(JN) Moody’s espera pelo próximo governo para subir rating de Portugal

(JN) A agência elevou o “outlook” da dívida de Portugal, mas antes de aumentar o “rating” quer assegurar que o próximo governo mantém a trajetória de descida da dívida pública.

Alguns analistas acreditavam que a Moody´s poderia elevar já o rating da dívida portuguesa de Baa3 para Baa2, mas no relatório que publicou na sexta-feira a agência deixou claro que não será este ano que vai colocar a classificação da dívida portuguesa no segundo nível acima de lixo.

Na segunda vez este ano em que se pronunciou sobre o rating de Portugal, a Moody’s subiu o outlook (perspetiva) de “estável” para “positivo”, abrindo a porta a uma melhoria do rating na próxima reavaliação. Este “upgrade” reflete a descida do endividamento público a “um ritmo superior ao estimado”, bem como as “melhorias sustentáveis” na saúde do setor financeiro, que “está a ficar mais robusto”.

A agência elogia o desempenho do atual governo na consolidação orçamental, destacando que tem tido “sucesso” a resistir a aumentar a despesa apesar da proximidade das eleições legislativas, pelo que valida a previsão de Mário Centeno de terminar este ano com um défice de 0,2% do PIB.

Mas para dar o passo de colocar o “rating” da dívida portuguesa no segundo nível acima de lixo (onde já está a classificação atribuída pela S&P, Fitch e DBRS), a Moody’s quer garantias de que o governo que resultar das eleições legislativas de outubro vai manter a trajetória de redução do endividamento público.

O rating pode passar para Baa2 se a agência concluir que “as políticas governamentais vão permitir continuar com a consolidação orçamental e o crescimento económico necessário para alcançar uma baixa no endividamento público na próxima legislatura”. A agência avisa o próximo executivo que “medidas que contenham a despesa pública serão um elemento chave” e quer ver “reformas económicas que suportem o crescimento económico no curto prazo”.

Em declarações à Lusa, o ministro das Finanças Mário Centeno espera “novos movimentos de melhoria na classificação da dívida nos próximos meses, nas próximas avaliações “.