,2% de 2016. A revisão em alta deste ano é justificada pelo desempenho positivo das economias avançadas; enquanto o do próximo ano responde principal ao maior dinamismo das economias emergentes.

(JN) FMI melhora crescimento mundial. EUA e Reino Unido desiludem

(JNO momento das economias avançadas está melhor, estima o FMI que nota excepções importantes: EUA e Reino Unido, cujo crescimento foi revisto em baixa. Bom momento deve ser usado para fazer reformas defende Maurice Obstfeld, o economista-chefe.

A economia mundial deverá crescer 3,6% em 2017 e 3,7% em 2018 prevê o FMI, valores 0,1 pontos acima da previsão anterior, e uma aceleração significativa face aos 3,2% de 2016, avança a instituição no relatório semestral “World Economic Outoook”, publicado a 10 de Outubro. A revisão em alta deste ano é justificada pelo desempenho positivo das economias avançadas; enquanto o do próximo ano responde principal ao maior dinamismo das economias emergentes.

“Para 2017, a maior parte da nossa revisão em alta deve-se a perspectivas melhores para as economias avançadas, enquanto na revisão positiva de 2018 as economias emergentes e em desenvolvimento desempenho um papel relativamente maior”, escreve Maurice Obstfeld, economista-chefe da instituição, na nota de apresentação dos resultados.

No relatório a instituição detalha que as economias avançadas deverão crescer 2,2% este ano, mais 0,2 pontos do que o esperado em Abril. O melhor momento é explicado pelo desempenho da Zona Euro (crescimento de 2,1% em 2017 e 1,9% em 2019, mais 0,3 a 0,4 pontos respectivamente que em Abril); do Japão (1,5% em 2017 e 0,7% em 2018, mais 0,3 e 0,1 pontos respectivamente ) e do Canadá (3% em 2017 e 2,1% em 2018, mais 1,1 e 0,1 pontos respectivamente).

Para Portugal, a instituição mantém as previsões que actualizou no Verão, no âmbito da última visita pós-programa, de um crescimento do PIB de 2,5% este ano e 2% no próximo. Comparando com as previsões de Abril (1,7%% para este ano e 1,6% para o próximo), Portugal regista uma das maiores revisões em alta.

As desilusões chegam do Reino Unido e dos EUA. O pior desempenho da economia de Theresa May traduz um pior primeiro semestre de 2017 do que o antecipado, e reflecte-se numa revisão em baixa do crescimento do Reino Unido de 2% para 1,7%. Já a revisão em baixa para os EUA, sentida em 2017 e 2018 (2,2% em 2017 e 2,3% em 2018, que compara com 2,3% e 2,5% previsto em Abril), resulta do FMI já não confiar num estímulo orçamental da Administração Trump via corte generalizado de impostos. Esta alteração para a maior economia mundial explica a desaceleração de crescimento nas economias avançadas de 2,2% em 2017 para 2,1% em 2018.

O crescimento das economias emergentes e em desenvolvimento foi revisto em alta 0,1 pontos, para 4,6% e 4,9% em 2017 e 2018, respectivamente, puxado pelo dinamismo chinês.

Perante o melhor momento da economia mundial, Maurice Obstfled alerta que a retoma não está concluída, na medida em que os salários ainda não recuperaram nas economias desenvolvidas, que os países em desenvolvimento dependentes de energia estão a passar por um momento difícil, e em que várias economias apresentam tendências de crescimento de longo negativas, penalizadas pela demografia e por problemas estruturais.

Neste contexto, a recuperação cíclica deve ser aproveitada para implementar reformas que aumentem o crescimento potencial das economias. Este momento é “uma janela de oportunidade”, defende Obstfeld, que considera que “as reformas estruturais necessárias diferem entre países, mas todos têm amplo espaço para medidas que aumentem a resiliência das economias e o crescimento potencial”. Para Portugal o FMI desta a importância de flexibilizar o mercado de trabalho, melhorar o funcionamento do Estado e reduzir a burocracia.

(BBG) The IMF Needs to Stop Torturing Greece

(BBG) The fund should write down the country’s debt, not demand another bank recapitalization.

Friend or frenemy?

 Photographer: Milos Bicanski/Getty Images

“Beware of Greeks bearing gifts,” wrote the ancient Roman poet Virgil. In the 21st century, it’s the Greeks who should have been more careful about accepting offerings — specifically from the International Monetary Fund, which is now torturing the country in a misguided effort to get its money back.

Greek officials have worked hard to shore up their economy and finances. From 2010 through 2016, the government achieved the all-but-impossible task of shrinking its primary budget deficit by nearly 18 percent of gross domestic product, and is finally in surplus. After a brutal contraction of almost 30 percent, the economy is exhibiting positive signs in almost every area — industrial production, new automobile registrations, construction permits, tourist arrivals.

The banking sector, too, has made great strides. After two full inspections of their loan books — first by BlackRock in 2013 and later by the European Central Bank’s Single Supervisory Mechanism — the banks have been fully recapitalized twice. They have bolstered their provisions against bad loans, and their capital ratios are now significantly higher than the European average, providing a buffer against any future losses.

Greece, however, still carries a heavy burden: the roughly 250 billion euros that the IMF and its European partners lent the country to save its economy and most likely the entire euro area. This stock of official bail-out debt remains due even though private creditors have been amply haircut, restructured and wiped out. In 2012, for example, the government’s private-sector bondholders were forced to accept a loss of nearly 80 percent. Greek bank shareholders have seen their investments wiped out twice in recapitalizations.

The IMF could write off its debt and lighten Greece’s burden. This would benefit the country’s long-term economic health, and therefore Europe’s, too. Instead, the fund is demanding further austerity measures and insisting on “structural” reforms of dubious value. By sticking to this economic ideology, it is neutering the nascent economic growth and stifling any hope of real prosperity.

The IMF came forward as Greece’s savior during Europe’s financial crisis, but now it looks more like a frenemy. Consider the history of the debt. When a country joins the IMF, it is assigned an initial “quota,” based primarily on its GDP. A member country can typically borrow up to 145 percent of its quota annually and up to 435 percent cumulatively — or possibly more in “exceptional circumstances.” These are essentially credit limits, designed to not overburden the borrower with debt. Yet amid the crisis, the IMF agreed to lend an eye-popping 3,212 percent of Greece’s quota. Together with loans from the fund’s European partners, Greece’s official-sector debt amounts to more than 135 percent of GDP.

The IMF knew perfectly well that its loans could never be repaid. I have heard this directly from officials involved in the process. All the participants at the time — including U.S. Treasury Secretary Tim Geithner, ECB President Jean-Claude Trichet and IMF Managing Director Dominique Strauss-Kahn — made a conscious and very political (not financial) decision to prevent the crisis from spreading and keep the euro area together. Without such an enormous loan, Greece would have certainly been forced to leave the currency union.

So what to do? Greece sorely needs to regain investor and consumer confidence today. For this to happen, the country’s official sector lenders need to write down the debt or convert it into equity, chalking it up to the cost of keeping the euro area together.

The IMF’s stance is preposterous. It is motivated by self-interest, rather than by what would be best for Greece. The fund has simultaneously tried to block Greece’s return to the capital markets and attempted to undermine Europe’s new banking union by demanding yet another recapitalization. Considering that the country — like all euro members — can’t achieve macroeconomic adjustment by devaluing its currency, extreme care must be taken. Consumer and investor confidence, not exports, will ultimately drive growth.

Lack of confidence is undermining the Greek economy. Sentiment indicators have remained in negative territory, even though industrial production has been growing since 2015. The gloom has prevented renascent growth from prompting a new cycle of investment, as it normally would. Without that positive feedback, growth can’t accelerate.

The banking system doesn’t need another recapitalization. Loans are best worked out by institutions that have a relationship with borrowers and can find solutions without creating unnecessary disruption. This is precisely how the U.S. went about restructuring troubled mortgages with its Home Affordable Refinance Program, which laid the foundation for an economic and housing recovery. This could be a model for Greece.

Greece has done its part, by pursuing legal reforms that provide banks with new tools to resolve troubled loans. But the IMF began undermining the new legislation even before it took effect, arguing that it would never work. This is counterproductive because it dissuades borrowers and lenders from cooperating to find solutions that make the debt burden manageable and ultimately allow businesses to return to growth. Backstabbing Greece as it tries to make progress is not responsible behavior.

Meanwhile, the negative effects of the IMF’s “plan” are easy to see: further erosion of investor confidence in Greece and an undermining of European banking regulators’ political independence. All parties need to focus on fostering stability and solvency, leaving past politics at the door. This is the missing ingredient which, when found, will bring the recovery that the Greek public has been waiting for.

Private investors have suffered. The Greek people have suffered mightily. Now the IMF has to do its part by writing off Greece’s debt, ceasing demands for another recapitalization and letting Europe’s leaders take charge.

(JN) FMI espera crescimento de 2,5% e défice de 1,5%

(JNMetas do Governo para o crescimento da economia e o equilíbrio das contas públicas deverão ser superadas, escreve o Fundo no relatório de análise anual a Portugal.

FMI espera crescimento de 2,5% e défice de 1,5% .
O FMI manteve a previsão de crescimento e excedente externo para a economia portuguesa e bem como as estimativas de défice, dívida pública e desemprego, depois de no último relatório ter revisto em alta o crescimento e em baixa o défice. A avaliação mais positiva sobre o momento nacional consta no relatório referente à análise anual à economia nacional feita ao abrigo do artigo IV da instituição, e publicada esta sexta-feira, 15 de Setembro.

As estimativas de Washington apontam para um crescimento do PIB de 2,5% este ano e 2% em 2018, valores que comparam com as previsões anteriores de 1,7% e 1,5%. “A recuperação cíclica ganhou dinâmica em 2017, com uma recuperação das exportações e do investimento coincidentes com a continuação do crescimento do consumo privado”, explica o relatório, que destaca o papel do turismo como “motor chave” do crescimento, embora sublinhe que há também uma “recuperação alargada das exportações de bens nos últimos trimestres, apoiada numa recuperação da Zona Euro”.

Neste contexto, “os indicadores de confiança doméstica fortaleceram-se significativamente e o emprego continua a aumentar”, o que leva o FMI a apontar para uma taxa de desemprego de 9,7% da população activa em 2017, menos um ponto do que a previsão da Primavera.

O maior dinamismo económico ajudará ao desempenho orçamental, mostra ainda o relatório. A “recuperação do crescimento põe o objectivo desde ano de um défice de 1,5% do PIB completamente ao alcance” e permitirá até uma redução do “stock” de dívida pública de 130,3% do PIB para 125,7% do PIB, um valor que fica quase três pontos abaixo da anterior previsão.

Este é um desempenho que, embora positivo, não deve impressionar, avisam os especialistas do FMI, que calculam que em termos estruturais, ou seja, descontando o efeito da retoma económica, o ajustamento orçamental desaparece. Num país com uma dívida pública tão elevada, mais seria de esperar, defendem: “uma consolidação orçamental estrutural duradoura é essencial para garantir a sustentabilidade das contas públicas, com a elevada dívida pública a permanecer um risco considerável e esperando-se um ambiente de financiamento menos favorável à medida que o estímulo monetário [do BCE] seja reduzido”.

Excedente externo ainda em 2017

Nas estimavas do Fundo, os melhores resultados económicos não vão implicar uma degradação da posição externa, com a balança corrente [que mede as entradas e saída de dinheiro do país] a estabilizar num excedente compreendido entre 0,8% e 0,6% do PIB em 2016 e 2017, o que contraria a previsão anterior de um pequeno défice externo já este ano.

“O saldo corrente está a caminho de um excedente recorde em 2017, com a recuperação das exportações e o crescimento sustentado do turismo a compensarem, em parte, o crescimento da procura por importações”, lê-se no documento, que acrescenta ainda que “embora a posição líquida negativa de investimento internacional do país permaneça elevada, a mudança para excedentes externos contribuiu para uma melhoria de -118% do PIB no final de 2014 para -105% do PIB no final de 2016”. Em 2017 poderá mesmo ficar nos dois dígitos.

Mas, tal como acontece com a dívida pública, os técnicos de Washington sublinham que embora a evolução nas contas externas seja positiva, seria desejável fazer mais numa economia tão endividada face ao exterior: “O staff identifica um ‘gap’ de cerca de 2% a 4% do PIB face ao excedente da balança corrente que seria necessário para garantir uma redução significativa no médio prazo da posição de investimento internacional”, lê-se no relatório onde se defende mais consolidação orçamental e mais reformas estruturais que aumentem a competitividade e o crescimento potencial do país.

(JE) Portugal pode ‘ver-se livre’ do FMI já no próximo ano

(JE) Reembolsos antecipados são a causa de adiantamento do possível fim das visitas de inspeção pós-resgate, feitas duas vezes ao ano pelo FMI. As visitas de monitorização estavam previstas acabar só daqui a dois anos.

Portugal pode ver-se livre das “visitas de monitorização” do FMI já no próximo ano, noticia o DN. As inspeções pós-resgate podem terminar dois anos antes do previsto, em ano de legislativas.

As visitas de monitorização pós-resgate realizam-se duas vezes ao ano, e fazem parte “da actividade normal de supervisão de países membros com montantes em dívida para com o FMI superiores a 200% da quota”, segundo o FMI. A quota é o pagamento anual que cada país realiza para poder fazer parte do fundo.

Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado das Finanças, explica que a ideia “é prosseguir com a estratégia” dos pagamentos antecipados à entidade, apoiada na liquidez acumulada no final de cada ano.

Os reembolsos antecipados, iniciados pelo anterior governo PSD-CDS, são a principal causa desta antecipação do fim das visitas. A acontecer, o FMI passará a visitar o país apenas para o exame anual. Se o Tesouro pagar 3,2 mil milhões de euros ao FMI em 2019, as inspecções regulares pós-programa terminam. Ficam por pagar cinco mil milhões ao fundo.

As visitas de monitorização acontecem duas vezes ao ano, e fazem parte “da actividade normal de supervisão de países membros com montantes em dívida para com o FMI superiores a 200% da quota”, segundo o FMI.

O FMI concedeu a Portugal um crédito de 27 mil milhões de euros, cerca de 33% do pacote de financiamento necessário depois da crise de 2011.