+++ P.O./V.V.I. (JN) PSD fala em “mentira” de Centeno, PS atira contra Maria Luís

P.O./O.P.

…Mais achas para a fogueira…

…Onde há muito deviam todos os responsáveis por este escândalo estar a           arder…

…Ver a minha P.O. de hoje e as anteriores sobre este escândalo:

+++ P.O./O.P. V.I. (CM) Constâncio assinou a morte do Banif

O.P. (OBS) Suspensão ou perda do estatuto de contraparte? Foi indiferente para o resultado

+++ P.O./V.I (PUB) Quem decidiu que o Banif perdia acesso ao BCE e ditou o seu fim? – Completo

+++ O.P./P.O. (JN) Camilo Lourenço: A frase assassina de António Horta Osório

+++ O.P./P.O. (JN) Banif: Centeno diz que liquidação do banco custaria 10 mil milhões de euros

+++ P.O./O.P. (BdP) Comunicado do Banco de Portugal sobre a venda do Banif – Banco Internacional do Funchal, S.A.

+++ O.P./P.O. (JN) Banif: Centeno diz que liquidação do banco custaria 10 mil milhões de euros

 

 

Francisco (Abouaf) de Curiel Marques Pereira

(JN)

PSD fala em "mentira" de Centeno, PS atira contra Maria Luís

PEDRO ELIAS/NEGÓCIOS

O ministro das Finanças, Mário Centeno, vai voltar a falar aos deputados. Maria Luís Albuquerque também. É o resultado dos argumentos centrais do PSD e PS na comissão de inquérito ao Banif.

 

“Eu pessoalmente nunca intervim no processo de venda nessa dimensão que está – acho que – a sugerir.” Mário Centeno disse-o a 7 de Abril. “O senhor ministro das Finanças prestou um depoimento falso à comissão de inquérito”, Luís Marques Guedes considerou exactamente uma semana depois. O motivo: “Recebi ontem à noite chamadas de Vítor Constâncio e do ministro das Finanças de Portugal pedindo-me para desbloquear a oferta do Santander junto da Comissão Europeia.” Daniéle Nouy, que preside ao Mecanismo Único de Supervisão da Zona Euro (que junta o Banco Central Europeu e as autoridades supervisoras nacionais), escreveu-o num e-mail datado de 19 de Dezembro de 2015.

É com base nesta alegada contradição, entre o que o ministro das Finanças disse na comissão de inquérito ao Banif e aquilo que é sugerido num e-mail enviado de Frankfurt sobre contactos com o governante, que o Partido Social Democrata acusa Mário Centeno de ter mentido ao Parlamento. Motivo pelo qual pede a sua audição, uma semana depois da primeira, com “carácter de urgência”.

Segundo o grupo parlamentar do PSD, o governante com a pasta das Finanças actuou para vender o Banif ao Santander Totta quando estava ainda à espera de propostas alternativas, nomeadamente do Popular. Além disso, também é sugerido pelos deputados que Centeno e Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE, estiveram “provavelmente concertados” para conseguir um “amaciamento” dos serviços da Comissão Europeia para que o Banif fosse vendido ao banco de capitais espanhóis.

“O ministro das Finanças estará inteiramente disponível para prestar, na comissão de inquérito, todos os esclarecimentos que esta entenda necessitar”, respondeu, por e-mail ao Negócios, a assessoria de imprensa do Ministério das Finanças.

Não foi a única reacção. O Partido Socialista quis responder, pela voz do coordenador João Galamba. “O PSD veio hoje criar a enésima cortina de fumo inventando incidentes”, disse aos jornalistas, acrescentando que a alegação sobre a mentira de Centeno “não tem qualquer fundamento”. Ainda assim, os socialistas vão aceitar o pedido de depoimento a Centeno, embora Galamba tenha lembrado que é Maria Luís Albuquerque que tem de explicar porque é que não falou aos deputados sobre a proposta de 700 milhões de euros do fundo Ample, que foi noticiado pelo jornal Público, apresentada em Maio de 2015, mas que não teve seguimento.

Contudo, defendendo que não quer entrar em guerra política, João Galamba argumentou que a nova audição de Maria Luís Albuquerque, embora justificasse também carácter de urgência, será proposta em “tempo oportuno”.

Estes pedidos mostram que os dois maiores partidos estão a olhar para momentos diferentes em relação à queda do banco fundado por Horácio Roque. O PS pretende centrar-se naquilo que diz não ter sido feito pelo anterior Governo, ao não ter concluído um processo de venda: “Se houve alguém que geriu o Banif na tentativa de proteger as eleições de Outubro foi o anterior Governo, nomeadamente a anterior ministra das Finanças”, como sintetizou Galamba. A capitalização em 2013, determinada pelo Governo PSD e CDS, é outro dos pontos de foco do PS, que questiona se o dinheiro foi então colocado num banco cuja viabilidade já estava em causa.

Já o PSD tem outros argumentos, centrando-se sobretudo no processo de venda do Banif ao Santander e nos passos que acabaram por colocar o Banif na instituição financeira que, desde o Verão, já estava a olhar para os seus activos. Além disso, levanta dúvidas sobre a necessidade de terem sido injectados, com a alienação, 2.255 milhões de euros estatais.